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Intolerância também é cultura
Em 1992 eu morava em Viena, Áustria. Já estava por lá há três anos, de certo modo cansado de tanta civilização e morrendo de saudades daquela saudável bagunça brasileira, cuja lembrança, nos fazia tão bem, às vezes.
Além da overdose de ordem e civilização, mesmo depois de tanto tempo por lá, ainda me surpreendia com a quase total ausência de rejeição da população local, diante de pessoas com o meu perfil e o da minha família: Negros brasileiros, muito parecidos com os cubanos, com os caribenhos, com os norte-americanos, um pouco com os africanos, negros em suma, quase em nada parecidos com eles, os austríacos.
A estranheza vinha, principalmente, do fato de não ser, absolutamente, esta a maneira como éramos tratados no Brasil, sempre que circulávamos por áreas como a Zona sul do Rio de Janeiro, por exemplo, onde a estratificação social é bem determinada, dividida entre 'Brancos' (habitantes das ruas elegantes, os 'patrões' e as 'madames') e 'Negros' ou 'Paraíbas' (habitantes das favelas e dos subúrbios, os empregados ou serviçais).
Não percebíamos isto, tão claramente, quando estávamos ainda por aqui, é verdade. É que já estávamos acostumados. Foi só em Viena que isto nos chamou mesmo a atenção.
Lá só havia, a princípio, a curiosidade e o respeito diante dos estrangeiros que éramos (turistas, talvez pensassem).
Aqui, quase sempre, os olhares de desconfiança ou de desdém (bandidos, desclassificados, seres inferiores, pensavam, com toda certeza).
(Gosto desta descrição assim, sem nenhuma filigrana ou arroubo sociológico porque ela é bem clara, síntese perfeita do que realmente ocorre, de como a coisa é vista, assim, do lado de cá da cerca).
A estranheza com relação a como éramos tratados lá e aqui era maior ainda porque, como bem sabemos, praticamente não existem brancos no Brasil. Os 'brancos' do Brasil, seriam tratados lá como... árabes, talvez. Isto ficava límpido e claro para nós quando cruzávamos com aqueles milhares de seres louros de olhos azuis, grande maioria da população vienense.
Porque seria que aquelas pessoas tão descaradamente brancas, nos tratavam assim tão bem? Sem nenhum receio, às vezes com certa curiosidade até, pedindo licença para passar o dedo na pele dos mais escuros para confirmar se não era pintada? Me recordo de várias vezes, ao necessitar de alguma informação, de ser atendido por duas ou três pessoas, uma disputando com a outra, a chance de nos ser gentil.
Mas havia sim, um leve incômodo na nossa relação com os austríacos: Éramos, invariavelmente, chamados por eles de Africanisches (africanos), seja lá qual fosse a nossa origem ou do tom de nossa pele. Todos os negros que circulassem pelas ruas de Viena, fossem cubanos, norte americanos, para eles seriam africanisches.
O adjetivo ganhava contornos bem desagradáveis quando, espertos, cometíamos algum ato inaceitável para as regras sociais deles, tais como jogar papel e guimbas de cigarro na rua, falar alto, andar no bonde sem pagar, urinar na rua, etc. Aí o termo nos era lançado com todo o rancor de um xingamento, quase uma maldição: Africanisches! Muitas vezes até complementavam a injúria com o que, para eles, eram horríveis palavrões: Mohr! Negger! (que no Brasil corresponderia aos populares Crioulo! Macaco!)
Curiosas analogias pude constatar depois, estudando o assunto.
Africanisches todos nós éramos porque, do ponto de vista deles, descendentes de africanos, africanos são. Mohr viria de Mouro, palavra portadora do extremo ódio que, até hoje, as pessoas daquela região tem pelos árabes que invadiram e dominaram grande parte da Europa, deixando marcas profundas na cultura deles, entre as quais os arabescos e capitéis da curiosa arquitetura do Stephandomme (a Catedral de São Estevão) e a prática do islamismo em certas partes dos bálcãs (notadamente na antiga Iugoslávia), são marcas eloqüentes.
Como mais um dado a ser inserido na conversa, alguns brasileiros me contaram também, que já haviam presenciado senhoras indignadas com algum mal feito de um africanische, sendo multadas por policiais, na rua, porque se excederam na virulência dos xingamentos. Logo, havia intolerância racial na Áustria sim. Haviam inclusive leis contra o racismo. O que não havia por ali era hipocrisia.
A Áustria, como se sabe, é a terra de Adolf Hitler, ali nasceu a semente do Nazismo, o ovo da intolerância. As estúpidas e inconseqüentes razões do racismo fermentaram ali, do mesmo modo que as frágeis idéias de resistência contra a intolerância racial e as injustiças sociais de qualquer ordem também por ali vicejaram.
Ali viveu Sigmund Freud, Beethoven, Schümann, por ali passaram Karl Marx e Frederick Engels, Einstein, Mozart. Não podemos esquecer também de que, em Viena residem, ainda hoje, muitos descendentes, diretos, dos milhares de mortos dos campos de concentração nazista.
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Em Viena morei em quase todos os bairros. Desde o Grinzing, no bezirk (distrito) 15, o bairro nobre (mais ou menos como uma barra da Tijuca com morros e sem praia), até o suburbano Gumpendorfstrasse. No Grinzing reside gente rica ou moderna, artistas e intelectuais. Ali se curte a vida boêmia, a cultura alternativa, a diversidade racial, cultural e tudo que há de bom na Europa.
Em bairros como Gumpendorfstrasse moram os pobres, o povão. Circulando entre um bairro e outro tive uma lição de sociedade e pude compreender melhor como caminha a humanidade e, enfim, saber com quantos paus se faz a canoa que pode nos levar, dependendo apenas de nosso discernimento, para a civilização ou para a barbárie.
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A vida no apartamento que dividíamos com outra família, era bem tensa. Bairro popular, composto por prédios antigos, do tempo da segunda guerra mundial, no Gumpendorfstrasse não era hábito morarem estrangeiros. Quanto mais negros. Encontrávamos os habitantes locais todo dia, na pracinha do bairro, passeando com seus cachorros. Velhos, em sua maioria. Quase nenhum jovem ou criança, pelo menos à vista.
Quando cruzavam conosco, olhavam para nós com um misto de curiosidade e um mal disfarçado desprezo, cumprimentando-nos por entre os dentes com um 'guten Tag!' ou um 'guten abend!' formal. Alguns, mais atirados, as vezes nos inquiriam, querendo saber de onde vínhamos e quanto tempo ficaríamos por ali. Nestes momentos de inquirição, sorriam dissimuladamente. Nunca usavam, no entanto, como já disse, aquela sutil hipocrisia daqui do Brasil.
A dissimulação dos sorrisos ficava evidente porque o Strassenbahn (bonde) que nos levava de Gumpendorfstrasse até a estação do metrô, que por sua vez, nos levaria ao centro de Viena, tinha a fórmica dos anteparos dos bancos pichadas à caneta hidrocor, com frases que entendíamos muito bem:
_'Ausländer haus!'- ('fora estrangeiros! ').
A primeira vez que vi a frase assim, diante de mim, gelei da cabeça aos pés. É que ela estava ilustrada com uma inconfundível suástica vermelha. Os outdoors do caminho também continham a mesma suástica com a mesma palavra de ordem assustadora: 'Ausländer haus!' Em algumas destas pichações a frase era complementada com mais ênfase ainda:
'Ausländer Tod! (Morte aos estrangeiros! ')
Quem escrevia aquelas frases? Estava claro que só poderiam ser jovens suburbanos, punks de periferia, neonazistas, filhos daqueles vizinhos francamente inamistosos. A gente via estes jovens, sempre, alguns de roupa preta, circulando pelos vagões do metrô, em bandos. Os africanos e brasileiros, nossos conhecidos, já haviam nos alertado para não ficar perto deles, porque costumavam furar estrangeiros com armas brancas.
Eu era apenas um músico brasileiro em Viena. Cantava e tocava na noite. Estava acostumado a cortar a cidade a pé, cruzando a neve, na alta madrugada, rumo à Gumpendorfstrasse, sempre que a grana não cobria o táxi e não havia mais metrô circulando. Eram mais de duas horas de trajeto. Fumava bem uns quatro cigarros neste caminho, para esquentar os beiços. Numa destas noites, os cigarros acabaram antes do tempo. Pensei comigo:
_”Nenhum problema. Entro naquele gasthaus (bar 'pé sujo'), pego um bom maço de Hobby na cigarreten machine e pronto. '
Mas havia um homem na porta do gasthaus com um cão pastor alemão na coleira. Devia ser o dono do estabelecimento. Achei estranho ele não ter se afastado para a minha passagem. Tentei mais um vez e o cão rosnou, ameaçador. O homem nem me olhou, impassível. Aturdido com a situação, desisti de fumar e segui meu rumo, preocupado com a cena.
A frieza dele foi o que mais me assustou. Ela me lembrou outro incidente, também muito estranho, ocorrido num dia em que eu fui assinar um contrato para um show num bar latino. Eu andava pela calçada distraído. O bairro era tranqüilo, de periferia. Um barulho de freada e minha atenção foi atraída pela seguinte situação:
Um homem gordo, atarracado, com um solidéu na cabeça, árabe, por assim dizer, segurava uma bicicleta minúscula, de seu filho talvez, com o celim alto para que lhe servisse na altura. Engraçada a figura. O sinal havia fechado e um carro conversível vermelho - um Lambourghinni talvez - pilotado por um austríaco jovem e bem vestido, havia esbarrado na bicicleta do árabe, quase o derrubando. O austríaco, com o carro engrenado, não se moveu. Não dispensou sequer um olhar para o árabe, ignorando-o.
Indignado com a indiferença do outro, o árabe se aproximou dele e o recriminou, severamente, ainda com educação. O austríaco não se moveu.
O árabe xingou o homem, de tudo quanto foi , pelo que deduzi, nome feio, na sua língua, é claro, aos berros. O austríaco não se moveu.
Foi então que, quase explodindo de raiva, o árabe, cuspiu no rosto do austríaco que, ainda assim, não se moveu, nem para limpar o rosto. O sinal abriu e o Lambourguinni partiu. O árabe olhou para um lado e para o outro, sem compreender direito o que se passou e seguiu, desolado.
Testemunha ocular da inusitada cena segui pensando do que seria capaz um ser humano, tão frio e arrogante a ponto de não reagir a uma agressão daquelas, só para não pedir desculpas à alguém que, provavelmente ele desprezou apenas porque era um árabe?
Uma coisa, porém, me confortava: Eu estava ali incólume. O discriminado era o outro. Eu podia observar e avaliar a situação sofrida pelo árabe, de camarote.
Aquilo me lembrava também um dia em que, num mercadinho perto de casa, procurei uma fechadura nova para comprar. A marca mais famosa de produtos de segurança em Viena (cadeados, correntes, fechaduras, trancas de automóveis, e outras tralhas do tipo), tinha nas caixas uma curiosa ilustração de um ladrão típico (para o consumidor austríaco):
Ele era um árabe com a barba por fazer, mal encarado, invadindo uma casa na calada da noite, com uma lanterna acesa. Racismo explícito, ora, pois.
Não sou árabe (pelo menos que eu saiba). Como faz a maioria dos 'brancos' do Brasil poderia, tranquilamente, pensar: 'pô, que chato, o que o austríaco fez com o cara, né?' E seguir meu caminho, assoviando.
E foi, de fato, o que fiz. Neste ponto foi bom. Deu pra ver, friamente, como as coisas funcionavam por ali. Sórdidas, porém, explicáveis.
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A época, início dos anos 90, coincidia com o recrudescimento da imigração de africanos para o centro da Europa, antes dominada, inteiramente, por imigrantes árabes, turcos em sua maioria. Era a faca de dois gumes da economia globalizada mostrando seus maus efeitos e dando o seu troco.
Entre outras regiões do outrora chamado terceiro mundo, com a globalização, a África, deixada à margem do mercado por razões históricas, depauperando-se pela fome, parecia que ia se transformar, rapidamente, numa espécie de favela continental.
Havia também a guerra entre Sérvios e os Croatas na Iugoslávia, os massacres étnicos contra muçulmanos e a vinda maciça de refugiados para a Áustria, antiga sede do império Austro húngaro que é, até hoje, uma espécie de capital da região, que envolve também a Polônia, a Tchecoslováquia e a Hungria, países cujos habitantes fogem da miséria para Viena, exatamente, como os nordestinos aqui no Brasil fogem para as favelas próximas à Barra da Tijuca.
Com verdadeiras hordas de imigrantes pressionando as economias dos países europeus mais ricos, os negros, os africanisches de qualquer origem, passaram então a integrar também, a raça dos estrangeiros indesejáveis. Entre eles estava eu. Haus! Fora! Gritavam os furibundos arautos do neo-nacionalismo, bem na minha cara.
O partido de direita da Áustria havia acabado de escolher seu candidato. Ele era um jovem político do sul do país, chamado Jorg Heider, simpatizante confesso de Adolf Hitler.
Uma amiga alemã a quem eu pretendia visitar em Munique me telefonou assustada, pedindo-me para não ir para a Alemanha, de jeito nenhum. Neonazistas estavam atacando negros da estação ferroviária. Haviam incendiado um alojamento de estudantes do Ghana e dois haviam morrido no ataque.
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Por alguma razão que não me recordo agora (talvez o alto preço do aluguel), tive que mudar de bairro. Fui para mais longe um pouco, um bairro de classe média, quase fora dos limites da cidade. Na pressa, larguei para trás uma caixa de brinquedos do meu filho e tive que voltar ao prédio do Gumpendorfstrasse para buscar. Foi num sábado, de manhãzinha. Um sábado de terror.
As paredes da escada do prédio até a porta do apartamento no qual eu morara, estava toda pichada pelos neonazistas:
-'Ausländer haus! Fora estrangeiros! Morte aos estrangeiros! Africanisches! Negger! -diziam as inscrições.
Suásticas, muitas, suásticas enormes. Tudo pichado. Peguei a caixa e desci, rapidamente, as escadas. Sentei na pracinha para tomar fôlego, em pânico ainda. Os vizinhos, os mesmos que eu via todos os dias, passaram com seus cachorros. Não me cumprimentavam mais. Dava para ler no olhar deles que sabiam das suásticas, sabiam de tudo.
Com a expressão ausländer haus ecoando na minha cabeça, lembrei de todos aqueles aterrorizantes filmes de nazistas que assisti na vida. Achtung! Gente de Deus! Agora não era filme não. Era eu mesmo quem estava ali, de corpo presente, indefeso estrangeiro, no meio da branca neve dos outros. Os judeus da vez poderíamos ser eu e minha família.
Vade retro Satanás!
Vendi alguns dos instrumentos musicais exóticos que levara, alguns postais e até os originais de gravuras que havia desenhado para uma revista de lá, para completar o orçamento e, juntando mais alguma grana emprestada, comprei as passagens.
Quinze dias depois estava de volta ao Brasil. Me lembro que, ainda no céu, pouco antes de pousar, o avião cruzou com estranhos balões de plástico preto que anunciavam o impeachment de Fernando Collor de Mello, o ex 'caçador de marajás'.
De volta ao passado, ao velho Brasil de sempre, desembarquei aliviado.
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É por isto que hoje, quinze anos depois, quando vejo jornalistas e intelectuais como Ali Kamel (de ascendência árabe, por sinal), Demétrio Mangnoli, Ivonne Maggie e Peter Fry (cidadão inglês, se não me engano), muito bem articulados entre si, espalhando aos quatro ventos e de forma militante, em artigos, teses, manifestos, a sua ojeriza por ações afirmativas e leis de cotas de reparação para os 'não brancos' do Brasil, me dá um frio na espinha. Fico lembrando daqueles últimos tempos em Viena.
Tenho minhas razões para não ver esta oposição ferrenha que este grupo faz às ações afirmativas no Brasil, como honestas e simples divergências de princípios. Foi, exatamente, por isto que contei para vocês logo, de antemão, a minha pós graduação na terra do Adolf.
Conheço também de relance, porém, de longa data, as atividades junto ao Movimento Negro da década de 80, de alguns destes intelectuais e acadêmicos, hoje ligados à importantes universidades federais brasileiras. Simpatizantes da luta anti racista de então, convidados pelo Movimento Negro para muitas mesas redondas contra o Racismo, formaram suas sólidas carreiras acadêmicas, defendendo teses que agora, por alguma estranha razão, passaram a combater.
São ainda hoje figuras acadêmicas importantes e poderosas, dirigindo estratégicos departamentos no campo da antropologia e da sociologia, na qualidade de especialistas no assunto raça e sociedade. Seriam estas suas recônditas razões?
Não é cisma, portanto, permitam-me considerar, alguém como eu estranhar a mudança de lado destas figuras, justamente agora, a esta altura dos acontecimentos.
Surpreende-me muito também a fragilidade, quase absoluta, de seus argumentos apoiados, quase que tão somente, pela grande ascendência que possuem junto a certos meios de comunicação, nos quais as vozes que deles discordam não tem tido, praticamente, nenhuma chance de se manifestar.
Observem por favor, que, na intensa campanha que fazem, está embutida também a tentativa de negar, não só, a existência de raças, mas, também a do próprio racismo. Contraditoriamente, portanto, negam agora, o cerne, a essência de sua própria militância intelectual do passado.
Há, com efeito, no bojo de sua campanha (pelo menos na de Ali Kamel, seu principal porta voz), distorções grosseiras e deliberadas de dados estatísticos do IBGE e sobre as recentes – e a rigor pertinentes- descobertas da genética, preconizando a inexistência de diferenças raciais, usando o torto raciocínio de que, se não há raças como poderia haver racismo? Se nunca houve Racismo por que haveria necessidade de reparação?
Anti-abolicionistas tardios, é o que parecem.
Contudo, como qualquer estudante de história do nível médio deve saber, a prova científica da inexistência de diferenças raciais é justamente atribuída ao esforço de cientistas engajados na luta contra o Racismo no mundo. Como também se sabe, no caso do Brasil, estas falsas diferenças foram adotadas pelas próprias elites racistas, logo depois da abolição da escravatura, como argumento para a manutenção da desigualdade e da opressão social, por parte de uma aristocracia, de ascendência européia, contra a maior parte da população 'não branca' que, no caso do Brasil, era – e é, como conseqüência do próprio racismo - composta por ex-escravos africanos, índios e seus descendentes.
A afirmação - e a denúncia- de que, efetivamente, há racismo no Brasil, não poderia, portanto, de modo algum, ser negada, por meio, exatamente, do mais eloqüente argumento que prova que, o Racismo tanto existe quanto precisa ser, veementemente, combatido, por todos os meios que se fizerem necessários, entre os quais as ações afirmativas e as políticas de reparação são os mais pertinentes, principalmente por serem democráticos, legais e, principalmente, pacíficos.
Neste quadro, é lamentável portanto que, atribuindo a culpa pelo crime à própria vítima, os ideólogos desta estranha campanha, sem argumentos válidos para justificar o seu reacionarismo, estejam acusando os partidários das políticas de ação afirmativa, de estarem propondo a institucionalização do Racismo no Brasil (que para eles nunca teria existido) o que, também segundo eles, geraria o ódio fratricida entre as raças (o que, a despeito das centenas de mortos na atual Guerra do Rio, não estaria ocorrendo).
Sua proposta rasa, única, curta e grossa é incluir os excluídos na sociedade de cotas e privilégios que ocupam e usufruem, apenas quando... a galinha criar dentes.
Só peço para que, por conta da forma tão aberta e franca quanto me expressei aqui, eles não tentem me expulsar, de vez, de minha própria terra, aos berros:
- 'Ausländer haus, negão!'
Spírito Santo
Junho 2007
tags: Rio de Janeiro RJ musica
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Calma, gente,
É só uma conversa franca e amiga. Não sou ressentido, não sou recalcado, nem complexado, não sou nazista, nem muito racista. Só estou cansado de ser enganado. No mais, sou da paz de Zambi.
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 1/7/2007 20:09
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Querido Spirito, com essa colaboração vc conquistou para sempre meu respeito e minha admiração. São tantas as coisas que eu teria pra dizer aqui que o melhor é escrever um artigo. Por ora, digo apenas que suas palavras me lembraram Lima Barreto que, em sua obra marginal, cunhada pela experência pessoal do sofrimento com o racismo, não se cansou, entre outras coisas, de denunciar o caráter obsceno do cenário que as administrações da República Velha preparam para o Rio, sob a justificativa de que a cidade precisava civilizar-se. Civilização que implicava no embranquecimento da cidade, no ocultamento dos negros e de suas culturas, na contenção das classes perigosas - o povileu vozeirudo e trapento. Ser contra as cotas é insistir no embranquecimento da cidade, é reiterar o lema positivista da nossa bandeira, cujo primeiro termo - a ordem - soa como a ordem "Ponha-se no seu lugar" que, certamente, não é o da universidade pública destinada aos que gozam do privilégio do Progresso. Voltando a Lima, em seu Diário Íntimo ele conta: " Fui a bordo ver a esquadra partir. Multidão. Contato pleno com meninas aristocráticas. Na prancha ao embarcar, a ninguém pediam convite, mas a mim pediram...É triste não ser branco". 80 anos depois, seu "Auslander haus, negão!" confirma o sentimento de Lima Barreto. Graças que, como ele, vc bota a boca no mundo denunciando a desfaçatez de quem acha que no Brasil não existe racismo.
Vivas pra você!!!
Se puder, dá uma olhadinha no comentário que fiz ao artigo "Negro em Destaque" de Luciana Fonseca
Ize · Rio de Janeiro (RJ) · 1/7/2007 20:56
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Saravá, Spirito.
Pungente depoimento.
Oportuna informação.
Atual debate.
Uma posição de coragem como a disposição de superar as barreiras impostas ao desenvolvimento da pessoa humana requer.
Postei em maio um texto sobre o que penso a respeito e peço licença tua para lincar aqui por considerar que auxilia na compreensão do todo do que debates e envolve o conjunto do que referes de modo muito simples, objetivo e nítido.
Asè!
Ação Negra por um novo mundo possível - I
"É já um tempo demasiado longo este em que as diferenças são submetidas à opressão, à negação, à exclusão, à discriminação, à hipocrisia, ao descaso. Uma condição absolutamente injusta. Iníqua.
É hora, já, de lutarmos todos pela superação deste tempo.
É urgente a luta de homens e mulheres que emancipe de fato as diferenças, que instaure a igualdade de direitos, que inaugure as necessárias relações solidárias, fundamentos da construção de um mundo novo possível.
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Em nosso país, o modo de produção escravista realizado por mais de três séculos deitou fundas as raízes da iniqüidade em toda as relações sociais formadoras da nacionalidade. Elas ainda hoje permeiam o conjunto da vida social brasileira como se revela no retrato trágico da exclusão pela discriminação racial.
A exploração do trabalho de milhões de seres humanos aprisionados em África
[chamados escravos pelos traficantes e proprietários, de negros pela elite colonial e européia, de gentios pela ideologia dominante que lhes permitia a escravização do semelhante e a ele outorgava a condição de mercadoria ou mão-de-obra]
ergueu fortunas, riquezas, países, impérios, na América e na Europa.
Aqui foi concedida alforria aos senhores, desobrigados da manutenção da posse e da indenização devida a trabalhadores e a todas as gerações escravizadas da etnia vilipendiada.
A farsa colonialista da Abolição aprisionou nas faldas e sopés de morros, nas matas, nos grotões e beiras de estrada a multidão expulsa sem meios das lavouras e minas. Sem mais ferros, chicotes e senzala, agora à mercê do modo de exploração do trabalho no processo de industrialização ainda incipiente."
Adroaldo Bauer · Porto Alegre (RS) · 1/7/2007 22:01
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Ize,
Saber que existe no Brasil gente assim como você, lúcida, interessada em pensar o país como uma família que lutará e vencerá a iniqüidade dos trânsfugas, me comove. Foi reconfortante acordar e ler o seu comentário. Me senti gente decente. meu dia hoje vai ser bem melhor.
Lima Barreto Vive!
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 2/7/2007 07:45
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Adro,
O bom da vida é poder ir de encontro aos verdadeiros amigos. Não há virtualidade que nos atravanque o juízo. As regras são os arcos retesados, preparados para mandar a flecha no ponto certo. Se um errar, o outro acerta e o que resta depois é festa.
Grande abraço
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 2/7/2007 07:51
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Não dá pra para de ler, Spirito. Reflexão colocada de forma sensível, pessoal e envolvente. Te admiro! abraços
Ilhandarilha · Vitória (ES) · 2/7/2007 12:46
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Ilha,
Abraço forte e emocionado pra você também.
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 2/7/2007 19:48
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Oi Spirito, voltei pra votar e aproveito pra dizer que vc tem razão qdo diz que Lima Barreto vive. Em todos nós que acreditamos que o passado não é para ser soterrado como "águas passadas". Ele precisa ser revivido pra que, daqui do presente, todos nos sintamos visados pelo 'Ausländer haus, negão".
Grande abraço
Ize · Rio de Janeiro (RJ) · 3/7/2007 22:02
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Valeu, Ize!
O papo parece que está ainda está rolando lá no post da Juliaura. espero que escorregue para cá.
Abs,
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 3/7/2007 22:22
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Recebi um recado do Duda Valle no meu perfil que, permitam-me, achei interessante reproduzir aqui, com a minha resposta e tudo:
Duda disse:
'Eu gostei do artigo , mas se você concorda que existe uma divida histórica a foto ficou mal, uma provocação a qual eu não faria exatamente por reconhecer que ali também foi estabelecida uma divida histórica. Fora que eu sou da turma da Naomi Klein (No Logo).
Eu, respondendo:
Duda,
Legal que você gostou. A foto é provocativa mesmo mas, além de ser um assunto tão tabu que as imagens pertinentes faltam (apenas coloquei esta na falta de outra melhor), tentei aludir com a imagem ao fato de que, aqui no Brasil, muitas pessoas não são, exatamente (embora se julguem), brancas (o que não seria nada de mal). O problema é que elas assumem esta condição, quase simbólica, para excluir o próximo (o menos 'branco') e usufruir de vantagens e privilégios sociais. Acho que isto, além de ser um oportunismo condenável, é uma espécie de estupidez.
O 'negro' da foto (na verdade um hindu, se em parece) é uma alusão simbólica a estupidez destas pessoas (a sociedade brasileira, como um todo, 'pretos' e 'brancos').
Abs,
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 4/7/2007 07:41
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Spirito, impressionante seu relato... e, de fato, o pior racismo é esse "de academia", alardeado pelos maggies, kamels e frys da vida. Me parece que, seguindo as exigências formais acadêmicas, eles acabam por incorporar uma perspectiva e um pensamento também formalista, preocupado com as estruturas conceituais, e não com a vida de fato. eu faço pós em filosofia e percebo como é difícil para o acadêmico médio compreender a vida fora dos esquemas teóricos. Pra mim é muito claro: raça pode até não existir, mas racismo existe e é fenotípico! Meu consolo é que, a julgar pelas experiências de cotas que tenho ouvido falar, eles estão perdendo a batalha. NA UERJ mesmo, mais especificamente na ESDI, apesar das dificuldades, pude testemunhar um grande avanço dos alunos cotistas, mas também dos professores que tiveram que se adaptar à nova realidade. Grande abraço!
Bernardo Carvalho · Rio de Janeiro (RJ) · 4/7/2007 11:27
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Só mais um detalhe. Há uns anos atrás, eu portava aquel identidade estropiada, banhada ao mar e seca ao sol... aquelas em que você quase não vê a foto, saca? então, volta e meia tinha que sacar dinheiro no banco com essa identidade, e costumava sacar numa agência em Ipanema ou em Copacabana. Nunca tive problemas. O caixa pegava a carteira semi-destruída, olhava pra carteira, olhava pra mim e efetuava o saque. Certo dia, entretanto, tive que sacar o dinheiro numa agência em Madureira, terra onde, supõe-se, existe maior concentração de negros... Bom, o fato é que não houve santo que fizesse a caixa sacar meu dinheiro... Às vezes penso que em determinados contextos, existe um medo de ser ou parecer "racista" que se transforma em uma simpatia incondicional... e que também tem lá seus problemas...
Bernardo Carvalho · Rio de Janeiro (RJ) · 4/7/2007 11:32
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Grande Spirito,
Grande mesmo. E nem falo de tamanho.
Tô na espiral (pra cima, pra cima) e teu artigo postado dá uma mão boa no debate.
Orienta a partir da vida não do penso.
Aliás, tinha uma amiga de vovó que cozinhava e dizia pra nós, faço de cabeça, com penso é mais caro.
Receita dá bolo, se me entendem.
Prefiro ao vivo, agora e, se possível, tudo o que me devem há miles.
E eu sou apenas moura, das que mataram lá nas terrinhas mesmo e ainda hoje matam.
Também achei lindonas pro escambau as comentas da Ize, de Ilhandarilha e amei de paixão o Bernardo.
Não vou falar do Adro pra não parecer "simpatia incondicional" (que atrapalha e eu é que sei).
Pior que fã, e tiete é maleta de viagem e carrapato.
É chato (rsrsrs).
Outra hora eu pago o aluguel do tempo de todas vocês pessoas, que agora tô indo pro beleléu engraxar as botas de sete léguas que perderam por lá e fazer uns troquinhos pro vinho.
Beijin, pequinin
Juliaura · Porto Alegre (RS) · 4/7/2007 11:54
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...batuta adorei o texto...e na leva do Bernardo que diz que o "...racismo existe e é fenotípico..." digo que o racismo existe e é patologico, doentio, cancerigeno..destroi aos poucos e por dentro...
Helder Dutra · Rio de Janeiro (RJ) · 4/7/2007 11:56
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Caro Spirito Santo, o seu texto me deixou impressionado pela lucidez e coragem. Eu moro em Londres, pela segunda vez, e foi aqui que descobri na prática a diferença do racismo velado e hipócrita que se pratica aí no Brasil, para o que é praticado pelas bandas de cá. Eu prefiro encarar o racista que mostra a cara. Nada é pior numa guerra do um inimigo camuflado. No Brasil, infelizmente, o silêncio dos que se dizem brancos-não-racistas, é o maior aliado do racista tupiniquim. Pouco antes de sair de São Paulo, onde morei 11 anos, escrevi um artigo sobre racismo na propaganda brasileira (sou redator publicitário), para o site Clube de Criação de São Paulo. Este artigo foi reproduzido pela revista Diplomacia & Negócios e pode ser lido neste link:
http://www.diplomaciaenegocios.com.br/ntc.asp?Cod=536
Se pudesse daria 1000 votos aos seu texto. Parabéns e grande abraço - silvino
silvino · Recife (PE) · 4/7/2007 12:02
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Spírito, o seu depoimento-atitude é uma dessas falas essenciais para futricar com o comodismo nosso de cada dia. A gente vai se calando, segue não pensando e se fecha no círculo vicioso do não vejo, não sinto, não me envolvo... É essa lucidez, coragem e transparência da sua vivência, visão e reflexão que nos agarra pelos tornozelos. Como você tão bem definiu, essa sua conversa franca e amiga é que quebra as correntes do círculo vicioso do nosso comodismo. E isso, meu caro, vale mais que qualquer discurso.
Grande abraço.
Cida Almeida · Goiânia (GO) · 4/7/2007 12:36
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Querido Spirito,
Depis daquela discussão acirrada sobre cotas na Universidades, onde acbamos nos ofendendo mutuamente sem nem saber quem éramos, apenas por discordarmos da opiniâo um do outro, já foi...
Agora estamos falando de DISCRIMINAÇÃO, não?
Eu tive uma experiência semelhante Em New York, como TURISTA!
Já na fila da alfândega, os estrangeiros já vão para uma fila compriiiida.
Em qualquer loja que entrávamos, mesmo falando Inglês, éramos encaminhados para um vendedor LATINO, porque o sotaque nos denunciava!
Quando pedíamos informação para um típico americano (branco de olhos azuis) ele simplesmente falava..." Excuse-me, I can't understand you!"
Por incrível que pareça só éramos tratados com gentileza pelos negros!
A discriminação não está na cor mas sim de onde viemos...África, Ásia, América do Sul, México... Somos todos "cucarachas".
Minhas desculpas, meu respeito!
Black is beautiful, negão!
Beijos black and white!
crispinga · Rio de Janeiro (RJ) · 4/7/2007 12:42
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Meu caro Espírito Santo, seu relato me fez lembrar da canção de um outro espírito inquieto, um músico também, negro, que enfrentou preconceitos por aqui e acabou também sendo adorado e reconhecido - por paradoxal que pareça - na Alemanha. O nome dele era Itamar Assumpção:
Espírito que canta
(Itamar Assumpção e Paulo Tovar)
Andando por aí eu encontrei o espírito que anda
Que vinha caminhando juntamente com
O espírito de porco que disse não estar eu sacando
O espírito da coisa e nunca mais eu encontrei a
Minha paz de espírito
Voando num boeing encontrei outro espírito que voa
Voando a mil por hora, juntamente com o pai
E a mãe, o filho e o espírito santo, que
Disse não estar eu voando de espírito
Tranqüilo e nunca mais eu encontrei
O meu estado de espírito
Cantando por aí que encontrei
Os espíritos que tocam
Que vinham caminhando juntamente com
Os espíritos que cantam
Disseram não estar eu cantando
Como cantam os cantores
E foi assim que encontrei
O meu espírito crítico
Makely Ka · Belo Horizonte (MG) · 4/7/2007 14:56
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Spirito Santo,
A suastica nazista eh diferente da suastica hindu. O uso deste simbolo pode ateh ser uma provocação mas eu não iria usa-la pois representa um regime que tentou exterminar tudo aquilo que era diferente, que tentou eliminar a diversidade. Eliminava aqueles que eram considerados com "defeito de fábrica" , "defeitos" mentais, fisicos e tantos outros que não cabiam na cartilha.
Uma coisa eh um líder de um movimento punk fazendo uso da mesma dentro de todo um contexto e com palco. Outra coisa eh tendo consciência do que foi aquilo nos dias de hoje.
Se você concorda que existe uma divida histórica com os negros, ali também se estabeleceu uma divida historica não apenas com os judeus (muito mais com eles) mas com tudo aquilo que eh diferente.
Dividas históricas se "reparam" (se eh que isso eh possivel) com politicas , duas propostas são usadas: indenizações e politicas de cotas.
Agora se retrocerdermos mesmo no tempo vamos começar a achar que somos poeira cósmica ou como diria o Moska e o Drexler, uma piada de Deus. (a mesma idade que a idade do céu)
Um abraço
Duda
dudavalle · Rio de Janeiro (RJ) · 4/7/2007 15:03
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Querido Spirito Santo:
Confesso que não consegui ler todo o artigo ainda. Gostaria, no entanto, de fazer, se me permite, uma pequena provocação: você diz que, em Viena, não os viam como negros mas, você os via como brancos, ou não? Isto é, não havia racismo na sua visão?
Beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho
Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras (PI) · 4/7/2007 17:06
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Joca, meu querido xará, acredito que o reconhecimento do que somos e do que o outro é (brancos caucasianos, negros, ameríndios, cafusos, mulatos, amarelos com bolinhas vermelhas...) não nos torna racistas.
O que nos torna racista é acreditarmos que uma cor na pele, um traço característico no rosto ou no corpo, ou qualquer outro traço racial de nossa carga genética nos torna superior ou inferior a alguém.
Por conta desse pensamento Gobineauniano, a população negra (ou quase negra, como diz o Caetano em Haiti), foi aprisionada por séculos nos bolsões de pobreza (o comentário do Adroaldo fala nisso); por conta dessa idéia, judeus foram assados em fogueiras da inquisição e campos de concentração, ciganos têm seus acampamentos destruídos nas periferias das cidades brasileiras e domésticas são espancadas em pontos de ônibus por garotos branquinhos zona sul.
Aff! Subi na tribuna e tô fazendo discurso! Vou parar com isso! O importante é que quem se reconhece como branco ou como negro não é necessariamente racista.
Beijos
Ilhandarilha · Vitória (ES) · 4/7/2007 18:22
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ilhaandarilha: belo discurso, a tribuna é sua, fique à vontade!
silvino · Recife (PE) · 4/7/2007 18:36
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Ufa, galera!...São tantas emoções...
Vou num mote só:
O que me deixa mais feliz (e aliviado) é que, a maioria esmagadora das pessoas amigas que aqui estiveram para comentar, compreenderam o 'espírito' da coisa. Dá uma puta de uma esperança de que as coisas podem melhorar mesmo nesta terra. Se a terra são as pessoas e as pessoas somos nós, 'vamo que vamo'.
Posso abraçar a Juliaura (de certo modo a 'musa inspiradora' do post), o Bernardo, parceiro de posts irmãos sobre Samba e quetais, o Helder, o Silvino, a Cida e o Duda (veja lá em cima, Duda, o link que achei sobre a história da suástica). Posso abraçar mais forte ainda a Claudia 'Ilha', pessoa cercada de solidariedade (valeu a defesa!). Pro Makeli Ka o abraço vai com uma historinha de Viena: No primeiro dia em que cheguei na cidade, fui num show à noite. O bar se chamava 'Andino' (eu tocaria lá no dia seguinte). O artista era brasileiro, o trombonista era o Bocato (sacou Makeli? Não?)...Pois bem, o nome do artista era Itamar Assunção.
Contudo, o meu abraço mais forte mesmo deve ir, um para a Crispinga (que acho que deve ser muito menina ainda - de certo modo ela foi a 'pivô' do post) a quem eu quero dizer: Pô Crispinga, não ofendi você não. É só voltar lá no post da Juli e conferir. Apesar de achar que você se apega muito a eufemismos e de não ter entendido por que você achou tão surpreendente ser tratada com gentileza pelos negros de Nova York, gostei de uma coisa que você disse acima: A parte em que você (pelo menos isto!) se assume como latina. Já é um bom começo.
O outro abraço é pro Joca (que pelo que imagino já não é nenhum menino): Joca, onde é que você leu que em Viena não nos viam como negros? pelo contrário. Eles nos viam como 'africanos', mais 'negros' do que nos achávamos. O que eu disse foi que, apesar de nos vermos como negros sim, eles não nos tratavam com hipocrisia. Foi este o sentido do que eu escrevi. Quando você ler o artigo todo acho que isto vai ficar mais claro (ou mais escuro, sei lá)
Demais, galera. O debate está sendo útili. esta era a intenção.
Valeu!!!:):)
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 4/7/2007 20:48
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(Tô 'maus' de link) Vai de novo
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 4/7/2007 20:56
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Perdão. Esqueçam. O link tá lá em cima mesmo.
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 4/7/2007 20:57
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Caro Spírito,
Muito bom ler textos como este que esbanjam sinceridade e atitude. Suas informações só enriquecem o nosso Overuniverso..
Acolaboração é envolvente e traz uma discussão importante e pertinente. Espero que palavras como estas sempre brotem aqui nestas paragens para sempre futucar a ferida e perpetuar a luta por um mundo mais sabiamente tolerante.
Abraço forte e parabéns!
Thiago Paulino · Aracaju (SE) · 5/7/2007 01:34
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É isto aí, Thiago! Remando o barco não afunda.
Obrigado,
Abs
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 5/7/2007 06:23
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Gostei pra caralho! Abriu-me os olhos para o outro lado da questão. Grande texto!
Tiago Matias · Corumbá (MS) · 5/7/2007 10:12
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Então valeu, Tiago!
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 5/7/2007 10:16
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Spirito,
Gostei e concordo com os argumentos, como você pode ver no comentário que fiz ao meu texto sobre festa junina na escola, aqui no overblog. Vou repassar seu texto para amigos professores de sociologia e filosofia sugerindo que seja trabalhado com estudantes. Obrigado!
EdQue · Brasília (DF) · 5/7/2007 11:42
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Espetacular. Obrigada por compartilhar conosco. Eu sou uma das que luta contra o racismo e o seu texto é uma pérola. Obrigada mesmo, vou recomendar no meu blog.
DaniCast · São Paulo (SP) · 5/7/2007 12:05
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Spirito, que spirito bom que tens. Sabes que sou daqui, do sul, da região que hipocritamente chamam de 'a Europa brasileira' e deparo-me quase todos os dias com balões de pensamento, daqueles de gibi, em que se pensa "Ausländer haus, negão!" Também surgem por aqui cada vez mais associados (débeis mentais, por assim dizer) de grupos neonazistas que saem à noite para bater em quem for, se punk, homossexual ou negro. Tanto faz.
Também tanto faz, para o resto do mundo, toda a revisão da história dos negros no Brasil. Quem se importa? Eu me importo, mas por aqui, pela Europa brasileira, onde esse povo poderia ao menos tentar pensar, um dia, como europeus pensantes ilustres, o que resta são flores. É óbvio que a grande maioria nega a necessidade e a importância das cotas.
E é óbvio, também, que negam a existência do racismo.
Spirito Santo, muito obrigado pelo teu depoimento. Acho que foi um dos momentos meus de maior emoção desde que me adentrei aqui pelo Overmundo. Acho que é uma discussão que tem de ir adiante, cada vez mais adiante, e tem de ser feita em lugares assim como o Overmuno onde, se não existe a capacidade direta de mudar o mundo, existe pelo menos a sensibilidade de seus membros de pensar a respeito do que se fala, do que falaste.
Assim esperamos, pelo menos.
Grande abraço.
Labes, Marcelo · Blumenau (SC) · 5/7/2007 12:35
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Meu caro Spitito Santo, você não imagina o debate que o seu texto gerou entre vários amigos para os quais mandei. A grande maioria a favor das idéias que você defende.
Grande abraço e, mais uma vez, parabéns.
silvino · Recife (PE) · 5/7/2007 15:09
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Black is beautiful, negão!
Arrazou!
Beijos sinceros!
Cris
P.S Surpreendí-me por ser tratada bem pelos negros nos EUA porque eles não gostam de brancos...Americanos....Mas sendo latinos, são muito gentis!
BJK
Cris
crispinga · Rio de Janeiro (RJ) · 5/7/2007 18:26
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Crispinga de Deus! 'Brancos latinos'? Inventastes uma nova raça? Já não bastava as outras que inexistem?
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 5/7/2007 21:22
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Querido Spirito de Deus!!!!!
Não inventei coisa nenhuma , é assim mesmo que nós ( estrangeiros) somos tratados lá nos EUA!!!! Os negros de lá não gostam dos brancos (americanos). Os negros ( americanos) só tratam bem aos LATINOS! Ou qualquer outro ESTRANGEIRO!
Agora , eu que não entendí, quando disse;..."gostei de uma coisa que você disse acima: A parte em que você (pelo menos isso!) se assumume como latina. Já é um bom começo..."
Sinceramente, não entendí NADA. Você acha que não me considero latina???? Não nascí abaixo da linha do Equador, na América "Latrina"!!!!!!!
Eita, negão duro na queda! E os americanos (BRANCOS) são racistas com qualquer afro-descendente!
Eu sou BRASILEIRA, para eles, afro- descendente, com muito orgulho sim senhor, pois tive ascendentes índios e negros! E bem que queria um pouco mais de melanina para não sofrer de câncer de pele, como minha mãe!
Beijos!!!!!!!!!!!!!!!!!BLACK AND WHITE, NEGÃO!
Cris
crispinga · Rio de Janeiro (RJ) · 6/7/2007 11:29
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oi Spirito, tudo bem?
Spirito do céu! (descobri o motivo do seu apelido, será?)
agora tou perdida, torta, tortinha (peço conselho) . será essa minha sina?
uma parte judia austríaca, mineira de diamantina que se apaixonou por um belo negão; imagina.. adotada por portugueses (judiaria/ novos católicos)///eh..outra parte ..espanhol que se apaixonou ppor uma bela índia curandeira (ou feiticeira, não sei como fala) que saiu fugida da aldeia/// nessa aventura toda, nasci em 'brasÍlia' ..
ah, tenho um pezinho na bahia, filha de iansã e ogum, salve são jorge!
o que eu seria? não seria, Sou. brasileira. tá explicado a miscelânea na minha cabeça. rsrs
ahhhh, pra completar, encarnação passada fui queimada na fogueira, hehehe...
excelente texto!
grande abraço
Francinne
Francinne Amarante · Brasília (DF) · 6/7/2007 13:02
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Desculpe-me a intromissão, Crispinga, mas acho que não está soando bem essa coisa de vc estar chamando o Spirito de Negão. A intimidade das pessoas nessa lista vai até um certo ponto. Soa pejorativo. Afinal ele não está chamando vc de branquela ou coisa parecida. Vc que conhece bem os meandros da educação não deve concordar com aquele coisa de as crianças negras serem chamadas na escola de neguinhas, enqto as branquinhas são chamadas pelo nome. O nome do Spirito no overmundo é Spirito. Negão é o aposto que ele deu ao título da matéria, justamente para caracterizar o racismo austríaco que lá é explícito e aqui velado. Desculpe-me mesmo, sei que vc está querendo ser carinhosa, mas talvez essa não seja a melhor maneira de demonstrar seu respeito e admiração pelo seu interlocutor. Preste atenção no contexto do post e vc vai ver a conotação de Negão e, repare, vc é a única que não está chamando o Spirito pelo nome que ele escolheu para ser chamado aqui.
Abrç
Ize · Rio de Janeiro (RJ) · 6/7/2007 13:07
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Me arrependi de ter postado esse comentário, mas agora já foi. Desculpe-me Crispinga se me meti em seara alheia e desculpe-me Spirito por ter chamado atenção pra uma coisa que estava me incomodando, mas pode ser que não estivesse incomodando a vc.
Fui xereta, coisa que não me agrada.
Agora é tarde
Minhas sinceras desculpas a vcs e à lista.
Ize · Rio de Janeiro (RJ) · 6/7/2007 13:11
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Não vejo nada de pejorativo chamar alguém de negão, neguinha, branquinha, japinha.....Inclusive comecei o postado chamando-o de "QUERIDO SPIRITO SANTO DE DEUS"!!!!!!
Ize, o mal é o que sai da cabeça dos homens. Afirmei , reafirmei , NÃO SOU RACISTA! Tenho ascendentes negros, índios e brancos...SOMOS UMA RAÇA MISCIGENADA!
Pejorativo seria chamá-lo, "querido afro-descendente", não acha? Soaria hipócrita, coisa que não sou!
E você, como é do Rio e deve frequentar a praia, local mais democrático do Brasil, sabe que os negros aqui são assim chamados, carinhosamente. Tenho um amigo NEGÃO, porque além de ser negro é grande como um armário, inclusive o apelido dele é NEGÃO!
Passemos a pergunta ao querido Spirito:
Você se sente OFENDIDO quando te chamam de NEGÃO?
BJS
Cris
crispinga · Rio de Janeiro (RJ) · 6/7/2007 16:33
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Por que estava incomodando VOCÊ, Ize branquinha!
Pelé é chamado de NEGÃO pelos locutores esportivos e ele não está nem aí....Ele é o Pelé...
Que por sinal casou-se com um LOURA e não assumiu a filha MULATA!
Aonde está o racismo, afinal?
Cris
crispinga · Rio de Janeiro (RJ) · 6/7/2007 16:50
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Outro apelido carinhoso aqui no Rio: NEGUINHO DA BEIJA-FLOR!
O que há de pejorativo nisso....É o aumentativo ou o diminutivo?
Falo alhos, entendem bugalhos...
crispinga · Rio de Janeiro (RJ) · 6/7/2007 16:55
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Pois é Cris, já lhe pedi desculpas. Tenho meus motivos para entender que precisamos muito cuidado para não deixar o preconceito aflorar na linguagem que usamos coloquialmente, sem a menor intenção de machucarmos alguém. Não se trata de ser politicamente correta, é outra coisa. Acho que deixei esse excesso de zelo escorregar para aqui. Outro dia apareço lá no seu perfil pra explicar direitinho e vc vai concordar comigo.
Abrç
Ize · Rio de Janeiro (RJ) · 6/7/2007 18:33
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Querido Spirito Santo
acabo de voltar de uma viagem (a Teresina) e depois de trocentos emails comunicando comentários sobre a sua matéria, percebi que estava na hora de lê-la na sua integridade e comentá-la. Ao mesmo tempo em que percebi isto, no entanto, compreendi, também, que estaria fazendo isto apenas em respeito a você, visto que o tema proposto não me atrai, isto é, não assula as lombrigas do Joca polemista (além, é claro, de ter-me desgastado o suficiente o debate sobre os tais "marcianos" da nossa querida Juliaura)
Então, Spirito, se o que alego não justifica o meu "passar lotado" diante do "Aüslander Haus, Negão", pelo menos explica a minha sincera inapetência para encarar tal debate.
Espero que entenda que, se fosse um outro qualquer (mas, é bom que fique claro, falo de um outro qualquer, e não da Juliaura, sem ofensa, nem a ela, nem a nenhum outro qualquer), não me daria o trabalho de tantas explicações.
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho
Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras (PI) · 6/7/2007 20:28
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Francine,
A sua árvore genealógica (lógica?) é bem parecida com a minha (minha mãe, capichaba, tinha antepassados italianos, por parte da minha avó), logo, somos seres humanos bastante normais. Sei também que você compreendeu que o que tratei aqui foi do equívoco que incorrem pessoas que, por oportunismo social, espalham por aí que seres humanos como eu, que sou apenas estéticamente diferente de você, são portadores de algum tipo de inferioridade e que, por isto, mereceriam estar, eternamente, nos lugares mais baixos da sociedade.
Ize,
Achei sua opinião neste comentário recente perfeitamente dentro do contexto do debate. Você nem devia se desculpar por ela de tão pertinente que foi. Eu mesmo, só não respondi na hora porque, sendo quase um sessentão, aprendi a escolher melhor as pilhas nas quais eu vou entrar. Além do mais, os comentários da maioria estão sendo tão serenos e maduros que, porque perder tempo com as exceções?
Joca,
Não precisava explicar, amigo. Honestamente, acho chato você achar o tema irrelevante mas, fazer o que? Não dá pra se estar interessado em tudo nesta vida. Sem ironia vale a frase: 'Cada macaco no seu galho'.
Crispinga,
Quando eu era bem jovem, no meu bairro a gente andava em duplas pela praça, pra paquerar as moças, que também andavam em duplas, de braços dados. Num certo sábado eu estava com um amigo 'branco' e partimos para cima de um bela dupla de moças também 'brancas'. Aquela para a aqual eu dirigi meu galanteio, ficou tão revoltada que berrou para mim: _"Sai! Não se enxerga não? Seu macaco!' Na época ofendeu sim. Até hoje isto me magoa a lembrança um pouco, mesmo sabendo que a revolta dela, de tão despropositada só podia significar uma coisa: Ela não devia ser tão 'branca' assim. Estava já aprisionada na armadilha de ser racista consigo mesma. Eu era um pouco o seu espelho. Acho meio patológico sete aspecto do racismo. As pessoas fazem de tudo para negarem a si mesmas. Desculpe, mas, é o que eu vejo no seu sarcasmo e, permita-me, na certa grosseria contida nos seus comentários. Relaxa, Crispinga. Curta a diferença.
Abraços para todos.
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 7/7/2007 08:01
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Querido Spirito:
É claro que o tema não é irrelevante e nem eu o vejo desta maneira. Também não foi isto o que eu disse, embora admita a possibilidade desta interpretação. Mas não posso concordar que valha, nem com e, pior ainda, "sem ironia" o "cada macaco no seu galho". Bem ao contrário, meus valores e, acredito, os seus também, são todos agregadores e solidários, pois ainda boto a maior fé na humanidade.
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho
Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras (PI) · 7/7/2007 09:04
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Pois é Joca,
Mesmo quando não o queremos, palavras sempre serão mais que palavras. A irrelevância será também sempre um conceito relativo.
É por isto que quando erramos, somos chamados de (agora, com ironia sim, por favor) humanos.
Grande abraço
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 7/7/2007 09:33
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Querido Spirito:
Não entendi. Quem "erramos"? Nós dois?
Ou trata-se de uma generalidade?
Me veio à lembrança, não sei se conhece a estória:
Zorro e Tonto encontram-se cercados, de todos os lados, por centenas de índios.
Zorro, dirigindo-se ao Tonto:
– Meu amigo, dentro em pouco estaremos mortos1
Resposta do Tonto:
– Nós quem, cara pálida?
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho
Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras (PI) · 7/7/2007 09:53
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Eramos todos, Joca. Toda hora, todo dia. este é o lado bom e animado da história. O Zorro, neste gibi. Deu mole para o Tonto, viu? Subestimou o índio de danou-se.
Abs,
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 7/7/2007 09:58
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Spirito,
Quando minhas palavras não valem nada, quando você acha que SÓ EU fui irônica nos comentários ( você também foi, comigo, volte lá no seu texto), quando a própria Ize desculpou-se e depois continuaremos (nós duas, civilizadamente!) a discutir a questão do PRECONCEITO, quando você deletou meu comentário preguntando-lhe se sentia-se ofendido por chamá-lo de negão, "quando nem Freud explica...Tente a poesia!", aqui vai , Sprito Santo de Deus!
SOMOS TODOS IRMÃOS
NÃO PORQUE SEJA O MESMO SANGUE
QUE NO CORPO LEVAMOS :
O QUE É O MESMO É O MODO
COMO O DERRAMAMOS.
Ferreira Gullar, " Nós, latino-americanos"
E como já disse Sigmund Freud:
" Não se deve tentar erradicar os complexos da pessoa, mas sim entrar em acordo com eles"
Parabéns pelo debate, muito produtivo.
Abraços
CRIS
Espero que entremos em acordo...
crispinga · Rio de Janeiro (RJ) · 7/7/2007 12:29
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E já que minhas palavras não têm valor algum para você, quem sabe você entenda essas:
Qual a mais forte das armas,
A mais firme, a mais certeira?
A mais tremenda das armas,
Pior que durindana,
Atentei, meus bons amigos:
Se apelida: A LÍNGUA HUMANA!
Fagundes Varela, "ARMAS"
crispinga · Rio de Janeiro (RJ) · 7/7/2007 12:50
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Melhorou, Crispinga. Melhorou muito.
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 7/7/2007 13:56
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