Bossa & Tal

Fátima Oliveira
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1
Esso A. · Natal, RN
9/8/2008 · 135 · 4
 


pop sempre fui.
até o tutano dos ossos.
não no sentido limitador e excludente
tal qual lhe rotulam os clássicos ou eruditos, em oposição.
mas no que pode-se aplicar de mais virtuoso
e intrínseco a suas qualidades.

muito se polemiza(rá) sempre acerca dessa discussão,
e ela é útil no aprofundamento de diversas questões mais importantes que suscita, mas fútil e supérflua em seu caráter vulgar.
a atitude preconceituosa de parcela dos críticos da arte, esnobando o popismo em contraposição aos preceitos do relativo bom gosto de suas opções estéticas, só reafirma a presunção de uma classe pretensiosa, desejosa de posicionar-se continuamente como liderança intelectual hegemônica, sobrepujando outras possibilidades criativas.
ao longo da história vimos quebrando barreiras, diminuindo o fosso entre as convenções que insistem em distanciar conceitualmente os diferentes modelos existentes e possíveis. não é uma questão assim tão simples, ao mesmo tempo sendo.

de modo que, tendo minha música um caráter tão popista, ao decidir apresentar o meu primeiro disco sob o signo dos símbolos ligados naturalmente aos fundamentos da música popular brasileira, aspecto que realço entre as 10 faixas constantes do cedê, ouso dizer que a postura adotada desde o princípio de minha entrada para o time da música ao fazer 21 anos, permaneceu firme e lúcida, sempre tendendo para uma simplificação do simples, sem deixar a conotação pejorativa soar, seja na qualidade ou em quaisquer outros detalhes desse percurso ativo, mesmo quinze anos depois, o que evidencia a coerência dos projetos.

pela certa cobrança e necessário processo visando a estruturação de um repertório coeso, amarrado em seus pontos justamente por traços que incidem sobre o todo, é que nasceu dentro do meu caminho como compositor e cantor uma espontânea proximidade entre o rock e a bossa, fruto da década como vocalista dos Quatro (1991/2001), as experiências multiplicadas durante os shows com a orquestra Nó Cego ou a fase atual, marcada por novas incursões, cada vez mais amplas e abrangentes, todas referendadas pela intensidade, a alma de poeta - para transmitir o que se quer fazer entender - , todos elementos indispensáveis ao realce do que apesar de estruturado num modo mais autônomo e independente também se transmite através de aparatos técnicos sem máxima sofisticação, mas que em conjunto com outras manifestações, e bem por isso, relevantemente aproxima suas particularidades dentro de um mesmo círculo sonoro ...

... dentro dessa coisa que é a bossa e sua festa, seu glamour, sua sensualidade, a bossa da bossa, suas figuras, seus mestres, seus artifícios, sua malícia, seu jogo e compasso, maresia boçal, barquinho, rio, vinícius imorais, vícios, praia, pó e areia, garotas de copa, enfim tudo que foi parte da instituição que se liquidifica ali, nesse ramalhete da chamada mpb.
então o meu disco é um reflexo (ou um contra-reflexo) daquela época, outros momentos históricos os quais a bossa nova embalou, refugiada sob a chibata dos ditadores, implicada numa contenção de risco que é esse banquinho, um violão e uma batidinha, uma abertura cíclica dentro do movimento musical do país, caipirinha – que ninguém é de ferro, feijoada com rabo de porca, cachaça, mel, mulher, sol... tudo isso mesmo: moro no brasil tropical, morro e mar, índios, belezas naturais, golpes federais, blagues internacionais.

Bossta Nova (Elephante Registros/2006) é portanto uma provocação saudável à bossa, que no decorrer dos seus 50 anos se materializou como um símbolo da identidade brasileira, povoando suas influências dentro de nossa linguagem musical peculiar, e noutras, revolvendo-se a tear na cultura nacional um quê.
esteve presente como afluente da tropicália, e veio sempre com seus casos e seus dramas participando da evolução do cenário artístico da brasilidade, com expressividade. nesse sentido encontro caminho através de suas sedutoras tentações e flertes com o jéz para instilar um contraponto no seu bom mocismo, carlinhos lyra, os biquínes de ipanema, apartamentos classe média, pianos na sala... e por outro lado também a ingenuidade dos seus excessos, suas desgraças, seus tropeços, rivalidades, intrigas... tudo isso confiscado para um terreno que utilizo para a contextualização da existência do meu disco, desafinado, de uma nota só, renunciando ao seu rótulo, numa outra época, com o país noutra inserção, diferente daquele que encontrou na bossa nova a afirmação para declarar-nos para o resto do mundo.

e assim já é.


[ .:x:.] MÚSICAS
[ .:x:.] VÍDEOS

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clara arruda
 

Visitarei seu site.
Um grande e fratern abraço.

clara arruda · Rio de Janeiro, RJ 7/8/2008 16:20
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Doroni Hilgenberg
 

Oi Esso,
Texto lucido e coerente com a atualidade onde vemos tanto lixo musical se e spalhando que nem água por ai.
Vi seu site. Ouvi :
Gig
terra fuga
Tardes, noites e dias

Musicas lindas demais.

Adorei!
Bjsss e sucesso!

Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 9/8/2008 12:32
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azuirfilho
 

Esso A. · São Paulo (SP)
Bossa & Tal

Prazer e Saudacáo Amiga.
Gostei muito do texto e do trabalho feito.
Fui no Site e gostei da idéia de reunir o pessoal das diversas formas de criacáo da Comunidade.
Muito bom.
De Repente tinha até de Instituir uma Danca dessas Circulares, de Roda, que os ancestrais dancam em todo mundo. Na Africa,nossos Nativos da América e os antigos na Europa, todos Paises dancavam comemorando a colheita, e Asia também.
A saida em todas as lutas é coletiva entáo, tem de fazer o coletivo forte valorizando o Cultural.
Criar a consciéncia e criar uma unidade, para juntos fazerem um projeto coletivo vencer.
Pode ter um Encontro de pessoas com dancas e apresentacóes de Pintura, Músicas, Poesias , teatro e muita danca de roda para unir clarear as idéias e fortalecer.
Veja o Trabalho desse meu Amigo Zezito.
http://www.overmundo.com.br/overblog/a-danca-da-vida-2-movimento-1
Parabéns Amigo.
Vocé esta no Caminho Certo.
Temos de somar com nossa gente.
Receba um voto de mérito.
Cultura é somando. Capitalismo é sozinho.
Abracáo Amigo.
( Náo repare meu micro náo tem til, cedilha e acentos).

azuirfilho · Campinas, SP 9/8/2008 16:21
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Marcos Carvalho Lopes
 

é isso esso... aprendi muito com seu jeito de se (de)s(cre)(v)er... vou conferir

Marcos Carvalho Lopes · Jataí, GO 10/8/2008 01:00
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