Tacacazeiras
Quem, em Belém do Pará, nunca tomou um tacacá? Quem nunca se deliciou com aquele sabor gostoso da Cidade das Mangueiras, em uma das tantas barracas de comidas típicas espalhadas pela cidade? Sabe aquela tarde chuvosa, céu nublado, aquele “frio” bom que só o paraoara sente? Essa é uma tarde perfeita para se tomar um tacacá...
Segundo o dicionário, o tacacá é um “mingau quase líquido, de mandioca e camarão, temperado com jambu e pimenta.”. Segundo a cabocla que aqui vos escreve, é uma delícia de dar água na boca!
Tem gente que saliva, só de pensar. Tem aqueles que sempre tomam no mesmo lugar, há vários anos. Tem gente que até mesmo sai da cidade de Belém e vai a municípios vizinhos para tomar um tacacá em especial. E ainda aqueles “Quem vai ao Pará parou, tomou tacacá ficou".
Ah, o tacacá nosso de cada dia. É uma mistura de sabores, de cheiros, de texturas e de cultura: o tucupi que encontramos em feiras e supermercados; a goma que é feita de mandioca (assim como o tucupi) e que é completamente transformada para virar ingrediente do tacacá; o camarão, nem sempre pescado na hora, mas delicioso de qualquer maneira; o jambu que deixa aquele “ardido” e aquela dormência na boca que é uma das características mais fortes do tacacá.
Primeiro uma camada de tucupi (fervendo, de preferência), depois um pouco de goma ou muito, depende da pessoa, as folhas de jambu, o camarão rosa, graúdo e salgado, mais um pouquinho de tucupi e pimenta a gosto! Quem não é daqui, pede um palitinho ou um garfinho de madeira, quem daqui é pega camarão e jambu com a boca ou com os dedos, se assim o preferir.
Como se já não bastasse ser parte da cultura e da culinária do povo paraense, do amazônida, o tacacá traz ainda as gentis “senhoras” (que, hoje em dia, estão cada vez mais jovens) vendedoras de tacacá, as famosas “tacacazeiras” que fazem, vendem e divulgam esta iguaria. Estas “senhoras” são tão importantes quanto o próprio tacacá, são cheias de histórias, cheias de “causos”, cheias de vida! Digamos que, se os baianos têm suas baianas, nós, paraenses, temos nossas tacacazeiras. Elas são mais do que aquelas que preparam o tacacá, elas fazem parte da vida dos paraenses. Em cada canto da cidade, tem uma tacacazeira. Pode até não estar vestida de branco e vendendo somente o tacacá, mas ela terá toda a simpatia de alguém simples, porém, de extrema importância para o povo de Belém e dos arredores da cidade.
Espalhadas pela cidade de Belém, as tacacazeiras ficam com seus carrinhos de comidas típicas nos lugares mais variados possíveis. Perto de uma parada de ônibus, em frente a algum restaurante, perto de algum fast-food, etc. É fato que não encontramos tacacazeiras em lugares fechados, chiques. Assim é até melhor, arrisco dizer. Perderia o encanto, creio eu. Tacacazeiras são pessoas do povo, elas são o povo. O pescador que chega vendendo seus camarões frescos, aqueles que ainda usam o tipiti (instrumento de palha usado para secar a mandioca) para fazer o tucupi e a goma, os micro-agricultores que vem cedo para a cidade trazendo o jambu para vender na Feira do Ver-o-Peso e todas as pessoas envolvidas no processo.
Elas vendem também outras iguarias como: vatapá, caruru, maniçoba e até mesmo a mistura dos três, a varuçoba. “É uma camada de vatapá, uma camada de caruru e uma camada de maniçoba e é muito bom”, diz a vendedora Solange. O que todos procuram, porém, é o tacacá. Sentam, conversam, comem, bebem, contam e ouvem histórias, se encantam! Tudo isso em apenas uma hora ou menos, tomando um tacacá. As tacacazeiras fazem de tudo para que você se sinta bem, “em casa” quando você está na casa dela, em sua barraca, tomando seu tacacá. É de uma delicadeza rústica que vos falo. Como pessoas tão simples podem ser tão adoráveis?
Sempre com um sorriso estampado no rosto, a tacacazeira lhe pergunta como você está e, o mais importante, como você quer seu tacacá. Pensando agora, vai ver é isso que torna o tacacá tão especial. Cada um faz o “seu” tacacá. Pode-se chegar e dizer “mais goma”, “menos tucupi”, “capricha no camarão”, “sem pimenta” e, assim, cada um toma um tacacá, diferente do outro, como deve ser.
Nenhum tacacá é igual ao outro. Daí a preocupação de agradar o amigo – porque é assim que as tacacazeiras se referem à sua clientela. Tem muito do espírito de conquistar uma clientela cativa e mais ainda da sorte de termos sempre tacacazeiras simpáticas que, mesmo chegando a sua barraquinha 8h, 9h da manhã e permanecendo em pé, trabalhando, servindo até depois das 18h. É quase um dom, diria. O dom de ser tacacazeira e de fazer tacacá. Porque, acredite, não é pra qualquer um (a).
Nossa... Fiquei até com vontade de comer um tacacá! É mto bom ver aki é essa regionalidade que tem o Brasil. E o Pára não fica de fora, sendo a terra da especiarias.
Bjs
Jambu eu também não sei o que é
sonekka · Santos, SP 25/12/2007 23:53:D Muito legal o texto!
João Miguel · Fortaleza, CE 26/12/2007 11:38Maisé, só faltou mesmo uma foto da bendito tacacá hein?! Fique morrendo de curiosidade viu? Um abraço.
FILIPE MAMEDE · Natal, RN 27/12/2007 10:22
Maíse,
Eu provei e gostei do Tacacá que fazem em São Luis do Maranhão. Apesar de ter achado uma delícia, tenho conhecimento que os tacacás de Belém são muito mais deliciosos.
É importante lembrar para quem não está acostumado com esta delícia, ir devagar na primeira cumbuca pra mais tarde não ter que correr ao banheiro.
Humm... que vontade me deu agora de tomar um tacacá com bastante pimenta.
Maise,
Fico feliz em ver a cultura do Pará sendo divulgada no Overmundo. A minha companheira é natural desta terra de paisagens e povo lindo e está de malas prontas para viajar até aí e assim poder matar muitas saudades, inclusive a de comer tacacá. Quanto a mim, estou me organizando para chegar em janeiro de 2009 por ocasião do Fórum Social Mundial. Tenho certeza que vai ser muito legal o encontro de gente de muitas tribos em Belém do Pará.
Abs,
Oi, Maíse!
Beber Tacacá da melhor qualidade. Degustar de Jambu com um légitimo Tucupi depois de umas Celvas: é algo que já é religioso por aqui... Eu tomo Tacacá duas vezes por semana. Açaí? Todos os dias... Rs.
Parabéns!
Faltaram imagens para ilustrar este belo post...
Uma deixa: Por ocasião do Forum Social Mundial - aos meus amigos overmundianos - encomendarei um caprichado Tacacá.
Bjs.
Benny Franklin
Tacaqui um tacacá
dá-me-lo cajá ô pá!
Cum pimenta, tá?
jambu é jambo, acaso?
Vovó me diz sempre que jambo é a cor da Ângela Maria, a cantante do impagável "falhaste coração".
Se o jambo estiver maduro...
Kais Ismail · Porto Alegre, RS 28/12/2007 00:42
A Wikipedia ensina que o jambu, também conhecida como agrião-do-pará (Acmella oleracea) é uma erva típica da região norte do Brasil, mais precisamente do Pará.
O jambu é muito utilizado na culinária paraense, podendo ser encontrado em iguarias como o tacacá, o pato no tucupi e até mesmo em pizza combinado com mussarela. É usada como especiaria pelos chineses. As folhas podem ser usadas frescas ou secas.
A planta é reconhecida como anestésica, diurética, digestiva, sialagoga, antiasmática e anti-escorbútica. Os seus capítulos possuem propriedades odontálgicas e anti-escorbúticas.
E ainda tem o melhor: o jambu deixa um leve tremor nos lábios, que lembra a emoção do primeiro beijo da mulher amada.
Tacacá é tudo de bom. O cheiro do tucupi é inebriante. Parabéns pelo post.
Ah, descobri uma foto do tacacá em:
http://www.cdpara.pa.gov.br/tacaca.php
Muito prazer em conhecer mais da culinária paraense, por aqui o que tem é o famoso cheirinho amadeirado, além da famosa castanha... sim e a lindissima cerâmica Marajoara cada vez mais bem desenhada e colorida. Tudo lindo. Legal. Abraços.
analuizadapenha · Natal, RN 28/12/2007 11:54
Ôxe, bichinho, tchê! Que bom esse tacacá com jambu.
E eu já tô procurando ser a amada essa daí
de fazer tremer beiço de guri.
Mais sério ainda: grata pela informação Moka.
Bom, Juliaura, como você desabilitou a opção de receber recados, deixo aqui meu muito obrigada pelo comentário!
E, sim, Moka explicou tudo: jambo não é jambu, jambu é melhor! E olha que eu adoro jambo!
Um beijo!
Perdãos, Maíse, é que tou de umas férias meio delongadas e só di quando em vez é que chego perto do pecê, que tem umas praias de areia movediça que ficam agarrando eu aqui no Costão do Santinho.
Depois do Carnaval, acho que tudo voltará ao anormal, se eu não me acabar antes..
Beijin.
Maíse,
Ha alguns meses um quase vizinho - só que do Acre - mas de volta acho, passando por Belém trouxe o tacacá, tive a sorte
de na casa dele experimentar,
Legal gostei,
e gostei acima de tudo do escrito,
andre.
Que texto lindo! Tô planejando uma visita à Pará ano q vem e já não posso ver a hora de experimentar tacacá.
Krista K · Salvador, BA 30/12/2007 10:17
Maíse,
Acabo de chegar de uma banca de tacacá, em PVH, onde matei saudade dessa poção mágica alimentícia.
O seu texto tem jambu, goma, pimenta, tucupi e camarão, enchendo a minha boa d'água.
Realmente, de churrasco pantaneiro, acarajé, vatapá, tucunaré, pirarucu e caviá, para mim, nenhum é melhor que o tacacá.
abrs
Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
A Revista Overmundo está chegando ao fim de sua primeira temporada e você não pode perder a oportunidade de colaborar! A edição nº 6 da revista,... +leia
Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!
+conheça agora
No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!