Festival Calango 2006. Um certo rock-star-não-músico me faz uma solicitação. "Ja tem um tempo que tá rolando na Zap'n'Roll um histórico com cenas das cidades. Cuiabá é a próxima. E aí? Rola?"
Na ocasião, a resposta foi negativa devido ao pós-festival e inúmeras viagens na agenda do Macaco Bong, banda da qual este que vos fala fazia parte à época. Finatti então, insatisfeito, manteve a cara de "me aguarde".
Passaram-se alguns meses quando Mister Finas novamente fez a solicitação. E cá estamos.
Bom, evidente que o que aí está não é um compêndio da história do rock cuiabano, o que seria impossível sem que houvesse um trabalho historiográfico mais completo. Mas uma breve contextualizada de um processo que aconteceu de forma rápida e intensa (principalmente dos anos 90 pra cá), e hoje é vivida e trabalhada com afinco; e claro, com a mesma rapidez e intensidade.
O que rola é que lá por meados dos anos 80 já acontecia uma certa movimentação na cidade que ainda nem sonhava em ser conhecida como Hell City. Segundo um (sobre)vivente da época, "Cuiabá era ponto de muitos encontros e rupturas, importantes para a preparação de um terreno fértil onde antevíamos o surgimento luminar de novas cabeças no decorrer dessa trama caótica" (Eduardo Ferreira, em texto no Overmundo).
Ali começava um processo onde os artistas, fomentadores e agentes culturais peitavam iniciar suas próprias produções e já buscavam se envolver com a política cultural. O próprio Eduardo Ferreira foi conselheiro estadual de cultura. O plano político da época era que os conselheiros convocados pelo então governador Dante de Oliveira ficassem apenas um ano e convocassem eleições para novos conselheiros, o que não ocorreu. Rebelado da situação, Ferreira foi exonerado do cargo. Expulso mesmo.
Já nos anos 90, o que se viu em Cuiabá foi uma pequena movimentação (pequena mesmo). Havia lá suas bandas, seus lançamentos de CDs. Mas acabava que, por falta de um projeto (ou de uns projetos) mais abrangente(s), essa produção cultural se via ilhada e as bandas simplesmente não saíam daqui. E se saíam, quase ninguém ficava sabendo. Acho que pouco se pode ressaltar do rock dos anos 90 em Cuiabá, além das conquistas da Strauss.
Formada a partir de amigos que se conheceram no convívio de uma escola particular, a banda conquistou o público rocker cuiabano por misturar o rock com o rasqueado, estilo de música regional do Mato Grosso.
CDs lançados, sucesso de púbico, clipe na MTV (quando muito de madrugada e no “Teleguiado” do Cazé, com o pedido de algum cuiabano), a Strauss foi também vencedora de um Skol Rock, na categoria de votação por júri popular. Aí pronto, levantou-se um teto até então inexistente para as bandas cuiabanas. E parecia que jamais alguma banda iria passar daquilo.
Clipe na MTV, aparições no Jornal Hoje e no Vídeo Show, e o Skol Rock.
Campeões!
Talvez o teto criado com o feito tenha viciado os músicos cuiabanos a não acreditar que, através do independente, iríamos sim além daquilo. Na época (1996, mais ou menos), a cidade foi tomada por bandas de baile e de circuito de bar. Ou seja, covers, covers e mais covers, por qualquer lugar onde você passasse. Bandas autorais três, quatro. e Nesse meio tempo, o pessoal dos 80 se metia em produções autorais sim(!), porém, ainda sem os fortes alicerces que surgiriam no início da década seguinte. Havia shows com bandas que ainda são eternas na cabeça de alguns, como GTW, BR364, Nidhog, e o Caximir, que existe até hoje e marca presença no Calango já há dois anos consecutivos. Muitas dessas bandas, obviamente, tinham os mesmos integrantes, como em todo princípio de cena numa cidade. Mas não convém enumerá-los.
Encerro essa parte por aqui. Volto com o texto em breve, entrando já em 2002.
Até lá!!
legal ney. acho que você devia aproveitar o tempo que ainda tem de edição e colocar vários links que podem facilitar muito a vida das pessoas que querem aprofundar a pesquisa.
outra coisa é valorizar as tags (palavras-chave): acrescentando: festival-calango, independente, rock, espaço-cubo, rock...e por aí vai. quando alguém lançar qualquer nome destes na busca vai encontrar seu texto. aproveite!
escreva mais ney. vamos nessa meu irmão!
Concordo com tudo o que o Edu falou! Além disso, uma legendinha pra foto também ajudaria a identificar a banda. Mas, fora isso, ótimo texto. Fluente e informativo. Abraços!
Thiago Camelo · Rio de Janeiro, RJ 2/3/2007 16:02
A banda é o Vanguart com o Hélio em primeiro plano.
Mas cadê o crédito da foto? No cantinho superior direito dá pra ler "Carol Morena". Tá autorizado?
Abraço, Ney!
Oi Ney! A década de 80 foi muito fértil. Tanto em MT quanto em MS. Fazia-se uma música autoral de qualidade e foi quando o 'urbano' começou a sobrepor a 'visão' estritamente rural e acústica que se tinha até então. Isso tanto em Cuiabá como Campo Grande. E a gente não pode esquecer que até 1977 os Matos eram um só. Tenho certeza que tem muita história embaixo deste tapete! Acredito que a história do rock em ambos os estados começou no final da década de 60. E esta é uma história que precisa ser pesquisada e contata DIREITO e de UMA VEZ POR TODAS. Acho importante o pessoal mais novo, como VC Ney, já estar de olho nesta trilha q muitos ajudaram a trilhar e que hoje pulsa de maneiras diferentes em Campo Grande e Cuiabá. Mas pulsa em compasso cada vez mais roqueiro. Deste seu texto fiquei pensando o que aconteceu com esta experiencia do Strauss em misturar o rock com o raqueado dae? Alguém continua esta idéia de forma concreta? grande abraço
Rodrigo Teixeira · Campo Grande, MS 4/3/2007 11:07
Bacaníssimo vc publicar aqui. Vou avisar a cena do rock acreano sobre o texto. Esclarecedor e com uma poesia musical muito Ney Hugo...
Beijão,
Wal
pois eh.. postei o texto numa sobra de tempo de um trampo que tava fazendo numa lan.. fiquei na duvida se postava o texto sem tags, links mesmo ou se deixava pra depois. Mas ja vinha "deixando pra depois" demais quando o assunto era overmundo. Quase nao entra a foto, inclusive; que, por sua vez, devido à pressa, nao foi autorizada =/
Mas creio que isso nao constitua problema. Mas fica a lição, rs.
obrigado pelas dicas.
Rodrigo: ninguem mais faz o trabalho que a Strauss fazia com o rasqueado. Nem eles próprios. Mas, por exemplo, alguns dias atras o Vanguart se apresentou no Sesc Arsenal e mandaram Obladee-Obladah com viola de cocho, balde e bacia. E ficou do caralho!
Abraço!
Ferreirinha! Belo artigo. Esperamos a continuação. abraços à família caximir.
Roberto A · Cuiabá, MT 7/3/2007 11:14Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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