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Bola de Gude: a “tecada” certeira

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Théo · São Paulo, SP
23/8/2006 · 144 · 6
 

Bolinha de gude. Não sei quanto a você, mas essa brincadeira foi parte ativa da minha infância em Bauru – ainda que, devo confessar, preferisse jogar futebol, mas isso não vem ao caso agora. O fato é que, com o passar dos anos, a bola de gude foi perdendo força, pelos menos nos grandes centros, que não deixaram muito espaço para a prática do jogo com as pequenas esferas.

A origem é incerta, confunde-se com a da própria civilização: escavações arqueológicas de, pelo menos, 4.000 a.C., no Egito e Oriente Médio, apontaram que, na época, a bolinha de gude já era popular. Na Roma antiga, o imperador César Augusto tinha o costume de parar nas ruas para assistir as partidas.

Alguém poderia até dizer que o computador e os videogames contribuíram para relegar ao (quase) esquecimento as bolinhas de gude. Porém, SLotman, apelido do programador José Lucio Mattos da Gama, um carioca de 31 anos, viu na tecnologia dos games uma forma de preservar a brincadeira. Com a cara e a coragem – leia-se: sem verba do governo ou a ajuda de uma equipe – ele criou o game Bola de Gude.

SLotman adorava jogar bolinha de gude quando criança, principalmente com os colegas da escola que estudou, na Tijuca. Recentemente, ele retornou ao local para votar e, qual ingrata surpresa, o que encontrou, no lugar dos campinhos, ideais para a prática da brincadeira, foi asfalto. Frustrado, SLotman resolveu pôr a mão na massa.

“Muitas crianças, atualmente, não têm onde jogar ou sequer sabem que jogo é esse”, explica SLotman. Como ele não tinha grana para bancar a produção, fez absolutamente todo o trabalho, da modelagem dos gráficos tridimensionais à captação do som da colisão das esferas, com o auxílio de um microfone, batendo uma bolinha na outra.

O programador bem que tentou arrumar verba, inscrevendo-se no concurso JogosBR, promovido pelo Ministério da Cultura e o Educine, mas sua proposta não foi selecionada entre as vencedoras. "Mesmo assim, resolvi prosseguir com o desenvolvimento. Foi um ano inteiro de madrugadas em claro, ralando e ainda tendo que levantar no dia seguinte para ir ao 'trabalho'", conta.

O resultado é, por assim dizer, um jogo casual. Ou seja, mesmo quem não tem muita prática com o universo dos games, se verá “tecando” as bolinhas em poucos instantes: basta manejar o mouse, escolhendo direção e força, para se divertir com Bola de Gude. É uma estratégia inteligente, afinal, este é o típico jogo com apelo amplo, então, quanto menos complicado, melhor.

Contudo, Bola de Gude guarda seus requintes: vários cenários – um, inclusive, em uma favela – e modalidades de jogo, com direito a multiplayer, via rede local ou internet, para até quatro participantes. A física das colisões das bolinhas é muito coerente, assim como os desafios da inteligência artificial, que consegue deixar você enrascado, de vez em quando.

Foi assim, de forma descompromissada, mas movido por um ideal firme e sincero, que Bola de Gude nasceu e, para a surpresa de seu criador, vem se destacando até internacionalmente. O Bytten, um popular site de jogos independentes, deu nota 98/100 ao jogo, que também tem conquistado prêmios em eventos acadêmicos no Brasil.

Epa! Espere aí: jogos independentes? Sim, são aqueles que fogem ao esquema tradicional de desenvolvimento e comercialização – algo parecido com o das bandas e CDs independentes. SLotman vende o Bola de Gude por R$ 15 através do site de sua produtora, a ICON Games, mas ainda não conseguiu ganhar dinheiro com o jogo. Para o programador, as vendas estão baixas porque as pessoas têm medo de comprar pela internet, de um site que não conhecem. "É questão de trabalhar e divulgar a ICON Games, e mostrar que é algo sério sendo feito aqui", acredita.

Falta de dinheiro, pirataria e distribuição são três grandes pedras no sapato de qualquer criador de jogos no Brasil. Ainda que Bola de Gude não tenha alcançado o sucesso comercial, reflete a realidade das circunstâncias que envolvem o desenvolvimento de muitos jogos no país, driblando os obstáculos à base da obstinação e superação. “Ter uma idéia é apenas a primeira etapa. Além da idéia, ainda é preciso muito trabalho, para desenvolver, divulgar e distribuir o produto final. E muita insistência e determinação, para não deixar os obstáculos que aparecem lhe abater”.

SLotman tem novos projetos em mente, que espera poder colocar em prática logo. Ele participou do concurso JogosBR (desta vez, a edição 2005/2006), mas sua idéia, outra vez, não foi selecionada entre as vencedoras, que receberam uma verba de R$ 30 mil, para a produção de demos jogáveis, e R$ 80 mil, para jogos completos.

Tudo bem. Faz parte do jogo (e nem foi a primeira vez). O que importa é que, no final das contas, quem quiser se divertir com a bolinha de gude moderna, já sabe como fazer. Experimente: o demo, cujo download é gratuito, pode ser baixado neste link.

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Saulo Frauches
 

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Saulo Frauches · Rio de Janeiro, RJ 22/8/2006 14:12
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Sergio Rosa
 

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Sergio Rosa · Belo Horizonte, MG 10/11/2006 17:11
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gilson · São Paulo, SP 21/2/2007 20:50
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igor_piupiu · São Paulo, SP 23/5/2007 09:33
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