Baixio das Bestas, um filme amargo como cachaça

Paulo do Amparo
Miséria humana = monocultura da cana
1
André Dib · Recife, PE
22/6/2007 · 293 · 26
 

Baixio das Bestas” espanta por revelar um Pernambuco bem feio, escuro, contorcido por todo o tipo de crueldade. O novo filme de Cláudio Assis mostra mulheres tratadas como animais, espremidas até o bagaço como a garapa que mata a sede dos trabalhadores escravizados pela colheita da cana.

Em artigo de duas colunas, apócrifo, publicado na Revista Piauí, edição de maio, “Baixio” (e seu diretor) foi desqualificado como misóginos (machista). Pergunto então a este ghost-writer, e à comunidade overmundista: por se ocuparem da violência social, cineastas como Cláudio Assis e Sérgio Bianchi (“Cronicamente Inviável”) necessariamente fazem parte dela? Se deixarem de retratar a miséria humana, ela deixará de existir?

Artistas que mostram o lado escuro da humanidade tendem a sofrer represálias do tipo. O pintor espanhol Francisco de Goya, por exemplo, esteve por um triz de encarar a Inquisição Católica por suas gravuras nada condescendentes com o clero e demais instituições da época, retratadas de forma tão deplorável quanto os hábitos da plebe. Hoje, as denúncias de Goya, concentradas em sua maioria nas séries “Os Caprichos” (1799) e “Os desastres da guerra” (1812), servem como único registro das atrocidades daquele tempo/espaço. Foi chamado de louco por tratar da loucura e demais perturbações.

Enfim: ao filme. Diferente de "Amarelo Manga" (primeiro longa de Assis, sobre as múltiplas realidades do ambiente urbano recifense), “Baixio” não guarda humor algum. É um filme claustrofóbico, parado no tempo de um Brasil arcaico, que se recusa a mudar. Criador e criatura, diretor e filme, se fundem numa coisa só: um canavial que é a própria visão do inferno.

Cláudio Assis tem conhecimento de causa para tratar do assunto. Se hoje ele transita entre Olinda e Rio de Janeiro, seus primeiros anos de vida se deram no interior de Pernambuco, nos arredores de Caruaru. Uma realidade pouco propagada (a não ser pelos programas de TV sensacionalistas), mas que está aí pra quem quiser olhar.

A narrativa gira em torno da tragédia de Auxiliadora (Mariah Teixeira), uma jovem de 16 anos explorada e confinada em casa pelo avô Heitor (Fernando Teixeira).

Mas é Everaldo (Mateus Nachtergaele) o príncipe deste mundo movido a cana, maconha e prostituição. Ironicamente, ele é o único que poderia trazer luzes de civilização, obtidas durante os estudos na capital. Mas é justamente quem mais bate e estupra, numa busca desesperada e pervertida de satisfação sensorial. Sua primeira malvadeza é obrigar uma meretriz (Hermila Guedes) a fazer sexo e apanhar na frente de todos. A moça reage, e por isso recebe um bocado de chutes na cabeça.

Em Everaldo e sua gangue há claras inspirações na crueldade praticada pelos delinqüentes de "Laranja Mecânica" (Clockwork Orange). A coreografia da violência se aproxima muito do filme de Stanley Kubrick quando, dentro do cinema velho, uma das prostitutas (Dira Paes) é violentada com um pedaço de pau. A cena é vista somente por sombras projetadas na parede, acentuando o impacto da violência na retina do espectador.

O maracatu rural, expressão oficial da cultura da Zona da Mata, não poderia ficar de fora deste painel. A arte contra a barbárie é apresentada como opção, apesar da vida ingrata dos caboclos, entre o corte da cana e a garrafa de cachaça. O momento de catarse vem justamente do encontro da cultura popular com a mais estúpida violência.

Mais terrível do que o filme, só a realidade. Em entrevista à Carta Capital, Assis rebate as acusações como as da Revista Piauí: "Ele (o filme) mostra coisas que a classe média não quer ver. Violento é o Bush, é o programa de tevê que bota a polícia matando adolescentes ao vivo. Eu estou mostrando uma realidade do sertão de Pernambuco. Não é chocante o que acontece no cultivo da cana? Mostrar isso é violento? Pena que as pessoas pensem assim. Aquele filme Irreversível é cult porque tem uns minutos de estupro. Aí tem os Tarantinos da vida. Eles são cult. Eu sou violento.”

Por fim, a despeito de todos os discursos de desenvolvimento sustentável repetidos em coro pela mídia vendida frente ao novo ciclo da cana promovido pela recente valorização do etanol (há exceções), “Baixio” se torna mais necessário do que o próprio diretor poderia prever em 2004, quando andava pelas ladeiras de Olinda com o roteiro debaixo do braço. O amargo na boca ao final do filme, sem redenção ou solução, aponta para a certeza de que a vida real é muito pior do que a ficção.

Dentro do cinema abandonado, Mateus Nachtergaele olha forte para todos nós, e diz, como que convocando toda liberdade e a independência do cinema de autor: “sabe o que é o melhor do cinema? É que nele, você pode fazer o que quiser”. E que assim continue, Cláudio.

compartilhe

comentários feed

+ comentar
Spírito Santo
 

Texto bacana, prara mim, irreprensível. Gosto muito do Claudio Assis pelas atitudes e tenho simpatia pela coragem dele. Não assisti ainda ao seu cinema (!) mas tenho muita curiosidade. Gosto de rebeldes com causa, devo confessar.

Grande abraço e sorte aí.

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 19/6/2007 07:53
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Benny Franklin
 

Agora sim, Andre. "Baixio" mesmo (Rs.) seria assistir filmes inusitados como esse (Rs). Se puder mande-o para o You Tube, assim fará sucesso.
Abçs. Benny.

Benny Franklin · Belém, PA 19/6/2007 12:49
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Helena Aragão
 

Difícil opinar sem ter visto o filme... É muito complicada essa discussão sobre o limite entre a ficção de denúncia e a baixaria gratuita. Acredito que existam muitos degraus entre uma e outra. Também tenho uma imagem do Claudio Assis como uma cabeça de revolta interessante, questionadora. Mas acho que há uma responsabilidade e não é difícil errar o tom ao tentar se fazer uma obra assim (não estou dizendo que foi o caso, afinal não vi o filme). E sobretudo, acho que é praticamente impossível ter controle sobre a reação de quem assiste, mesmo com a legítima intenção dele de fazer uma denúncia. Complexa a discussão...

Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 19/6/2007 13:41
sua opinião: subir
Henrique Araújo - Grupo TR.E.M.A
 

Só um comentário: achei forçado atribuir a crítica, negativa, ao filme de Assis publicada em piauí a um pequeno desentimento entre diretores, a um fato menor. É certo que o filme tem suscitado reações diversas. É normal. As críticas, boas e ruins, também. Além disso, os argumentos apresentados no texto da revista têm alguma consistência. Quem ainda não leu, leia.

Finalizando: "mostrar a realidade" pode ser desculpa pra muita coisa. Fico pensando Lula e em seu eterno bordão: "A PF nunca prendeu tanta gente em meu governo". As coisas se invertem facilmente, uma realidade dura pode servir de desculpa para um discurso que beira o sadismo.

Abraços!

Henrique Araújo - Grupo TR.E.M.A · Fortaleza, CE 19/6/2007 14:06
sua opinião: subir
Henrique Araújo - Grupo TR.E.M.A
 

Na segunda linha do comentário, leia-se "desentendimento" no lugar de uma palavrinha muito parecida.

Henrique Araújo - Grupo TR.E.M.A · Fortaleza, CE 19/6/2007 14:08
sua opinião: subir
André Dib
 

Oi Henrique. Retirei o parágrafo sobre as "coisas de família", porque realmente poderia desviar a discussão para fora do filme, sem falar que era só uma especulação mesmo. É verdade, os argumentos da revista têm consistência, mas o que levantei aqui foram os motivos para tanta repulsa pelo diretor / filme.

Helena, "Baixio" erra em alguns pontos sim, e natturalmente, como você prevê. Há pessoas dizendo que é um filme menor, se comparado com o próprio "Amarelo". Não chego a tanto, pois são dois filmes bem distintos nos temas e abordagens, tendo em comum a mesma visão maldita de mundo do diretor.

Outra coisa que acho que não ficou muito claro no meu texto é que, na minha opinião, "Baixio" não é um filme-denúncia , no sentido panfletário do termo.

Outro aspecto que não abordei lá em cima é sua relação com os acontecimentos de bastidores, que provavelmente foram tão selvagens quanto o material gravado. Para isso, vale a pena ler essa crítica (negativa, positiva?) no blog de Rodrigo Almeida.

André Dib · Recife, PE 19/6/2007 19:54
sua opinião: subir
Ilhandarilha
 

Seu texto está ótimo, André. Mas, como disse bem a Helena, não dá pra opinar sem ter visto o filme. Vi Amarelo Manga e gostei, apesar do estômago embrulhado pelo filme. Mas penso que um pouco mais de cor naquele Amarelo seria fatal. Pelo que você fala, Baixio carrega nas cores.
Você comenta ai acima que Baixio não é um filme panfletário. Seu texto, porém, logo no início, dá essa impressão, quando você coloca Claudio Assis ao lado de Sérgio Bianchi (esse, sim, um maravilhoso e admirável panfletário!).
Aliás, na minha modesta opinião, cinema só deve se ocupar de violência quando é panfletário, quando coloca o dedo na cara da realidade. Do contrário, vira coisa de Tarantino da vida, como vc bem disse.

Ilhandarilha · Vitória, ES 19/6/2007 20:49
sua opinião: subir
André Dib
 

É verdade, andarilha, violência enquanto entretenimento no cinema tem funcionado bem, e esta é uma bela discussão. Coloquei Assis e Bianchi no mesmo balaio porque, mesmo com estéticas e discursos bem distintos, ambos escolheram olhar para a miséria social brasileira.

Sobre a última colocação de Henrique: "Dançando no Escuro" e "Dogville" não fazem de Lars Von Trier extremamente sádico?

André Dib · Recife, PE 19/6/2007 21:02
sua opinião: subir
Tetê Oliveira
 

Oi André, não vi o filme - e não pretendo ver, porque ultimamente quero cinema mais como entretenimento. De violência, em cargas pesadíssimas, já me basta a que a realidade nos impõe todos os dias. Não que eu assista somente a filmes em cor de rosa, longe disso.
Quanto a sua crítica, acho que o texto está muito bom. Mas, ao lê-lo, entendi o filme como panfletário - o que para mim explicaria o uso da violência em cores tão fortes.
Abraço.

Tetê Oliveira · Nova Iguaçu, RJ 19/6/2007 22:25
sua opinião: subir
Mi [de Camila] Cortielha
 

André, de tão bem criticado o filme, sinto que devo assistí-lo antes de discutir sobre ele com você.

Abraços,

Mi [de Camila] Cortielha · Belo Horizonte, MG 20/6/2007 02:36
sua opinião: subir
Egeu Laus
 

Ainda não vi o filme, mas o post já enseja uma boa discussão.
Volto a ele quando assistir...
Abraço!

Egeu Laus · Rio de Janeiro, RJ 21/6/2007 14:05
sua opinião: subir
Adroaldo Bauer
 

Baixio já produz o fato cultural em si: polemiza, instiga, acende paixões distintas. Assim, já é arte. Ver o filme é, por certo, a recomendação do bom texto de André.
(Um reparo ao título: amargo como cachaça amarga, por certo, porque há pinga até doce entre as boas)

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 22/6/2007 11:53
sua opinião: subir
Marcelo V.
 

É um filme muito bom, bastante superior a "Amarelo Manga" (do qual não gostei muito _também não sou fã do Bianchi).

Reproduzo o comentário que publiquei em outro texto do Overmundo sobre o filme, citando outras duas opiniões positivas de gente que entende bem mais do riscado do que eu:

"Recomendo também os textos de Inácio Araújo e Carlos Reichenbach sobre o filme, em seus respectivos blogs, "Canto do Inácio" e ""Reduto do Comodoro".

Cito dois trechos de cada texto:

"E este me parece o mais duro, mais cruel, mais conseqüente, mais infernal, mais belo dos filmes, brasileiros ou não, que entraram em cartaz ultimamente.
Me parece um cinema feito com total indignação. Mas não é uma indignação infantil, primitiva. (...) Cada locação (...), cada personagem, cada quadro, cada diálogo têm um interesse, uma exatidão, uma conseqüência.
Me parece um filme profissional, vivíssimo, moderno." (Inácio Araújo)

"Para início de conversa, "Baixio das Bestas" é um filme magistral; ácido, doloroso, implacável e carnal. É a tradução imagética da poesia semibárbara de Celso de Alencar, o mais contundente de nossos poetas nordestinos e atuais.
Há um plano específico que exemplifica à perfeição onde transborda a poesia no filme de Assis: um treminhão (aquele caminhão enorme que transporta cana de açúcar) cruza uma estrada de terra que serpenteia o canavial, levantando vasta poeira e revelando a protagonista adolescente que caminha na direção contrária carregando uma trouxa de roupa na cabeça; a garota senta à sombra de uma árvore e observa a terra castigada pelo cultivo da cana. O plano é longo como que esperando a poeira baixar e o ruído local voltar a dominar o ambiente. Nada mais acontece, mas poucas vezes em filmes nacionais recentes o país foi mostrado de maneira tão visceral. O país da cobra grande; o Brasil caraíba. (...)
O Brasil filmado por Cláudio Assis cheira a cachaça amarga, esterco pútrido, o fedor do sumo do bagaço mergulhado nas fossas ou o odor de merda que exalam as olarias em produção. (...) As imagens de "Baixio das Bestas" transpiram Brasil; o Brasil que Rogério Sganzerla definia como a terra do homem recalcado, submisso e subserviente, e onde "as mulheres ruins - estigmatizadas pelo tifo venéreo - ficam sem leite", conforme o poeta Augusto dos Anjos."

Realmente, não são todos que vão gostar do filme, mas vale a pena vê-lo no cinema. Eu vi um filme muito bom."

Marcelo V. · São Paulo, SP 22/6/2007 13:45
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Naza
 

André,

Eu assisti ao filme e confesso que, talvez por ter lido toda a polêmica antes, saí de lá com algumas questões. E antes de continuar, deixa dizer que acho que o filme é forte, necessário (no mínimo pela discussão que tem causado), visualmente lindo e contém algumas atuações muito boas.

Mas fiquei confuso com qual é realmente o discurso do filme.

Eu acho que o fato de jornais mostrarem adolescentes sendo assassinados na tv não é motivo pra acharmos menos chocantes espancamento e estupro. Também acho que o Bush ainda não me tornou dormente com relação a essas coisas. Me choco com o que ele faz e me choco com o que acontece há séculos no interior do nordeste devido à monocultura da cana.

A questão que talvez valha a pena levantar é como discutirmos essas coisas. Em uma crítica da Folha (salve engano) sobre o Baixio, foi levantada a ideia de que o filme, embora mostre questões muito importantes e chocantes, não vai além de um retrato isento delas, não as discute.

Não acho que é obrigação do cinema discutir a fundo questão nenhuma, mas fiquei com a impressão que um filme que trata de forma tão forte de questões tão graves fica muito mais raso ao não explorar as razões e não discutir as fontes e perspectivas dos problemas que aparecem.

Talvez a intenção do filme seja mostrar que é a inércia, a falta de perspectiva e do senso de história (com origem, presente e futuro) que dão margem ao que ele retrata, mas acho que isso está muito implícito e talvez seja até mais simpatia minha com o filme do que algo que todos vêem.

De qualquer forma, fico curioso por outras opiniões. Ainda pretendo ver o filme de novo.

Naza · João Pessoa, PB 22/6/2007 14:01
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
André Gonçalves
 

de novo, por conta das discussoes apaixonadas que esse filme provoca, vou ser obrigado a vê-lo.

André Gonçalves · Teresina, PI 22/6/2007 16:16
sua opinião: subir
Cecilia de Paiva
 

O nome bem diz: baixio das bestas e se propaga para todos que apoiam que o lado negro do ser humano tem algum fundamento... democracia limitada para a melhoria do homem versus imprecisao e limite para o infeliz e sua infelicidade de subordinado cativo e eterno

Cecilia de Paiva · Campo Grande, MS 22/6/2007 17:27
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
carol de trancinhas
 

O filme realmente choca ao contar a estória de uma menia explorada pelo avô e de sua cidade, um pequeno povoado na zona da mata pernambucana. Baixio das bestas causou forte impacto ao ser exibido na 39ª edição do Festival de Brasília do cinema brasileiro, eu gostei. O seu texto ta muito legal,adorei!

carol de trancinhas · Brasília, DF 22/6/2007 20:03
2 pessoas acharam útil · sua opinião: subir
Cintia Thome
 

Vi este filme por recomendação de um amigo, Baixio é "o" filme.
Se todos tivessem a coragem de mostrar a realidade do norte e nordeste, a prostituição feroz e arcaica. É a realidade dos quatro cantos deste Brasil, cidades pequenas e grandes... Claudio Assis nos dá a dimensão da "vergonha" que devemos ter deste Brasil...Filme belissimo no seu propósito!Teu texto está claro e preciso!

Cintia Thome · São Paulo, SP 22/6/2007 20:29
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Gledson Shiva
 

O ponto chave do seu texto, Andr`e, `e justamente a defesa de Claudio Assis de sua obra, comparando a filmes de franceses e tarantinescos que sao chamados de "cult". Realmente, nos nao gostamos de nos mesmos e isso transcende o Ceara, terra pela qual eu achava que todos se odiavam e queriam ver a carcassa do outro a qualquer custo, onde denegrir e diminuir o proximo seria exercicio habitual da cultura geral do povo; mas que desgraca, a coisa vai pra alem do nordeste, do norte, acho que o unico porto seguro `e o flamigeravel eixo do mal RJ e SP. Como pode a critica local dar valor a um filme afrancesado pelo fato de ter uma longa cena de estupro?! E insistir que qualquer coisa que venha do Tarantino `e o `o do borogod`o?! E depois dizer que o filme do Assis `e muito violento?... putz! Isso me lembra as criticas fajutas contra o "Cidade de Deus", que somando todos os filmes dos " Infant Terrible gringos" num chega aos p`es de um Ze Pequeno. Vamos dar valor a nos mesmos e aos nossos artistas de vigor e furia estetica.

Gledson Shiva · Fortaleza, CE 23/6/2007 00:03
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Josué
 

Oi André,
Parabéns pelo texto!
O filme é excelente mesmo! Assisti no Cinema da Fundação há três semanas. Sujo, pesado, violento, mas maravilhoso! Cláudio Assis mais uma vez arrebentou! Adorei o elenco: Fernando Teixeira (pra mim, o melhor!), Dira Paes e Marcélia Cartaxo (sempre ótimas!), Magdale Alves (talentosa), Irandhir Santos (sensacional, o segundo melhor), Caio Blat e Matheus Nachtergaele (mergulhados como sempre nos seus personagens!) Mariah Teixeira (super-revelação). Aliás, os atores pernambucanos dão um banho!
As locações são demais: a Zona da Mata, os canaviais, a queima da cana, os caminhões, a poeira, enfim... O Maracatu Estrela Brilhante, num contexto maravilhoso. Até dos caracteres dos créditos eu gostei, pode?
Recomendo!
Um abraço

Josué · Recife, PE 23/6/2007 14:26
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Davidson
 

Sem dúvida é impressionante o texto...

Davidson · Juiz de Fora, MG 24/6/2007 00:24
sua opinião: subir
CB
 

Não vi ainda e já gostei. Parabéns ao André pelo ótimo texto.

CB · Porto Alegre, RS 24/6/2007 10:13
sua opinião: subir
thais aragao
 

Oi, André. Cara, adorei seu texto e mas gostei ainda mais do que escreveu o Rodrigo Almeida, sugestão sua em um comentário aí acima. Porque neste caso concordo mais com ele, obviamente. Pelo menos pra mim, você não precisa defender "Baixio das Bestas" com "Irreversível". Não gosto da idéia dos dois.

O que acontece é que não preciso da rudeza de Cláudio Assis. Prefiro a delicadeza, por exemplo, de Karim Aînouz. E é apenas uma feliz coincidência - para mim, no caso - que Karim seja um cineasta cearense falando do interior do Ceará em "O Céu de Suely" - que também tem Hermilla Guedes no elenco, que também tem um profundo trabalho de construção de personagens e que também tem estrupo (interpretação que não deve ser só minha) e prostituição.

Desisti de Claudio Assis no primeiro curta dele que vi. Não tenho tempo para quem diz "o mundo é feio" e ponto. Não tenho tempo para quem diz "o mundo é lindo" e ponto. E hoje eu não quero minha dose esterelizada de violência extrema via Claudio Assis. Falta cérebro e sobra corpo nas pessoas dos filmes dele. É meio desequilibrado nesse sentido.

Registro é registro. Cinema de ficção pode ser - quando o autor escolhe e consegue - reconstituição. Se Claudio Assis quer reconstituir, alguém pode até dar crédito a isso. Por enquanto, tô fora. Tem muita coisa radical mais interessante por aí. Estou fuçando algumas, mas no momento não no cinema.

Um grande abraço pra ti!

thais aragao · Porto Alegre, RS 25/6/2007 16:32
sua opinião: subir
André Dib
 

Olá Thaís e demais overmundanos...

O texto de Rodrigo vai direto ao ponto. Um filme de Cláudio Assis é Cláudio Assis, com todos os méritos (como a combatividade) e problemas (como os excessos) que ele tem.

No meu texto, pensei em contextualizar Assis com os demais diretores da produção autual e autoral, mas o texto já estava grande demais...

Realmente, a poesia de "Baixio", se é que há alguma, é bem diferente da de "Suely" e "Cinema, Aspirinas e Urubus" (em que Karim também participa com Marcelo Gomes). Este último, na minha opinião, já figura entre os clássicos do cinema universal.

Difere também do lisérgico "Árido Movie", de Lírio Ferreira, e aqui já estamos com três filmes a tratar de coisas do sertão. Sertão já bem presente no cinema nacional, mas feitos com olhares bastante renovadores.

Portanto, o caráter documental de "Baixio", mesmo oferecendo um recorte truculento da Zona da Mata, é mais do que bem vindo. Que venham mais olhares, mais idéias, mais filmes sobre a região. Não creio que essa seja a opinião dos moradores de lá, mas considerando os clichês usados pra vender a Zona da Mata para os turistas (a civilização do açúcar, a terra da cultura de raiz, etc), aparecer para o mundo através de "Baixio", já é um belo começo.

Abraço forte, e bom te encontrar "por aqui".

André Dib · Recife, PE 26/6/2007 04:40
sua opinião: subir
thais aragao
 

Já temos um bocado de novos filmes revisitando o sertão, heim? Possibilidades amplas de reflexões interessantes sobre o olhar dessa nova geração, em contraste com o sertão na película em preto e branco!

Muito boas estas conversas online. Um grande abraço pra ti e pra tod@s!

thais aragao · Porto Alegre, RS 28/6/2007 19:05
sua opinião: subir
manu andrade
 

chega de hiprosia e de um cinema mais ou menos.
tem gente que veste máscara de indie pra fugir da realidade da mesma forma como alguens vão pro shopping. Dai quando se depara com uma coisa que toca no cerne de seu ego, se sente mal porque percebe que poossa ter um pouquinho de culpa do que está a sua volta.
O pior de tudo é ver as pessoas do próprio estado rejeitando filme.
santa hipocrisia.
Adooro, a Piauí e também fiquei meio baleada com aquela matéria. Adorei o "ghost", não tem coisa pior do que matéria não-assinada.
Té.

manu andrade · Recife, PE 17/12/2007 22:45
sua opinião: subir

Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.

filtro por estado

busca por tag

revista overmundo

Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!

+conheça agora

overmixter

feed

No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!

+conheça o overmixter

 

Creative Commons

alguns direitos reservados