Capeta Mabuse

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teresak · Rio de Janeiro, RJ
11/12/2006 · 80 · 3
 

O pernambucano H.D. Mabuse é um dos sujeitos mais inquietos do país, quando o assunto é cultura digital. Entre uma coleção de sites que ajudou a criar estão o e-zine MangueBit e a rádio manguetronic, que divulgam o mangue de Recife na internet. Tempos depois, Mabuse foi um dos fundadores do re:combo, projeto multimídia de produção colaborativa audiovisual. O DJ e artista plástico também contribui informalmente nos projetos C.E.S.A.R. e Porto Digital, do Recife. Nesta quarta-feira, Mabuse participou da discussão sobre a livre circulação de obras, no seminário “A Cultura Além do Digital”, que acontece até dia 13 no Recife (Fundação Joaquim Nabuco), e 14, no Rio de Janeiro (Senac-Copacabana). Antes da palestra, ele decretou o fim da era do pop-star, na seguinte entrevista:

Quais, na sua opinião, são as principais questões que se apresentam no cenário atual da cultura digital?

Creio que podemos dividir em dois grupos de temas relevantes hoje:
a. discussões a cerca da Autonomia, Acesso e Autoria (durante o processo de produção da cultura hoje) e b. a democratização da comunicação e distribuição.

Como podemos quantificar em números essas transformações no campo da cultura digital? Qual o impacto destas mudanças da última década nas empresas ligadas à cultura e arte (gravadoras, distribuidoras, editoras, empresas de comunicação) e como elas lidam com isso?

A transformação mais visível do fenômeno da digitalização da produção tem se sentido na indústria fonográfica. Os grandes conglomerados não perceberam que não adianta tentar forçar idéias tradicionais no novo meio, enquanto isso uma comunidade de novos artistas, músicos e escritores encontram outra forma de distribuição de suas obras, dentro de uma nova realidade onde se exclui cada vez mais o pop-star e encontra-se o personagem do gueto-star, com sua "celebridade" pulverizada (vide por exemplo http://ubbibr.fotolog.com/helenbar/).

Quais os prós e contras da TV digital?

A própria tecnologia adotada na TV Digital força uma revisão nas concessões de TV, já que é inerente a possibilidade de utilizar a mesma banda de transmissão para muito mais programas. Infelizmente o padrão que foi adotado no Brasil tem como grande contra uma dificuldade na implementação de software, limitando as possibilidades de interatividade (onde havia uma grande promessa da TV como mecanismo de inclusão digital).

O Brasil parece ter grande potencial técnico e criativo para o desenvolvimento do software livre. Esse fato é encarado por alguns setores como uma grande libertação e por outros como ameaça. Qual a sua avaliação sobre o assunto?

A discussão que se tem hoje, na verdade, é sobre a indústria de software, o mercado ainda tenta entender formas de gerar receita a partir do Software Livre, muitas soluções foram apresentadas, propostas muito eficientes. Mas o que me interessa mais, e que tem sido pouco debatido, é o software livre como uma das formas de expressão mais ricas e efetivas que podemos ter nos dias de hoje.

Discussões sobre as novas tecnologias como internet, software livre parecem esbarrar (ou instigar?) o direito autoral. Deve haver uma legislação sobre essas temas?

A discussão sobre autoria é pelo menos tão antiga quanto Michelangelo ou Homero. Na verdade todas essas tecnologias citadas amplificam as possibilidades de trabalho colaborativo, numa linha de pensamento lógico a pulverização da autoria é um caminho que, no lugar de temer, deveria ser entendida e procurada :)



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Pedro Rocha
 

pô teresak, boa a entrevista, só ficou pequena e a última pergunta não foi respondida, apesar da resposta dada também ser interessante. Foi por e-mail? Talvez fosse o caso de segurá-la um pouco mais e mandar outro e-mail para o Mabuse com mais questionamentos, muita coisa importante ainda ficou em aberto, principalmente com relação a segunda pergunra que é muito boa e complexa.

Sobre o que a indústria fonográfica está passando com isso tudo e as alternativas que estão sendo buscadas pelas bandas, tem uma entrevista minha com o Fred 04 aqui no overmundo.

Pedro Rocha · Fortaleza, CE 9/12/2006 19:49
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teresak
 

Pedro, ótima a tua entrevista com o Fred 04 e responde bem o que se passa hoje na indústria fonográfica. A entrevista foi feita por email, tudo muito rápido, por conta do seminário "A Cultura Além do Digital", que acontece no Recife e no Rio até o fim da semana e onde todos esses temas estão sendo discutidos.
Não sei se o Mabuse está com tempo para escrever mais sobre isso, mas podemos tentar o Caio Mariano, que também participa do re:combo. Se conseguir falar com ele, posso postar outra.

No que se refere à segunda pergunta, acho que o reflexo nas gravadoras já é mais claro, mas gostaria de aprofundar o tema em relação a literatura e artes plásticas.

teresak · Rio de Janeiro, RJ 10/12/2006 13:00
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Kuja
 

h.d. mabuse é peça chave...

Kuja · São Paulo, SP 11/12/2006 18:06
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