Brasil.gov.br Petrobras Ministério da Cultura
 
 

BBB: show da vida real?

Divulgação
Eles não são a cara do Brasil?
1
Flávio Herculano · Palmas, TO
11/1/2007 · 83 · 7
 

Está começando o maior espetáculo brasileiro da “vida real”, a principal fábrica de celebridades instantâneas do país. Senhoras e senhores, entra no ar a 7ª edição do programa Big Brother Brasil, vulgo BBB, agora com novidades: a versão caliente BBB Só Para Maiores, que será exibido nas madrugadas, pela Rede Globo de televisão; e as câmeras exclusivas nos banheiros e na piscina da casa, para o deleite dos assinantes do portal Globo.com. Mais invasivo que nunca.

Os personagens da novelinha já foram apresentados. Com média de idade de apenas 25 anos, diversos sendo loiros (mesmo que oxigenados) , eles exercem profissões tão díspares como as de modelo, hostess, tradutor e produtor de marketing. Um quadro inverso à realidade brasileira, em que a perspectiva de vida é de 71 anos, negros e pardos representam 45% do contingente populacional e em que a maioria das pessoas trabalha nos setores de serviços, na área agrícola ou no comércio, segundo dados do IBGE. Em um país em que a população oscila, cada vez mais, entre pessoas subnutridas ou com sobrepeso, o programa se apega à estética da mídia, escalando integrantes de porte atlético. Todos eles. Ainda assim, o BBB é chamado de “show da vida real”!

Com certeza, o Big Brother Brasil não se assemelha em nada à minha vida. Não me pareço com aqueles personagens nem vivo confinado em uma mansão, alternando meus horários entre piscina, academia de ginástica e confabulações em grupo.

Mas resta um único alento. Numa tentativa de simular a diversidade brasileira – ou simplesmente consolar segmentos marginalizados - , foram escalados um participante negro e outro nordestino, do total de 16 integrantes do programa. A mesma fórmula das edições anteriores.

Contribuições
Em um mundo em que a influência de um artista é medida por seu tempo de exposição na mídia, e não mais por sua produção cultural, o BBB traz grandes contribuições. Em um mundo em que a curiosidade sobre a vida íntima dos famosos não para de crescer, a ponto de tornar imperceptível o limite entre o público e o privado, o BBB é emblemático.

De um dia para outro, o programa eleva um grupo de anônimos à categoria de estrelas globais. Para o bálsamo de milhões de telespectadores, pode-se acompanhar, em horário nobre, seus dramas e romances, o desenvolvimento de amizades e desafetos e até suas trocas de roupa.

Tudo isso mostrado em ângulos e closes estratégicos. Tudo editado de maneira a acentuar os traços da personalidade de cada participante, criando os personagens típicos de um folhetim. Uau! Nenhuma novela é tão convincente, tão “real”. Nenhuma revista ou programa de fofoca jamais conseguiu ser tão detalhista.

Ao público, não interessa que a fama destes personagens seja passageira – como é de todas as outras celebridades instantâneas (incluindo as clássicas marias-chuteiras, marias-pandeiro, as inúmeras “modelo-atriz-e-dançarina de pouca roupa” e as passistas que se destacam a cada Carnaval). O bom é devorá-las. A digestão é rápida, mas logo é oferecido o prato seguinte.

compartilhe

comentários feed

+ comentar
Fernando Mafra
 

Muito interessante o texto, gostei da colocação "Em um mundo em que a influência de um artista é medida por seu tempo de exposição na mídia,". Uma vez vi num documentário o comentário de que antigamente (talvez até os anos 50 ou 60) as pessoas que realizavam algo extraordinário devido à reflexões e opiniões inteligentes tornavam-se famosas. Hoje é o reverso, as pessoas tornam-se famosas e delas espera-se que façam algo extraordinário ou opiniões inteligentes.

Esperto foi o Zé Wilker, que ao ser perguntado sobre política disse que é apenas um ator, que não deve ficar palpitando sobre o que não sabe. Outros "artistas" deviam seguir esse exemplo.

Fernando Mafra · São Paulo, SP 11/1/2007 18:26
4 pessoas acharam útil · sua opinião: subir
DiogoFC
 

Desculpa, essa me parece uma discussão ultrapassada. Há anos alguém diz "a realidade retratada na TV não é a do povo brasileiro" sobre novelas e alguém responde que "o povo gosta de ver riqueza, não pobreza". Não saiu conclusão nenhuma e perdeu-se na irrelevância. O melhor a fazer é abandonar o BBB e quem assiste à própria sorte, do q ficar rendendo.

DiogoFC · Criciúma, SC 12/1/2007 11:53
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
s. fontes
 

Muito oportuno seu texto. É incrível como a Globo consegue manter por sete anos seguidos, com ares de novidade, um formato que já expirou todos os recursos possíveis, e só sobrevive às custas do fake transfigurado em realidade.

s. fontes · Palmas, TO 12/1/2007 18:03
sua opinião: subir
Gustavo Gama
 

O engraçado disso tudo é que toda crítica ao BBB é tida como "opnião chata" e elitista. E quanto a utilidade do programa, ele realiza exatamente o que se destina: transformar tudo em produto. Ali tudo é vendido, desde espaço publicitário até corpos sarados de mentes vazias! "Wel kome to de jangle!"

Gustavo Gama · São Paulo, SP 24/1/2007 16:34
sua opinião: subir
Bárbara Gegenheimer
 

Bacana que esse BBB7 não teve um pobre, humilde, banguelo. Pode até ter negro e nordestino, mas de corpo sarado, fashion e que só fala porcaria. Acho sim que toda a discursão sobre o que é veiculado na mídia, e principalmente na Globo, é válido. Somos nós os bestas que consumidos toda essa avacalhação do BBB. E se, de alguma forma nós pagamos pelo que vemos, e não são todos que gostam de assistir, tem sim que reverter o quadro e lutar pelo nosso direito de cidadania. O povo não só gosta de ver riqueza, como deve ter critério pra saber se é válido ou não essa consumo exarcebado pelo o que cabe somente ao nossos olhos e foge as nossas mãos.

Bárbara Gegenheimer · Viçosa, MG 11/2/2007 18:19
sua opinião: subir
Calu Baroncelli
 

A Globo fatura, a cada paredão, o equivalente ou mais do que pagará como prêmio (até aí cada um gasta sua grana como quer) O que mais me entristece nisso tudo é o fato de que o povo vai lá votar pra alguém sair, mas não lembra nem em quem votou na última eleição...

(sobre o comentário do colega Mafra sobre a fala de Zé Wilker, totalmente compreensiva, só coloco o seguinte: ele está correto, porque ele é um artista que não está envolvido com política. Porém, existem muitos artistas (inclusive aqui em SP) que são sim envolvidos com políticas culturais, e que podem e devem dar palpite. É o meu caso, porém, eu não sou conhecida, não estou na mídia e não apareço pra dar palpite na TV! O Movimento Arte Contra Barbárie pode ilustrar um pouco isso).

Abraços fraternos.

Calu Baroncelli · São Paulo, SP 15/5/2008 18:21
sua opinião: subir
Calu Baroncelli
 

Ah, e claro, comentar sobre o texto totalmente pertinente.

Se querem que o BBB seja a "cara do Brasil", então sugiro o seguinte: coloquem na mesma casa um mendigo, um flagelado à beira da inanição, um analfabeto, um artista (de preferência o que passa o chapéu pra ganhar um troco), um interno da Febem, um traficante e, para equilibrar, um político corrupto (candidatos não irão faltar). Ah, não se esqueça do policial e do jogador de futebol.
Aí, quem sabe, nos olhemos no espelho da nossa realidade e enxerguemos onde é que está a verdadeira "cara do Brasil", esta sim ainda muito distante das lentes das câmeras e das telinhas de TV.

Calu Baroncelli · São Paulo, SP 15/5/2008 18:26
sua opinião: subir

Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.

filtro por estado

busca por tag

observatório

feed
Instituto Overmundo pesquisa a cadeia produtiva da música no Rio de Janeiro

Está no ar o blog de pesquisas do Instituto Overmundo. Você já pode encontrar lá os primeiros dados da pesquisa “Análise de modelos de negócios... +leia

revista overmundo

Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!

+conheça agora

overmixter

feed

No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!

+conheça o overmixter

 

Creative Commons

alguns direitos reservados