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Blog Conta Dia-a-Dia da Produção de um Longa

Fotografia: Cícero Rodrigues
Susana Ribeiro e Isaac Bernat durante os ensaios para o filme
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David França Mendes · Rio de Janeiro, RJ
18/9/2006 · 93 · 4
 

Comecei segunda-feira passada, dia 11/9, a filmar o meu primeiro longa-metragem de ficção como diretor. Adaptado de um livro de Sérgio Sant'Anna, "Um Romance de Geração" é uma produção independente, em que eu me aliei a atores e equipe para poder filmar. Não temos, nem até agora pedimos, nenhum patrocínio. Quem se interessar em acompanhar o que se passa no set de filmagens, e na cabeça do diretor, pode ficar de olho no blog que fica em http://umromancedegeracao.wordpress.com .

Em Um Romance de Geração, as Notas do Subterrâneo, de Dostoievski, encontram As Mil e Uma Noites. Um escritor quase esquecido precisa inventar histórias que na verdade não está escrevendo, para com essas histórias seduzir a jornalista que o está entrevistando, e assim reconquistar a fama e a notoriedade e, quem sabe, superar a depressão que o impede de escrever.

“O grande romance de uma geração, de várias, de muitos de nós, um emocionante vôo da criação escrita.”

Nelson Motta, sobre Um romance de geração, em O Globo

A Produção

Baseado num livro de Sérgio Sant’Anna, escritores brasileiro traduzido em mais de quinze países, “Um Romance de Geração” é uma produção absolutamente independente, e é essa independência que torna possível a sua ousadia: uma mistura de ficção e documentário que lembra filmes inovadores, a seu tempo, como Looking for Richard, de Al Pacino, e Vanya on 42nd Street, de Louis Malle.

Um Romance de Geração está sendo todo filmado em uma única locação (um estúdio fotográfico em Laranjeiras, Rio de Janeiro), com apenas algumas imagens de exterior produzidas em foto, buscando reproduzir o estilo visual da época em que a ação se passa: os anos 70. No estúdio, se alternam as cenas do encontro entre o escritor e a jornalista com momentos em que o elenco do filme discute com o diretor, David França Mendes, e com o próprio Sérgio Sant’Anna, autor do livro, os impasses de uma adaptação como aquela.

A originalidade não termina aí. Para o papel da jornalista, três atrizes diferentes se alternam, buscando uma variedade inebriante de tons, atmosferas e humores. O efeito cômico dessa troca incessante será (espero!) irresistível, e ainda irá gerar um outro produto: o DVD de “Um Romance de Geracão” poderá incluir não só a edição final “oficial”, com as atrizes se alternando, como também três outras versões, cada uma delas estrelada por uma atriz só. O mesmo filme, em DVD, terá quatro versões.

Falando em atores e atrizes, o elenco de “Um Romance de Geração” é um dos seus maiores trunfos. Isaac Bernat, Susana Ribeiro, Lorena da Silva e Nina Morena são atores com importante currículo nos palcos e nas telas.

O diretor e roteirista do projeto, David França Mendes (ou seja, eu!), descrito pelo L.A. Weekly como “an efficient, inclusive storyteller” quando do lançamento nos Estados Unidos de “O Caminho das Nuvens”, teve seus filmes exibidos e premiados em festivais no Brasil e no exterior, tendo ganhos diversos prêmios e nomeações, sendo o mais importante deles o de ter sido um dos três finalistas do cobiçado prêmio Sundance-NHK Latin America, em 2001.

O filme deverá estar pronto para exibição em março de 2007.

Sérgio Sant’Anna – O Autor

Sérgio Sant’Anna nasceu em 1941 e estreou na literatura em 1969, com os contos de “O sobrevivente”. É autor de livros como “A Senhorita Simpson”, “A Tragédia brasileira”, “Um crime delicado”, “O vôo da madrugada”. A inquietação é uma das marcas de Sant’Anna, sempre em busca do aperfeiçoamento formal e autor de muitas histórias ambientadas no Rio de Janeiro, boa parte dos contos com referências ao teatro e às artes plásticas. Na sua literatura, o homem em geral se depara com os próprios limites. É um escritor inquieto, com uma obra, como ele reconhece, “sempre em transformação, construída devagarinho”. O autor tem contos e romances traduzidos e publicados em mais de quinze países, entre eles Estados Unidos, França, Alemanha, Argentina, Cuba, Bulgária, Tchecoslováquia, Suiça, Bulgária, Holanda, Itália e México.

***

“Sant’Anna’s early stories published during the initial years of dictatorship that lasted untill the 1980s, are disarmingly sparse and surprising effective the minute quotidien frustration in a society bereft of means of expression. His subsequent work is laced with obliquos humour. His take on the pantomine world of Brazil’s populist politics, Notas de Manfredo Rangel, Repórter, exhibits an eye for the ridiculous, but also a gift for empathy.”

Angel Gurria-Quintana – Finantial Times Magazine

“Sérgio Sant’Anna latest addition to a bibliography comprising some of the period’s most significant novels and short-story collections in his most original. Its boundless lyric qualities, suggestive too of yin and yang, make A tragédia brasileira a dichotomy interwoven in sympbiotic embrace and beckoning successive reinterpretations.”

Malcolm Silverman, World Literature Today

"Son oeuvre sans concessions fait de Sant’Anna un auteur incontournable source d’inspiration et référence importante pour la toute nouvelle et effervescente scène littéraire brésilienne.”

Rachel Bertol, Le Monde

“Sant’Anna é um colecionador de fiéis e ansiosos leitores, e agora eles tem razão de sobra para se preparar para mais alguns momentos de refinado prazer.”

José Castello, sobre Um crime delicado, revista Isto É

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Helena Aragão
 

Oi David. Fiquei bem interessada, instigante. Pelo visto a história é toda composta no diálogo dos dois personagens. Fiquei curiosa com o livro tb! Sérgio Sant'Anna é mestre!
Fiquei com vontade de fazer um comentário mas demorei porque tive medo de soar como uma crítica e não é a intenção (ainda mais de algo que não vi!). Mas pelo que li no seu texto a estrutura do roteiro é como a de uma peça de teatro (será que estou viajando?). Porque esse artifício de fazer diretor e autor conversar com o elenco sobre o enredo acho que já foi utilizado algumas vezes no teatro, não? Mesmo a coisa de usar atrizes diferentes no papel de protagonista me remeteu ao teatro... Há esse diálogo mesmo com os recursos usados em peças ou eu que fiz uma ligação maluca?? Outra coisa que eu queria comentar - mas deveria ter feito enquanto o texto estava na fila de edição (atraso meu!) - é que, na minha opinião, seria simpático traduzir os trechos de matéria citados em outras línguas para o português. Abraço!

Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 19/9/2006 12:46
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David França Mendes
 

Oi Helena

Você não viajou, não. Embora não seja minha intenção fazer um filme teatral (pra ser sincero, nem sei se isso existe), há referências a idéias teatrais, e não é à toa. O livro do Sérgio é escrito em forma de peça de teatro - isto é, é de alto a baixo um diálogo - e tem como subtítulo "Comédia Dramática em Um Ato". Fora isso tudo, os personagens o tempo todo se referem a arte: falam de teatro, sim, mas também de cinema e de literatura todo o tempo.
Então, o mais importante não é propriamente a relação com o teatro, mas a tentativa de traduzir o gosto/inclinação metalinguístico do Sérgio. O que eu estou tentando fazer é um filme de ficção que ao mesmo tempo é um documentário sobre a construção da ficção. Então, tudo é feito para lembrar o espectador de que o que ele está vendo é a ficção - cinematográfica, e não teatral - sendo construída.
Quanto à tradução dos textos, você tem toda razão e eu peço desculpas por não ter feito, mas me faltou tempo. Afinal, estou no meio das filmagens!
Abraço, obrigado pelo comentário, e espero que você apareça lá no blog do filme. :)

David França Mendes · Rio de Janeiro, RJ 19/9/2006 13:23
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Helena Aragão
 

Legal, David. Valeu pela resposta rápida. Vou lá no blog sim!

Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 19/9/2006 15:16
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Roberto Maxwell
 

Boas filmagens, rapaz.

Roberto Maxwell · Japão , WW 30/11/2006 12:38
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