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Cão Sem Dono

Divulgação
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Fernando Mafra · São Paulo, SP
25/3/2007 · 214 · 14
 

Somos brindados com uma cena de sexo exibicionista, seguida pelo típico day after do casal que acaba de se conhecer: Ciro e Marcela. Quase típico, não fosse a apatia de Ciro, que nós espectadores, assim como Marcela, ficamos na dúvida se é genuína ou apenas uma fachada do momento. É de fato uma fachada, mas não momentânea. Adaptado do primeiro romançe de Daniel Galera, Até o dia em que o cão morreu, Cão Sem Dono, de Beto Brant e Renato Ciasca, estréia ainda no primeiro semestre. A história conta as dores de um jovem formado em letras tentando achar seu lugar, enquanto lida com as figuras que independente de suas atitudes estão à sua volta, entre eles um cão.

Ecoando o estilo de O Céu de Suely, o filme é direto e simples, mas não simplório, e conta com ótima atuação do par principal. A mão firme de Beto Brant, que nos deu o excelente O Invasor, de início me pareceu uma ótima pedida para o filme. Mas logo após sair da sessão achei estar enganado, e ter confundido firme com duro. Passados alguns dias, conclui que o filme é duro sim, mas isso não é necessariamente ruim, minha opinião é que ele precisa ser digerido, sua dureza é conseqüência da dureza do protagonista, e do mundo à sua volta, um ignorando do outro.

Cão Sem Dono, como toda adaptação que se preze, toma algumas liberdades com a obra, e a maior delas é ser um filme. Em um documentário sobre Quadrinhos do History Channel Kevin Smith disse algo como: "O filme não tem a mesma capacidade do Quadrinho de nos colocar na mente do personagem". O mesmo, obviamente, vale para um livro. Como em um Apanhador no Campo de Centeio dos pobres*, muito do que acontece no livro corre na mente do protagonista, o típico underachiever arrogante urbano contemporâneo, e nada disso vemos na tela. As soluções que visualizo são ridículas: Engolfar o filme em narrações, inventar cenas de visitas a psicólogos ou fazer o pobre personagem falar sozinho; não há alternativa fácil para uma situação como essa. Por sorte Beto Brant se esquivou de recursos baratos como esses e optou por nos tirar de dentro do protagonista e colocar ao seu lado.

Ciro parece não sair do lugar enquanto tudo corre alheio a ele, é possível traçar um paralelo com a narrativa do filme, onde somos colocados tão de lado quanto o personagem, meros observadores de sua angústia e perdição, seus motivos cabe a nós deduzir. Aos que leram o livro, imagino que haja um grau de insatisfação para puristas, e é verdade que alguns elementos ainda me incomodam, dois deles mencionados na entrevista que fiz com Daniel Galera; o terceiro é a cena final, cujo tom parece distante daquele que imprimi ao ler o livro. Mas afinal, de nada serve uma adaptação se ela não toma o máximo proveito de seu meio respeitando suas limitações.

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* Expressão jocosa para simbolizar "versão brasileira"

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Thiago Camelo

Grandes colaborações, Fernando! Mesmo!!! Tanto a entrevista quanto a crítica são muito boas! Algumas pequenas observações. Primeira: vc coloca no final desse texto a passagem "dois deles mencionados na entrevista abaixo". Acho que esse abaixo serviria mais para uma publicação impressa, onde as matérias não ficam mudando de lugar o tempo todo :) Aqui, no Overmundo, o abaixo de hoje pode não ser o abaixo de amanhã hehehe... Que tal, em vez do "abaixo", colocar o link para a matéria. Ah! Há também pequenos erros de digitação nessa crítica e, também, na colaboração "abaixo", na sua entrevista :) Com certeza, numa outra leitura vc acaba pegando os erros. Abração e parabéns pelas colaborações!!

Thiago Camelo · Rio de Janeiro, RJ 22/3/2007 12:39
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Fernando Mafra

Thiago, o abaixo foi um momento de desatenção mesmo. Eu escrevi os dois textos juntos, e depois resolvi separá-los e acabei não lembrando dessa passagem.

Hoje vou dar um outro tapa nos dois.

Fernando Mafra · São Paulo, SP 22/3/2007 13:24
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Delfin

O filme e o livro têm, mesmo, alguma distância entre si.

Delfin · São Paulo, SP 23/3/2007 17:15
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DaniCast

Muito bem escrita sua crítica. Parabéns.

DaniCast · São Paulo, SP 24/3/2007 22:37
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Fernando Mafra

ARGH! Agora que eu reparei que escrevi romance com Ç!!!!! Cruzes!

Fernando Mafra · São Paulo, SP 25/3/2007 18:21
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Helena Aragão

Tô achando curioso que a crítica esteja recebendo mais votos e comentários que a entrevista... Por que será? Pensando bem, por que será que eu comentei aqui e não lá?... :)

Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 26/3/2007 12:03
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Fernando Mafra

Helena, acho que porquê cinema é um assunto mais popular do que literatura.

Fernando Mafra · São Paulo, SP 26/3/2007 13:46
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André Gonçalves

ambos muito bons. fiquei com vontade de ver o filme.

André Gonçalves · Teresina, PI 26/3/2007 14:01
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Adroaldo Bauer

Me desculpem as demais queridas pessoas, mas quero comentar é o comentário da Helena, se me dão licença.
Tenho uma possível explicação pra mais votos aqui eque acolá.
1. O texto estava bem apresentado e informativo, quer-se chegar ao final dele sem linkar para outro.
2. O tempo de navegação é escasso onde estejamos, e ao final não retornamos ao link e, depois... Bem, depois é o depois e foi-se o martelo.
3. O texto é explícito e a mensagem remete aà vontade de ver o filme... ou não. E aí o diretor fica sem lugar.
4. outras hipóteses mais ou sem estas.

Comigo aconteceu a 2.

Ah! Fernando, gostei do teu postado.

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 26/3/2007 16:10
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Roberta Tum

Gostei do texto e fiquei a fim de ver!
Abçs

Roberta Tum · Palmas, TO 26/3/2007 16:48
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Mi [de Camila] Cortielha

Aí: o filme se saiu muito bem no Festival de Recife! Prêmio especial da crítica, melhor longa-metragem e melhor atriz para a estreante Tainá Muller. Parece bom.

Mi [de Camila] Cortielha · Belo Horizonte, MG 3/5/2007 15:11
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Daniel Duende

A crítica está muito boa, Fernando. Você é bom nisso, cara. Dá até para perdoar o a braguilha aberta do seu romançe. :)

De qualquer forma, eu curti mais a entrevista com o Galera. Pq a entrevista foi bacana, o galera é bacana...
bem, vc entendeu. :D

Abraços do Verde.

Daniel Duende · Brasília, DF 8/6/2007 03:55
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Leandróide

Vi o filme e gostei dele, gostei também da tua crítica, faço minhas as tuas palavras.
Abraço.
Leandroide.

Leandróide · Florianópolis, SC 9/6/2007 17:08
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Mestre Jeronimo - JC

Axe'

jc

Mestre Jeronimo - JC · Austrália , WW 16/7/2007 13:43
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