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Ausländer haus, negão!

Angel Gonzáles
1
Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ
4/7/2007 · 293 · 95
 

Intolerância também é cultura

Em 1992 eu morava em Viena, Áustria. Já estava por lá há três anos, de certo modo cansado de tanta civilização e morrendo de saudades daquela saudável bagunça brasileira, cuja lembrança, nos fazia tão bem, às vezes.

Além da overdose de ordem e civilização, mesmo depois de tanto tempo por lá, ainda me surpreendia com a quase total ausência de rejeição da população local, diante de pessoas com o meu perfil e o da minha família: Negros brasileiros, muito parecidos com os cubanos, com os caribenhos, com os norte-americanos, um pouco com os africanos, negros em suma, quase em nada parecidos com eles, os austríacos.

A estranheza vinha, principalmente, do fato de não ser, absolutamente, esta a maneira como éramos tratados no Brasil, sempre que circulávamos por áreas como a Zona sul do Rio de Janeiro, por exemplo, onde a estratificação social é bem determinada, dividida entre 'Brancos' (habitantes das ruas elegantes, os 'patrões' e as 'madames') e 'Negros' ou 'Paraíbas' (habitantes das favelas e dos subúrbios, os empregados ou serviçais).

Não percebíamos isto, tão claramente, quando estávamos ainda por aqui, é verdade. É que já estávamos acostumados. Foi só em Viena que isto nos chamou mesmo a atenção.

Lá só havia, a princípio, a curiosidade e o respeito diante dos estrangeiros que éramos (turistas, talvez pensassem).

Aqui, quase sempre, os olhares de desconfiança ou de desdém (bandidos, desclassificados, seres inferiores, pensavam, com toda certeza).

(Gosto desta descrição assim, sem nenhuma filigrana ou arroubo sociológico porque ela é bem clara, síntese perfeita do que realmente ocorre, de como a coisa é vista, assim, do lado de cá da cerca).

A estranheza com relação a como éramos tratados lá e aqui era maior ainda porque, como bem sabemos, praticamente não existem brancos no Brasil. Os 'brancos' do Brasil, seriam tratados lá como... árabes, talvez. Isto ficava límpido e claro para nós quando cruzávamos com aqueles milhares de seres louros de olhos azuis, grande maioria da população vienense.

Porque seria que aquelas pessoas tão descaradamente brancas, nos tratavam assim tão bem? Sem nenhum receio, às vezes com certa curiosidade até, pedindo licença para passar o dedo na pele dos mais escuros para confirmar se não era pintada? Me recordo de várias vezes, ao necessitar de alguma informação, de ser atendido por duas ou três pessoas, uma disputando com a outra, a chance de nos ser gentil.

Mas havia sim, um leve incômodo na nossa relação com os austríacos: Éramos, invariavelmente, chamados por eles de Africanisches (africanos), seja lá qual fosse a nossa origem ou do tom de nossa pele. Todos os negros que circulassem pelas ruas de Viena, fossem cubanos, norte americanos, para eles seriam africanisches.

O adjetivo ganhava contornos bem desagradáveis quando, espertos, cometíamos algum ato inaceitável para as regras sociais deles, tais como jogar papel e guimbas de cigarro na rua, falar alto, andar no bonde sem pagar, urinar na rua, etc. Aí o termo nos era lançado com todo o rancor de um xingamento, quase uma maldição: Africanisches! Muitas vezes até complementavam a injúria com o que, para eles, eram horríveis palavrões: Mohr! Negger! (que no Brasil corresponderia aos populares Crioulo! Macaco!)

Curiosas analogias pude constatar depois, estudando o assunto.

Africanisches todos nós éramos porque, do ponto de vista deles, descendentes de africanos, africanos são. Mohr viria de Mouro, palavra portadora do extremo ódio que, até hoje, as pessoas daquela região tem pelos árabes que invadiram e dominaram grande parte da Europa, deixando marcas profundas na cultura deles, entre as quais os arabescos e capitéis da curiosa arquitetura do Stephandomme (a Catedral de São Estevão) e a prática do islamismo em certas partes dos bálcãs (notadamente na antiga Iugoslávia), são marcas eloqüentes.

Como mais um dado a ser inserido na conversa, alguns brasileiros me contaram também, que já haviam presenciado senhoras indignadas com algum mal feito de um africanische, sendo multadas por policiais, na rua, porque se excederam na virulência dos xingamentos. Logo, havia intolerância racial na Áustria sim. Haviam inclusive leis contra o racismo. O que não havia por ali era hipocrisia.

A Áustria, como se sabe, é a terra de Adolf Hitler, ali nasceu a semente do Nazismo, o ovo da intolerância. As estúpidas e inconseqüentes razões do racismo fermentaram ali, do mesmo modo que as frágeis idéias de resistência contra a intolerância racial e as injustiças sociais de qualquer ordem também por ali vicejaram.

Ali viveu Sigmund Freud, Beethoven, Schümann, por ali passaram Karl Marx e Frederick Engels, Einstein, Mozart. Não podemos esquecer também de que, em Viena residem, ainda hoje, muitos descendentes, diretos, dos milhares de mortos dos campos de concentração nazista.

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Em Viena morei em quase todos os bairros. Desde o Grinzing, no bezirk (distrito) 15, o bairro nobre (mais ou menos como uma barra da Tijuca com morros e sem praia), até o suburbano Gumpendorfstrasse. No Grinzing reside gente rica ou moderna, artistas e intelectuais. Ali se curte a vida boêmia, a cultura alternativa, a diversidade racial, cultural e tudo que há de bom na Europa.

Em bairros como Gumpendorfstrasse moram os pobres, o povão. Circulando entre um bairro e outro tive uma lição de sociedade e pude compreender melhor como caminha a humanidade e, enfim, saber com quantos paus se faz a canoa que pode nos levar, dependendo apenas de nosso discernimento, para a civilização ou para a barbárie.

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A vida no apartamento que dividíamos com outra família, era bem tensa. Bairro popular, composto por prédios antigos, do tempo da segunda guerra mundial, no Gumpendorfstrasse não era hábito morarem estrangeiros. Quanto mais negros. Encontrávamos os habitantes locais todo dia, na pracinha do bairro, passeando com seus cachorros. Velhos, em sua maioria. Quase nenhum jovem ou criança, pelo menos à vista.

Quando cruzavam conosco, olhavam para nós com um misto de curiosidade e um mal disfarçado desprezo, cumprimentando-nos por entre os dentes com um 'guten Tag!' ou um 'guten abend!' formal. Alguns, mais atirados, as vezes nos inquiriam, querendo saber de onde vínhamos e quanto tempo ficaríamos por ali. Nestes momentos de inquirição, sorriam dissimuladamente. Nunca usavam, no entanto, como já disse, aquela sutil hipocrisia daqui do Brasil.

A dissimulação dos sorrisos ficava evidente porque o Strassenbahn (bonde) que nos levava de Gumpendorfstrasse até a estação do metrô, que por sua vez, nos levaria ao centro de Viena, tinha a fórmica dos anteparos dos bancos pichadas à caneta hidrocor, com frases que entendíamos muito bem:

_'Ausländer haus!'- ('fora estrangeiros! ').

A primeira vez que vi a frase assim, diante de mim, gelei da cabeça aos pés. É que ela estava ilustrada com uma inconfundível suástica vermelha. Os outdoors do caminho também continham a mesma suástica com a mesma palavra de ordem assustadora: 'Ausländer haus!' Em algumas destas pichações a frase era complementada com mais ênfase ainda:

'Ausländer Tod! (Morte aos estrangeiros! ')

Quem escrevia aquelas frases? Estava claro que só poderiam ser jovens suburbanos, punks de periferia, neonazistas, filhos daqueles vizinhos francamente inamistosos. A gente via estes jovens, sempre, alguns de roupa preta, circulando pelos vagões do metrô, em bandos. Os africanos e brasileiros, nossos conhecidos, já haviam nos alertado para não ficar perto deles, porque costumavam furar estrangeiros com armas brancas.

Eu era apenas um músico brasileiro em Viena. Cantava e tocava na noite. Estava acostumado a cortar a cidade a pé, cruzando a neve, na alta madrugada, rumo à Gumpendorfstrasse, sempre que a grana não cobria o táxi e não havia mais metrô circulando. Eram mais de duas horas de trajeto. Fumava bem uns quatro cigarros neste caminho, para esquentar os beiços. Numa destas noites, os cigarros acabaram antes do tempo. Pensei comigo:

_”Nenhum problema. Entro naquele gasthaus (bar 'pé sujo'), pego um bom maço de Hobby na cigarreten machine e pronto. '

Mas havia um homem na porta do gasthaus com um cão pastor alemão na coleira. Devia ser o dono do estabelecimento. Achei estranho ele não ter se afastado para a minha passagem. Tentei mais um vez e o cão rosnou, ameaçador. O homem nem me olhou, impassível. Aturdido com a situação, desisti de fumar e segui meu rumo, preocupado com a cena.

A frieza dele foi o que mais me assustou. Ela me lembrou outro incidente, também muito estranho, ocorrido num dia em que eu fui assinar um contrato para um show num bar latino. Eu andava pela calçada distraído. O bairro era tranqüilo, de periferia. Um barulho de freada e minha atenção foi atraída pela seguinte situação:

Um homem gordo, atarracado, com um solidéu na cabeça, árabe, por assim dizer, segurava uma bicicleta minúscula, de seu filho talvez, com o celim alto para que lhe servisse na altura. Engraçada a figura. O sinal havia fechado e um carro conversível vermelho - um Lambourghinni talvez - pilotado por um austríaco jovem e bem vestido, havia esbarrado na bicicleta do árabe, quase o derrubando. O austríaco, com o carro engrenado, não se moveu. Não dispensou sequer um olhar para o árabe, ignorando-o.

Indignado com a indiferença do outro, o árabe se aproximou dele e o recriminou, severamente, ainda com educação. O austríaco não se moveu.

O árabe xingou o homem, de tudo quanto foi , pelo que deduzi, nome feio, na sua língua, é claro, aos berros. O austríaco não se moveu.

Foi então que, quase explodindo de raiva, o árabe, cuspiu no rosto do austríaco que, ainda assim, não se moveu, nem para limpar o rosto. O sinal abriu e o Lambourguinni partiu. O árabe olhou para um lado e para o outro, sem compreender direito o que se passou e seguiu, desolado.

Testemunha ocular da inusitada cena segui pensando do que seria capaz um ser humano, tão frio e arrogante a ponto de não reagir a uma agressão daquelas, só para não pedir desculpas à alguém que, provavelmente ele desprezou apenas porque era um árabe?

Uma coisa, porém, me confortava: Eu estava ali incólume. O discriminado era o outro. Eu podia observar e avaliar a situação sofrida pelo árabe, de camarote.

Aquilo me lembrava também um dia em que, num mercadinho perto de casa, procurei uma fechadura nova para comprar. A marca mais famosa de produtos de segurança em Viena (cadeados, correntes, fechaduras, trancas de automóveis, e outras tralhas do tipo), tinha nas caixas uma curiosa ilustração de um ladrão típico (para o consumidor austríaco):

Ele era um árabe com a barba por fazer, mal encarado, invadindo uma casa na calada da noite, com uma lanterna acesa. Racismo explícito, ora, pois.

Não sou árabe (pelo menos que eu saiba). Como faz a maioria dos 'brancos' do Brasil poderia, tranquilamente, pensar: 'pô, que chato, o que o austríaco fez com o cara, né?' E seguir meu caminho, assoviando.

E foi, de fato, o que fiz. Neste ponto foi bom. Deu pra ver, friamente, como as coisas funcionavam por ali. Sórdidas, porém, explicáveis.

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A época, início dos anos 90, coincidia com o recrudescimento da imigração de africanos para o centro da Europa, antes dominada, inteiramente, por imigrantes árabes, turcos em sua maioria. Era a faca de dois gumes da economia globalizada mostrando seus maus efeitos e dando o seu troco.

Entre outras regiões do outrora chamado terceiro mundo, com a globalização, a África, deixada à margem do mercado por razões históricas, depauperando-se pela fome, parecia que ia se transformar, rapidamente, numa espécie de favela continental.

Havia também a guerra entre Sérvios e os Croatas na Iugoslávia, os massacres étnicos contra muçulmanos e a vinda maciça de refugiados para a Áustria, antiga sede do império Austro húngaro que é, até hoje, uma espécie de capital da região, que envolve também a Polônia, a Tchecoslováquia e a Hungria, países cujos habitantes fogem da miséria para Viena, exatamente, como os nordestinos aqui no Brasil fogem para as favelas próximas à Barra da Tijuca.

Com verdadeiras hordas de imigrantes pressionando as economias dos países europeus mais ricos, os negros, os africanisches de qualquer origem, passaram então a integrar também, a raça dos estrangeiros indesejáveis. Entre eles estava eu. Haus! Fora! Gritavam os furibundos arautos do neo-nacionalismo, bem na minha cara.

O partido de direita da Áustria havia acabado de escolher seu candidato. Ele era um jovem político do sul do país, chamado Jorg Heider, simpatizante confesso de Adolf Hitler.

Uma amiga alemã a quem eu pretendia visitar em Munique me telefonou assustada, pedindo-me para não ir para a Alemanha, de jeito nenhum. Neonazistas estavam atacando negros da estação ferroviária. Haviam incendiado um alojamento de estudantes do Ghana e dois haviam morrido no ataque.

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Por alguma razão que não me recordo agora (talvez o alto preço do aluguel), tive que mudar de bairro. Fui para mais longe um pouco, um bairro de classe média, quase fora dos limites da cidade. Na pressa, larguei para trás uma caixa de brinquedos do meu filho e tive que voltar ao prédio do Gumpendorfstrasse para buscar. Foi num sábado, de manhãzinha. Um sábado de terror.

As paredes da escada do prédio até a porta do apartamento no qual eu morara, estava toda pichada pelos neonazistas:

-'Ausländer haus! Fora estrangeiros! Morte aos estrangeiros! Africanisches! Negger! -diziam as inscrições.

Suásticas, muitas, suásticas enormes. Tudo pichado. Peguei a caixa e desci, rapidamente, as escadas. Sentei na pracinha para tomar fôlego, em pânico ainda. Os vizinhos, os mesmos que eu via todos os dias, passaram com seus cachorros. Não me cumprimentavam mais. Dava para ler no olhar deles que sabiam das suásticas, sabiam de tudo.

Com a expressão ausländer haus ecoando na minha cabeça, lembrei de todos aqueles aterrorizantes filmes de nazistas que assisti na vida. Achtung! Gente de Deus! Agora não era filme não. Era eu mesmo quem estava ali, de corpo presente, indefeso estrangeiro, no meio da branca neve dos outros. Os judeus da vez poderíamos ser eu e minha família.

Vade retro Satanás!

Vendi alguns dos instrumentos musicais exóticos que levara, alguns postais e até os originais de gravuras que havia desenhado para uma revista de lá, para completar o orçamento e, juntando mais alguma grana emprestada, comprei as passagens.

Quinze dias depois estava de volta ao Brasil. Me lembro que, ainda no céu, pouco antes de pousar, o avião cruzou com estranhos balões de plástico preto que anunciavam o impeachment de Fernando Collor de Mello, o ex 'caçador de marajás'.

De volta ao passado, ao velho Brasil de sempre, desembarquei aliviado.

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É por isto que hoje, quinze anos depois, quando vejo jornalistas e intelectuais como Ali Kamel (de ascendência árabe, por sinal), Demétrio Mangnoli, Ivonne Maggie e Peter Fry (cidadão inglês, se não me engano), muito bem articulados entre si, espalhando aos quatro ventos e de forma militante, em artigos, teses, manifestos, a sua ojeriza por ações afirmativas e leis de cotas de reparação para os 'não brancos' do Brasil, me dá um frio na espinha. Fico lembrando daqueles últimos tempos em Viena.

Tenho minhas razões para não ver esta oposição ferrenha que este grupo faz às ações afirmativas no Brasil, como honestas e simples divergências de princípios. Foi, exatamente, por isto que contei para vocês logo, de antemão, a minha pós graduação na terra do Adolf.

Conheço também de relance, porém, de longa data, as atividades junto ao Movimento Negro da década de 80, de alguns destes intelectuais e acadêmicos, hoje ligados à importantes universidades federais brasileiras. Simpatizantes da luta anti racista de então, convidados pelo Movimento Negro para muitas mesas redondas contra o Racismo, formaram suas sólidas carreiras acadêmicas, defendendo teses que agora, por alguma estranha razão, passaram a combater.

São ainda hoje figuras acadêmicas importantes e poderosas, dirigindo estratégicos departamentos no campo da antropologia e da sociologia, na qualidade de especialistas no assunto raça e sociedade. Seriam estas suas recônditas razões?

Não é cisma, portanto, permitam-me considerar, alguém como eu estranhar a mudança de lado destas figuras, justamente agora, a esta altura dos acontecimentos.

Surpreende-me muito também a fragilidade, quase absoluta, de seus argumentos apoiados, quase que tão somente, pela grande ascendência que possuem junto a certos meios de comunicação, nos quais as vozes que deles discordam não tem tido, praticamente, nenhuma chance de se manifestar.

Observem por favor, que, na intensa campanha que fazem, está embutida também a tentativa de negar, não só, a existência de raças, mas, também a do próprio racismo. Contraditoriamente, portanto, negam agora, o cerne, a essência de sua própria militância intelectual do passado.

Há, com efeito, no bojo de sua campanha (pelo menos na de Ali Kamel, seu principal porta voz), distorções grosseiras e deliberadas de dados estatísticos do IBGE e sobre as recentes – e a rigor pertinentes- descobertas da genética, preconizando a inexistência de diferenças raciais, usando o torto raciocínio de que, se não há raças como poderia haver racismo? Se nunca houve Racismo por que haveria necessidade de reparação?

Anti-abolicionistas tardios, é o que parecem.

Contudo, como qualquer estudante de história do nível médio deve saber, a prova científica da inexistência de diferenças raciais é justamente atribuída ao esforço de cientistas engajados na luta contra o Racismo no mundo. Como também se sabe, no caso do Brasil, estas falsas diferenças foram adotadas pelas próprias elites racistas, logo depois da abolição da escravatura, como argumento para a manutenção da desigualdade e da opressão social, por parte de uma aristocracia, de ascendência européia, contra a maior parte da população 'não branca' que, no caso do Brasil, era – e é, como conseqüência do próprio racismo - composta por ex-escravos africanos, índios e seus descendentes.

A afirmação - e a denúncia- de que, efetivamente, há racismo no Brasil, não poderia, portanto, de modo algum, ser negada, por meio, exatamente, do mais eloqüente argumento que prova que, o Racismo tanto existe quanto precisa ser, veementemente, combatido, por todos os meios que se fizerem necessários, entre os quais as ações afirmativas e as políticas de reparação são os mais pertinentes, principalmente por serem democráticos, legais e, principalmente, pacíficos.

Neste quadro, é lamentável portanto que, atribuindo a culpa pelo crime à própria vítima, os ideólogos desta estranha campanha, sem argumentos válidos para justificar o seu reacionarismo, estejam acusando os partidários das políticas de ação afirmativa, de estarem propondo a institucionalização do Racismo no Brasil (que para eles nunca teria existido) o que, também segundo eles, geraria o ódio fratricida entre as raças (o que, a despeito das centenas de mortos na atual Guerra do Rio, não estaria ocorrendo).

Sua proposta rasa, única, curta e grossa é incluir os excluídos na sociedade de cotas e privilégios que ocupam e usufruem, apenas quando... a galinha criar dentes.

Só peço para que, por conta da forma tão aberta e franca quanto me expressei aqui, eles não tentem me expulsar, de vez, de minha própria terra, aos berros:

- 'Ausländer haus, negão!'


Spírito Santo
Junho 2007

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Spírito Santo

Calma, gente,

É só uma conversa franca e amiga. Não sou ressentido, não sou recalcado, nem complexado, não sou nazista, nem muito racista. Só estou cansado de ser enganado. No mais, sou da paz de Zambi.

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 1/7/2007 20:09
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Ize

Querido Spirito, com essa colaboração vc conquistou para sempre meu respeito e minha admiração. São tantas as coisas que eu teria pra dizer aqui que o melhor é escrever um artigo. Por ora, digo apenas que suas palavras me lembraram Lima Barreto que, em sua obra marginal, cunhada pela experência pessoal do sofrimento com o racismo, não se cansou, entre outras coisas, de denunciar o caráter obsceno do cenário que as administrações da República Velha preparam para o Rio, sob a justificativa de que a cidade precisava civilizar-se. Civilização que implicava no embranquecimento da cidade, no ocultamento dos negros e de suas culturas, na contenção das classes perigosas - o povileu vozeirudo e trapento. Ser contra as cotas é insistir no embranquecimento da cidade, é reiterar o lema positivista da nossa bandeira, cujo primeiro termo - a ordem - soa como a ordem "Ponha-se no seu lugar" que, certamente, não é o da universidade pública destinada aos que gozam do privilégio do Progresso. Voltando a Lima, em seu Diário Íntimo ele conta: " Fui a bordo ver a esquadra partir. Multidão. Contato pleno com meninas aristocráticas. Na prancha ao embarcar, a ninguém pediam convite, mas a mim pediram...É triste não ser branco". 80 anos depois, seu "Auslander haus, negão!" confirma o sentimento de Lima Barreto. Graças que, como ele, vc bota a boca no mundo denunciando a desfaçatez de quem acha que no Brasil não existe racismo.
Vivas pra você!!!
Se puder, dá uma olhadinha no comentário que fiz ao artigo "Negro em Destaque" de Luciana Fonseca

Ize · Rio de Janeiro, RJ 1/7/2007 20:56
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Adroaldo Bauer

Saravá, Spirito.
Pungente depoimento.
Oportuna informação.
Atual debate.
Uma posição de coragem como a disposição de superar as barreiras impostas ao desenvolvimento da pessoa humana requer.

Postei em maio um texto sobre o que penso a respeito e peço licença tua para lincar aqui por considerar que auxilia na compreensão do todo do que debates e envolve o conjunto do que referes de modo muito simples, objetivo e nítido.
Asè!

Ação Negra por um novo mundo possível - I

"É já um tempo demasiado longo este em que as diferenças são submetidas à opressão, à negação, à exclusão, à discriminação, à hipocrisia, ao descaso. Uma condição absolutamente injusta. Iníqua.

É hora, já, de lutarmos todos pela superação deste tempo.

É urgente a luta de homens e mulheres que emancipe de fato as diferenças, que instaure a igualdade de direitos, que inaugure as necessárias relações solidárias, fundamentos da construção de um mundo novo possível.

----------------
Em nosso país, o modo de produção escravista realizado por mais de três séculos deitou fundas as raízes da iniqüidade em toda as relações sociais formadoras da nacionalidade. Elas ainda hoje permeiam o conjunto da vida social brasileira como se revela no retrato trágico da exclusão pela discriminação racial.

A exploração do trabalho de milhões de seres humanos aprisionados em África
[chamados escravos pelos traficantes e proprietários, de negros pela elite colonial e européia, de gentios pela ideologia dominante que lhes permitia a escravização do semelhante e a ele outorgava a condição de mercadoria ou mão-de-obra]
ergueu fortunas, riquezas, países, impérios, na América e na Europa.

Aqui foi concedida alforria aos senhores, desobrigados da manutenção da posse e da indenização devida a trabalhadores e a todas as gerações escravizadas da etnia vilipendiada.

A farsa colonialista da Abolição aprisionou nas faldas e sopés de morros, nas matas, nos grotões e beiras de estrada a multidão expulsa sem meios das lavouras e minas. Sem mais ferros, chicotes e senzala, agora à mercê do modo de exploração do trabalho no processo de industrialização ainda incipiente.
"

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 1/7/2007 22:01
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Spírito Santo

Ize,
Saber que existe no Brasil gente assim como você, lúcida, interessada em pensar o país como uma família que lutará e vencerá a iniqüidade dos trânsfugas, me comove. Foi reconfortante acordar e ler o seu comentário. Me senti gente decente. meu dia hoje vai ser bem melhor.
Lima Barreto Vive!

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 2/7/2007 07:45
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Spírito Santo

Adro,

O bom da vida é poder ir de encontro aos verdadeiros amigos. Não há virtualidade que nos atravanque o juízo. As regras são os arcos retesados, preparados para mandar a flecha no ponto certo. Se um errar, o outro acerta e o que resta depois é festa.

Grande abraço

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 2/7/2007 07:51
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Ilhandarilha

Não dá pra para de ler, Spirito. Reflexão colocada de forma sensível, pessoal e envolvente. Te admiro! abraços

Ilhandarilha · Vitória, ES 2/7/2007 12:46
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Spírito Santo

Ilha,
Abraço forte e emocionado pra você também.

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 2/7/2007 19:48
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Ize

Oi Spirito, voltei pra votar e aproveito pra dizer que vc tem razão qdo diz que Lima Barreto vive. Em todos nós que acreditamos que o passado não é para ser soterrado como "águas passadas". Ele precisa ser revivido pra que, daqui do presente, todos nos sintamos visados pelo 'Ausländer haus, negão".
Grande abraço

Ize · Rio de Janeiro, RJ 3/7/2007 22:02
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Spírito Santo

Valeu, Ize!
O papo parece que está ainda está rolando lá no post da Juliaura. espero que escorregue para cá.
Abs,

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 3/7/2007 22:22
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Spírito Santo

Recebi um recado do Duda Valle no meu perfil que, permitam-me, achei interessante reproduzir aqui, com a minha resposta e tudo:
Duda disse:
'Eu gostei do artigo , mas se você concorda que existe uma divida histórica a foto ficou mal, uma provocação a qual eu não faria exatamente por reconhecer que ali também foi estabelecida uma divida histórica. Fora que eu sou da turma da Naomi Klein (No Logo).


Eu, respondendo:
Duda,
Legal que você gostou. A foto é provocativa mesmo mas, além de ser um assunto tão tabu que as imagens pertinentes faltam (apenas coloquei esta na falta de outra melhor), tentei aludir com a imagem ao fato de que, aqui no Brasil, muitas pessoas não são, exatamente (embora se julguem), brancas (o que não seria nada de mal). O problema é que elas assumem esta condição, quase simbólica, para excluir o próximo (o menos 'branco') e usufruir de vantagens e privilégios sociais. Acho que isto, além de ser um oportunismo condenável, é uma espécie de estupidez.
O 'negro' da foto (na verdade um hindu, se em parece) é uma alusão simbólica a estupidez destas pessoas (a sociedade brasileira, como um todo, 'pretos' e 'brancos').
Abs,

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 4/7/2007 07:41
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Spírito Santo

Achei um link legal sobre a amaldiçoada cruz da foto: http://www.acid.blogger.com.br/outubro02.htm

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 4/7/2007 08:06
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Spírito Santo

Se não abrir o de cima, tentem este:
http://www.acid.blogger.com.br/outubro02.htm

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 4/7/2007 08:11
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Bernardo Carvalho

Spirito, impressionante seu relato... e, de fato, o pior racismo é esse "de academia", alardeado pelos maggies, kamels e frys da vida. Me parece que, seguindo as exigências formais acadêmicas, eles acabam por incorporar uma perspectiva e um pensamento também formalista, preocupado com as estruturas conceituais, e não com a vida de fato. eu faço pós em filosofia e percebo como é difícil para o acadêmico médio compreender a vida fora dos esquemas teóricos. Pra mim é muito claro: raça pode até não existir, mas racismo existe e é fenotípico! Meu consolo é que, a julgar pelas experiências de cotas que tenho ouvido falar, eles estão perdendo a batalha. NA UERJ mesmo, mais especificamente na ESDI, apesar das dificuldades, pude testemunhar um grande avanço dos alunos cotistas, mas também dos professores que tiveram que se adaptar à nova realidade. Grande abraço!

Bernardo Carvalho · Rio de Janeiro, RJ 4/7/2007 11:27
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Bernardo Carvalho

Só mais um detalhe. Há uns anos atrás, eu portava aquel identidade estropiada, banhada ao mar e seca ao sol... aquelas em que você quase não vê a foto, saca? então, volta e meia tinha que sacar dinheiro no banco com essa identidade, e costumava sacar numa agência em Ipanema ou em Copacabana. Nunca tive problemas. O caixa pegava a carteira semi-destruída, olhava pra carteira, olhava pra mim e efetuava o saque. Certo dia, entretanto, tive que sacar o dinheiro numa agência em Madureira, terra onde, supõe-se, existe maior concentração de negros... Bom, o fato é que não houve santo que fizesse a caixa sacar meu dinheiro... Às vezes penso que em determinados contextos, existe um medo de ser ou parecer "racista" que se transforma em uma simpatia incondicional... e que também tem lá seus problemas...

Bernardo Carvalho · Rio de Janeiro, RJ 4/7/2007 11:32
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Juliaura

Grande Spirito,
Grande mesmo. E nem falo de tamanho.
Tô na espiral (pra cima, pra cima) e teu artigo postado dá uma mão boa no debate.
Orienta a partir da vida não do penso.
Aliás, tinha uma amiga de vovó que cozinhava e dizia pra nós, faço de cabeça, com penso é mais caro.
Receita dá bolo, se me entendem.
Prefiro ao vivo, agora e, se possível, tudo o que me devem há miles.
E eu sou apenas moura, das que mataram lá nas terrinhas mesmo e ainda hoje matam.
Também achei lindonas pro escambau as comentas da Ize, de Ilhandarilha e amei de paixão o Bernardo.
Não vou falar do Adro pra não parecer "simpatia incondicional" (que atrapalha e eu é que sei).
Pior que fã, e tiete é maleta de viagem e carrapato.
É chato (rsrsrs).
Outra hora eu pago o aluguel do tempo de todas vocês pessoas, que agora tô indo pro beleléu engraxar as botas de sete léguas que perderam por lá e fazer uns troquinhos pro vinho.

Beijin, pequinin

Juliaura · África do Sul , WW 4/7/2007 11:54
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Helder Dutra

...batuta adorei o texto...e na leva do Bernardo que diz que o "...racismo existe e é fenotípico..." digo que o racismo existe e é patologico, doentio, cancerigeno..destroi aos poucos e por dentro...

Helder Dutra · Rio de Janeiro, RJ 4/7/2007 11:56
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silvino

Caro Spirito Santo, o seu texto me deixou impressionado pela lucidez e coragem. Eu moro em Londres, pela segunda vez, e foi aqui que descobri na prática a diferença do racismo velado e hipócrita que se pratica aí no Brasil, para o que é praticado pelas bandas de cá. Eu prefiro encarar o racista que mostra a cara. Nada é pior numa guerra do um inimigo camuflado. No Brasil, infelizmente, o silêncio dos que se dizem brancos-não-racistas, é o maior aliado do racista tupiniquim. Pouco antes de sair de São Paulo, onde morei 11 anos, escrevi um artigo sobre racismo na propaganda brasileira (sou redator publicitário), para o site Clube de Criação de São Paulo. Este artigo foi reproduzido pela revista Diplomacia & Negócios e pode ser lido neste link:
http://www.diplomaciaenegocios.com.br/ntc.asp?Cod=536
Se pudesse daria 1000 votos aos seu texto. Parabéns e grande abraço - silvino

silvino · Recife, PE 4/7/2007 12:02
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Cida Almeida

Spírito, o seu depoimento-atitude é uma dessas falas essenciais para futricar com o comodismo nosso de cada dia. A gente vai se calando, segue não pensando e se fecha no círculo vicioso do não vejo, não sinto, não me envolvo... É essa lucidez, coragem e transparência da sua vivência, visão e reflexão que nos agarra pelos tornozelos. Como você tão bem definiu, essa sua conversa franca e amiga é que quebra as correntes do círculo vicioso do nosso comodismo. E isso, meu caro, vale mais que qualquer discurso.

Grande abraço.

Cida Almeida · Goiânia, GO 4/7/2007 12:36
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crispinga

Querido Spirito,

Depis daquela discussão acirrada sobre cotas na Universidades, onde acbamos nos ofendendo mutuamente sem nem saber quem éramos, apenas por discordarmos da opiniâo um do outro, já foi...

Agora estamos falando de DISCRIMINAÇÃO, não?

Eu tive uma experiência semelhante Em New York, como TURISTA!
Já na fila da alfândega, os estrangeiros já vão para uma fila compriiiida.
Em qualquer loja que entrávamos, mesmo falando Inglês, éramos encaminhados para um vendedor LATINO, porque o sotaque nos denunciava!
Quando pedíamos informação para um típico americano (branco de olhos azuis) ele simplesmente falava..." Excuse-me, I can't understand you!"

Por incrível que pareça só éramos tratados com gentileza pelos negros!

A discriminação não está na cor mas sim de onde viemos...África, Ásia, América do Sul, México... Somos todos "cucarachas".

Minhas desculpas, meu respeito!
Black is beautiful, negão!
Beijos black and white!

crispinga · Nova Friburgo, RJ 4/7/2007 12:42
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Makely Ka

Meu caro Espírito Santo, seu relato me fez lembrar da canção de um outro espírito inquieto, um músico também, negro, que enfrentou preconceitos por aqui e acabou também sendo adorado e reconhecido - por paradoxal que pareça - na Alemanha. O nome dele era Itamar Assumpção:

Espírito que canta

(Itamar Assumpção e Paulo Tovar)

Andando por aí eu encontrei o espírito que anda
Que vinha caminhando juntamente com
O espírito de porco que disse não estar eu sacando
O espírito da coisa e nunca mais eu encontrei a
Minha paz de espírito

Voando num boeing encontrei outro espírito que voa
Voando a mil por hora, juntamente com o pai
E a mãe, o filho e o espírito santo, que
Disse não estar eu voando de espírito
Tranqüilo e nunca mais eu encontrei
O meu estado de espírito

Cantando por aí que encontrei
Os espíritos que tocam
Que vinham caminhando juntamente com
Os espíritos que cantam
Disseram não estar eu cantando
Como cantam os cantores
E foi assim que encontrei
O meu espírito crítico

Makely Ka · Belo Horizonte, MG 4/7/2007 14:56
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dudavalle

Spirito Santo,

A suastica nazista eh diferente da suastica hindu. O uso deste simbolo pode ateh ser uma provocação mas eu não iria usa-la pois representa um regime que tentou exterminar tudo aquilo que era diferente, que tentou eliminar a diversidade. Eliminava aqueles que eram considerados com "defeito de fábrica" , "defeitos" mentais, fisicos e tantos outros que não cabiam na cartilha.

Uma coisa eh um líder de um movimento punk fazendo uso da mesma dentro de todo um contexto e com palco. Outra coisa eh tendo consciência do que foi aquilo nos dias de hoje.

Se você concorda que existe uma divida histórica com os negros, ali também se estabeleceu uma divida historica não apenas com os judeus (muito mais com eles) mas com tudo aquilo que eh diferente.

Dividas históricas se "reparam" (se eh que isso eh possivel) com politicas , duas propostas são usadas: indenizações e politicas de cotas.

Agora se retrocerdermos mesmo no tempo vamos começar a achar que somos poeira cósmica ou como diria o Moska e o Drexler, uma piada de Deus. (a mesma idade que a idade do céu)

Um abraço
Duda


dudavalle · Rio de Janeiro, RJ 4/7/2007 15:03
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Joca Oeiras, o anjo andarilho

Querido Spirito Santo:

Confesso que não consegui ler todo o artigo ainda. Gostaria, no entanto, de fazer, se me permite, uma pequena provocação: você diz que, em Viena, não os viam como negros mas, você os via como brancos, ou não? Isto é, não havia racismo na sua visão?
Beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 4/7/2007 17:06
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Ilhandarilha

Joca, meu querido xará, acredito que o reconhecimento do que somos e do que o outro é (brancos caucasianos, negros, ameríndios, cafusos, mulatos, amarelos com bolinhas vermelhas...) não nos torna racistas.

O que nos torna racista é acreditarmos que uma cor na pele, um traço característico no rosto ou no corpo, ou qualquer outro traço racial de nossa carga genética nos torna superior ou inferior a alguém.

Por conta desse pensamento Gobineauniano, a população negra (ou quase negra, como diz o Caetano em Haiti), foi aprisionada por séculos nos bolsões de pobreza (o comentário do Adroaldo fala nisso); por conta dessa idéia, judeus foram assados em fogueiras da inquisição e campos de concentração, ciganos têm seus acampamentos destruídos nas periferias das cidades brasileiras e domésticas são espancadas em pontos de ônibus por garotos branquinhos zona sul.

Aff! Subi na tribuna e tô fazendo discurso! Vou parar com isso! O importante é que quem se reconhece como branco ou como negro não é necessariamente racista.
Beijos

Ilhandarilha · Vitória, ES 4/7/2007 18:22
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silvino

ilhaandarilha: belo discurso, a tribuna é sua, fique à vontade!

silvino · Recife, PE 4/7/2007 18:36
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Spírito Santo

Ufa, galera!...São tantas emoções...
Vou num mote só:
O que me deixa mais feliz (e aliviado) é que, a maioria esmagadora das pessoas amigas que aqui estiveram para comentar, compreenderam o 'espírito' da coisa. Dá uma puta de uma esperança de que as coisas podem melhorar mesmo nesta terra. Se a terra são as pessoas e as pessoas somos nós, 'vamo que vamo'.
Posso abraçar a Juliaura (de certo modo a 'musa inspiradora' do post), o Bernardo, parceiro de posts irmãos sobre Samba e quetais, o Helder, o Silvino, a Cida e o Duda (veja lá em cima, Duda, o link que achei sobre a história da suástica). Posso abraçar mais forte ainda a Claudia 'Ilha', pessoa cercada de solidariedade (valeu a defesa!). Pro Makeli Ka o abraço vai com uma historinha de Viena: No primeiro dia em que cheguei na cidade, fui num show à noite. O bar se chamava 'Andino' (eu tocaria lá no dia seguinte). O artista era brasileiro, o trombonista era o Bocato (sacou Makeli? Não?)...Pois bem, o nome do artista era Itamar Assunção.
Contudo, o meu abraço mais forte mesmo deve ir, um para a Crispinga (que acho que deve ser muito menina ainda - de certo modo ela foi a 'pivô' do post) a quem eu quero dizer: Pô Crispinga, não ofendi você não. É só voltar lá no post da Juli e conferir. Apesar de achar que você se apega muito a eufemismos e de não ter entendido por que você achou tão surpreendente ser tratada com gentileza pelos negros de Nova York, gostei de uma coisa que você disse acima: A parte em que você (pelo menos isto!) se assume como latina. Já é um bom começo.
O outro abraço é pro Joca (que pelo que imagino já não é nenhum menino): Joca, onde é que você leu que em Viena não nos viam como negros? pelo contrário. Eles nos viam como 'africanos', mais 'negros' do que nos achávamos. O que eu disse foi que, apesar de nos vermos como negros sim, eles não nos tratavam com hipocrisia. Foi este o sentido do que eu escrevi. Quando você ler o artigo todo acho que isto vai ficar mais claro (ou mais escuro, sei lá)
Demais, galera. O debate está sendo útili. esta era a intenção.
Valeu!!!:):)

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 4/7/2007 20:48
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Spírito Santo

O Link de novo, pra quem pegou o 'strassenbahn' andando.

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 4/7/2007 20:55
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Spírito Santo

(Tô 'maus' de link) Vai de novo

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 4/7/2007 20:56
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Spírito Santo

Perdão. Esqueçam. O link tá lá em cima mesmo.

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 4/7/2007 20:57
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Thiago Paulino

Caro Spírito,
Muito bom ler textos como este que esbanjam sinceridade e atitude. Suas informações só enriquecem o nosso Overuniverso..

Acolaboração é envolvente e traz uma discussão importante e pertinente. Espero que palavras como estas sempre brotem aqui nestas paragens para sempre futucar a ferida e perpetuar a luta por um mundo mais sabiamente tolerante.
Abraço forte e parabéns!

Thiago Paulino · Aracaju, SE 5/7/2007 01:34
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Spírito Santo

É isto aí, Thiago! Remando o barco não afunda.
Obrigado,
Abs

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 5/7/2007 06:23
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Tiago Matias

Gostei pra caralho! Abriu-me os olhos para o outro lado da questão. Grande texto!

Tiago Matias · Corumbá, MS 5/7/2007 10:12
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Spírito Santo

Então valeu, Tiago!

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 5/7/2007 10:16
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EdQue

Spirito,
Gostei e concordo com os argumentos, como você pode ver no comentário que fiz ao meu texto sobre festa junina na escola, aqui no overblog. Vou repassar seu texto para amigos professores de sociologia e filosofia sugerindo que seja trabalhado com estudantes. Obrigado!

EdQue · Brasília, DF 5/7/2007 11:42
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DaniCast

Espetacular. Obrigada por compartilhar conosco. Eu sou uma das que luta contra o racismo e o seu texto é uma pérola. Obrigada mesmo, vou recomendar no meu blog.

DaniCast · São Paulo, SP 5/7/2007 12:05
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Labes, Marcelo

Spirito, que spirito bom que tens. Sabes que sou daqui, do sul, da região que hipocritamente chamam de 'a Europa brasileira' e deparo-me quase todos os dias com balões de pensamento, daqueles de gibi, em que se pensa "Ausländer haus, negão!" Também surgem por aqui cada vez mais associados (débeis mentais, por assim dizer) de grupos neonazistas que saem à noite para bater em quem for, se punk, homossexual ou negro. Tanto faz.
Também tanto faz, para o resto do mundo, toda a revisão da história dos negros no Brasil. Quem se importa? Eu me importo, mas por aqui, pela Europa brasileira, onde esse povo poderia ao menos tentar pensar, um dia, como europeus pensantes ilustres, o que resta são flores. É óbvio que a grande maioria nega a necessidade e a importância das cotas.

E é óbvio, também, que negam a existência do racismo.

Spirito Santo, muito obrigado pelo teu depoimento. Acho que foi um dos momentos meus de maior emoção desde que me adentrei aqui pelo Overmundo. Acho que é uma discussão que tem de ir adiante, cada vez mais adiante, e tem de ser feita em lugares assim como o Overmuno onde, se não existe a capacidade direta de mudar o mundo, existe pelo menos a sensibilidade de seus membros de pensar a respeito do que se fala, do que falaste.

Assim esperamos, pelo menos.

Grande abraço.

Labes, Marcelo · Blumenau, SC 5/7/2007 12:35
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silvino

Meu caro Spitito Santo, você não imagina o debate que o seu texto gerou entre vários amigos para os quais mandei. A grande maioria a favor das idéias que você defende.
Grande abraço e, mais uma vez, parabéns.

silvino · Recife, PE 5/7/2007 15:09
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crispinga

Black is beautiful, negão!
Arrazou!
Beijos sinceros!
Cris
P.S Surpreendí-me por ser tratada bem pelos negros nos EUA porque eles não gostam de brancos...Americanos....Mas sendo latinos, são muito gentis!
BJK
Cris

crispinga · Nova Friburgo, RJ 5/7/2007 18:26
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Spírito Santo

Crispinga de Deus! 'Brancos latinos'? Inventastes uma nova raça? Já não bastava as outras que inexistem?

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 5/7/2007 21:22
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crispinga

Querido Spirito de Deus!!!!!

Não inventei coisa nenhuma , é assim mesmo que nós ( estrangeiros) somos tratados lá nos EUA!!!! Os negros de lá não gostam dos brancos (americanos). Os negros ( americanos) só tratam bem aos LATINOS! Ou qualquer outro ESTRANGEIRO!

Agora , eu que não entendí, quando disse;..."gostei de uma coisa que você disse acima: A parte em que você (pelo menos isso!) se assumume como latina. Já é um bom começo..."

Sinceramente, não entendí NADA. Você acha que não me considero latina???? Não nascí abaixo da linha do Equador, na América "Latrina"!!!!!!!
Eita, negão duro na queda! E os americanos (BRANCOS) são racistas com qualquer afro-descendente!
Eu sou BRASILEIRA, para eles, afro- descendente, com muito orgulho sim senhor, pois tive ascendentes índios e negros! E bem que queria um pouco mais de melanina para não sofrer de câncer de pele, como minha mãe!

Beijos!!!!!!!!!!!!!!!!!BLACK AND WHITE, NEGÃO!
Cris

crispinga · Nova Friburgo, RJ 6/7/2007 11:29
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Francinne Amarante

oi Spirito, tudo bem?

Spirito do céu! (descobri o motivo do seu apelido, será?)
agora tou perdida, torta, tortinha (peço conselho) . será essa minha sina?

uma parte judia austríaca, mineira de diamantina que se apaixonou por um belo negão; imagina.. adotada por portugueses (judiaria/ novos católicos)///eh..outra parte ..espanhol que se apaixonou ppor uma bela índia curandeira (ou feiticeira, não sei como fala) que saiu fugida da aldeia/// nessa aventura toda, nasci em 'brasÍlia' ..

ah, tenho um pezinho na bahia, filha de iansã e ogum, salve são jorge!

o que eu seria? não seria, Sou. brasileira. tá explicado a miscelânea na minha cabeça. rsrs

ahhhh, pra completar, encarnação passada fui queimada na fogueira, hehehe...

excelente texto!

grande abraço
Francinne

Francinne Amarante · Brasília, DF 6/7/2007 13:02
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Ize

Desculpe-me a intromissão, Crispinga, mas acho que não está soando bem essa coisa de vc estar chamando o Spirito de Negão. A intimidade das pessoas nessa lista vai até um certo ponto. Soa pejorativo. Afinal ele não está chamando vc de branquela ou coisa parecida. Vc que conhece bem os meandros da educação não deve concordar com aquele coisa de as crianças negras serem chamadas na escola de neguinhas, enqto as branquinhas são chamadas pelo nome. O nome do Spirito no overmundo é Spirito. Negão é o aposto que ele deu ao título da matéria, justamente para caracterizar o racismo austríaco que lá é explícito e aqui velado. Desculpe-me mesmo, sei que vc está querendo ser carinhosa, mas talvez essa não seja a melhor maneira de demonstrar seu respeito e admiração pelo seu interlocutor. Preste atenção no contexto do post e vc vai ver a conotação de Negão e, repare, vc é a única que não está chamando o Spirito pelo nome que ele escolheu para ser chamado aqui.
Abrç

Ize · Rio de Janeiro, RJ 6/7/2007 13:07
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Ize

Me arrependi de ter postado esse comentário, mas agora já foi. Desculpe-me Crispinga se me meti em seara alheia e desculpe-me Spirito por ter chamado atenção pra uma coisa que estava me incomodando, mas pode ser que não estivesse incomodando a vc.
Fui xereta, coisa que não me agrada.
Agora é tarde
Minhas sinceras desculpas a vcs e à lista.

Ize · Rio de Janeiro, RJ 6/7/2007 13:11
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crispinga

Não vejo nada de pejorativo chamar alguém de negão, neguinha, branquinha, japinha.....Inclusive comecei o postado chamando-o de "QUERIDO SPIRITO SANTO DE DEUS"!!!!!!

Ize, o mal é o que sai da cabeça dos homens. Afirmei , reafirmei , NÃO SOU RACISTA! Tenho ascendentes negros, índios e brancos...SOMOS UMA RAÇA MISCIGENADA!

Pejorativo seria chamá-lo, "querido afro-descendente", não acha? Soaria hipócrita, coisa que não sou!

E você, como é do Rio e deve frequentar a praia, local mais democrático do Brasil, sabe que os negros aqui são assim chamados, carinhosamente. Tenho um amigo NEGÃO, porque além de ser negro é grande como um armário, inclusive o apelido dele é NEGÃO!

Passemos a pergunta ao querido Spirito:
Você se sente OFENDIDO quando te chamam de NEGÃO?

BJS
Cris

crispinga · Nova Friburgo, RJ 6/7/2007 16:33
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crispinga

Por que estava incomodando VOCÊ, Ize branquinha!
Pelé é chamado de NEGÃO pelos locutores esportivos e ele não está nem aí....Ele é o Pelé...
Que por sinal casou-se com um LOURA e não assumiu a filha MULATA!
Aonde está o racismo, afinal?
Cris

crispinga · Nova Friburgo, RJ 6/7/2007 16:50
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crispinga

Outro apelido carinhoso aqui no Rio: NEGUINHO DA BEIJA-FLOR!
O que há de pejorativo nisso....É o aumentativo ou o diminutivo?
Falo alhos, entendem bugalhos...

crispinga · Nova Friburgo, RJ 6/7/2007 16:55
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Ize

Pois é Cris, já lhe pedi desculpas. Tenho meus motivos para entender que precisamos muito cuidado para não deixar o preconceito aflorar na linguagem que usamos coloquialmente, sem a menor intenção de machucarmos alguém. Não se trata de ser politicamente correta, é outra coisa. Acho que deixei esse excesso de zelo escorregar para aqui. Outro dia apareço lá no seu perfil pra explicar direitinho e vc vai concordar comigo.
Abrç

Ize · Rio de Janeiro, RJ 6/7/2007 18:33
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Joca Oeiras, o anjo andarilho

Querido Spirito Santo
acabo de voltar de uma viagem (a Teresina) e depois de trocentos emails comunicando comentários sobre a sua matéria, percebi que estava na hora de lê-la na sua integridade e comentá-la. Ao mesmo tempo em que percebi isto, no entanto, compreendi, também, que estaria fazendo isto apenas em respeito a você, visto que o tema proposto não me atrai, isto é, não assula as lombrigas do Joca polemista (além, é claro, de ter-me desgastado o suficiente o debate sobre os tais "marcianos" da nossa querida Juliaura)
Então, Spirito, se o que alego não justifica o meu "passar lotado" diante do "Aüslander Haus, Negão", pelo menos explica a minha sincera inapetência para encarar tal debate.
Espero que entenda que, se fosse um outro qualquer (mas, é bom que fique claro, falo de um outro qualquer, e não da Juliaura, sem ofensa, nem a ela, nem a nenhum outro qualquer), não me daria o trabalho de tantas explicações.
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 6/7/2007 20:28
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Spírito Santo

Francine,
A sua árvore genealógica (lógica?) é bem parecida com a minha (minha mãe, capichaba, tinha antepassados italianos, por parte da minha avó), logo, somos seres humanos bastante normais. Sei também que você compreendeu que o que tratei aqui foi do equívoco que incorrem pessoas que, por oportunismo social, espalham por aí que seres humanos como eu, que sou apenas estéticamente diferente de você, são portadores de algum tipo de inferioridade e que, por isto, mereceriam estar, eternamente, nos lugares mais baixos da sociedade.

Ize,
Achei sua opinião neste comentário recente perfeitamente dentro do contexto do debate. Você nem devia se desculpar por ela de tão pertinente que foi. Eu mesmo, só não respondi na hora porque, sendo quase um sessentão, aprendi a escolher melhor as pilhas nas quais eu vou entrar. Além do mais, os comentários da maioria estão sendo tão serenos e maduros que, porque perder tempo com as exceções?

Joca,
Não precisava explicar, amigo. Honestamente, acho chato você achar o tema irrelevante mas, fazer o que? Não dá pra se estar interessado em tudo nesta vida. Sem ironia vale a frase: 'Cada macaco no seu galho'.

Crispinga,
Quando eu era bem jovem, no meu bairro a gente andava em duplas pela praça, pra paquerar as moças, que também andavam em duplas, de braços dados. Num certo sábado eu estava com um amigo 'branco' e partimos para cima de um bela dupla de moças também 'brancas'. Aquela para a aqual eu dirigi meu galanteio, ficou tão revoltada que berrou para mim: _"Sai! Não se enxerga não? Seu macaco!' Na época ofendeu sim. Até hoje isto me magoa a lembrança um pouco, mesmo sabendo que a revolta dela, de tão despropositada só podia significar uma coisa: Ela não devia ser tão 'branca' assim. Estava já aprisionada na armadilha de ser racista consigo mesma. Eu era um pouco o seu espelho. Acho meio patológico sete aspecto do racismo. As pessoas fazem de tudo para negarem a si mesmas. Desculpe, mas, é o que eu vejo no seu sarcasmo e, permita-me, na certa grosseria contida nos seus comentários. Relaxa, Crispinga. Curta a diferença.

Abraços para todos.

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 7/7/2007 08:01
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Joca Oeiras, o anjo andarilho

Querido Spirito:
É claro que o tema não é irrelevante e nem eu o vejo desta maneira. Também não foi isto o que eu disse, embora admita a possibilidade desta interpretação. Mas não posso concordar que valha, nem com e, pior ainda, "sem ironia" o "cada macaco no seu galho". Bem ao contrário, meus valores e, acredito, os seus também, são todos agregadores e solidários, pois ainda boto a maior fé na humanidade.
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 7/7/2007 09:04
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Spírito Santo

Pois é Joca,
Mesmo quando não o queremos, palavras sempre serão mais que palavras. A irrelevância será também sempre um conceito relativo.
É por isto que quando erramos, somos chamados de (agora, com ironia sim, por favor) humanos.

Grande abraço

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 7/7/2007 09:33
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Joca Oeiras, o anjo andarilho

Querido Spirito:
Não entendi. Quem "erramos"? Nós dois?
Ou trata-se de uma generalidade?
Me veio à lembrança, não sei se conhece a estória:
Zorro e Tonto encontram-se cercados, de todos os lados, por centenas de índios.
Zorro, dirigindo-se ao Tonto:
– Meu amigo, dentro em pouco estaremos mortos1
Resposta do Tonto:
– Nós quem, cara pálida?
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 7/7/2007 09:53
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Spírito Santo

Eramos todos, Joca. Toda hora, todo dia. este é o lado bom e animado da história. O Zorro, neste gibi. Deu mole para o Tonto, viu? Subestimou o índio de danou-se.
Abs,

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 7/7/2007 09:58
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crispinga

Spirito,
Quando minhas palavras não valem nada, quando você acha que SÓ EU fui irônica nos comentários ( você também foi, comigo, volte lá no seu texto), quando a própria Ize desculpou-se e depois continuaremos (nós duas, civilizadamente!) a discutir a questão do PRECONCEITO, quando você deletou meu comentário preguntando-lhe se sentia-se ofendido por chamá-lo de negão, "quando nem Freud explica...Tente a poesia!", aqui vai , Sprito Santo de Deus!


SOMOS TODOS IRMÃOS
NÃO PORQUE SEJA O MESMO SANGUE
QUE NO CORPO LEVAMOS :
O QUE É O MESMO É O MODO
COMO O DERRAMAMOS.

Ferreira Gullar, " Nós, latino-americanos"

E como já disse Sigmund Freud:
" Não se deve tentar erradicar os complexos da pessoa, mas sim entrar em acordo com eles"

Parabéns pelo debate, muito produtivo.
Abraços
CRIS

Espero que entremos em acordo...

crispinga · Nova Friburgo, RJ 7/7/2007 12:29
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crispinga

E já que minhas palavras não têm valor algum para você, quem sabe você entenda essas:

Qual a mais forte das armas,
A mais firme, a mais certeira?
A mais tremenda das armas,
Pior que durindana,
Atentei, meus bons amigos:
Se apelida: A LÍNGUA HUMANA!

Fagundes Varela, "ARMAS"

crispinga · Nova Friburgo, RJ 7/7/2007 12:50
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Spírito Santo

Melhorou, Crispinga. Melhorou muito.

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 7/7/2007 13:56
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Ize

Queridos e queridas amigos e amigas, em especial Spirito que começou esse debate, não me tomem por uma chata que, por não ter o que fazer, fica aqui incitando os ânimos dos overmanos e manas. Estava hj feliz, doida pra aproveitar esse lindo dia de sábado, mas a foto na primeira página do O Globo, em que aparece o gerente de imprensa dos EUA, recém chegado ao Brasil por causa do Pan, ao lado de um higienizador de ambiente, tendo ao fundo a frase que ele escreveu num quadro de avisos "Welcome to the Congo" me tirou do sério. Estou puta da vida, meu dia foi pras picas (sinceramente desculpem-me as palavras de baixo calão, mas não dá pra ser feliz diante dessa manifestação explícita de racismo). Racismo não pq ele chamou o Brasil de Congo, porque disso devemos nos orgulhar. Afinal é à Angola e ao Congo, de onde a partir de 1700 vieram a grande maioria dos negros aqui escravizados, que devemos a nossa herança cultural africana. O racismo é contra os negros. E justamente os do Congo que foram dizimados pelo Rei Leopoldo II, no século XIX, num holocausto pouco reconhecido pela história oficial, mesmo depois de sua citação implícita por Coppola em Apocalipse Now. O comentário, que merecia um artigo que vou tentar escrever, está meio atropelado por causa da minha indignação. Liguei pro meu irmão pra ver se ele achava que essa minha indignação estava fora de lugar. E ele, que foi casado com uma negra durante sete anos e com ela comeu o pão que o diabo amassou tendo, inclusive, ido parar na delegacia por conta de ter esmurrado a cara de um porteiro que pediu que ela subisse pelo elevador dos fundos no edifício onde moravam, me disse que não, que eu estava certa, que a indignação é ingrediente de quem pensa a felicidade não na perspectiva individual, mas na coletiva. O comentário está meio atrapalhado por causa da minha ira. Mas esse desabafo lavou minha alma pq "pra ser feliz, é preciso poder tomar consciência de si sem susto". E, no momento, não me vem à cabeça outra alternativa senão a de terminar esse comentário com um sonoro HAUSLÄNDER HAUS americano f da p.
Saudações a todos e todas de uma mulher à beira de um ataque de nervos

Ize · Rio de Janeiro, RJ 7/7/2007 14:17
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Adroaldo Bauer

Em Folhas das Folhas de Relva, seleção e tradução de poemas de Walt Whitman (1819-1892) de Geir Campos, prefácio de Paulo Leminski, 4ª edição, 1989, o tema já estava encaminhado:
...
Em toda a pessoa eu vejo a mim mesmo,
nem mais nem menos um grão de mostarda,
e o bem ou mal que falo de mim mesmo
falo dela também

...
(eu reconheço que, afinal de contas,
não levo meu orgulho
além do nível a que elevo minha casa.)
...
Existo como sou.
isso é o que basta:
se ninguém mais no mundo
toma conhecimento,
eu me sento contente;
e se cada um e todos
tomam conhecimento,
eu contente me sento.

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 7/7/2007 14:19
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Spírito Santo

Sem dúvida um grande tema, Adro. Para nós, os sobreviventes.

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 7/7/2007 14:30
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Spírito Santo

Ize,
Como disse o Adro, citando Withman o já tema está esboçado. escreva Ize, escreva com toda a emoção que voc~e exprimiu aqui agora. O mais nos dói em todos nós, ao vivermos esta história sórdida que vivemos sob o manto do racismo, é o silêncio, a omissão. Ontem em O Globo, siram dois artigos sobre o tema: Um, estranhamente defendendo ações afirmativas, outro, da acadêmica Isabel Lustosa, contra. nesta semana devem sair outras matérias, provavelmente um do indefectível Ali Kamel (endossando Isabel Lustosa, é claro). O debate é sadio se ambas as partes (não falo dos 'brancos' e dos 'pretos', por favor) se colocam, sem hipocrisia.
As palavras redimem e salvam. O que mata é a frieza e o rosnar do cão pastor alemão.

Abraço forte,

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 7/7/2007 14:38
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Juliaura

Atenção! Atenção!
Muita Atenção! Tá!

A princesa escreveu pra nós, uma cartinha gentil que demonstra uma preocupação similiar a nossa daqui, neste presente nefasto e bendito (porque a contradição está em tudo e por isso o movimento há, diria Galileu, se Copérnico permitisse):

Saca só o racado Spirito, e nem precisa dizer que eu tive razão desde sempre que não precisa, eu já sabia e não tava prosa, tava era muito puta e desgostosa, eu que até sou bem bunitinha.
Um trechinho:
A televisão, em 30 de abril, divulgou o conteúdo de uma carta da princesa Isabel datada de 11 de agosto de 1889 endereçada ao visconde de Santa Victória. Nela se revelam os seus esforços e de seu pai, o imperador D. Pedro II, para prover condições dignas de sobrevivência e inserção da população ex-escrava na sociedade brasileira.
...
Fui informada por papai que me collocou a par da intenção e do envio dos fundos de seo Banco em forma de doação como indenização aos ex-escravos libertos em 13 de Maio do anno passado, e o sigilo que o Snr. pidio ao prezidente do gabinete para não provocar maior reacção violenta dos escravocratas. Deus nos proteja si os escravocratas e os militares saibam deste nosso negócio pois seria o fim do actual governo e mesmo do Império e da caza de Bragança no Brazil. (...) Com os fundos doados pelo Snr. teremos oportunidade de collocar estes ex-escravos, agora livres, em terras suas proprias trabalhando na agricultura e na pecuária e dellas tirando seos proprios proventos.

e um linquinho para ler mais, para todas as humanas pessoas que se interessam pelo bem das pessoas humanas.

Juliaura · África do Sul , WW 7/7/2007 15:26
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Adroaldo Bauer

Conforta aos que reconhecem a necessidade do debate mais profundo, da pesquisa séria pró-ativa, da concepção de um mundo de oportunidades iguais para todos com respeito às diferenças, sem a iníqua discriminação do outro, que as teses aqui expostas a partir do oportuno e pungente postado do overamigo Spirito Santo não se resumem às nossas preocupações, nem aos nossos argumentos.
Esse é, sim, um debate no seio da humanidade, em todo o planeta, por quem o quer humano e justo, e em todas as fronteiras do conhecimento, também em nosso país.
A profundidade requerida nesses temas já foi exposta pela overamiga Juliaura, ao destacar e convocar a leitura do texto lincado acima desse aqui.
Também fui beber naquela fonte e encontrei este outro, que convidaria às pessoas interessadas a conhecer.
Um trecho:

Em termos de jurisprudência, é exemplar a condenação do editor Siegfried Ellwanger pelo STF. Longe das ilações biologicistas e atento às manifestações concretas do fenômeno do racismo em nossa sociedade, corretamente o STF condenou o editor por crime de racismo, por divulgar literatura de cunho revisionista do holocausto e anti-semita. Entre os argumentos da defesa do réu estava o de ser improcedente a acusação de racismo uma vez que judeu não seria uma raça, mas, sim, um povo. Contrapondo-se a esse argumento, o jurista Celso Lafer ponderou, no artigo Racismo - o STF e o caso Ellwanger, que, "os judeus não são uma raça, mas também não são uma raça os brancos, os negros, os mulatos, os índios, os ciganos, os árabes e quaisquer outros integrantes da espécie humana. Todos, no entanto, podem ser vítimas da prática do racismo".
...
A associação entre raça e saúde no Brasil decorre de uma realidade muito concreta, corroborada por estudos e pesquisas que atestam desigualdades sofridas pelos negros na proteção à saúde. Por exemplo, se a identificação da anemia falciforme pode ser feita no teste do pezinho, que permitiria o tratamento precoce da doença em benefício da qualidade e esperança de vida dessas crianças, por que não aplicá-la rigorosamente em todos os bebês, sobretudo os negros, que apresentam as chances maiores de serem portadores dessa doença, que atinge em torno de 10% da população?
Acesse aqui a íntegra do artigo de Sueli Carneiro.

Saravá, Spirito Santo!


Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 7/7/2007 17:28
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AZnº 666

Quando era desenho, via-se o Spirito, na foto ve-se o Santo!
Cheguei neste Estado em 1986 com a propaganda oficial no radio e tv: Voçe não é daqui! Feita por uma atriz com sotaque e cara de nordestina, culpa da invasão de 100.000 nordestino na Època de ouro da Borracha! Baixo-Leblon tinha um muro invisivel entre Periferia e a falsa Burguesia. É dificil passar um dia em que eu não ouça o barulho de uma cusparada quando passo, e eu digo: Me orgulho de ser Brasileiro!
Tem gente que acredita, e Voçe!

AZnº 666 · Rio de Janeiro, RJ 7/7/2007 17:50
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Spírito Santo

Mande letras de A a Z neles então, Leiteiro!
Acredito em você, Leiteiro. Ninguém abraça a capoeira em vão.
Abs,

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 7/7/2007 18:18
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crispinga

Spirito Santo

Também fiquei indignada quando ví a manchete do jornal " O Globo", com o escrito " Welcome To Congo".

Era DESSE PRECONCEITO americano que me referia e infelizmente você não entendeu....Para ELES somos todos CUCARACHAS! A gafe das gafes!

Para encerrar minha participação neste caloroso debate, na minha opinião é assim que deve ser, acho que ficar só "rasgando sêda" e achando tudo liiiindo, não é a função do Overmundo, não é , Hermano ! Isso é para garotada do Orkut!

Respeitando as opiniões alheias, que no calor da discussão esquecemos, queria terminar uma poesia , agradecer o Spirito por me achar "novinha" rsrs e dizer que sua matéria HOJE foi comentada na minha sala de aula! Parabéns!

"..Jurei mentiras e sigo sozinho
Assumo os pecados
Que os ventos do Norte não movem moinhos
E o que me resta é só um gemido
Minha vida, meus mortos, meus caminhos tortos
Meu sangue latino
Minha alma cativa..."


Secos@Molhados, na voz de Ney Matogrosso, o autor não sei quem é!

Bom fim de semana ,
Ize, nada pessoal, viu?
Até o próximo "embate"!
Beijos
Cris

crispinga · Nova Friburgo, RJ 7/7/2007 21:32
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Spírito Santo

Sei que o que é do homem
o bicho não come
mas entre o 'Haus!' e o 'Wellcome'
não sei se vou ou se fico
Não toco este gongo
Me reconheço do Congo
porém não pago este mico
nem um tico
Se cucaracha é barata
tô fora deste contexto
Pimenta nos olhos dos outros
é refresco.

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 7/7/2007 22:42
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Ize

Uau, pessoas, acabo de ler neste endereço que o tal basbaque foi afastado da Comissão americana do Pan, que se retratou e pediu desculpas aos brasileiros. O que mostra que a Juli tem razão: a contradição existe e o presente pode ser tanto nefasto qto bendito.

Ize · Rio de Janeiro, RJ 8/7/2007 00:16
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Saramar

Cheguei atrasada ao debate, mas bem a tempo de aprender tanto com tantas pessoas e me comover com suas memórias da EUropa.
Fico sempre pensando de que adianta o progresso, o desenvolvimento científico e tecnológico, se os homens nunca evoluem e, quando o fazem, é para o lado irracional?
beijos

Saramar · Goiânia, GO 8/7/2007 09:28
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Spírito Santo

Pois é, Saramar

As vezes eu tenho a forte impressão de que nunca mudamos e nunca mudaremos, além das aparências. Alguém, não sei quem, disse que o ser humano pode ser o resultado de uma doença que deu no cérebro de um macaco. Dá o que pensar.

Abs,

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 8/7/2007 12:52
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crispinga

"Pimenta no cu dos outros é talco refrescante! "

Hoje acordei com duas surpresas estampadas no jornal:

O Cristo Redentor foi eleito uma das novas maravilhas do mundo!
Para nós, BRASILEIROS, que andamos com a moral tão baixa, acho um motivo de orgulho!

Segunda surpresa: Uma xarta de uma leitora indigbada como eu e a maioria da população brasileira pela GROSSERIA, dizendo para o fulano:
"Go home, gringo! Você não é bem-vindo aqui, muito menos no CONGO!!!!!!!!!"
Cristo Maravilha!

crispinga · Nova Friburgo, RJ 8/7/2007 14:53
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crispinga

Carta e indignada....Corrigindo!

crispinga · Nova Friburgo, RJ 8/7/2007 15:42
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Francinne Amarante

http://app.uol.com.br/radiouol/index.php?param1=mail&codmusica=009741-0_06

Somos todos um!

queridos colegas overBRasileiros,

podemos ser amigos e irmãos com toda essa mistura linda!
que beleza seria!
todos num só canto, em todos os cantos, aqui ou na Áustria; na Alemanha ou no mundo inteiro... carinhosamente convido, somos todos humanos!
“Salve a mulatada brasileira!” escutem a canção:


Música: Salve a Mulatada Brasileira
Artista: Zeca Baleiro

clique para ouvir: http://app.uol.com.br/radiouol/index.php?param1=mail&codmusica=009741-0_06

abraços sinceros

Francinne Amarante · Brasília, DF 9/7/2007 03:43
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Letícia Carpe

Salve, salve mistura! Salvem o planeta!!!!!!!!!!!
(sua maluca!)

Letícia Carpe · São Paulo, SP 9/7/2007 04:23
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Lucas Pereira

Gradiosa informação que nos é passada.
Parabéns!

Lucas Pereira · Sabará, MG 9/7/2007 06:31
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Spírito Santo

Viram o novo avatar da Ize? Uhu!

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 9/7/2007 08:52
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crispinga

Francine, delculpo-me publicamente pelos meus "delírios persecutórios"...Você é uma bela poetisa e gosto muito dos seus
poemas, quando meus "delírios" permitem.
Spirito, espero que tenhas me perdoado se o ofendí!
Agora
Agora, é tocar a bola!" Só quero saber do que pode dar certo!
Não tenho tempo a perder"!

Cristo Maravilha! Abençoai a TODOS brasileiros!

crispinga · Nova Friburgo, RJ 9/7/2007 10:29
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crispinga

Saravá Spirito!

crispinga · Nova Friburgo, RJ 9/7/2007 10:36
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DaniCast

Cris
O que me parece que você não entendeu (e eu compreendo o seu não entendimento, porque flar de "raça" é a coisa mais complicada do mundo) é que nós não somos brancos. Somos todos latinos. Foi por isso que você foi bem tratada pelos afro-descendentes estadunidenses. Você não é branca. É latina. Eu não sou branca. Sou latina. Branco é o chamado WASP - white, anglo-saxon, protestant - e são os WASPs que ainda mantém toda a guerra racial nas plagas estadunidenses. Você e eu, se morássemos nos Estados Unidos, seríamos tão discriminadas quanto mexicanos, porto-riquenhos e como os afro-descendentes.

No Brasil, como todo mundo é mais ou menos miscigenado, o pensamento racista que vingou é o do "mais branquinho", "menos branquinho". É a chamada "cultura do branqueamento", que coloca nomes bizarros nas "cores" como por exemplo "mulato" ou "pardo". São termos que continuam a manutenção do racismo.

Agora deixa eu corrigir um engano seu: ter melanina ou não ter melanina em grande quantidade não previne câncer de pele nem determina cor da epiderme.

A melanina se acumula na derme, não na epiderme. Isso significa que pessoas mais ou menos morenas ou negras NÃO TÊM mais ou menos melanina. Ser ou não mais ou menos moreno significa ter a melanina mais ou menos "aflorada" na epiderme. É isso que o sol ocasiona, por exemplo. A pele, quando exposta ao sol, faz a melanina "subir" pra epiderme para tentar proteger a pele melhor da radiação solar.

A quantidade de melanina só pode ser analisada em exame médico. Tecnicamente sou considerada "branca" nesse país nosso, mas a minha família possui grande quantidade de melanina na derme, mais que o considerado "normal". Sabe por quê? Genética, de descendência européia! Não tem nada a ver com descendência africana. Viu que contradição? É ainda a cultura racista que existe no Brasil que alimenta esse mito.

Outra nota médica: pessoas com alta quantidade de melanina na derme, como é o meu caso e dos meus irmãos, têm uma tendência MAIOR a desenvolver câncer de pele e precisam tomar cuidados especiais e fazer verificações de rotina.

Nada como o conhecimento verdadeiro para desmistificar falsas crenças e auxiliar a eliminar o racismo. Quem vê apenas aparências não sabe o que realmente se passa com uma pessoa.

DaniCast · São Paulo, SP 9/7/2007 15:19
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DaniCast

Vou ter que adicionar um segundo comentário por causa do espaço:
Cris, não chame os latinos de cucarachas, até porque, você também é latina. Você é "cucaracha". Eu sou "cucaracha", somos todos por aqui.
Usar esse termo é tão pejorativo quanto o "negão".

DaniCast · São Paulo, SP 9/7/2007 15:25
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Spírito Santo

Dani Cast! Dani Cast!
Sinto-me deveras honrado em ter tão abalizada opinião médica abrilhantando este meu atribulado, embora bem intencionado, post. Só este teu comentário já valeu, como dizia um Samba enredo desses aí, 'o sacrifício dos Andradas'.
Aliás, o rumo que você deu à conversa, me lembrou que, há pouco tempo atrás, já tentando por esta conversa na roda, publiquei o post que está neste link, o qual recomendo aos convivas, inclusive e, modestamente, à moça Crispinga (aproveitando o ensejo para solicitar-lhe, amigavelmente, que não evoque 'Saravás' em vão. Vai que baixa em alguém um cabôco sem eira nem beira, um 'Tranca rua' desses que andam soltos 'pelaí' pela do Brasil. Depois, vai amansar o desembestado Exu com quê, misifia?)

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 9/7/2007 20:27
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Ize

Oi Spirito, esse não é propriamente meu novo avatar rsrsrsrsrsr Quis extamente tirar a máscara dos óculos escuros...(o recorte que fiz da foto - lá no meu perfil - até que pode ser um avatar).
Oi Dani, se eu morasse em SP ia fazer o curso que vc produz, - principalmente por causa desse objetivo "Incentivar e desenvolver o interesse sobre o processo de produção de obra audiovisual" - embora a proposta toda tenha assaz me interessado.
Abrçs sonolentos para os dois

Ize · Rio de Janeiro, RJ 10/7/2007 02:09
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crispinga

Spirito,
Já deixei um recado pra Dani, já me desculpei com a Ize e já que você não me entende nem tão pouco perdoa, acho que o mais sábio é calar-me .
Porém, para os que pegaram o bonde andando e para não ficar com fama de racista:
NÃO FUI EU QUE INVENTEI O TERMO CUCARACHA, FORAM OS AMERICANOS!
SOU LATINA COM MUITO ORGULHO!
TENHO ASCENDENTES NEGROS E ÍNDIOS!
MANDEI UM SARAVÁ, EXPRESSÃO QUE VINICIUS DE MORAES USAVA
PORQUE NÃO ERA CATÓLICO e por ter morado na Bahia.
JÁ pedí desculpas a você e você ( não sei por que)
Mandei poemas de Ferreira Gular, Secos e Molhados.....
Quem tiver PACiÊNCIA, que volte aos meus comentários!
A minha ESGOTOU-SE!!!!!!!!!!!!!!!!!!
FUUUUUUUUI!
E nunca mais me chame de "querida Cris, leia meu postado... ", "Pivô" disso ou daquilo, estou fora!
Arrume OUTRO pra CRISTO!!!!!

crispinga · Nova Friburgo, RJ 10/7/2007 11:59
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Spírito Santo

??????????

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 10/7/2007 20:47
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crispinga

O Adroaldo terminou com um Saravá e você não mandou suas piadinhas para ele. O negócio ERA comigo!

crispinga · Nova Friburgo, RJ 10/7/2007 20:55
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crispinga

zzzzzzzzzzzzzzzzz!

crispinga · Nova Friburgo, RJ 10/7/2007 21:00
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crispinga

Tá de bom tamanho, né?
Boa Noite
Até a Próxima!

crispinga · Nova Friburgo, RJ 10/7/2007 21:07
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Ilhandarilha

Acabei de ler um post do Bernardo (que comentou aqui também) que está na fila de edição com bastante comentários - chama-se a mulher, a bola e o silêncio. O post dele fala da discriminação contra a mulher. Pela polêmica que se estabeleceu nos comentários, dá pra ver que questões de raça e de gênero ainda são polêmicas.
Parabéns ao Spírito e ao Bernardo por falarem dessas questões aqui de forma tão sincera. E por trazerem à tona a polêmica em torno dos dois temas.

Ilhandarilha · Vitória, ES 10/7/2007 22:32
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Spírito Santo

Ilha,
Vou lá, visitar o post do Bernardo,mas, vou 'no sapatinho', como se diz aqui.

Abs,

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 11/7/2007 09:21
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Joca Oeiras, o anjo andarilho

Querido Spirito:
Aproveite e visite o meu também, se já não o fez!
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 11/7/2007 09:56
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Sérgio Franck

Oi, Spírito Santo. Num dia desses alguém me perguntou o que significava aquelas fotos do lado direito da tela. "Favoritos, por que motivo? O que fazem estes pra serem favoritos?" Eu respondi que seria a identificação com cada um e suas formas de transmitir boas idéias. Por este texto e por muitos outros que com certeza hei de ler, é que te adiciono à minha lista de favoritos.
Um abraço.

Sérgio Franck · Belo Horizonte, MG 12/7/2007 10:11
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Bernardo Carvalho

ilha, obrigado mais uma vez, não por concordar comigo, ou com o spirito, mas por se expressar de forma serena e amiga, mesmo diante de assuntos difíceis como gênero e raça. acho q esse espaço comporta até uma certa acidez, mas a baixaria e despautério são inadmissíveis!

spirito, certa vez me referi a uma retirada sua de forma irônica. me desculpo publicamente, pq agora sinto na pele como é quando a conversa cai num bate boca vazio...

abs a vcs dois

Bernardo Carvalho · Rio de Janeiro, RJ 12/7/2007 19:42
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Bernardo Carvalho

só retificando: nao me refiro a essa conversa, excelente, mas à que ocorre neste link.
abs

Bernardo Carvalho · Rio de Janeiro, RJ 12/7/2007 19:43
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Spírito Santo

Valeu Franck. te agradeço a preferência.
Bernardo, parceiro. Ainda não fui lá no teu front. Mas vou logo logo.
Abs aos dois,

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 12/7/2007 19:48
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Marcelo Cabral

Caramba! Que relato Spirito! Impressionante! E essa foto? Uau!
Danke mon ami
:)

Marcelo Cabral · Maceió, AL 28/11/2007 21:39
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Spírito Santo

Valeu Marcelo!

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 29/11/2007 06:17
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Spírito Santo

Galera,

Não sou de tripudiar não, mas, sabe aquele cara o Jörg Heider, que eu citei lá em cima como um autointitulado seguidor do Hitler e que estava, mais um vez (agora mesmo, em 2008) perto de ser eleito primeiro ministro austríaco?
Entro numa autoestrada a 170 km por hora, bateu de frente e...morreu.
O capeta quando ele chegou lá deve ter dito:
__heil, heider! Bist du hier?
Agora só falta o Obama ganhar.

Abs

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 14/10/2008 23:34
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