Da instante
Acabei de fechar o livro agora. Não li assim de uma vez como o fino volume e o estilo rápido recomenda. Demorei alguns meses desde a aquisição para chegar até o meio do livro. Estava achando a história estranha mas sem monotonia. Digressões sobre o nosso mundo contemporâneo deram pinta que a narrativa era mesmo uma fábula, com a moral apontando os erros dessa sociedade pósmoderna e tal.
A segunda parte é doida demais para qualquer coisa que se diga. Quebra com qualquer reconhecimento anterior dos personagens. Esquece a própria narrativa. Dá pra ver que o cara que escreveu aquilo tudo é bom pra cacete no que faz e sátiro tira um sarro com a gente do tipo "vocês achavam que ia ler algo sério então estão lendo!". Não entenderam? Li ferozmente do meio pra lá!
Aira, cospe porralouquice e nos irrita em As Noites de Flores. Podemos dizer que o livro é ruim. Claro que é. Mas a intenção é justamente ser ruim, nunca medíocre e sempre belo. A última página pode ser lida no silêncio de esquinas como da Fiqueireido com a Nossa Senhora ou na tormenta decibérica de uma planície patagônica. Vai dar no mesmo.
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Pedro Aira é Argentino e autor de mais de 30 livros. Esteve na FLIP 2007.
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