AVÁ – CANOEIRO – Solidão como herança
Os avá-canoeiro vivem no norte de Goiás perto de Minaçu, são 5 pessoas que conseguiram escapar do massacre a que foi submetida sua tribo pelos invasores de suas terras no ano de 1969. São eles: Matcha (72); Naquatcha (67); Tuia (37); Iawí (57) e o filho Trumak (21). Recentemente Tuia foi para Mato Grosso morar com um índio de outra etnia.
Na época do massacre Matcha conseguiu fugir grávida de Tuia com Naquatcha e Iawí e por 12 anos eles se esconderam nas matas conseguindo sobreviver comendo morcegos e algumas frutas silvestres.
Em 1981 a Funai reconheceu esse pequeno grupo que foi estabelecido numa área de 38 hectares, perto do rio Tocantins. Com a construção da hidrelétrica de Serra da Mesa, cerca de 3 mil hectares foram ocupados por Furnas. A empresa paga roylalties para eles. Com isso possuem casas de alvenaria, comida e uma assistência direta da empresa.
Trumak fala melhor, Iawi tem uma pronúncia quase incompreensível e as mulheres não falam o português, a não ser algumas palavras. Segundo Trumak, Matcha gosta de criar pássaros amarrados por uma corda fina, são: juriti, pomba, jacu, curiango, papagaio e outros. Até o cachorro fica sempre amarrado com medo do “miau” (onça). Na tentativa de manter seus costumes constroem ranchos de palha, caçam, pescam e plantam.
No Encontro de Culturas na Aldeia Multiétnica, os avá canoeiros se diferenciam dos outros indígenas em tudo: Iawí é arredio, quando percebe que vai ser abordado para conversas, foge e até corre. Anda de cabeça baixa, custa olhar de frente e às vezes quando resolve conversar diz :
- Vocês mataram meu pai!
Na semana desse Encontro de Etnias Iawi nunca sorria e estava sempre andando de um lado para outro e quando cansado ficava de longe olhando o movimento de pessoas. Trumac às vezes fala, mas na maioria das vezes fica falando sozinho e em voz alta.
Iawí quando fala da filha, a Tuia, fica nervoso e diz acenando:
- Foi embora!
Iawí mostra uma grande revolta no olhar e não aceita a filha ter se juntado com um índio de outra tribo. Mas como são parentes próximos e seus costumes não permite o incesto, o único jeito de aumentar a família é com essa união de Tuia, mesmo contrariando Iawí.
Sabe-se que a mãe de Iawí teve muitos abortos enquanto vivia escondida nas matas, pois para eles o choro de um bebê poderia denunciar o esconderijo e assim usavam ervas para abortar ou não se engravidar.
Esse grupo de quatro pessoas traduz bem a situação do índio. O olhar de medo, os gestos de defesa denunciam o estado de espírito em que vivem não só os avá-canoeiros, mas todas as etnias. Comprovando assim que durante séculos o homem branco deixou como herança para o indígena uma grande solidão e um futuro incerto.
Avá-Canoeiro - Solidão como herança
Sinvaline · Uruaçu (GO)
Um Trabalho admirável.
Um Tesouro que vocé construiu iluminada pra gente ter no Overmundo.
Muito importante para a Antropologia pois dá uma referéncia a mais para os Ava Canoeiros, que possuem uma Aura de táo Heróicos.
Foram alvos de genocídio pela cobiça por suas terras.
muitas Injusticas que só Deus Para reparar.
Seu Trabalho é um alento.
Os Indios agora náo estáo mais sendo extintos, j
á há muito apoio da sociedade
condenando os que sempre se aproveitaram deles.
Parabéns pelos seu trabalhos táo cheios de Mérito.
Achei um grande tributo aos irmáos Indios.
Grande Abraco Amigo
Sinvaline, fiquei tão emocionada com essas pessoas, únicos, últimos e desesperançados herdeiros de um povo que tanto lutou para manter sua cultura.
No extermínio deles, a nossa vergonha, a nossa culpa...
É uma tribo que se vai no caminho que tantas (quantas?) trilharam para o fim.
É muito triste.
Sua matéria é emocionante demais.
Obrigada.
beijos
O massacre iniciado aqui em 1500 nunca cessou, Sinvaline, querida.
Mostras isso em toda a dimensão e horror.
Tudo o que se faça para dar a dimensão verdadeira dos genocídios nessas terras em que estamos sempre será pouco e o débito com as pessoas que aqui estavam antes da cruz, da espada e da pólvora chegarem embarcados é impagável.
O mais que se faça é pouco, ínfimo.
Doloroso.
Penso que dó dos humanos poderiam ter quaisquer outros seres que superiores tecnologicamente por aqui aportassem?
Inda mais soubessem do que a nossa espécie já fez de pavoroso nesse pequeno planeta, em que o amor tem perdido de goleada vexatória para o ódio.
Matéria emocionante e chocante para todos nós.
Ricardocostamar · Novo Gama, GO 29/7/2008 18:38
Obrigada amigos: Ricardo, Saramar, Adroaldo, Azuir, Rodrigo e todos que votaram. Realmente a solidão do indígena é enorme, só convivendo com eles para ver como ainda nao confiam no homem branco.
beijos
Sinvaline
Vamos perdendo aos poucos a nossa ligação mais autêntica com esse planeta, nosso DNA mais puro, nossa única porção humana realmente capaz de viver em harmonia com o meio.
De minha parte rezo por eles..
Grande abraço Guaicuru e mais um parabéns por outra ótima matéria!
Pois é Sinvaline,
Infelizmente a questão do ìndio no Brasil ainda é tratado com segredo de Estado entre nós e fora de nós. Tudo quanto consegue-se falar (a sociedade civil) é o que está na periferia, aquilo que não significa providência a nível de doutrina militar.
Mas vamos assim, como voce o carlito e tantos fora do Overmundo que ainda repisam para não serem esquecidos.
abraço
andre.
Sinvaline, rogo a Nhande Rú (nosso pai, em guarani) para abrir todos os seus caminhos, para que em seus tarablhos você possa ajudar os nosso parentes indígenas. É como você, os não-índios - sobretudo os malfeitores - deixaram para nós uma grande solidão e um futuro incerto. Paz em Nhande Rú, Graça Graúna
graça grauna · Recife, PE 30/7/2008 07:36
Além de rezar por eles eu poderia fazer duas outras coisas:
Lutar por eles, tentando mudar o mundo;
Lutar com eles, matando quem os mata.
Não vejo futuro em nenhuma das duas opções.
A terceira opção restante é ser antropólogo ou historidor e ir registrando o desenrolar do tal processo civilizatório.
CORRIGINDO:
...É como você diz, os não-índios.....
Obrigado minha amiga Sinva por tão belo relato. Obrigado é o que tenho pra te dizer...
Higor Assis · São Paulo, SP 30/7/2008 08:45
obrigada por nos ter apresentado esse tesouro étnico, Sinvaline.
Márcia Shoo. · Rio de Janeiro, RJ 30/7/2008 16:04
Informações importantes do indigenista Walter Sanches:
Tuya é uma das esposas do Iawi, e a filha dele, Niwathima, irmã do Trumak, é quem se casou com um índio Tapirapé - e
por conta disso vive, no momento, na aldeia do marido - mas parece
que virão prá cá, definitivamente, em outubro (e a torcida é grande!).
Referindo-se à terra indígena, em vez de 38, são 38.000 he.
Sinvaline
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