Artigo autorizado pelo autor, o escritor e professor de literatura, Luis Augusto Fischer, descrevendo sua percepção sobre o trabalho do grupo cultural Bataclã FC, de Porto Alegre, sul do Brasil.
BATACLÃ MATADOR
Um dos motivos da profunda simpatia entre a canção popular e o ouvinte brasileiro mora num aspecto não óbvio, mas muito atuante. Trata-se do seguinte: a canção brasileira conquistou o brasileiro por ser um veículo do qual sempre se pode esperar que comente, examine, explique o que está acontecendo, com os indivíduos, com a cidade, com a época. Se pode esperar porque assim tem sido, pelo menos desde Noel Rosa: o cancionista é o sujeito que observa a mesma vida que eu vivo, só que ele pode dizer, de modo articulado, compreensível, comunicativo, como é que essa vida funciona.
E assim passaram as gerações de Noel e Ary Barroso, de Geraldo Pereira e Lupicínio Rodrigues, de Luiz Gonzaga e Adoniran Barbosa, de Dolores Duran e Maysa, de Tom e Vinícius, de Caetano e Chico, de Aldir Blanc e João Bosco, de tantos que nunca caberiam aqui. Chegados os anos 80, tudo isso ganhou a companhia generalizada do rock, antes restrito a um circuito pequeno; e nos 90, quando para ouvidos mais conservadores parecia que o fôlego da canção parecia ter acabado, nova rodada de misturas, Chico Science à frente.
À frente de quem? Uma agrupação que segue a linhagem comunicativa dessa grande tradição brasileira se chama Bataclã FC e pode ser encontrada no ônibus e nas ruas de Porto Alegre. Agora eles largam um segundo disco que é uma maravilha, uma verdadeira jóia: Assim Falou Bataclan. Um daqueles discos que vale a pena ouvir e reouvir, porque nos comove e nos ajuda a ver o mundo.
Do ângulo musical, o cardápio é rock, samba rock (com levada beeeeeem porto-alegrense), samba, mas também milonga, ponto de macumba, hip hop e sabe-se lá mais o quê, num caldeirão entusiasmante: não é só pelos riffs de guitarra ou os scratches geniais que vão pontuando as faixas, não é só pela forte energia do canto e da execução musical, não é só pelo entranhamento das letras na vida da cidade – é por tudo isso somado ao ângulo crítico de leitura do mundo. Em suma: tri, mais um marco na história da canção brasileira, desta vez debruçada sobre a matéria-prima desta cidade aqui.
ehehehehe... isso aí, titio.
dMart · Porto Alegre, RS 30/11/2006 18:56pode ouvir nosso primeiro CD "Armazém de Mantimentos" direto no site www.bataclafc.com.br e músicas do novo CD "Assim Falou Bataclan" baixando pelo blog do jornalista e músico Rodrigo DMart http://rodrigons.blogspot.com/2006/09/o-sopapo-toca-de-novo-assim-falou.html Se quiser marcar um bate-papo com a gente, faça contato pelo alebarreto_capta@yahoo.com.br ou 51-9215-7970
Alê Barreto · Rio de Janeiro, RJ 1/12/2006 16:01Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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