Aumenta Que é Rock – Coletivo em progresso

Carolina Morena
Equipe atual do aumenta: Thiago, Isabella, Marcos, Eliseu e Fabio
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Carolina Morena Vilar · João Pessoa, PB
23/12/2006 · 273 · 7
 

Um coletivo que começou sem a menor intenção de ser um coletivo. É o que se tornou o Aumenta que é Rock, a principio um programa de rádio que surgiu apenas (?) para ocupar um espaço inexistente no estado, transmitindo uma programação voltada para o rock, com atenção especial para a produção independente, discutindo, questionando e informando, ao vivo, tudo que diz respeito a esse mundo.

Marcos Thomaz e Eliseu Lins são as figuras responsáveis por todo o movimento. “Era de praxe a cerveja do fim de semana e, conseqüentemente, as intermináveis conversas sobre música e toda essa carência de eventos e ações ligadas ao rock’n roll. Não tínhamos sequer um programa de rádio que servisse de vitrine para o que estava acontecendo na cidade e fora do mainstream musical, não tinha um selo que lançasse e desse suporte aos artistas ligados a esse tipo de música. Mesmo com algumas movimentações, nós notávamos que era tudo sem muito suporte e periodicidade”, conta Marcos, justificando essa inquietação pra fazer algo que realmente movimentasse a cidade e fosse algo concreto, não apenas ações esporádicas.

Eles eram jornalistas e trabalhavam no sistema Correio de Comunicação, umas das grandes empresas do Estado que tem o maior jornal impresso, maior emissora de rádio e televisão local, ou seja, eles já estavam inseridos no meio, e a possibilidade de realizar o projeto do programa de rádio que eles tanto sonhavam não era tão impossível assim. Decidiram tentar: Fizeram um projeto escrito e apresentaram à direção da rádio assim que souberam de uma brecha na programação e, há um ano atrás, foram aprovados. “Nós nem acreditamos. Entraríamos no ar em menos de 15 dias e não tínhamos nenhuma experiência diante dos microfones. Foi uma correria só pra fazer vinheta, entrar em contato com as bandas da cidade e divulgar. Mas deu certo e no dia 18 de novembro de 2005 entramos no ar”.

Principalmente pela inexistência de um outro programa e efetiva participação do público, já era de se esperar que a programação desse certo e virasse referência. Tudo aconteceu muito rápido e sem muitas pretensões. O envolvimento de Marcos e Eliseu nas produções culturais veio como uma conseqüência do espaço alcançado, despertando neles cada dia mais a necessidade de ultrapassar o espaço do rádio, principalmente com a carência de iniciativas fortes e de impacto na cidade, além do surgimento de novos produtores. “Mas a coisa deu certo mesmo porque vimos que existia um público, mesmo que pequeno. O momento que o rock vive no país, impulsionado pela internet e acessibilidade irrestrita às coisas junto ao anseio de quem faz música na cidade, deixaram evidentes que para a coisa funcionasse mesmo bastava só um tanto de organização e coragem para arriscar. Por que não atuar também em outras frentes?”.

Foi assim que o Aumenta passou de programa de rádio para também produtora de shows. A idéia foi agir olhando pra produção musical de outros estados que estavam dando certo e trazer pra cidade, dando assim visibilidade ao local. “Não há cena se não há auto-estima e valorização de bandas da cidade, mas elas também não se consolidam sem apresentá-las ao público, o que é propiciado pela vinda de bandas grandes, que atraem pessoas”. E é assim que tem funcionado. Pra fazer um show que atraia mais de 300 ou 400 pessoas aqui em João Pessoa, a banda principal tem que estar fortemente inserida na mídia de alguma forma, ou, no mínimo, cair no gosto popular comum. O público atraído pela “banda de destaque”, assim, acaba também sendo induzido a conhecer o que é produzido no seu estado, havendo a possibilidade de criar gosto por aquilo e, quem sabe, gerar uma sustentabilidade futura sem depender unicamente do externo.

Com estratégias como estas e uma popularização no meio do programa, em agosto deste ano eles deram um pontapé fundamental pra história do coletivo. Um grande festival, com dois dias de programação e bandas maiores como Forgotten Boys, Autoramas e Relespública, intercaladas com bandas locais, fez tudo ganhar mais consistência e credibilidade. Algo como o que faltava pra acreditar que o negócio não é brincadeira e fazer com que até os próprios organizadores acreditassem mais em si mesmos, comprovando que basta saber fazer. As coisas precisam mostrar resultados para gerar um próximo investimento. É como o Marcos falou, auto-estima é fundamental num meio que muito tem de trabalho, mas tem muito também de ideal.

Como se não bastasse, o próximo projeto do grupo é fazer o primeiro selo de música da cidade. E parece que estão realmente trabalhando pra viabilizar isso. A ótima banda Motherhell será o primeiro lançamento, e a preocupação é que haja realmente uma consciência de profissionalização das bandas lançadas. “Acho que essa história do selo hoje é o maior obstáculo do Aumenta. Todos sabem que CD independente não dá dinheiro, já que nem as majors se sustentam mais. Mas também achamos importante tocar os projetos e assumir responsabilidades na marra mesmo, porque se esperarmos sucumbir as dificuldades, tudo estagna de novo e a cena não sai do lugar”, diz Marcos. E a idéia nesse ramo é mesmo essa. Como disse é mais que um negócio, é um ideal.

Entre programa de rádio, show, festival, selo e a maior comunidade no orkut sobre rock local, o que mais se destaca com certeza é a relação de tempo envolvido nisso tudo. Ao contrario de muitos estados que tem algum coletivo similar, tudo com o Aumenta foi muito rápido. Há um ano e meio ninguém sabia quem era Marcos Thomaz, por exemplo, e nem sabia quando teríamos algo vinculado num veiculo de comunicação acessível a todos sobre rock e a produção local e regional. Tínhamos apenas o iniciante Festival Mundo como o festival do gênero da cidade e nenhum grupo regular e homogêneo de produção do que move a música: shows. O Aumenta que é rock fez um sábio uso de um espaço que faltava e fez a cidade ter um maior movimento e até mesmo união entre os envolvidos na cena, isso passo por passo, servindo como exemplo para articulações em outras cidades que sofrem de uma mesma carência de produção e engajamento. Muito ainda está por ser feito, obviamente, mas acredito que estamos, aqui em João Pessoa, passando por uma fase maravilhosa, por dar perspectivas. Isso, claro, não é mérito apenas do Aumenta que é Rock, mas de todos os envolvidos e interessados, dos músicos que apóiam, do público que dá de certa forma retorno e que está sendo construído. É ainda um caminho que está sendo erguido para uma consolidação de outros coletivos ou até mesmo um só grande grupo. O que vai ser? Se vai dar mais certo ou vai acabar amanhã por um motivo qualquer? Deus sabe. É tudo muito inesperado nesse mundo, mas uma coisa é certa: todas as ferramentas estão na mão e só anda pra trás se quiser mesmo.




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Felipe Gurgel
 

A briga de vocês também serve de exemplo para evidenciar como o discurso do reclamismo não funciona. Aqui em Fortaleza, mesmo tendo programações semanais em pelo menos dois redutos da cena alternativa, ainda há quem reclame gratuitamente da organização da cena. Claro que nem sempre há bom público e tra lá lá... Mas as pessoas precisam aprender a ponderar e estabelecer paralelos para depois avaliar o que pode aperfeiçoar a estrutura de uma movimentação cultural ou não. Vida longa ao Aumenta Que é Rock.

Felipe Gurgel · Fortaleza, CE 23/12/2006 20:00
2 pessoas acharam útil · sua opinião: subir
Edmundo Nascimento
 

Marcos Eliseu e cia.. tem conseguido movimentar uma cena carente desse tipo de iniciativa....Parabens.. e q continuem firmes no proposito..!!!

Edmundo Nascimento · João Pessoa, PB 23/12/2006 22:27
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
jjLeandro
 

Feliz Natal, mina
http://jjleandro.blog.terra.com.br/
http:fotolog.terra.com.br/jjleandro60

jjLeandro · Araguaína, TO 24/12/2006 12:27
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InDePeNdÊnCiA
 

"Não fique triste meu bem, a verdade é que o Amor é uma amizade, em chamas"
Sorria, você está no Overmundo, e eu? Bem, estarei aqui por muito tempo, esperando você se decidir a tentar não ser tão sério...Quanto ao espaço, tudo de bom para nós, 'cena independente'!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

InDePeNdÊnCiA · Belo Horizonte, MG 25/12/2006 14:53
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Carolina Morena Vilar
 

Essa matéria foi públicada ontem (26/12) no jornal daqui de Jooã Pessoa Correio da Paraíba, em comemoração ao 1 ano do programa aumenta que é rock.

Carolina Morena Vilar · João Pessoa, PB 27/12/2006 17:55
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valdir batone
 

Oi Pessoal do Aumenta Que é rock, sou compositor e vocalista do LixoExtraordinário, música independente que gostaria muito da audiência de vcs. As músicas estão todas disponíveis no link:
http://www.lixoextraordinario.com.br/site/index.php/metal/musicas_mp3
Parabéns pela iniciativa! E obrigado pela atenção
Batone

valdir batone · Rio de Janeiro, RJ 14/3/2007 18:51
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InDePeNdÊnCiA
 

Tudo de bom, essa matéria diz realmente como é difício e ao mesmo tempo, gratificante, essa batalha da cena independente. Quando podemos, fazemos e quando não, fazemos assim mesmo!!hehe!

InDePeNdÊnCiA · Belo Horizonte, MG 25/3/2008 17:33
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