Petrobras Brasil.gov.br Lei Rouanet
 
 

Caê Rouanet

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Heitor Branquinho · São Paulo, SP
29/6/2009 · 2 · 1
 

Não estava acompanhando até então o caso do projeto de Lei Rouanet para shows do Caetano Veloso da turnê Zii e Zie, mas depois deste zigue-zague todo entre produção, Caetano e o Ministro da cultura, publicado em matéria da Folha desta terça-feira (23/06), não me contive em expressar minha opinião através de minha arte: a música.
A Lei funciona assim. Alguém faz um projeto de lei e apresenta ao Ministério da Cultura. O Ministério aprova ou não, e se aprovado, a pessoa ainda precisa captar junto às grandes empresas, que se beneficiam deduzindo parte do imposto de renda e também - como tem acontecido – com a propaganda, relacionando o nome da empresa ao de pessoas famosas. Aí é que entra a brecha, músicos em começo de carreira e com pouco nome no cenário, não conseguem captar, mesmo com seus projetos aprovados. Simples assim: é bem mais fácil para a empresa empregar o mesmo dinheiro em artistas consagrados e ter o retorno em marketing.
A culpa é do Caetano? Na teoria não. A lei não define quem pode ou não apresentar um projeto, e se no caso, ser famoso seja motivo para não aprová-lo. Mas na ética sim, pois todos sabemos que o trabalho do Caetano é comercialmente viável e tem público pagante - apesar do alto valor do ingresso - em qualquer uma das capitais estaduais. Se o projeto fosse para shows gratuitos, também em cidades do interior, vejo razão em aprová-lo, pois assim estaria possibilitando o acesso à música do Caetano, à população que não tenha recurso para tal entretenimento. E também é compreensível que os brasileiros conheçam a música do Caetano, como do Chico, do Milton, do Gil, etc. Comparativamente, mesmo reduzindo o valor do ingresso à 40 reais, continua sendo um espetáculo para a classe média-alta, pois esse valor faz sim e muita falta quando se trata de uma família que tem dificuldades para comprar uma cesta básica.
Com dois milhões na mão, um artista com um mínimo de talento, consegue se colocar de forma visória no cenário cultural brasileiro, produzindo discos, fazendo shows, formando público e gerando renda pra muita gente.
Mais óbvio seria, menos burocrático, menos humilhante e quiçá utópico, se as empresas pagassem os impostos direto ao governo, e o Ministério mesmo tivesse uma curadoria responsável e com experiência cultural, para repassar parte do orçamento direto aos artistas. Pois as empresas devem ao governo, não aos artistas, que ficam na posição de mendicância frente às grandes empresas, e assim o dinheiro dá voltas.
O problema aí se concentra nos critérios da lei e se o Ministro diz que não há critérios, é preciso criá-los já! O que faz o Ministério se não isso? Outro caso que também mexeu com a classe artística foi o projeto do Cirque du Soleil, com preços mais altos ainda no ingresso, e o dinheiro público indo para uma empresa estrangeira.
Fiz referência em minha música à “Lobão tem Razão”, do disco mais recente de Caetano, quando nas melodias caetaneanas o refrão soa “Caê Rouanet, razão tem você”. E também luto contra o depoimento que Chico Buarque deu em uma entrevista, dizendo que a canção é coisa do século passado, quando digo “tudo está nas mãos de quem conseguiu se consagrar no século passado”. Ainda tem muita gente fazendo canção no Brasil, mas o que não conseguimos é voz, é mostrar nosso trabalho ao público. Isso vem mudando com o acesso à internet em ascensão. Quando um músico independente poderia se fazer ouvir frente à um caso do Ministério da Cultura e um estandarte da música brasileira?
O abismo social no capitalismo se mantém, com a máxima de “quem tem quer mais pra ficar bem, quem não tem não ganha nenhum vintém”.


Heitor Branquinho – cantor, poeta, multi-instrumentista, compositor e historiador. heitorbranquinho@gmail.com

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Escritora Eliane Potiguara

Super esclarecedor o seu texto e vc escreve muito bem, aproveito para fazer um link com vc no textinho abaixo, espero podermos ser parceiros, mesmo que eu esteja em outra área de atuaçõa. Veja e um bei9jo de luz:
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Escritora Eliane Potiguara · Rio de Janeiro, RJ 3/7/2009 11:12
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