Baldinir Bezerra: retrato tocante dos anos 80 II

Baldinir em frente do Centro Cultural José Octávio Guizzo
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Gisele Colombo · Campo Grande, MS
28/3/2007 · 110 · 13
 

A história do intérprete Baldinir Bezerra é também um recorte da história dos movimentos sociais que aconteciam em Campo Grande no início dos anos 80. Em 1980, com o ingresso na universidade, entrou em contato com o movimento estudantil numa época em que o país passava por transformações significativas. Era o período da abertura política, da anistia e da campanha para as eleições diretas.

Compositor das músicas Saudade da Paz, Samba de Gaveta e Dadivosa, Baldinir deixou, nessa entrevista exclusiva para nossa comunidade de overminas e overmanos, suas impressões de momentos significativos da história do Estado de Mato Grosso do Sul.

Continuação da entrevista: Baldinir Bezerra: retrato tocante dos anos 80 I

Conte um pouco sobre a Unidade Guaicurus e o que ela significou em todo este contexto.

Baldinir Bezerra – Não existiu nada mais impactante naquele período, culturalmente falando, do que a Unidade Guaicurus. Foi uma iniciativa do historiador e artista plástico Henrique Splenger, precocemente falecido infelizmente. Um grande amigo que deixou um legado importantíssimo para a população sul-mato-grossense. Na época da divisão do Estado, foi ele quem surgiu com a proposta de adotar a civilização Guaicurus como referência de identidade cultural para o MS. Isto por tratar-se da referência mais antiga de ocupação humana na área que se tem conhecimento. O Henrique propunha que Mato Grosso do Sul adotasse a identidade Guaicurus. Tanto é que isso foi disseminado e hoje em dia, graças a ele, a iconografia Guaicurus está espalhada por aqui e muita gente a utiliza como referência para seus trabalhos. Mas a Unidade Guaicuru era bem mais do que isso. O Henrique montou uma sede num antigo casarão na Av. Calógeras, que conseguiu aglutinar o que tinha de mais interessante naquele momento histórico do início dos anos 80 em Campo Grande. O que diz respeito a teatro, à música, a cineclube, às artes de um modo geral, encontrava lá um espaço de discussão efervescente, gerador de muitas intervenções que definiram muito do que a gente tem hoje na história da cultura do Estado. Lá também foi sede do cineclube, ponto de encontro de artistas plásticos como o próprio Henrique, Adilson Schieffer, Cleir Junior, Dagô, Maria Helena Belalian, Beto Lima, entre outros. Foi espaço de ensaio para vários grupos de teatro, como o IPURINÃ, formado por Jorge de Barros, Pedro Fenelon, Wilson Mota. Um grupo de música que se fez bastante presente nesse período foi o PORANGUETÊ, formado por Lenilde Ramos, Pedro Ortale, Caio Ignácio, Celso Cordeiro e o Geraldão das Ervilhas. Eu tive o privilégio de vivenciar de perto tudo isso. Hoje em dia a gente se ressente um pouco, está tudo muito morno. Mas houve um momento aqui nessa cidade que a galera “barbarizava”.

Como aconteceu o movimento para a criação do Centro Cultural?

Baldinir Bezerra – O Centro Cultural José Octávio Guizzo, da 26 de agosto, só existe por conta deste movimento feito pela Unidade Guaicuru. Houve uma pressão muito grande dos artistas locais, que faziam passeatas. Nós organizamos a passeata “Acorda Brasil”, uma parada barulhenta que aconteceu de madrugada, nas ruas do centro da cidade clamando pela cultura, pela divisão do Estado, pelas eleições diretas e pelas diretas Já. Estas eram as falas que a gente ouvia e que a gente gritava. Houve tempo que o prédio do antigo fórum estava abandonado e a promessa de transformá-lo num aparelho da cultura não se tornava realidade nunca. A então primeira Dama do Estado, Dona Nely Martins, também chegada às artes plásticas e às coisas da cultura, sempre nos recebia cordialmente prometendo que a coisa ia andar. Chegou a sugerir que todos pegassem vassouras que ela iria junto tomar posse do prédio do fórum da 26 de agosto. Mas, após dormir com o Dr. Wilson, sempre acordava proferindo discursos menos bombásticos e mais conciliadores. Um dia organizamos uma grande passeata que percorreu as ruas do centro da cidade logo pela madrugada, indo parar na frente da Casa do Governador, Dr. Wilson Barbosa Martins. O fato é que nós acabamos conseguindo e o centro cultural passou a existir e está aqui até hoje. Mas está ainda distante de ser o que a comunidade artística sonhou. Uma coisa interessante é constatar que os prédios refugados pelo poder judiciário, o que parece ter uma tradição aqui em nosso estado, costumam ser destinados à cultura. A exemplo do nosso atual Memorial da Cultura que também foi um fórum. Eu acho justo, ou não é?

A paixão pela música começou em que momento?

Baldinir Bezerra – Eu nasci amante da música, sou filho de um pai que gostava de tocar cavaquinho. Minha mãe não tocava, nem cantava, mas gostava de ouvir música. Nelson Gonçalves, Maíza, Dilermando Reis, Silvio Caldas estavam sempre presentes. Então, eu ouvi muita música desde cedo. Música boa. Mas numa família de 7 irmãos, só eu que saí cantante. O canto é uma arma poderosa. Nesse processo de construção de mim mesmo, acabei entendendo que eu sou o protagonista da história. Preciso de recursos para atingir minhas metas no que diz respeito às transformações coletivas que posso promover com minhas ações. A música é um grande recurso. Os Beatles transformaram o mundo com a música deles. A música de Mozart ainda consegue modificar a vida de muita gente no mundo de hoje. Quando eu tinha 14 anos de idade, fazia o quarto ano do ginásio – hoje seria a oitava série – lá no colégio Arlindo de Andrade Gomes, na Av. Júlio de Castilho, certo dia, a professora de inglês, Silvia Cesco, entrou na sala anunciando:
- Vai ter um festival de música lá na Universidade Federal e quem quiser pode participar! Quem quiser pode compor uma música e se inscrever.
Quando acabou a aula, como que hipnotizado pela notícia, fui saindo da sala e ao invés de ir para o pátio do recreio, como de costume, me dirigi para a parte da frente da escola, me deitei no gramado, e aí a música fluiu inteirinha. Eu sei que quando ficou pronta, eu cantei para a professora que me disse para ir até a sua casa. Lá eu conheci o músico Antônio Mário, seu marido, a Lenilde Ramos e sua irmã, Lenilce. O Antônio Mario e a Lenilce formavam uma banda que fazia o maior sucesso nos bailes do Rádio Clube. Essa banda foi encarregada de acompanhar as músicas no Festival, e foi justamente o Antônio Mário quem defendeu a minha música intitulada “Como se fosse”, classificada em quarto lugar no tal festival organizado pela professora Maria da Glória Sá Rosa. O primeiro lugar ficou com Lenilde Ramos, o segundo com o próprio Antônio Mario e em terceiro com o grupo ACABA, que defendeu a música “Pachico Homem”. Depois desse episódio, andei me perdendo por outras veredas e minha reaproximação com a música ficou em stand-by por vários anos.

Quando aconteceu seu retorno à música anos depois?

Baldinir Bezerra - Eu comecei a ter as minhas primeiras experiências cantando na noite. Época em que eu despertei para a boemia. A gente abria e fechava bares famosos que existiam nessa cidade. Bares que se caracterizavam pela diversidade, pois abrigavam todas as tribos. Tipo o antológico Nagibão, o Bar da Soraia, ou o Caras e Bocas que funcionava na esquina da rua Rui Barbosa com a Quinze de Novembro, e que depois virou Rui Bar Bossa, que hoje abriga apenas uma obscura lojas de sapatos. Meu primeiro parceiro tocando na noite foi o meu amigo cantor e compositor Paulo Gê. Outro momento marcante para mim, no que diz respeito a música, aconteceu na época das diretas, quando teve um grande comício na rua 14 de Julho com a Av. Afonso Pena. Segundo a polícia, mais de quarenta mil pessoas estavam lá. Eu estava começando a me entender como ser político, me deu vontade de cantar. Eu já estava me sentindo seguro com aquela história de cantar na noite. Era uma atitude cívica, como qualquer cidadão era capaz de ter. E me inscrevi lá. Tive obstáculos para conseguir me apresentar, mas sei que aquela apresentação foi o maior público da história da minha carreira. Cerca de quarenta mil pessoas cantaram comigo "O Bêbado e a Equilibrista", hino da anistia política. No palanque, uma série de defuntos ilustres: Ulisses Guimarães, Tancredo Neves, Franco Montoro, Miguel Arraes, Leonel Brizolla, e estrelas como Regina Duarte, Cristiane Torloni e Fafá de Belém. Depois disso, nas minha idas e vindas da vida, mudei diversas vezes. Primeiro fui para Salvador e depois fui concluir meu curso de psicologia em Natal. Em Natal, a minha vida musical rolou intensamente já que eu era universitário e tinha que sobreviver trabalhando com música. Tive grande parceiros lá. O Ricardo Wanamarke, um irmão de verdade que eu encontrei em Natal, e Rômulo Tavares, outro irmão potiguar, filho de Clotilde Tavares, ela figura importantíssima do cenário cultural de Natal-RN. Rômulo era o líder da banda Alfândega e um roqueiro de primeira que topou durante algum tempo tocar MPB comigo.

Espetáculo Tocante. Como foi produzi-lo?

Baldinir Bezerra – Através do Paulo Paes, eu conheci o Luís Poeta. Ele era um músico carioca que estava radicado aqui, um doido de pedra mas que tinha um talento impressionante. Ele compunha músicas maravilhosas, tinha um repertório bastante grande com um estilo todo pessoal. A gente acabou produzindo um show com ele, somente com suas músicas que acabou se tornando um grande momento da minha vida como cantor. Foi um dos grandes shows que Campo Grande já viu. Sem falsa modéstia. Isso eu ouço até hoje de pessoas que assistiram. Nós apresentamos o Tocante três noites seguidas, sendo que, na terceira noite de espetáculo, tivemos até que fazer uma apresentação extra, já que tinha um bando de gente lá fora do teatro querendo ver o show. Vale ressaltar que a produção foi muito bem realizada e muito bem divulgada. Na cabeça dessa produção estavam meus amigos Paulo Paes e a jornalista Márcia Meggiolaro. Foi um acontecimento que mexeu com a cidade inteira. Foram meses de trabalho para garantir um espetáculo com cerca de dez músicos, duas bailarinas e dois atores no palco.

Quem eram os integrantes deste show?

Baldinir Bezerra - O show chamava-se "Tocante: um show de música e poesia". A produção geral ficou por minha conta junto com o Paulo Paes. A direção musical ficou com o Luis Poeta. Os músicos eram o Pedro Ortale que também participou da direção musical e atuou como baixista, o Luis Poeta na base, meu falecido amigo Henrique Lobo no sax e na flauta, o Juarez Carl nos teclados, o Marquinho no violão solo, Clever de Sá e Orlando da Gaita na percussão, o Carlão na bateria, eu como vocalista e o Arapiraca no vocal e efeitos. Havia também as bailarinas Meije e Dina e os atores Lu Bigatão e Jorge de Barros que foram convidados para recitar as poesias. O cenário foi produzido pela Marilze Motta e a iluminação foi do Wilson Motta.

Qual foi o repertório do Tocante?

Baldinir Bezerra – Todas as músicas foram de autoria de Luiz Poeta. Planeta música, Tateando o tatu, Uma chance à paz, No país das maravilhas, Startística, Altíssimo, Xaxinhos, Capitão leveza, Língua hippie, Semeio, Canto Ierê prá Iberê, Transação musical e Poetando.

Em que local aconteceu o espetáculo?

Baldinir Bezerra - O show aconteceu num espaço de cultura que infelizmente Campo Grande, pelo menos por enquanto, perdeu. Era o teatro do Paço Municipal. Um espaço que hoje em dia está sendo usado como local de pagamento de IPTU. E isso desmerece profundamente a história daquele teatro. Apesar de ser um espaço muito pequeno, muitos eventos importantes de cultura aconteceram no teatro do Paço Municipal. E além disso, sua localização é perfeita no centro da cidade. Eu não entendo é a cabeça de quem administra a coisa pública. Não levam em consideração a história nem os interesses da comunidade. Mas um dia a gente resgata isso aí.

Espetáculo Adeus amigos. Fale sobre ele.

Baldinir Bezerra - Numa das minhas mudanças para Natal, pensando que eu não voltaria mais para Campo Grande, eu produzi o show Adeus Amigos, parodiando um show que até hoje a Derci Gonçalves faz por aí. A gente montou uma grande banda, novamente com Pedro Ortale que fez o show de abertura instrumental, e eu o show principal. Esse show recebeu o troféu Jacaré de Prata da Prefeitura Municipal.

E aquela história da banda de Axé Music?

Baldinir Bezerra - Na copa de 94 eu já havia retornado para Campo Grande. Fui vocalista da Banda Mandala, formada juntamente com Jerry Espíndola, Pedro Ortale, Caio Ignácio, o Bola, e outros, para tocar em um palco montado nos altos da Av. Afonso Pena nos dias dos jogos do Brasil. Isto com o patrocínio do Bamerindus. Essa é uma passagem que mexe um pouco com os brios regionalistas da moçada, porque o repertório era somente Axé Music. De qualquer forma, tenho consciência de que a gente mandou bem. A cena mais engraçada dessa empreitada foi quando, no jogo da vitória, o Bola ficou tão emocionado que mandou as baquetas pelos ares (risos) e elas nunca mais foram encontradas. Essa foi a última apresentação da banda que acabou tendo uma vida bem curtinha. Mas a gente se divertiu um bocado.

Em que momento você voltou a fazer composições?

Baldinir Bezerra - Em 1997 eu decidi levantar vôo e viver no Rio de Janeiro. Lá eu estive bastante distante da música. Desde 1974 eu não me arriscava a criar versos, melodias como naquela ocasião dos festivais. Mas é a coisa, quando não sai por um lugar, sai pelo outro. No Rio me deu vontade de voltar a criar canções. Um dia eu estava esperando por um encontro e estava me sentindo “meio por baixo”. Era um daqueles momentos que a gente entra numa de fazer revisão de vida, aquelas coisas. Comecei a escrever em forma de poema. Aí, eu comecei a cantarolar esse poema, que virou o samba Saudade da Paz. Na mesma semana eu mostrei essa música para uma amiga. Imediatamente, ela disse que também já havia feito um samba. E contou a historinha do samba dela. Ela tinha brigado com o pai, queria falar umas coisas para ele e não conseguia, e então escreveu o samba, que ficou perdido no meio das coisa dela. Então eu disse que escreveria um samba para ela. E daí nasceu o Samba de Gaveta. Tem sido assim com as músicas que venho compondo atualmente. Dadivosa, por exemplo, um samba que eu ainda não consegui gravar, mas no qual eu aposto muito, é a história da minha amiga Lúcia Baptista, do Rio de Janeiro. Ela me contou que o irmão dela tinha uma mania muito chata de desqualificá-la diante dos namorados e dos amigos, chamando-a de “muito dada”. Hoje, já com seus cinqüenta e tantos anos, ela ainda se sentia magoada com aquilo. Desta história saiu o samba, onde eu tento evidenciar um monte de qualidades que ela tinha e que não estava valorizando, mas faziam dela uma pessoa absolutamente rara. No fundo , acho que eu sou um grande contador de histórias, com um ouvido afinado.

Então o samba é o estilo que você mais gosta de cantar e de compor?

Baldinir Bezerra
- Eu acho que a influência do samba na minha vida é muito marcante. O primeiro disco que eu comprei com meu dinheiro foi “Meus Caros Amigos”, do Chico Buarque. Lógico que ele é um dos meus poucos ídolos de verdade, me influenciou muito. Mas isso não quer dizer que não gosto da música de Mato Grosso do Sul. É a música que eu cresci ouvindo. Se bem que, de vinte anos pra cá, a partir do volume crescente de imigração gaúcha, a região sofreu uma influência impregnante deles. Não que eu não goste. Mas a gente está deixando de ouvir a música que tocava aqui antes da vinda deles. Mas quanto a isso não há o que fazer. É sinal dos tempos, as culturas vão se misturando mesmo e ampliando a diversidade. Mas, de qualquer forma, para cantar e para compor, a minha preferência é o samba mesmo. O certo é que minha relação com a música tem uma relação direta com a necessidade de mexer com o que está quieto. A idéia é instigar. O ritmo é o que menos importa.


Em anexo a essa entrevista, depoimentos de jornalistas da época sobre Baldinir Bezerra:

“Deixando no ar uma atmosfera tomada pelo aroma sonoro que só mesmo a poesia pode conceber, Pedrinho Ortale encerrou sua apresentação e deu lugar ao vocalista Baldinir Bezerra. Vindo de uma experiência musical cujo ápice foi o show Tocante, realizado junto com Luiz Poeta, esse cantador demonstrou aos olhos do público e da crítica um desempenho amadurecido, produto típico de quem faz do cantar um ofício experimental intimamente sintonizado com a nova realidade cultural por que vem passando Mato Grosso do Sul. Leonino de Guajará-mirim-RO, Baldinir diz que a sua cor predileta é o lilás. Mas em se tratando de música, o artista abraça todas as cores do arco-íris da Música Popular Brasileira. “É preciso mandar os preconceitos pras cucuias e assumir todas as tendências da nossa rica musicalidade”, diz ele. Mais do que um aviso aos marinheiros, seu depoimento é um alerta para os que relutam em vivenciar as nuances várias da sonoridade tupiniquim. Interpretando obras de autores diversos da MPB, o canto de Baldinir ficou marcado pela plasticidade do cavaleiro andante que busca o belo onde quer que ele se encontre. Ele pode se sair muito bem numa peça do poeta baiano Dorival Caymi, pode se esconder, quem sabe, num samba de Lamartine Babo, como pode simplesmente se fazer presente numa peça de João Bosco. Não importa. Cabe ao artista encontrá-lo, concebê-lo e mostrá-lo ao público ávido de emoção. O belo é uma construção do espírito e a estética é sua ciência. Mas é também a matéria-prima da arte e aos artista cabe ser seu escultor. Com Baldinir no palco cantando, a quinta ficou com cara de sábado, o público deixou de ser apenas espectador e virou cúmplice, os corações esqueceram as dores e corpos tornaram-se escravos do som. A banda que o acompanhou fez o que nossa seleção não é capaz de fazer: jogar com garra, suando a camisa e com o famoso espírito de corpo. Jogando na retaguarda do ritmo, Carlos Figueiredo, no meio de campo da harmonia, o teclado brilhante de Joarês, Marquinho ma ponta de lançamento da guitarra base/solo e Gelton atuando livremente com seus belíssimos sopros. Um espetáculo digno de aplausos, sem dúvida. Mais que isso: digno de calar a boca dos que insistem em dizer que nessa cidade não acontece nada”. (Basinho)

Jornal Diário da Serra, 27 de abril de 1988

“...Todavia, há alguém que carrega consigo a bandeira desse bloco e ocupa, assim, o destacado lugar de porta-estandarte dessa folia musical. Seu nome completo: Baldinir Bezerra. Baldinir milita no mundo da música há algum tempo, mas sempre teve um relacionamento meio descompromissado com ela, cantando nas rodas de viola, nas serenatas, na casa dos amigos e dando canja nos bares da vida. Ultimamente ele esteve no nordeste. A estada de Baldinir na Bahia, onde passou uma boa temporada, parece ter contribuído enormemente para esse encontro com Luís Poeta, já que a linguagem musical deste tem fortes contornos da cultura afro. Decifrando essa linguagem e antropofagicamente deglutindo os quitutes que a carioquice e baianidade de Luís oferecem, Baldinir, embora não tenha ainda uma segura base técnica, é uma estrela a fim de que, à medida que a noite avança, cresce em brilho e cor. Avaliando criticamente, podemos dizer que Baldinir ainda não canta com a necessária bagagem técnica, mas canta com a garra dos hipersensíveis; não gesticula como os já tarimbados profissionais, mas encara com seu jeito descontraído de pedra rara que ainda tem muito para brilhar, ao ser devidamente lapidada; não tem uma marcação vigorosa de palco, mas agrada e conquista pelo espontaneísmo, pela simpatia, pelo seu talento promissor e pela coragem de fazer arte nessa biboca pré-capitalista. Junte-se a isso uma banda composta de músicos competentes e criativos e temos então, o sucesso de Tocante, um show que realmente arrebentou a boca do balão”. (Alex Fraga)

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Clotilde Tavares
 

Que bom ver essa matéria sobre Baldinir Bezerra! Artista, militante, além de um ser humano da mais alta qualidade, tive a honra de ser sua amiga enquanto morou em Natal. É bom saber que está feliz, trabalhando com o que gosta e vendo seu trabalho reconhecido. Parabéns.

Clotilde Tavares · João Pessoa, PB 26/3/2007 13:28
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Helena Aragão
 

Muito bacana. Gostei de conhecer as histórias dele, sobretudo as aventuras para fazer os cineclubes terem alcance além de quatro paredes. Interessante também que ele acaba falando de vários outros personagens e espaços que parecem ter sido importantes para a cultura sul-mato-grossense.
Gisele, só uma sugestão: como a entrevista é grande, entendo a opção por dividir em duas. Mas acho que fica mais fácil de entender que a primeira parte seja I e a segunda, 2, ou II. Pq do jeito que está cheguei a achar que era a mesma coisa postada duas vezes.
Também por ser grande passaram uns errinhos, que acho que você pega numa relida rápida (Dilermando Reis, por exemplo, que lembro agora). Abraço!

Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 26/3/2007 14:15
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Bia Marques
 

Bacana!!!! Histórias que lembro bem. Agora trabalhando no mesmo time com esse criaturo fica ainda melhor. Concordo com Helena, aproveita que está em edição e arruma o título pra 1 e 2 que tb pensei ser a mesma coisa! Abraço

Bia Marques · Campo Grande, MS 26/3/2007 14:18
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Gisele Colombo
 

Clotilde, com certeza o Baldinir é um cara muito 10. Conheço ele há apenas 8 meses e já nos tornamos grandes amigos.

Helena, fico muito feliz por vc ter gostado da entrevista, procuro sempre fazer perfis e contar histórias dos artistas que tenho grande admiração e que fizeram parte da história do MS.

Bia, com certeza você está trabalhando com um cara de muitas idéias boas e de uma visão crítica que deve ser levada em conta. Eu gosto muito de trabalhar com ele também.

Abraços a todas Gi.

Gisele Colombo · Campo Grande, MS 26/3/2007 14:42
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Zé Geral
 

Legal a entrevista! Fiquei sabendo de uma pá de coisas importantes sobre nossa cultura, coisas inclusive que não vivenciei, pois só cheguei à "terrinha" em 1990. Parabéns Bezerra! Parabéns Gisele!

Zé Geral · Campo Grande, MS 27/3/2007 10:09
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Gisele Colombo
 

Valeu Zé! Assim como você batalha pela nossa cultura, outros já fizeram muitas coisas legais anos atrás. Estou apenas descobrindo novos personagens da história da cultura de MS. Bjs Gi

Gisele Colombo · Campo Grande, MS 27/3/2007 11:45
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Rodrigo Teixeira
 

demais demais... parabéns Gisele e continue. Destaco aquela foto em p/b, a segunda de cima para baixo. Não posso deixar de dizer, pq emocionou. O primeiro da fila é o saudoso Luiz Poeta. Ele passou uma época aqui na cidade e foi superbacana. Grande compositor. Faleceu no Rio de forma trágica. O segundo é o próprio Baldo. O terceiro é o Pedro Ortale, músico que acompanhou a evolução da arte daqui e foi presidente da fundação de cultura. O quarto é o Arapiraca, percussionista que hj faz parte do Tradição, banda de maior sucesso de MS. O quinto é o Marquinhos Lindo, guitarrista bacana q mudou-se para Goiânia. O sexto é o saudoso também Henrique Logo, saxofonista q tocou com muita gente aqui e que infelizmente faleceu quando estava passando um tempo na Chapada dos Guimarães. Saudade. O sétimo é o Caio Ignácio, mentor da polca-rock e q mora em Sampa há tempos. Não sei quem é o último da fila. Uma foto traz muitas sensações. bj

Rodrigo Teixeira · Campo Grande, MS 29/3/2007 18:38
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Rodrigo Teixeira
 

acertando a digitação:
- o segundo é o Baldi!
- o sexto é o Henrique Lobo, faleceu de forma trágica tb.
abs

Rodrigo Teixeira · Campo Grande, MS 29/3/2007 18:41
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Gisele Colombo
 

Rô, que bom que vc gostou da entrevista e das fotos. Foi meio difícil escolher entre tantas que o Baldinir me mostrou. Como gosto de ouvir histórias e é por isso que adoro entrevistar. Fico muito feliz em lhe trazer boas recordações... Abração pra vc e até a próxima!

Gisele Colombo · Campo Grande, MS 29/3/2007 18:47
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Baldinir Bezerra
 

Rodrigo, valeu!!!! O último da foto da banda é o Juarez Cal, tecladista gaúcho. Tocou comigo em quase todos os shows. Não sei mais dele a muitos anos. Mas foi legal sua contribuição com informações que esqueci de mencionar. Abração

Baldinir Bezerra · Campo Grande, MS 30/3/2007 08:37
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crispinga
 

Gi,
Foi com surprêsa que encontrei esta matéria aqui no Overmundo. Conhecí o Baldinir aqui no Rio, como já comentei na matéria I, mas não conhecia a história do artista descrita tão detalhadamente. Uma biografia! Parabéns pelo trabalho e pela homenagem merecida à este querido artista!

crispinga · Nova Friburgo, RJ 26/5/2007 18:33
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Gisele Colombo
 

Obrigada Cris! Comentários como este é que me estimulam a continuar escrevendo aqui no overmundo. Abcs Gi

Gisele Colombo · Campo Grande, MS 27/5/2007 15:46
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Milla Freitas Souza
 

Muito bacana!! sou filha do Luiz Poeta, e só recentimente tive o prazer de conhecer Baldinir, porém hoje posso ver nele o que meu pai tanto admirava, a sensibilidade e a luz propria....querido ser humano!

Milla Freitas Souza · Campo Grande, MS 13/5/2011 12:07
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