O Baile de Danças Circulares realizado no Gonzagão, no sábado, 11 de Outubro de 2008, encerrou com bastante alegria, em Sergipe, o ciclo de comemoração ao centenário de nascimento de Bernhard Wosien, iniciado com a realização da Roda Aberta de Diálogo sobre as Danças Circulares, na noite do dia 26 de setembro, e prosseguindo com a Oficina, nos dias 27 e 28 daquele mês, na Fundação de Seguridade Social (GEAP).
O bailarino, coreógrafo e professor alemão Bernhard Wosien iniciou, a partir dos anos 30 do século passado, o registro e difusão de muitas danças tradicionais européias, tendo sido essa prática posteriormente incorporada por pessoas de outros continentes, garantindo assim que o patrimônio dançante das populações originárias e/ou tradicionais viesse a ser experimentado pelas novas gerações.
Ao final do baile, após a bela, simples, significativa e última coreografia da noite, intitulada Canção da Despedida — elaborada por Bernhard Wosien, antes de seguir rumo às estrelas do firmamento(1) —, percebi e afirmei com grande entusiasmo que Sergipe está maduro para o movimento das Danças Circulares frutificarem.
As sementes plantadas a partir de 1998, cuidadas com muito carinho e persistência, mostram agora resultados consistentes e alvissareiros, como disse por e-mail o focalizador Ãlvaro Pantoja, o qual tem se deslocado de Olinda-PE para cá, desde o ano de 2001, para focalizar as Danças Circulares em nossas Oficinas. “Foi uma delÃcia essa nossa roda no final de semana! Acho que vai dar um bom impulso no movimento das danças aà em Aracaju.â€
Neste sentido, vale lembrar um momento muito especial, que foi a viagem que fiz com a amiga Margarette a Recife, no ano de 1998, para conhecer as Danças Circulares, a convite do Centro Nordestino de Animação Popular, e que trouxe o mestre/focalizador William Valle, de Belo Horizonte (MG), para semear a riqueza da diversidade coreográfica dos diversos povos e tradições que deixaram este legado para as gerações vindouras.
Outros fatores que possibilitaram preeencher os mananciais de luz e beleza desaguadas nestes três dias celebrativos foram os esforços de outras pessoas como Denise, Vera Martha, VirgÃnia, Elzinha, Ana Cecilia, membros da Unipaz etc. que convidaram focalizadores de outros estados para vir até aqui ou que se deslocaram para outros lugares para participar de eventos similares.
Assim, com a realização do nosso I Baile de Danças Circulares em nosso Estado, no último dia 11, sentimos agora que já é hora de promovermos um outro evento inédito por aqui: Rodas de Danças Circulares em praças públicas.
Outro aspecto que aqui destaco é o fato de o Baile de Danças Circulares coroar um esforço iniciado desde que assumimos a direção do Gonzagão, que era descobrir a vocação de um espaço que ao longo do tempo foi palco de atividades culturais, educacionais, sociais, religiosas, desportivas e até de exposição de caprinos e bovinos, muitas vezes de maneira fragmentada, pontual e descontextualizada.
Para o próximo ano esperamos, de acordo com os anseios da comunidade local — moradores dos arredores e demais aracajuanos e residentes de outros municÃpios, — a ampliação dos investimentos para apoio e/ou promoção de shows e espetáculos multiculturais, com especial atenção para aqueles que estão sendo promovidos com bastante êxito desde o ano passado (forró, concurso de quadrilhas, serestas, rock e cultura gospel).
Da mesma forma, queremos dar uma atenção especial a uma grande novidade descoberta, que é essa população ávida por oportunidades de conhecer e conviver com outras pessoas e ampliar seus conhecimentos e habilidades em termos de educação e arte, cuidar da saúde fÃsica e mental, através da participação nas oficinas, vivências e rodas de diálogo com temas e atividades plurais, tais como: conhecimento ancestral indÃgena(2), dança do ventre, dança popular brasileira, dança-yoga, dança contato e improvisação, circo, danças circulares, ginástica etc.
Ao fim do grande Baile, fiz sinceros agradecimentos a toda a equipe de apoio da casa, pela colaboração da Secretaria de Estado de Cultura e em especial a todos que se fizeram presentes e que se dispuseram a convidar a outros para o evento. Isso, aliás, também concorreu para o sucesso dos dias 26, 27 e 28 de setembro, quando da Roda de Diálogo e Oficina de Danças Circulares, configurando uma ação solidária de compartilhamento de recursos em forma de rede, bem sucedida, e com isso ajudando a somar talentos e recursos materiais para possibilitar a inclusão de mais pessoas.
Outra contribuição lembrada para tornarmos o Gonzagão um espaço de realização de shows e espetáculos multiculturais e de convivência em educação popular, saúde e promoção de uma cultura de paz foi a presença da Caravana Internacional Arcoiris por La Paz, no ano de 2007, e, a partir de janeiro de 2008, a estada da Cia O mÃnimo, egressos da Caravana e que resolveram permanecer conosco.
Importante ressaltar também o grupo de focalizadores formado por: Margarette, Tânya, Vera Martha, VirgÃnia, Zezito, Maxivel e Itamar, que assumiram a focalização das danças apresentadas no baile.
Para encerrar não se poderia deixar de agradecer à s mulheres (que sempre são maioria nos cÃrculos de dança) pela inteireza como se fizeram presentes trazendo para a noite do sábado a força do feminino através da graça, da leveza e da beleza multicolorida que resplandecia através de simples, mas importantes detalhes: seus vestidos, saias, calças em estilo balonê, colares, brincos, pulseiras, perfumes e cosméticos.
Como homenagem, dedico a todas, a começar por minha companheira/namorada, Irene Smith, trechos de um dos meus escritos bÃblicos preferidos: “O Cântico dos Cânticosâ€.
Como você é bela, minha amada,
Como você é bela!...
Que beleza sua face entre os brincos,
Seu pescoço, com colares
P.S:
(1) – Na cosmovisão de alguns povos indigenas, as estrelas são morada daqueles que partiram deste mundo. Também na mesma tradição e em muitas outras, eles nos visitam de vez em quando. Quem sabe muito mais gente invisÃvel, os encantados, não estavam bailando com e/ou por sobre a gente?
(2) – Uma das músicas trazidas pelo focalizador Itamar e que integra o repertório do Toré dos Ãndios Xocós, parentes daqui de Sergipe, afirma “Eu subi lá no alto do tempo, só pra ver a fundura do marâ€, me faz lembrar que as Danças Circulares, muitas vezes, nos transportam para outros tempos e em muitas ocasiões conseguimos nos sentir até mesmo dançando também em lugares bem distantes do chão onde estamos pisando.
Isso me faz lembrar o que li em certa ocasião: que em nossas células não estão gravadas apenas as heranças fÃsicas e quÃmicas dos nossos antepassados e que se expressam na cor, em nossa estatura, tipo de cabelos, formas diferentes de rosto, como também aspectos sentimentais/emocionais/psiquicos. A impressão que temos é que dançando e ouvindo algumas músicas recordamos outras tantas memórias culturais que estão adormecidas em nossos corpos, além daquelas que estão mais evidenciadas.
Recordar: Do latim re-cordis, tornar a passar pelo coração.
Veja no you tube: http://www.youtube.com/watch?v=n3l5aGVmCzI
Mais textos aqui no Overmundo:
http://www.overmundo.com.br/overblog/a-danca-da-vida
http://www.overmundo.com.br/overblog/a-danca-da-vida-2-movimento-1
Querido,Zezito!!!
Que beleza de baile!!
Que belÃssimo ritual o baile de danças circulares!!
Só de ler fiquei contagiada,com vontade de dançar e de sentir essa energia ancestral que vem à tona...é uma roda mágica! Que tradição mais bonita, não podemos deixar morrer, tem que ser propagada, como vocês estão fazendo aà em Aracaju...Quiçá não venha para Salvador,hein, e aà eu possa parrticipar?...ahhhh...vou adorar!!
Linda sua matéria,excelente!!!
Que os bailes continuem...que a roda cresça cada vez mais!!!
Parabéns, e obrigada pelo convite maravilhoso!!
beijinhos azuis_a_girar...
Rai...Blue
Zezito de Oliveira · Aracaju (SE)
Bailando com as Estrelas
Um Trabalho admirável que garantiu a posse de um poderoso instrumento de Educacáo Popular alem de permitir a pesquisa e o resgate de todos tipos de dancas Nacionais, um infinito no nosso táo diversificado Cultural.
Fico imaginando esta riquesas para todas comunidades sendo usada para unir, Educar e Elevar na Consciéncia do Social e inclusive animar a própria Educacáo regular que tem estado no mais calamitoso estado de inferioridade entre as nacóes.
Cultura viva pra alegrar os coracóes e forescerem num mundo melhor para todos, mais justpo, mais humano e mais decidido no resolver as suas questóes Sociais.
parabéns.
Abracáo Amigo.
Rai,
Falando naquela de matriz africana, a roda de dança na Bahia gira muito bem nos terreiros espalhados por tantos lugares dessa imensa cidade. Em termos de roda multicultural, deixo como referência o site: http://www.sirlenebarreto.com.br/inicial.html
No próximo encontro de danças circulares farei a divulgação antecipada. Como estamos tão próximos, não será muito dificil dançar com a gente.
Beijos!
Azuir,
Muito grato por suas palavras, quando comenta você faz uma sintese muito legal e aponta para a necessidade das escolas conhecerem a proposta das danças circulares.
Considerando o fato de que precisamos educar com vistas a superar a discriminação, a o preconceito, realizar a aproximação com outros povos e outras culturas , como também diminuirmos a tensão e o estresse que estão bastante presentes no cotidiano da escola.
Quem dera que as suas palavras desperte estudantes de licenciatura, pedagogia, professores e gestores da educação (Secretarias de Educação, MEC) para descobrirem o potencial das danças circulares para ajudar na convivência de alunos e professores, como também, reiterando o que disse, tratar de temas como: pluralidade cultural, ética e cidadania, ecologia e orientação sexual, religião etc. de uma maneira mais inteira e sem reduzir tudo isso a dimensão racional/cognitiva.
Espero que aceite o meu convite para experimentar uma roda de dança. Em São Paulo, um dos lugares onde você pode buscar mais informações é: http://www.triom.com.br/
Abrs,
Ok, um grande abraço. Esses trabalhos de resgates sõa superimporantes. JB
João Bosquo · Cuiabá, MT 16/10/2008 17:42Teus postados sobre danças circulares sempre me atraem. Seria tão bom a todos este exercÃcio em Pontos de Cultura, em todas as escolas, começar desde os primeiros ensinamentos, o mundo seria melhor, o homem mais sensÃvel à s suas próprias causas....Parabens Zezito.
Cintia Thome · São Paulo, SP 17/10/2008 08:08
As cirandas em praça pública serão memoraveis "ad eternum" !...que frutifique à experiência, à sociabilização e principalmente à paz entre as gentes de boa vontade !
Espetacular, tudo, post e festa !
grande abraço, amigo Zezito !
Joe
Olá querido Zezito, adorei sua reportagem sobre o Baile da dança, como sempre você apresenta ARTE PURA. Adorei e espero que vc me avise quando tiver esses encontros, quem sabe tenho um momento de folga e apareço por ai.
Um beijo
Queridos (as),
Cintia - O seu comentário aponta em uma direção mais propositiva, como também fez o overmano Azuir e me incentiva a encaminhar uma proposta consistente e fundamentada para quem de direito.
Joe - Suas palavras revela que estás em sintonia com o mesmo campo vibratório com o qual estamos sintonizado.
Ilze - Por estar mais perto de nós, acredito na possibilidade.
Em termos de perspectivas, estamos programando um novo encontro de três dias, no primeiro semestre de 2009.
João - Valeu o estimulo.
Domingos - Votado sempre que for do agrado. Se assim é, então grato.
Fica o convite para quem for conhecer uma roda de danças circulares, ou por caso entrar em uma delas.
Escrevam para o Overmundo ou envie um comentário da experiência para o e-mail que consta do nosso perfil.
Há uma música gravada por Roberta Sá e têm a ver com o que conversamos acima:
Ah, Se Eu VouRoberta Sá
Composição: Lula Queiroga
Todo santo dia ela ia
Ela ia lá me chamar
Pra dançar coco
À beirada da saia querendo rodar.
Pelo jeito dela
Pelo dengo, pela simpatia
Se eu caio na roda
Essa moça pode me segurar.
AÃ ela vai querer que eu deixe de ir pro samba
Aà ela vai querer que eu não vá na ciranda de Lia
Aà ela vai querer que eu não saia de perto dela
E eu olhando pra beira da saia querendo rodar.
Ah, se eu vou.
http://www.canalvirtual.org/player_musica.php?uid=1766
Caro Zezito,
Muito legal essas danças circulares. Me fez lembrar das danças de rodas que participei em Recife, em Boa Viagem. Era uma praça grande onde todos que chegavam entravam na roda e ela ia aumentando tanto, que chegava a formar dus ou três rodas, uma dentro da outra.
Muito bom!
Saavedra,
Realmente, dançar ciranda em Olinda e Recife é muito legal!
Que bom que você viveu esta experiência.
Abraço,
Zezito
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