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Avá-Canoeiro - Solidão como herança

Rodrigo Lima
Índigenas na Aldeia Multiétnica
1
Sinvaline · Uruaçu, GO
29/7/2008 · 228 · 16
 

AVÁ – CANOEIRO – Solidão como herança

Os avá-canoeiro vivem no norte de Goiás perto de Minaçu, são 5 pessoas que conseguiram escapar do massacre a que foi submetida sua tribo pelos invasores de suas terras no ano de 1969. São eles: Matcha (72); Naquatcha (67); Tuia (37); Iawí (57) e o filho Trumak (21). Recentemente Tuia foi para Mato Grosso morar com um índio de outra etnia.

Na época do massacre Matcha conseguiu fugir grávida de Tuia com Naquatcha e Iawí e por 12 anos eles se esconderam nas matas conseguindo sobreviver comendo morcegos e algumas frutas silvestres.

Em 1981 a Funai reconheceu esse pequeno grupo que foi estabelecido numa área de 38 hectares, perto do rio Tocantins. Com a construção da hidrelétrica de Serra da Mesa, cerca de 3 mil hectares foram ocupados por Furnas. A empresa paga roylalties para eles. Com isso possuem casas de alvenaria, comida e uma assistência direta da empresa.

Trumak fala melhor, Iawi tem uma pronúncia quase incompreensível e as mulheres não falam o português, a não ser algumas palavras. Segundo Trumak, Matcha gosta de criar pássaros amarrados por uma corda fina, são: juriti, pomba, jacu, curiango, papagaio e outros. Até o cachorro fica sempre amarrado com medo do “miau” (onça). Na tentativa de manter seus costumes constroem ranchos de palha, caçam, pescam e plantam.

No Encontro de Culturas na Aldeia Multiétnica, os avá canoeiros se diferenciam dos outros indígenas em tudo: Iawí é arredio, quando percebe que vai ser abordado para conversas, foge e até corre. Anda de cabeça baixa, custa olhar de frente e às vezes quando resolve conversar diz :

- Vocês mataram meu pai!

Na semana desse Encontro de Etnias Iawi nunca sorria e estava sempre andando de um lado para outro e quando cansado ficava de longe olhando o movimento de pessoas. Trumac às vezes fala, mas na maioria das vezes fica falando sozinho e em voz alta.

Iawí quando fala da filha, a Tuia, fica nervoso e diz acenando:

- Foi embora!

Iawí mostra uma grande revolta no olhar e não aceita a filha ter se juntado com um índio de outra tribo. Mas como são parentes próximos e seus costumes não permite o incesto, o único jeito de aumentar a família é com essa união de Tuia, mesmo contrariando Iawí.

Sabe-se que a mãe de Iawí teve muitos abortos enquanto vivia escondida nas matas, pois para eles o choro de um bebê poderia denunciar o esconderijo e assim usavam ervas para abortar ou não se engravidar.

Esse grupo de quatro pessoas traduz bem a situação do índio. O olhar de medo, os gestos de defesa denunciam o estado de espírito em que vivem não só os avá-canoeiros, mas todas as etnias. Comprovando assim que durante séculos o homem branco deixou como herança para o indígena uma grande solidão e um futuro incerto.



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Sinvaline
 

Obrigada Rodrigo, valeu!

Sinvaline · Uruaçu, GO 27/7/2008 15:57
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azuirfilho
 

Avá-Canoeiro - Solidão como herança
Sinvaline · Uruaçu (GO)
Um Trabalho admirável.
Um Tesouro que vocé construiu iluminada pra gente ter no Overmundo.
Muito importante para a Antropologia pois dá uma referéncia a mais para os Ava Canoeiros, que possuem uma Aura de táo Heróicos.
Foram alvos de genocídio pela cobiça por suas terras.
muitas Injusticas que só Deus Para reparar.
Seu Trabalho é um alento.
Os Indios agora náo estáo mais sendo extintos, j
á há muito apoio da sociedade
condenando os que sempre se aproveitaram deles.
Parabéns pelos seu trabalhos táo cheios de Mérito.
Achei um grande tributo aos irmáos Indios.
Grande Abraco Amigo

azuirfilho · Campinas, SP 27/7/2008 16:12
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Saramar
 

Sinvaline, fiquei tão emocionada com essas pessoas, únicos, últimos e desesperançados herdeiros de um povo que tanto lutou para manter sua cultura.
No extermínio deles, a nossa vergonha, a nossa culpa...
É uma tribo que se vai no caminho que tantas (quantas?) trilharam para o fim.
É muito triste.

Sua matéria é emocionante demais.
Obrigada.

beijos

Saramar · Goiânia, GO 29/7/2008 09:42
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Adroaldo Bauer
 

O massacre iniciado aqui em 1500 nunca cessou, Sinvaline, querida.
Mostras isso em toda a dimensão e horror.
Tudo o que se faça para dar a dimensão verdadeira dos genocídios nessas terras em que estamos sempre será pouco e o débito com as pessoas que aqui estavam antes da cruz, da espada e da pólvora chegarem embarcados é impagável.
O mais que se faça é pouco, ínfimo.
Doloroso.
Penso que dó dos humanos poderiam ter quaisquer outros seres que superiores tecnologicamente por aqui aportassem?
Inda mais soubessem do que a nossa espécie já fez de pavoroso nesse pequeno planeta, em que o amor tem perdido de goleada vexatória para o ódio.

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 29/7/2008 18:22
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Ricardocostamar
 

Matéria emocionante e chocante para todos nós.

Ricardocostamar · Novo Gama, GO 29/7/2008 18:38
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Sinvaline
 

Obrigada amigos: Ricardo, Saramar, Adroaldo, Azuir, Rodrigo e todos que votaram. Realmente a solidão do indígena é enorme, só convivendo com eles para ver como ainda nao confiam no homem branco.
beijos
Sinvaline

Sinvaline · Uruaçu, GO 29/7/2008 19:07
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Marcos Paulo Carlito
 

Vamos perdendo aos poucos a nossa ligação mais autêntica com esse planeta, nosso DNA mais puro, nossa única porção humana realmente capaz de viver em harmonia com o meio.
De minha parte rezo por eles..

Grande abraço Guaicuru e mais um parabéns por outra ótima matéria!

Marcos Paulo Carlito · , PR 29/7/2008 22:08
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Andre Pessego
 

Pois é Sinvaline,
Infelizmente a questão do ìndio no Brasil ainda é tratado com segredo de Estado entre nós e fora de nós. Tudo quanto consegue-se falar (a sociedade civil) é o que está na periferia, aquilo que não significa providência a nível de doutrina militar.
Mas vamos assim, como voce o carlito e tantos fora do Overmundo que ainda repisam para não serem esquecidos.
abraço
andre.

Andre Pessego · São Paulo, SP 30/7/2008 06:35
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graça grauna
 

Sinvaline, rogo a Nhande Rú (nosso pai, em guarani) para abrir todos os seus caminhos, para que em seus tarablhos você possa ajudar os nosso parentes indígenas. É como você, os não-índios - sobretudo os malfeitores - deixaram para nós uma grande solidão e um futuro incerto. Paz em Nhande Rú, Graça Graúna

graça grauna · Recife, PE 30/7/2008 07:36
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Marcos Paulo Carlito
 

Além de rezar por eles eu poderia fazer duas outras coisas:
Lutar por eles, tentando mudar o mundo;
Lutar com eles, matando quem os mata.
Não vejo futuro em nenhuma das duas opções.
A terceira opção restante é ser antropólogo ou historidor e ir registrando o desenrolar do tal processo civilizatório.

Marcos Paulo Carlito · , PR 30/7/2008 08:32
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graça grauna
 

CORRIGINDO:
...É como você diz, os não-índios.....

graça grauna · Recife, PE 30/7/2008 08:34
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Higor Assis
 

Obrigado minha amiga Sinva por tão belo relato. Obrigado é o que tenho pra te dizer...

Higor Assis · São Paulo, SP 30/7/2008 08:45
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Márcia Shoo.
 

obrigada por nos ter apresentado esse tesouro étnico, Sinvaline.

Márcia Shoo. · Rio de Janeiro, RJ 30/7/2008 16:04
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Elaine Pauvolid
 

bela e emocionante matéria!

Elaine Pauvolid · Rio de Janeiro, RJ 30/7/2008 18:23
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Sinvaline
 

Informações importantes do indigenista Walter Sanches:

Tuya é uma das esposas do Iawi, e a filha dele, Niwathima, irmã do Trumak, é quem se casou com um índio Tapirapé - e
por conta disso vive, no momento, na aldeia do marido - mas parece
que virão prá cá, definitivamente, em outubro (e a torcida é grande!).
Referindo-se à terra indígena, em vez de 38, são 38.000 he.

Sinvaline

Sinvaline · Uruaçu, GO 8/8/2008 14:56
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Carlos Mota
 

valeu Sinvaline,
beijo,

Carlos Mota · Goiânia, GO 1/12/2008 10:25
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