BALANÇO POSITIVO PARA A CULTURA EM BH

Georgiana de Sá
Danças de origens afro-brasileiras no FAN-2007
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llamar al pan · Belo Horizonte, MG
5/12/2007 · 87 · 3
 

Festival de arte discute os anos de luta do povo negro

Por Georgiana de Sá

Belo Horizonte termina o mês de novembro com saldo positivo para a diversidade cultural. Entre os dias 19 a 25/11, o FAN, “4.º Festival de Arte Negra-2007”, ocupou vários espaços da cidade com música, teatro, dança, cinema, exposições e debates sobre a participação do negro na história brasileira.

No dia 20 de novembro, a ministra Matilde Ribeiro, da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), esteve na Casa do Conde para comemorar o “Dia da Consciência Negra”, uma homenagem a Zumbi dos Palmares, líder da resistência negra à escravidão no Brasil. A ministra falou da importância da cultura negra para a história do país e assistiu apresentações de danças de origens afro-brasileiras, da Associação Cultural “Eu Sou Angoleiro” (Acesa).

Durante o evento, personalidades e artistas afro-brasileiros conheceram o “Ojá” - palavra africana que significa mercado - que foi montado na Casa do Conde. Os convidados concederam entrevistas e falaram sobre a resistência do negro durante a ditadura militar. O ator Romeu Evaristo, que vive o ‘Angolano’ no programa de humor Zorra Total, também conhecido por ter feito, nos anos 70, o Saci Pererê no Sítio do Picapau Amarelo, lembrou que a repressão militar proibia, de propósito, manifestações da cultura negra, como o samba e a capoeira.“Mais que ninguém o negro sofreu com a ditadura, com causas e efeitos perversos”, opinou ele.

O cantor Netinho de Paula, 36 anos, defendeu a inserção dos negros na política do país e elogiou representantes como Gilberto Gil e Benedita da Silva. “A presença do negro na história política brasileira, em termos quantitativos, pode parecer insignificante, mas merece aplausos”, considerou o cantor.

O ator Fabrício Boliveira, 25 anos, que atuou como o ‘Bastião’ na novela Sinhá Moça, da Rede Globo, e o Saci Pererê da série de 2001 do Sítio do Picapau Amarelo, recordando as histórias de seus antepassados lamentou o sofrimento dos afrodescendentes à época da repressão no país. “A religião, a música e a capoeira eram vistos como expressão cultural proibida”, disse.

Mineiro de Ouro preto, o artista plástico Jorge dos Anjos analisou que, tanto na abolição da escravatura, quanto no período da ditadura, o negro ajudou a construir a história política do Brasil. Ele destacou que, durante a repressão, a arte da capoeira era impedida de ser celebrada e os terreiros de candomblé invadidos. “A polícia quebrava tudo e os pais-de-santo eram presos.
Os sambistas eram perseguidos e considerados vagabundos”.

Lydia Garcia, do Atelier Cultural Bazafro, especialista em moda étnica, ressaltou que os movimentos sociais, durante a ditadura, contaram com a participação da população negra. “A religião e a música de origens africanas, já marcadas por preconceitos históricos, foram manifestações artísticas ainda mais perseguidas durante a ditadura”. Em sua luta pela resistência dos afrodescendentes, Lydia se tornou militante do movimento negro em Brasília, na década de 70. “Fui uma das primeiras a subir a Serra da Barriga, em Alagoas, templo de resistência e sede de um dos maiores quilombos do Brasil”, contou ela.

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Nydia Bonetti
 

Bela matéria! BH sempre tratou a cultura com o respeito que merece. O FAN , com a presença da Ministra Matilde Ribeiro, e outos convidados ilustres, vem confirmar isto. Parabéns pela divulgação.
Abrçs.

Nydia Bonetti · Piracaia, SP 1/12/2007 23:52
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Mestre Jeronimo - JC
 

Axe'

O tema da 'negritude' merece 2007 votos, e em 2008, que possamos evoluir neste jogo e ir mais alem, aonde possamos ir alem e chegar mais perto da gente, do BR sendo uma identidade que contem uma historia que tem muitas faccoes, mas, sem divisoes de raca e genero de "cor"; simplesmente SER BR!

Axe'

Mestre Jeronimo - JC · Austrália , WW 5/12/2007 13:46
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llamar al pan
 

Obrigada pelas considerações... sigamos na jornada de criar um mundo melhor...em que as pessoas se unam em faternidade. bjs

llamar al pan · Belo Horizonte, MG 16/6/2008 23:16
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