BELAIR, o filme e sua inspiração

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Rai Junior · Rio de Janeiro, RJ
17/6/2011 · 8 · 2
 

Quando a gente fica trabalhando direto no mesmo ofício, sem revisá-lo como deve e sem experimentá-lo como regra, o produto acaba parecendo como massa de pão. A gente sabe quanto de farinha, quanto de sal e quanto de fermento precisamos colocar pra termos um pão macio e que vai fazer sucesso. However, o pão é o mesmo todo dia, os companheiros padeiros também e não se acha coisa muito diferente no bairro, já que o seu produto é bom e as outras padarias, para poderem concorrer bem, fazem praticamente uma receita igual a tua.

Assisti “Belair” hoje, um filme experimental sobre a produtora de Bressane e Sganzerla do ano 70, que é mal classificado como “documentário” pelo UCI New York City Center, onde acho que é único lugar onde está em cartaz, ou por quem resolve classificá-lo de qualquer forma. Assisti sozinho na sala, numa sessão às 19h45, em um projetor cuja lâmpada já estava na hora de ser trocada.

O filme de Noa Bressane e Bruno Safadi trouxe inspiração, o que normalmente nos falta para fazer um pãozinho mais bem preparado no nosso dia-a-dia audiovisual. Ele trouxe a lembrança dos que faziam cinema pensando na compreensão futura, no palpite interno e indiscutível, na verdade essencial das coisas. Sinceramente conheço muito pouco dos filmes de Bressane e Sganzerla, nunca vi um filme inteiro, mas os acho tão essenciais pra nossa arte brasileira quanto a farinha, o fermento e o sal. Me dá a impressão de que aquilo que é (foi) a sinceridade no vídeo, a crença de um mundo melhor, em pessoas mais compreensíveis e cérebros mais antenados. Me parecem que exalam uma juventude que ainda desconheço bem nessa atividade que escolhi para exercer, contudo, me motivam à criação e à organização das idéias em prol de ideais.

Com certeza vai sair de cartaz daqui poucos dias e só será possível vê-lo em festivais especiais ou em mídia DVD. Ou, de repente e daqui a pouco, no Canal ou TV Brasil. Mas é tão ou muito mais importante que qualquer outro filme de sucesso atual; tão ou mais importante e inspirador quanto os próprios filmes e pensamentos de Sganzerla, Bressane e estes todos inventores do cinema do último século.

Que eles nos abençoem, amém.
E que nunca a Belair acabe.
Amém.

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alcanu
 

Enquanto isso, grassa Tropa de Elite VIII, eheheheheh !
Um beijim !

alcanu · São Paulo, SP 17/6/2011 14:16
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Rafael Queres
 

Viva o Cinema Marginal! Os alquimistas do cinema brasileiro nasceram aqui; com seu humor corrosivo, ironia debochada e ready-made da chanchada criaram um novo olhar sobre o fazer a arte.

Vale frisar que a irreverência dos "marginais" tinha um alvo certeiro, o "Cinema Novo", que, enclausurado nas "salas de arte" pretendiam criar o "povo" com seus enquadramentos panfletários. Esse cinema, patrocinado pela Embrafilme, é o que ficou na história dos clássicos. Claro, merecem reverência, não sou generalista, mas os marginais expressavam a liberdade criativa à flor da pele, desgovernada, crítica, ácida e revigorante.

Rafael Queres · Rio de Janeiro, RJ 18/6/2011 11:39
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