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As ruínas fluminenses e sua preservação
Breves · Rio de Janeiro (RJ) · 23/7/2006 15:52 · 53 votos · 1 ·
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Os Souza Breves foram os maiores fazendeiros de café no período de 1820 a 1890. Dominaram do mar fluminense até as Minas Gerais, e o comendador Joaquim José de Souza Breves foi a figura mais polêmica de todos eles. Dono de um poderio feudal, chegou a possuir mais de 10.000 escravos juntamente com seus irmãos e aparentados. Suas terras iam da Marambaia até Minas Gerais com mais de 90 propriedades. Possuía navios e gozava da amizade de Pedro I, tendo participado do Grito do Ipiranga. Diversos autores já trataram dessa figura: Taunay, Griecco, Zaluar, Ternaux-Compans, Agassiz e Assis Chateaubriand. Não há que se fazer apologia da escravidão - uma mecha suja de nosso passado. Mas história é história e bens culturais em toda sua amplitude devem ser preservados.
Importantes monumentos arquitetônicos e de valor artístico para a história de nosso Estado, encontram-se no mais completo abandono. Três péssimos exemplos de destruição podemos apontar:
1 - Igreja da Fazenda de São Joaquim da Grama: situada em Rio Claro - RJ. Berço dos Breves, célula-mater de inúmeras outras propriedades, mandada construir por Joaquim Breves, a monumental capela serviu de repouso para seu criador e família por algum tempo. Com o caso Danna de Tefé, que a polícia local suspeitou durante o inquérito que houvesse sido enterrada ali, pois foram encontrados túmulos revirados, o lugar ficou maldito. A igrejinha (de grandes proporções), situada no altiplano, domina a região de São Joaquim da Grama, e está toda destruída. O teto está desabando, a escada em caracol que levava até o sinos (roubados) caída ao chão, os altares apodrecendo comidos pelos cupins. Ainda se vê parte da pintura do teto, e do mármore importado no chão. Bois e vacas usam-na hoje como moradia . Uma vergonha. Da casa-grande de São Joaquim, resta 1/3 da fachada ainda conservada.
2 - O casarão da Fazenda do Pinheiro: Situa-se o palacete em Pinheiral – RJ, próximo a Volta Redonda. Em ruínas a casa do Comendador José de Souza Breves, que já foi Posto Zootécnico Federal, visitado pelos reis da Bélgica, e que funciona hoje o Colégio Agrícola Nilo Peçanha. A casa-grande que foi do Comendador José de Souza Breves (irmão de Joaquim), foi doada em testamento (não teve filhos) para que ali se estabelecesse uma entidade de ensino, com prêmios anuais e verba destinada ao seu funcionamento. A propriedade passou ao Governo, que ali se fixou.
Hoje, completamente destruída, com o madeiramento de pinho-de-riga, tetos em estuque pintados a trompe- l’oeil, portais ricamente decorados, serve de abrigo a mendigos, morcegos e outras criaturas. Estive lá e fiquei horrorizado. Aqueles enormes salões incendiados com a vegetação nascendo entre as táboas.
Ora, o Colégio Agrícola é uma extensão da Universidade Federal Fluminense. Por que a Universidade não restaura o casarão? Poderia servir à comunidade local para eventos (teatro, museu, ou mesmo extensão do próprio colégio). Foi uma das maiores fazendas de café da antiga província, com toda a riqueza de história que bem conhecemos (foi palco de escravaria numerosa, banda de música, hospital, armazéns, jardins, bailes e festas, reuniões políticas,etc). Visitada por ilustres em 1870 como Cantagalli – embaixador da Itália, Ternaux-Compans (legação francesa), e o português Augusto Emilio Zaluar, que descreve em suas cartas, a magnífica residência.
O desinteresse, demonstrado pelas autoridades (IPHAN, Prefeituras, e outros órgãos), é evidente. Cultura e preservação nunca foram o forte das autoridades.
tags: Rio de Janeiro RJ cultura-e-sociedade
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