Quem nunca ouviu falar da beleza bucólica de Maria Bonita, da bravura e da vaidade de Lampião e de seus capangas, com certeza, conhece muito pouco da história do cangaço nordestino. No máximo deve ter sabido de causos e anedotas que davam conta de Lampião hora como herói, hora como bandido. Certeza maior é ninguém ter ouvido falar que cangaceiro fosse santo. Pelo menos até agora! Porque é exatamente isso que acontece na cidade de Mossoró, região do oeste norte-rio-grandense.
Lá pelos idos da década de 20, a trupe de Lampião já tinha saqueado, matado e esfolado por tudo quanto fosse interior do nordeste. Como de costume, o grupo analisava a região onde aportava e decidia quais seriam os melhores lugares para a “labuta”. Resolveram que a próxima parada seria na abastada cidade de Mossoró, onde pensavam obter muito lucro. A cidade tinha sido avisada, mas ninguém acreditou, a não ser o prefeito.
Na tarde de 13 de junho de 1927, no meio de uma chuva que caia, ouviram-se os primeiros disparos. Teve quem pensasse que fosse barulho de trovão. Rodolfo Fernandes, o prefeito, recebeu do próprio Lampião um ultimato cobrando 400 contos de réis pra deixar a cidade em paz. O prefeito negou o pedido. Os bacamartes cuspiram fogo...
Naquele dia Mossoró só dispunha de pouco mais de 20 soldados. O prefeito organizou a resistência e se entrincheiraram como puderam em meio a sacas de algodão. Entre uma saraivada de bala e outra, o grupo de Lampião perdeu dois dos seus mais destemidos homens, Colchete, que morreu de tiro, e Jararaca que ferido, foi capturado pela polícia.
José Leite de Santana, o Jararaca, penou quatro dias na cadeia pública da cidade, ferido no peito e nas pernas. Na noite de 18 de junho, foi levado para o cemitério. A guarda que o conduzia obrigou o cangaceiro a cavar a própria cova. O soldado João Arcanjo o sangrou, mas o povo diz que o bandido foi enterrado ainda vivo. Tinha apenas 26 anos.
Alguns dizem que Jararaca morreu de sede, clamando por um copo d'água. Mesmo oito décadas depois de sua morte, seja pelos diferentes rumos que a história toma, seja pela religiosidade pura e simples do povo, Jararaca é venerado por milhares de pessoas que acreditam que o cangaceiro é milagroso.
Todos os anos, durante o dia de finados, o túmulo de Jaraca é, de longe, o mais visitado da cidade. Apesar de mais pomposo e imponente, o túmulo do prefeito Rodolfo Fernandes, herói da resistência, pouco é lembrado pelo povo.
Episódio épico da cidade de Mossoró, a resistência ao bando de Lampião deixou cicatrizes não apenas no imaginário da população. Mesmo 80 anos depois, ainda hoje é possível ver as marcas de bala na torre da igreja e em outros prédios da cidade.
oi Filipe, um livro muito interessante sobre esse assunto é o do Sérgio Dantas: Lampião e o Rio Grande do Norte - A História da Grande Jornada.
Conta com detalhes toda a passagem meteórica de 4 dias de Lampião pelo Estado .. tem mapa da região e tudo mais...
abração
Isso, isso, isso. Aguardamos mais histórias, Filipe.
Luizao Ouro Preto · Ouro Preto, MG 22/3/2007 09:17
Olha e isso não faz tanto tempo hein gente, poxa quanta coisa bacana.
Valeu.
Muito bom!!
Muito bom mesmo!!!!
Adorei!!!
Vou ficar esperando mais também!!!
Abraços
Também estou esperando por mais.
Manoel Moreno · Rio de Janeiro, RJ 22/3/2007 11:59OPA, fico feliz pela manifestação de todos. E pode esperar que tem mais sim... um abraço pra vcs.
FILIPE MAMEDE · Natal, RN 22/3/2007 12:59
Massa! Nasci em Mossoró, mas moro em Natal desde os 3 anos. Não sabia dessa história. Bacana saber sobre aspectos e curiosidades do nosso rico Brasil.
Parabéns Filipe
Muito bom, cara! Essa história é cheia de detalhes interessantes e dúvidas que duram até hoje. Cômico é saber que o túmulo do cangaceiro é idolatrado e o do prefeito não...
Vinícius Menna · Natal, RN 22/3/2007 15:09Pois é brother, pra vc vê como é as coisas. Eu conheço uma história mais ou menos parecida. Mas conto depois...
FILIPE MAMEDE · Natal, RN 22/3/2007 15:13
beleza de historia felipe tô esperando mais
abrços
Filipe Mamede, saudações!
Bom texto, desconhecia a romaria ao túmulo de Jararaca. Sobre cangaço e religião, o que lembrei após a leitura: Assistir palestra proferida pela antropóloga Beatriz Góis Dantas há alguns anos, no Encontro Cultural de Laranjeiras/SE (2001), onde ela analisou como se deu no candoblé o reconhecimento de Lampião e Maria Bonita como entidades, a exemplo do Zé Pilintra, Maria Padilha, etc
Valeu!
Massa filipe, parabéns continue assim!!! Abraço e sucesso!
InDioZinHo · Currais Novos, RN 23/3/2007 13:21
A história é muito rica...muito bom poder vê uma história nordestina com uma linguagem bem nordestina, fluindo até visualmente em nossas mentes...Grande Filipe!!!
O texto é maravilhoso.
Também não conhecia essa história... Filipe, como sempre, mandando bem no texto... foi boa !!!!!!!!!!
isaac_lira · Natal, RN 29/3/2007 12:10
Salve Filipe
Parabéns pelo grande resgate que você faz do cangaço e de Lampião. Hoje em dia um e outro não são mais sinônimos de banditismo e sim grandes e verdadeiros ícones da história cultural do Nordeste.
Legal o texto! Manda ver!!!!
Marcelo Candido Madeira · Rio de Janeiro, RJ 16/6/2007 17:45Adorei. Sou fã das estórias de Maria Bonita e Lampião.Prendeu-me do começo ao fim. Belo resgate da história que poucos tem acesso.
Cintia Thome · São Paulo, SP 20/6/2007 23:03Muito obrigado (Cintia e Marcelo). A história precisa ser 're'contada' sempre. Um abraço.
FILIPE MAMEDE · Natal, RN 21/6/2007 07:57
Filipe,
Sou fissurado nestas histórias de cangaceiros, acho que é por causa da iconografia, que é vasta e curiosa (sem falar no aspecto surpreendentemente 'fashion' do figurino). Esse cabra turco o Benjamim Abraão, que filmou o bando é uma figuraça que merecia mais e mais homenagens e lembranças.
Eletrizante matéria.
Abs
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