Canalhas profissionais

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Rotaleatoria · Cascavel, PR
5/4/2015 · 1 · 1
 

A política tem a sua fonte na perversidade e
não na grandeza do espírito humano. - VOLTAIRE

ESTE TEXTO baseia-se na análise de um ensaio de autoria de Luiz Beluzzo, intitulado “Oligarquia Pretenciosa”, onde eram abordadas as principais diferenças entre classes dirigentes e oligarquias.
Ambos os grupos {as classes dirigentes e as oligarquias} são formados por indivíduos que detém o
poder, prestígio, acúmulo de riqueza, acesso à boa
educação e uma relação muito estreita com o comando
das nações onde eles vivem, seja como membros
participantes ou aspirantes a isso.

Mas há entre esses dois grupos uma enorme e
acentuada diferença – os objetivos. A autêntica classe dirigente {existente em países altamente desenvolvidos} consegue estabelecer objetivos
a longo prazo, que visam atender o bem estar da maioria da população.

Compreende-se, então, que todo processo de transformação social tem seu tempo de implantação,
maturação, desenvolvimento, análise dos resultados e
ações corretivas. Tempo esse que diretamente na
contramão de qualquer interesse imediatista. Dessa
forma, o interesse da coletividade sobrepõe-se a qualquer pretensão de interesses específicos de pequenos grupos.

As ações da ruling class partem a premissa de que se
tudo vai bem para a coletividade, então irá melhor para cada indivíduo.

No entanto, as oligarquias {modelos de governos
semelhantes aos que temos em determinados países
subdesenvolvidos e outros considerados emergentes} são formadas por grupos de indivíduos gananciosos, que se cercam de esquemas, conchavos, acertos e falcatruas no único intuito de locupletarem-se.

As oligarquias não possuem outro objetivo senão
os seus próprios interesses. Quando estão no poder,
não perdem tempo nem desperdiçam recursos no
desenvolvimento de planos a longo prazo. Tiram
vantagens de sistemas burocráticos obsoletos que
facilitam o provimento próprio e, via de regra, o
detrimento do erário. Circunstancialmente, ocorrem
choques de interesses entre os membros atuantes das
oligarquias, onde emergem problemas com status de
ameaça de crises, mas que, no fundo, revelam-se como
crises necessárias para o alinhavo de novas alianças, conchavos e acordos, que acabam regenerando e revitalizando todo panorama sistêmico.
Sobre esses tais desencontros e rearranjos,
Dostoievski já alertava, há mais de um século: “{...} aquela aparente desordem que é, na verdade, o mais alto grau de ordem da burguesia”.

Em suma, enquanto as classes dirigentes estão
voltadas aos objetivos das massas, as oligarquias estão voltadas aos seus interesses imediatos e oportunistas.

Fausto Wolf escreveu: “Não canso de me admirar com os verdadeiros canalhas. Não estou falando dos amadores. Refiro-me aos profissionais sérios, esforçados, que imprimem um espírito de missão à canalhice, o canalha por opção, enfim. Vendo-os agir, crápulas impávidos, orgulhosos de suas ações, certos de suas imunidades, convenço-me que o verdadeiro canalha, das três, uma: 1 – Acredita mais
do que ninguém na capacidade divina de perdoar; 2 –
Acredita-se imortal; 3 - Simplesmente está tão ocupado em mentir e roubar, que ainda não pensou no assunto. Bons pais de família, hábeis homens de negócio, os canalhas brasileiros tem essa capacidade incomum de odiar o povo que os sustenta”.

Na mesma linha, concluo que, no Brasil, aquele
que trabalha na campanha para que algum político se
eleja, das duas, uma: 1 – ou é ingênuo – para não chamar de burro; 2 – ou tem algum interesse próprio.
Há algum tempo, passando pela minha terra natal,
fui visitar um colega de faculdade, a quem eu não via há algum tempo. Era Setembro e o ano era de eleições.

Chegando na casa de meu colega, encontrei-o orientando alguns pintores sobre como e onde pintar alguns muros e paredes. Foi então que fiquei sabendo que ele era cabo eleitoral de um tal de Guttemberg, candidato a Deputado Federal. No decorrer daquelas orientações pictóricas, um dos pintores achou-se no direito de comentar: - Eu acho que todos os políticos são sem vergonha. Meu colega explodiu:
- Sem vergonha e safado é o povo. Todo mundo
quer tirar alguma vantagem em relação aos políticos.
As pessoas trocam seus votos por uma carga de aterro, um jogo de camisetas de time, um punhado de tijolos, um par de óculos... Se as pessoas não pensassem nos seus interesses e sim nos interesses da coletividade, a classe política seria bem melhor.
As orientações finalizaram e os pintores saíram,
rumo as suas missões e com um lição de moral 0800 -
totalmente free. Achei oportuno comentar:
- Puxa, Éverton, estou vendo que você está bem
engajado nessa campanha...
Éverton, sorrindo, confessou:
- Cara, se o Guttemberg se eleger, eu estou feito na
vida!

Refletindo, digo:
Se o poder emana do povo,
então o povo emana mal

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alcanu
 

Canalha chega a ser um elogio pra atual corja de políticos que nos rege atualmente !
Fora, Dilma, tua batata tá assando, até o dia 12/04/2015...
A Cobra vai fumar e vc vai levar Fumo !
Um beijo !

alcanu · São Paulo, SP 6/4/2015 15:37
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