Cansada de ler o mesmo tornou-se ela uma escritora

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Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS
3/5/2007 · 88 · 5
 


Katharine Nunes Zanoni estava “cansada de ler quase sempre as mesmas histórias” e, aos oito anos de idade, achou de criar um personagem diferente para criança e escrever ela mesma as histórias. Construiu um contexto infantil por considerar “que há muito adulto escrevendo para criança” que acaba sendo o que o adulto “ gostaria que a criança ouvisse e não aquilo que a criança gostaria de ler”. Resultou que Katharine Nunes, já com dez anos de idade hoje, é autora de duas obras de literatura infantil de que vendeu 1.500 exemplares, está finalizando a terceira história de uma série e participa do circuito de autores do Rio Grande do Sul. Com o auxílio da mãe, Margarida Nunes, a colega escritora aceitou responder a algumas perguntas sobre o trabalho dela em literatura. Com certeza, a menina também brinca, que é o principal trabalho de qualquer criança.


Desde quando escreves?
Desde os 8 anos, quando comecei a elaborar minhas primeiras histórias.

Quando publicastes o primeiro livro?

Foi no dia 6 de Novembro de 2005, na 51ª Feira do Livro de Porto Alegre, ”Lilico e seus Amigos”. E a 2ª obra “Lilico e sua Família” na 52ª Feira do Livro de Porto Alegre de 2006.
Ambos são de historinhas em quadrinhos de literatura infanti e editados pela Editora Martins Livreiro - Editor.

Por que decidistes publicar?
Porque meu irmão tinha muitos livros de historinha e alguns deles tinhas fitas com histórias.
Eu sempre gostei de dormir ouvindo historinhas. Meu irmão e minha mãe, sempre contavam muitas histórias. Sempre visitei as Feiras de Livros desde muito bebê.
Comecei a me interessar pela leitura muito cedo.
Cansada de ler quase sempre as mesmas histórias, aos 8 anos eu achei que eu era capaz de escrever e criar um personagem diferente para crianças como eu.
Dando um contexto mais do linguajar de criança para criança.
Na minha opinião, acho que há muito adulto escrevendo para criança.
O que ele gostaria que a criança ouvisse, e não aquilo o que a criança gostaria de ler.
O que observo é que há mais animais que falam no texto, do que o personagem.
Por isto eu pedi para que minha mamãe e meus tios que eu gostaria que fossem publicadas minhas obras.
Achei que seria interessante o público infantil ter uma obra diferente para ler e está sendo um sucesso.

Como sentes a reação do público em geral e de teu público em particular?
No geral muito carinho e comentários sobre meu trabalho.
No particular sinto bastante cobrada para saber qual será a próxima obra. E acho que meu comportamento tem que ser mais maduro.

Falas sobre teu trabalho com leitores?
Tenho sido convidada para visitar escolas, fazer palestras, ir a inaugurações de complexos hospitalares infantis e visitar bibliotecas.
Já viajei por várias cidades do interior do Estado, como Balneário Pinhal, Canoas, Novo Hamburgo, Taquara, Guaíba, Triunfo e outros.
Fui convidada para abrir o ano letivo da escolas, com palestra de incentivo á leitura no Estado do Ceará, pelo governador do Estado de lá, em Fevereiro de 2007.

Teu trabalho ajuda teus estudos?
Sim. Principalmente quando tenho que fazer trabalhos de redação.

Onde estudas alguém mais escreve assim como tu?
Que eu conheça ou saiba, não.

Teus vizinhos sabem que escreves? Como te tratam?
Sim, alguns vizinhos. Estudo pela manhã e a tarde sempre tenho trabalhos de aula e estudo música uma vez por semana, portanto, tenho pouco tempo para ter contato com vizinhos. As pessoas têm um pouco de inveja, sinto isso quando passo por elas. Me negam o olhar, não me cumprimentam e não deixam os seus filhos se aproximarem de mim. Vejo isso como ignorância e falta de capacidade da parte dos adultos.

Como conseguistes publicar?
Através da Editora Martins Livreiro que se interessou.
Eu sou a primeira escritora infantil a publicar obra deste gênero por essa editora (a Martins Livreiro tem 40 anos de trabalho editorial no Rio Grande do Sul).

Quanto já vendestes?
1500 exemplares.

Como defines o teu trabalho de escritora, o conteúdo de tuas obras?
Acho bom para minha idade. Segundo os elogios recebidos do público.

Participas de algum grupo de escritores?
Sim. Sou sócia do Grêmio Literário Castro Alves, Casa do Poeta Rio-Grandense e participo de vários eventos culturais, que são realizados nas seguintes entidades:
Academia Rio-Grandense de Letras, Instituto Cultural Português,
Instituto Histórico e Geográfico do RGS, União Brasileira dos Escritores, CBTG - Confederação Brasileira de Tradições Gaúchas e outras mais.

A próxima publicação é uma história com as mesmas personagens?Outros escritos publicados?
Sim. Será “Lilico e Lilika e suas novas aventuras”. Participações em Antologias Literárias em 2006: Versos DiVersos III Vol., pelo Grêmio Literário Castro Alves, org. por Silvia Benedetti. Autores Gaúchos, pelo Instituto Cultural Português, Editora Caravela,
org. por Antonio Soares.

Tens blog, página, sítio na Internet?
Ainda não. Pois meu irmão está cuidando desta parte, e por falta de tempo
ainda não foi possível acabar.

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FILIPE MAMEDE
 

Que bacana Adroaldo. Que menininha danada não é mesmo?
PS: Para mim que moro na outra ponta do mapa, é muito interessante ver a diferença das nossas "falas". "Desde quando escreves? ", "Quando publicastes o primeiro livro?". Intercâmbio excelente. Abraço.

FILIPE MAMEDE · Natal, RN 30/4/2007 11:46
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Adroaldo Bauer
 

Ela desencapetou cedinho e dá de dez com rebenque em muita marmanja que fica sestrosa de botar pra fora o que cria. É danadinha mesmo a vivente.
Aqui, Filipe chama-se também Filipe, como tu e um filho mais velho meu. Mas (e a pronúncia desse mas é anasalada em algumas localidades, como se fosse mans) responde por tu, não por você.
E vai daí que a língua varia, sendo vária, percebestes?
Isto eu usei muito no texto da minha novela que tá rodando e vai ser publicada agora em maio, O dia do descanso de Deus. Nem é novidade, porque é uso, mas de bom costume, tchê.
Se quiseres ler, em não o tendo feito ainda, tem três capítulos e a apresentação no meu blog Retorno Imperfeito, e também aqui no Overmundo, buscando no perfil deste teu escriba.

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 30/4/2007 12:00
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FILIPE MAMEDE
 

Leio sim, pode deixar. Já conheço esse sotaque há tempos. Acontece que eu morei em SP por quase 18 anos, do final da década de 80 até 2003. Curiosamente nossos vizinhos e melhores amigos eram uma família do Rio Grande do Sul. E eu??? Bem, eu cresci ouvindo meus pais com o sotaque intacto, ouvia meus vizinhos falando esse "mans/ bá/ ô guri/ tu e etc... eu e minha irmã, por sermos pequenos absorvemos a fala paulista. Agora eu falo "potiguares", mas curiosamente o sotaque paulista dá o ar da graça quando falo ao telefone com alguém de SP, enfim...
Ps: Se puder, tenho um texto muito interessante sobre a cidade de Natal, se possível, procuro por " O GRANDE PONTO".
Abraço.

FILIPE MAMEDE · Natal, RN 30/4/2007 15:27
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maramarina
 

Ai, quando eu era pequena queria ser como ela.

Valeu por nos apresentá-la.

maramarina · Aracaju, SE 2/5/2007 11:14
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apple
 

Bonito ver uma criança ter tanto interesse e habilidade com a Literatura!

apple · Juiz de Fora, MG 3/5/2007 06:20
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