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O Overmundo foi pensado para trazer à luz a cena cultural brasileira, independente da grande indústria cultural e que, justamente por ser independente, não costumava figurar com destaque nos grandes meios de comunicação. Algum tempo passado, constatamos que ainda há muito o que fazer e que, a cada dia – sobretudo com o advento da internet colaborativa e de ferramentas de autopublicação... leia

 
BLUES EM CAMPÃO – HABILIDADE ETÍLICA
Bia Marques · Campo Grande (MS) · 24/6/2006 18:50 · 60 votos · 8 comentários ·  
 
1
overponto
www.bebadoshabilidosos.com.br

CENA 1
Madrugada de um fim da década de 80 do século passado, quando a insônia batia e era possível andar pela cidade plana sem medo, só buscando o sono.
Ruas e vielas arborizadas. Silêncio, trânsito quase nenhum.
Acordes ao longe.
Estaco. Lembro da terra natal, e o saudoso festival de Ribeirão Preto.
O compasso, o ritmo, não pode ser, mas é. A isso chamam blues.
Em plena Campo Grande de polcas e guarânias uma guitarra chora ao som da voz rouca.
Atento para o rumo e persigo.
Um sobrado, parece um bar: Adrenalina, em plena Fernando Corrêa da Costa que naquele tempo tinha outro nome...
Entro e sidero.
Encostado num canto do palco, um ser magro, alto, canta: Baby, please don’t go...
Guitarra e baixo dão o tom, a bateria acompanha.
Era Blues Band na área, em sua formação inicial. Renato Fernandes é o elemento da voz e das letras. Fábio Brum, um prodígio da guitarra. Mário Pezão na batera e o baixo quem era mesmo? Recorro à memória aditivada de Marcos Yalouz (Bando do Velho Jack) que também tocou na Blues Band. O baixista naquela época era o Alfredo... Fiz amizade com o povo que circundava a banda. Dancei e bebi até o dia clarear. Voltei pra casa e Campo Grande ficou mais encantadora pros meus olhos.

CENA 2
Tieta’s Bar, reduto arco-íris de todo tipo de gente.
Entro com meu visual riponga só pra comprar um cigarro e ta lá o som.
Desta vez tem Alex Sodré junto e as vozes fazem blues e rock’n roll da melhor qualidade para o público mais eclético que já vi num espaço tão pequeno.
Depois foram tantos bares e lugares que se pode contar a história dos places underground de Campão a partir das apresentações da Blues Band:
Bar Artes, Sucão, Chácara Bar, Farol, Buteko, Stones, Fly... Numa ou outra noite você saia e topava com as criaturas daquela banda. Marcos Yalouz era o mais tranqüilo e menos etílico, o restante bebia até a última e ainda pedia mais uma dose.
Diversos músicos passaram pela formação da Banda. O coração sempre se manteve batendo forte: Renato Fernandes, bebendo, vivendo, compondo e cantando ao som da guitarra de Fábio Brum até bem recentemente.
Outra memória surge do baú.

CENA 3
Farol bar, com mesas e garçons, palco, luz e espaço. Minha primeira hand cam na mão, muitas doses duplas na corrente sanguínea, gravo o primeiro vídeo clipe da Blues Band, que nessa época já tinha até uma flâmula lindona feita pelas mãos talentosas da artista plástica Cirlene Brum, não por acaso mãe e fã número 1 do guitarrista. Já era Edney na bateria e Yalouz no baixo.
Na hora de editar o material, constato aflita, nenhuma imagem fixa. A lente girava, dançava, rodopiava ao som da banda e acho que só Dona Cirlene pode ainda ter a fita que presenteei à banda. Tempos idos.


CENA 4
Formada por ex-membros da "Blues Band" - considerada a primeira banda de blues do MS - a banda "Bêbados Habilidosos" tem como ponto comum a paixão pelo ritmo nascido às margens do Mississippi: O Blues.
Amigos que tocam juntos há mais de uma década, o negócio deles é realmente a boemia retratada pelas composições da banda, todas calcadas no ritmo e suas vertentes mais próximas, do soul ao rock´n roll clássico. Seu repertório é formado 90% de composições próprias e os 10% restantes se completam por clássicos do gênero. De B.B. King a James Brown, claro que nunca deixando de lado o improviso, tão característico do blues.
Tendo o bar como maior referência, "os Bêbados" como são sempre chamados, não se sabe bem porquê - já tocaram em diversos lugares da cidade nesses dez anos. Do Aero Rancho à Penitenciária. Sempre tendo a diversão - e alguma boa grana, claro - como objetivo maior. Havendo 10 pessoas ou 1.000 na platéia, não faz muita diferença. A paixão pelo que fazem é o que conta.

CENA 5
Formações...
Primeiro foi Blues Band
voz e letras
Renato Fernandes
guitarra e música
Fábio Brum
baixo
Alfredo - Franja – Marcos Yalouz - Marcelo
bateria
Mário Pezão – Luiz Marcelo – Bosco – Linconl (Grupo Acaba) – Ediney

Depois Bêbados Habilidosos, dois CDs (Envelhecido 12 Anos e Ao Vivo)
e a formação atual:
voz e letras
Renato Fernandes = Além de vocalista e compositor da banda, Renato também é considerado a alma dos "Bêbados". Um dos precursores do Blues na cidade, Renato é músico na noite campo-grandense há mais de 15 anos. Desde os tempos do velho "Jota Jota" na Av. Afonso Pena... Não é a toa que brincam com ele, chamando-o vovô da banda.
Depois de tantos anos de trabalho ele acredita que os "Bêbados" podem mostrar a qualidade que possuem em outros mercados, especialmente agora que conseguiram atingir um nível que ele considera muito bom.
Enquanto ainda não dá para ganhar muito dinheiro, Renato procura ao menos se divertir na noite. É um prazer poder fazer o que gosta e quando não está no palco pode ser visto tirando sarro dos outros em companhia dos amigos. Pode parecer um pouco estranho às vezes, mas só para quem não o conhece. Último detalhe: apesar da fama, ele não é carioca. Mesmo tendo passado quase toda sua infância no Rio, Renato nasceu em Teresina, no Piauí.

guitarra
Rodrigo é o fera que assumiu o posto quando Fábio Brum voou pra Sampa e lá se instalou com a banda Descambo. O menino faz bonito e sua história com os Bêbados está só começando

baixo
Marcelo Rezende
O baixista da banda é músico "de berço": seu pai foi guitarrista de uma das primeiras bandas de Rock de Campo Grande; o avô tocava modas de viola; seu bisavô era construtor de violas e violões. A paixão pela música explodiu de vez em sua alma quando aos 8 anos ganhou o seu primeiro vinil: um compacto duplo de Elvis Presley. Nessa época Marcelo ainda não tinha idéia de todo o impacto que isso havia lhe causado. Aos 12 anos pediu para sua avó um violão, mas não foi desta vez. Ela achava que o neto se tornaria um "vagabundo como seu pai". Mas aos 14 anos, após conseguir seu primeiro emprego, comprou o desejado instrumento e aprendeu a tocar sozinho.
Mais tarde passou a tocar guitarra, atuando em algumas bandas de garagem. Em uma dessas bandas, após substituir um baixista, ele acabou descobrindo seu verdadeiro talento. Daí até chegar aos "Bêbados" muita coisa aconteceu. Marcelo recebeu convites para fazer parte da "Blues Band", mas na época ainda não confiava no seu potencial, preferindo ficar em casa ouvindo seus discos antigos e aprendendo mais. Suas influências são o rockabilly de Eddie Cochran, Gene Vincent e principalmente a banda Stray Cats. Além, é claro, de Elvis Presley e dos clássicos do Blues. O que Marcelo espera hoje com relação ao trabalho dos "Bêbados" é o que todos esperam: que a banda continue tendo o destaque que merece no cenário do Blues, inclusive nacionalmente, e que com isso eles possam viver fazendo o que mais gostam.

bateria
Erik Tatton, filho de Miguel, esse menino tem a música em toda sua história e sua bagagem dá o ritmo na cozinha da banda. Atua em diversos projetos musicais, um deles a proposta com pai e irmãos, tocando Beatles.

sax
Nelson Weiss, o detalhe que faltava.

CENA 6
Aquela cidade por onde perambulava a notívaga guria sozinha não existe mais. Hoje permanece a mesma intensa produção artística que cativou desde o primeiro dia. Na música, espacialmente. Do trash ao regional, passando pela polca rock e afins, ebulindo ao som de cada nova composição.
Quer mais? Aí vão links com músicas, fotos e mais sobre o bom e velho blues na capital do Matão do Sul
www.bebadoshabilidosos.com.br

www.bebadoshabilidosos.hpg.ig.com.br

www.velhojack.com.br

APÊNDICE
fotos e textos das cenas 4 e 5 = home page Bêbados Habilidosos
consulta minemônica = Marcos Yalouz

tags: Campo Grande MS musica blues


 
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Bia... parabéns pelo texto e memória de ferro. O Bêbados é sem dúvida A banda de blues e escutar o Renato cantar é uma experiencia. O primeiro disco da banda - Envelhecido 12 Anos - é um dos melhores do gênero dos últimos tempos. O Renato consegue fazer letras de blues em português convincentes até demais. Adoro e sou fã desde a década de 80 tb, quando ganhei uma fita cassete q guardo até hj. Em pleno cerrado, uma dose quádrupla de puro blues.
Rodrigo Teixeira · Campo Grande (MS) · 21/6/2006 10:02 
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Agradeço a você o cutucão que veio de Hermano. Valeu super... Uma beijoca procê.
Bia Marques · Campo Grande (MS) · 21/6/2006 17:43 
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Bia, seria importante também lembrar a passagem de uma gaita pela banda. E que eu particularmente penso que faz muita falta. Falo do Clayton Sales que tocou durante um período (01 ano aproximadamente) na banda. Pena não termos mais este grande gaitista, que inclusive foi convidado a dar uma canja pelo J.J.Jackson, quando de passagem por Bonito este ano, por ocasião de um show que andou fazendo...
Tânia Brito · Campo Grande (MS) · 28/6/2006 09:48 
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Nossa Tânia, Clayton Salles é marco na história dos Bêbados, reverência total. Valeu a memória e vamos falar de Clayton com mais labor, tem 11 anos de Blues & Derivados, a gaita e a figura que ele é! Abraço.
Bia Marques · Campo Grande (MS) · 28/6/2006 17:47 
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Oi Bia, lembra de mim?
parabéns pela super memória, foram good times,...
parece que foi ontem, rsss
O blues ainda tá no meu sangue, parece que foi ontem...
Um super beijo a vc, e um abração aos meus irmãos "bêbados e ao Rodrigo"...
mariopezao · Curitiba (PR) · 21/8/2006 13:21 
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Dá-lhe Pezão, como não lembrar de você sua possante passando em frente ao bar? Abraço
Bia Marques · Campo Grande (MS) · 21/8/2006 19:38 
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Olhai os Litros no Canto


Olhai os litros no canto
Conhaque, pinga, Martini, Cynar
E ainda o boêmio a procurar
Um aperitivo de anis para o quebranto

Olhai os litros em demasia
Destilados de incontáveis sabores
O boêmio em serpentina e poesia
Indisposição fisiologia e desamores

Olhai cada litro de bebida
Até amargas, como a vida o é
O noiteadeiro de Itararé
Aceitando desgraçar a própria vida

Olhai os semblantes perdidos
Dos viciados em aperitivos
São as paixões de seres vivos
Já pela cirrose combalidos

.............................................

Olhai os litros no canto
Se a um barista isso aprouver
Deve haver uma ingrata mulher
Fazendo o pinguço beber tanto!

-0-

Silas Correa Leite, Itararé-SP
www.portas-lapsos.zip.net



Silas Correa Leite · Itararé (SP) · 26/5/2008 10:22 
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Bebei os litros!
Bia Marques · Campo Grande (MS) · 26/5/2008 10:59 
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