Sexta-feira. 8 da noite. Belo Horizonte. Você quer sair pra ouvir uma boa música ao vivo, escutar um som diferente ou mais do mesmo de boa qualidade. Mas aà você começa a revirar a internet, ligar para os amigos, para os nem tão amigos sim, tudo em busca de uma boa atração em um dos dias mais concorridos para quem quer se divertir, e você não encontrar NADA. Nenhum evento original, nada que valha a pena sair de casa antes do fim da novela. Aliás, entre as serras mineiras, a opção televisiva parece ser a que menos decepciona, pois os capÃtulos "favoritos" aqui estão mais atraentes.
A pergunta é: como a terceira capital do Brasil, maior paÃs da América Latina, pode não ter vida cultural? É um absurdo ter de depender de casas de samba, forrós e de rock já batidos para se divertir em uma cidade com mais de 3 milhões de habitantes. (com todo respeito a estes lugares, pois sou um dos que fazem destes lugares ficarem batidos).
Onde estão os guetos do choro, os criativos do jazz, a alma dos artistas do soul de Minas Gerais e a alegria dos sambistas sempre animados?
Se todos os que curtem as baladas (balada no sentido de curtir uma noite, não importa o som) resolvessem sair para os únicos lugares abertos na cidade em um pós-pré-feriado, certamente entupiriam as casas "batidas" e uma nova moléstia belo-horizontina surgiria: as filas.
Fica aqui um apelo para os produtores culturais pensarem em alternativas mais atraentes para levar cultura e eventos de qualidade aos habitantes de Belo Horizonte. Sei que minha opinião vai ser criticada por muitos, mas tenho plena consciência de que o mineiro da capital freqüentador da noite vai concordar comigo. E que este apelo vire realidade!
Acredito que o problema seja mais comum do que se pensa. Aqui no interior o sonho é levar algo de qualidade a um público mais amplo e crÃtico. Em recente trabalho de publicação tive a alegria de poder contar com a presença do escritor Aristides Ferreira Filho, belorizontino, que enviou crônicas para a edição do livro "Poemas e outros encantos". O efeito multiplicador atraiu mais dois escritores da capital para o projeto. Acredito que é de grão em grão, da garagem, de uma simples visita que as grandes coisas possam acontecer. Amigo, concordo contigo que a realidade traz poucas opções, voce está plenamente correto senão os pontos do hibope não apontariam o sucesso das telenovelas, mas vejo também, neste quadro, uma grande oportunidade para o novo ser visto. Há mais espaço para os resistentes, os que acreditam. Junte-se a nós do Over nesta empreitada e façamos o novo. Tenhamos algo de concreto para levar ao público.
Bração
Aluisio,
Sou de BrasÃlia, mas nas vezes em que vou a BH percebo exatamente esta falta de opção cultural a que você se refere. Cadê o pessoal do Clube da Esquina, os ótimos músicos de Minas, os excelentes grupos de teatro mineiros, os artistas plásticos? O povo que prestigia boa arte em BH tem que se manifestar e cobrar bons espetáculos para que os produtores se animarem a programar bons eventos e saberem que haverá público.
Creio que há um pouco de exagero no texto, mas a reflexão sobre assunto é interessante. Um abraço afetuoso, Faraó
Aluisio,
Há algum tempo fiquei sabendo da publicação da agenda cultural da periferia em BH. Mesmo que não tenha havido continuidade da iniciativa é um caminho que deve ser inserido em sua busca.
Já que é nos morros, nas vielas e nas quebradas onde acontece muita coisa legal e interessante. Neste sentido é importante que o espaço da agenda do Overmundo seja mais utilizado.
Abrs,
Esse é o clamor de todos os lugares. Há massificação demais e opção de menos.
Solidária a seu grito!
Abraço!
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