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CANDIDATO DO POVO ?

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Gyothobat · Brasília, DF
27/10/2006 · 5 · 3
 

Todo candidato promete governar para os mais pobres, mas acaba tendo que favorecer aos mais ricos para continuar no poder. E favorecendo aos mais ricos, que bancam suas campanhas políticas, acaba por fortalecer as desigualdades e a exclusão social, que, por outro lado, tenta amenizar com políticas ditas inclusivas, mas que, na verdade, são meramente assistencialistas.

Com o assitencialismo social, modernamente chamado de “política compensatória”, o governante compra o voto dos mais pobres. Mas não descuida dos mais ricos, que com a colaboração do governo (ou a sua não-interferência, mais conhecida como neoliberalismo - versão renovada do velho “laissez faire”, que tanto entusiasma os capitalistas) têm plena liberdade para tirar dos mais pobres e dar a si mesmo, na propalada engenharia financeira que torna os ricos cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres, também conhecida como concentração de renda.

Tem-se aí um paradoxo, em que as migalhas dadas aos mais pobres com a colaboração dos menos pobres (via carga tributária elevada e aumento da dívida pública) controla a “panela de pressão” da pobreza, enquanto enriquece os mais ricos ( via financiamento da dívida pública com elevação de juros). E também tem-se um ciclo vicioso que perpetua o clientelismo e a corrupção política, no qual os governantes só podem continuar “atendendo” os mais pobres se atenderem simultaneamente aos mais ricos, que os mantêm no poder.

Se você acha que a situação exposta acima, de forma bastante simpificada, coincide com o que ocorre no atual governo brasileiro, saiba que ela também já existia no governo passado, cujo candidato tenta vender a imagem de diferente. Na verdade, ela sempre existiu nos governos nos quais o populismo, o poder e o capitalismo (seja de Estado ou privado) fazem uma alegre aliança (para os três) e criam a farsa do Governo do Povo. Por isto, não se iluda com os candidatos que dizem que vão governar para os mais pobres. No teatrinho ilusionista da política partidária que almeja o poder, esta promessa é uma cenoura pendurada na frente do burrico que carrega um gordo senhor que conta seus milhões.


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apple
 

Gyothobat,

Poderia explicar mais sobre a questâo da dívida pública?

apple · Juiz de Fora, MG 28/10/2006 10:02
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apple
 

Acredita que um conhecido meu disse que não votará no Lula porque o segundo mandato é historicamente sempre pior do que o primeiro?

Falei para ele:
- Se Jesus estive no poder e concorresse 'a reeleição, você votaria no diabo?

Cada um deve tentar fazer a melhor análise possível dos candidatos. Tudo depende do quanto a pessoa quer investir nesse processo e do quanto quer arriscar...

Não acredito que tanto faz como tanto fez votar em um candidato ou em outro. E você?

apple · Juiz de Fora, MG 28/10/2006 10:11
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Gyothobat
 

Cris, só hoje tive tempo de poder responder seus comentários. Quanto à questão da dívida pública uma explicação técnica caberia mais a um economista, o que eu não sou. Mas é possível tentar explicar de forma simplificada, com o risco de ser simplista.
A dívida pública, tal como as dívidas que um cidadão comum ou uma família fazem, decorre do fato do Governo gastar mais do que arrecada com impostos. Para bancar este déficit e honrar os seus compromissos o Governo emite títulos da dívida pública as quais remunera com juros poupudos para atrair investidores. Estes juros acabam alimentando a própria dívida pública e são pagos pelo conjunto da sociedade com endividamento das pessoas físicas e empresas, redução da atividade produtiva, redução do ritmo de criação de empregos, aumento da pobreza, etc. Com isto ,cria-se um ciclo vicioso no qual os ricos, que são os que têm dinheiro para aplicar, ficam cada vez mais ricos e os pobres, que tem que se endividar para sobreviver, ficam cada vez mais pobres. Este seria o mecanismo perverso de transferência de renda dos mais pobres para os mais ricos, a famosa concentração de renda. Esta armadilha do sistema capitalista não foi desarmada pelo governo Lula e muito menos pelos governos que o antecederam. Independente dos problemas conjunturais que impedem baixar juros por decreto,uma das razões que perpetua esta situação é o fato de que os candidatos, sejam eles dos partidos ditos de esquerda, como o PT, PCdo B, etc ou de direita, como PP, PFL ou de centro, como PSDB, PMDB, etc tem suas campanhas financiadas em sua maior parte por grandes bancos e empreiteras ( veja matéria no Correio Braziliense de 09/11/06), o que, no mínimo, compromete os eleitos com a defesa dos interesses dos seus financiadores. Por isso, não advogo o voto nulo como alienação do processo político, mas entendo que a sociedade deve estar atenta para a farsa do sistema política que se pratica no país, que subjuga até os bens intencionados, os quais para se manter no poder, aceitam tacitamente este sistema. Entendo que esta questão é polêmica e complexa para o espaço de um comentário. Para resumir, esclareço que não sou um daqueles que querem ver o circo pegar fogo, mas nao abro mão de ser um crítico que procura estar atento para as cada vez mais sutis enganações que nos cercam neste mundo no qual a mentira, sofisticadamente embalada por marqueteiros, é um instrumento de poder e dominação ideológica.

Gyothobat · Brasília, DF 9/11/2006 23:39
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