BANDA DIVULGA CD 14 ANOS APÓS A SUA GRAVAÇÃO

Gedley Braga
Os Habitantes 1994
1
Gedley Braga · Divinópolis, MG
18/4/2008 · 125 · 6
 


BANDA DIVULGA CD "OS HABITANTES 1994", 14 ANOS APÓS A SUA GRAVAÇÃO

Ouça: www.myspace.com/oshabitantes

A decisão de mostrar as músicas gravadas há 14 anos atrás vem resgatar, nesses tempos de difusão mais democrática de Internet, o espírito de um CD gravado em 1994 que nunca teve acesso à divulgação da imprensa especializada, nem às gravadoras e muito menos às estações de rádio. Um dos poucos críticos da época que deu retorno às tentativas de divulgação da banda disse que aquele era um dos CDs de música pop mais bem produzidos no Brasil naquela época [dentro dos recursos de uma banda independente gravando em um estúdio de 8 canais em Divinópolis]. Ele profetizou também que se não ocorresse um lançamento oficial dentro de um esquema de uma grande gravadora, nenhum jornalista ou imprensa daria atenção, pois a proposta, desde o início, era a busca do tão sonhado “pop perfeito”, sem nenhuma apelação para espíritos de vanguardas ou coisas estranhas ou exóticas que garantiriam uma atenção da “mídia gratuita”. Outro crítico, verbalmente justificando por que não iria divulgar aquele trabalho, explicava com “ares de autoridade”, que a música era até boa, mas algumas letras eram muito ingênuas e bobas. Para exemplificar, ele escolheu a canção que considerava como a pior letra da banda: “CANTIGA”. A banda revelou, então, para sua vergonha e decepção, que aquela “pior letra”, boba e ingênua, era apenas uma poesia de MANUEL BANDEIRA (1886-1968), musicada por Gedley Braga. Ver como as coisas funcionavam não deixava de ser decepcionante para todo o grupo, naquele momento, realmente ingênuo e crédulo de que a força de um trabalho poderia fazer cumprir sua missão de chegar ao público. Deixaram o tempo passar. Cada um seguiu seu próprio rumo profissional.

PEQUENA BIOGRAFIA DA BANDA

Os Habitantes é uma banda formada inicialmente por Gedley Braga e outros integrantes em Belo Horizonte, entre 1991 e 1992. Houve um período muito fértil de composições, com várias parcerias entre os membros, mas após 10 anos residindo naquela cidade [desde 1983], Gedley Braga decidiu retornar para sua cidade natal, Divinópolis [cidade a aproximadamente 100 km de Belo Horizonte].

A partir daí, a banda foi alterando sua configuração original até chegar ao trio: Cláudio José, Gedley e Rodrigo Fonseca Rodrigues, todos de Divinópolis. A partir do início de 1993, Gedley e Rodrigo começaram a idealizar e trabalhar o CD que gravariam nos últimos meses daquele ano e no início de 1994. Avesso a shows naquele momento [Os Habitantes realizaram apenas três shows em sua carreira], Gedley priorizava o entusiasmo pela composição e pelos trabalhos de estúdio. O arquiteto Cláudio José, membro de outra banda que fez história rápida em Divinópolis [Usina Gravatá] foi convidado para colocar guitarras em algumas músicas e acabou se integrando definitivamente ao pequeno grupo. Ao finalizar as mixagens em 1994, deparava-se com uma era de transição entre o analógico e o digital. A matriz digital foi transformada em uma “fita cassete demo” com edição de 200 cópias com capa e encarte (pois a produção do CD em pequena escala era ainda inacessível financeiramente). Enviaram a fita para jornalistas, revistas e para todos os amigos. E pronto... Não houve nenhuma repercussão. Nunca fizeram um show de lançamento. Pouco tempo depois a fita DAT máster original foi transformada em apenas três CDs, um para cada membro da banda. Sem muitos estímulos, a banda se dispersou [nunca houve um “final”, mas uma dispersão].

Naquele mesmo ano, 1994, Rodrigo Fonseca Rodrigues, o único músico profissional da banda, viajou para Portugal para uma temporada de vários meses e depois entrou para a carreira acadêmica [hoje já é PhD], transferindo-se definitivamente para Belo Horizonte. Nesse período, estuda teoricamente a música eletrônica e seus meios de difusão, com a publicação de artigos e um livro sobre o assunto.

Gedley continuou com a sua carreira de artista plástico multimídia e com os trabalhos de conservação e restauração [em 1992, ele havia obtido o título de “Especialista em Conservação e Restauro” na pós-graduação do CECOR/EBA/UFMG]. No final de 1997, após temporada de três meses em Londres, transferiu-se para São Paulo para atuar por nove anos [1997 a 2006] como o coordenador do Laboratório de Conservação e Restauro do Museu de Arqueologia e Etnologia [MAE] da USP. Nesse período, Gedley continuou os estudos acadêmicos, concluindo o Mestrado em 2003 e o Doutorado em 2008, ambos na área de Ciência da Comunicação na ECA/USP. As artes plásticas continuam em foco, com a realização de duas individuais em uma das mais importantes galerias de arte contemporânea do país, o Gabinete de Arte Raquel Arnaud, São Paulo [Love & Hate – 2005, e “Obra Póstuma”, em 2008]. A partir de 2006, Gedley volta a trabalhar com música [vide www.myspace.com/bragagedley e www.myspace.com/gedleybraga] fortemente estimulado por um encontro casual com Lina de Albuquerque, em Belém do Pará. Ambos estavam a trabalho e descobriram, além das afinidades musicais, serem vizinhos de bairro em São Paulo. Tendo o “MYSPACE” como plataforma inicial de divulgação, são vários os projetos de Gedley e Lina já desenvolvidos a partir de um núcleo intitulado LAVADEIRAS e seus diversos convidados [www.myspace.com/lavadeiras, www.myspace.com/costureiras, www.myspace.com/mistylavadeiras].

Cláudio José continuou em Divinópolis como um arquiteto bem conhecido [e um grande colecionador de CD, DVD, VHS, LD e agora MP3]. Era o maior entusiasta da turma, o que queria sempre shows e imaginava milhões de edições especiais para colecionadores de milhões de versões das músicas e vídeos de Os Habitantes, embalagens especiais, Box Set etc. Ele nunca se conformou com a dispersão da banda: colocou a sua guitarra em seu suporte e nunca mais quis tocá-la. É o único que produziu "biologicamente" um “filho”, Lourenço. Vive sempre às voltas com idéias mirabolantes de abandonar a arquitetura, mandar tudo para os ares e voltar a tocar. Mas a arquitetura não o abandona, é um caso de "amor e ódio", pois ele é um arquiteto cada vez mais solicitado na região de "Divineland", a "Pasárgada" para "Os Habitantes".

E aqui estamos. Sejam bem vindos ao ano de 1994.

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Léo Lago
 

Infelizmente, uma história que se repete com muitas e muitas bandas... Ficam as boas memórias, pelo menos.

O "causo" do poema do Manuel Bandeira foi ótimo... rs

Vou pegar os sons no MySpace, depois vê se coloca aqui no Overmundo também. Dá para colocar o álbum todo no banco de cultura (se é que você já não sabe disso... rs).

Léo Lago · Rio de Janeiro, RJ 15/4/2008 16:19
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Ricardo e Raphael
 

Votado com louvor!!!

Ricardo e Raphael · Campo Grande, MS 18/4/2008 13:39
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daimao
 

Muito bom mesmo!

daimao · Rio de Janeiro, RJ 18/4/2008 13:41
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Spírito Santo
 

Gedley,

Massa! Fiquei muito a fim de ouvir esta onda.

Abs

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 18/4/2008 14:13
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Zezito de Oliveira
 

Gedley,
Li o texto e lembrei de algumas palavras proferidas pelo Ministro Gilberto Gil e que tem a ver com o que você escreveu: “(...) Há muitas iniciativas culturais que nascem, e na maior parte das vezes morrem, nas periferias e no interior do nosso país, sem que o Brasil possa se dar conta de quanto talento é capaz o seu povo..”
Por outro lado, com as novas tecnologias é possivel encontrar outras portas e janelas para dar vazão a tanto talento que antes ficava dependente de alguns centros de decisão para se expandir. Ainda não ouvi as músicas, mas o texto que você escreveu me deixa com uma expectativa muito positiva em relação ao trabalho.
Abraços,

Zezito de Oliveira · Aracaju, SE 19/4/2008 17:29
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bábe grilo
 

Oba!!!
Pois é... conheci Gedley aqui em Passos, divulgando suas pinturas maravilhosas e quando percebeu minha verdadeira paixão pelo som dos Habitantes, deu-me uma das 200 k7 originais, que converti pra cd e venho desde então (+ de 10 anos) mostrando regularmente pra todo mundo... acho que sou o maior fã dos Habitantes e só agora fiquei sabendo do CD... Essa história está só começando!!! Esse disco é realmente demais.
Vida longa Gedley!
Saúde e paz.
Bábe Grilo - Passos/MG

bábe grilo · Passos, MG 17/8/2009 10:57
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