"Não existe maneira de pôr em palavras o que acontece no Carnaval do Recife". Foi com essa frase que o cantor Lenine justificou o convite que fez aos amigos Zélia Duncan, Gabriel O Pensador e Vanessa da Mata para tocarem na festa e participarem do seu show, que aconteceu no palco armado do Marco Zero da cidade, no domingo (26/02).
O músico tem razão. Mesmo com o interesse crescente da mídia nacional e internacional em torno do evento (cerca de 50 jornalistas brasileiros e estrangeiros cobriram a festa este ano, segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura do Recife), dos flashes televisivos e das matérias a respeito, é no meio do festejo que o cidadão encontrará elementos sensoriais para ter uma idéia mais precisa do espetáculo.
Por mais que se fale, se noticie, um(a) amigo(a) comente, só estando lá pra entender como uma festa mexe tanto com a capital e um Estado inteiros. Este ano, o Carnaval Multicultural do Recife homenageou o escritor Ariano Suassuna e o cantor local Claudionor Germano - um dos grandes símbolos vivos da folia pernambucana e o maior intérprete do falecido compositor Capiba.
Iniciado em 2001, ainda no primeiro mandato do atual prefeito do Recife, João Paulo (PT), o modelo de descentralização do carnaval aquece a economia de bairros da periferia e leva shows gratuitos de artistas consagrados para quem dificilmente poderia pagar para assistir-lhes. Nação Zumbi, mundo livre s/a, Martinho da Vila, Elba Ramalho, Mart`nália, apresentaram-se no Alto José do Pinho e Ibura. Locais que podem encontrar paralelo com o Campo Limpo, em São Paulo, a Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, ou o Primeiro de Maio, em Belo Horizonte.
O aspecto democrático é bastante enfatizado pela imprensa e artistas locais, além do próprio povo. De fato, no Recife não há cordões de isolamento nem exigência de compra de abadás para curtir a folia, como se vê em Salvador, por exemplo. A tradição dos maracatus de baque solto e baque virado, bois, ursos, troças, caboclinhos e dos blocos de pau e corda é mantida pela própria comunidade. Avós, netos e netas, filhos, amigos e vizinhos compartilham juntos do trabalho de confeccionar as fantasias, dos ensaios, dos desfiles. Não há bairro da capital pernambucana que não tenha alguma movimentação carnavalesca.
São manifestações culturais totalmente desvinculadas da mídia, de paradas de sucesso, do Domingão do Faustão, da bênção de jornalistas "descolados" e da lógica da indústria cultural. É a verdadeira cultura alternativa. Paradoxalmente, o que mais se ouve nas rádios locais, nesse período, não reflete o que acontece nas ruas. Toca-se muita axé music no dial pernambucano.
E as celebridades? O observador mais atento verá que o culto a celebridades domina de maneira quase doentia o noticiário de boa parte de jornais, revistas, sites, TVs. Aconteceu festival tal, show tal, então vamos atrás de Sicraninha da novela, Fulaninho do BBB. A impressão que se tem é a de que a presença desses seres superiores traz legitimidade a qualquer evento. Dedução bastante questionável, visto que muitas dessas criaturas estão ali apenas por um vultoso cachê e não por interesse natural.
Em geral, no carnaval do Recife a disposição e composição dos palcos não facilitam o conforto e a exposição de todo o esplendor dos VIPs. O cantor baiano Caetano Veloso - uma "very important people" com conteúdo – passeava tranqüilamente entre a multidão, participou e foi alvo de brincadeiras do Quanta Ladeira (bloco anárquico fundado e comandado pelos amigos Lenine, Lula Queiroga e pelo músico e produtor Zé da Flauta), subiu ao palco do Marco Zero junto com Antônio Nóbrega e Ariano Suassuna, andou pelos becos esquisitos que dão acesso à celebração da Noite dos Tambores Silenciosos e assistiu ao desfile dos maracatus de baque solto, também no Marco Zero, no lugar com melhor visão: do chão.
AD Luna é baterista do Monjolo (banda pernambucana radicada em São Paulo) e editor-adjunto do site Showlivre.com
Bacana a cobertura. Só uma coisa, mais mesmo com o português.
Na passagem "Iniciado em 2001, ainda no primeiro mandato do atual prefeito do Recife, João Paulo (PT), o modelo de descentralização do carnaval aquece a economia de bairros da periferia e leva shows gratuitos de artistas consagrados para quem dificilmente poderia pagar para assistir-lhes".
Não seria melhor, nesse final, um "assisti
Bacana a cobertura. Só uma coisa, mais mesmo com o português.
Na passagem "Iniciado em 2001, ainda no primeiro mandato do atual prefeito do Recife, João Paulo (PT), o modelo de descentralização do carnaval aquece a economia de bairros da periferia e leva shows gratuitos de artistas consagrados para quem dificilmente poderia pagar para assistir-lhes".
Não seria melhor, nesse final, um "assisti
Bacana a cobertura. Só uma coisa, mais mesmo com o português.
Na passagem "Iniciado em 2001, ainda no primeiro mandato do atual prefeito do Recife, João Paulo (PT), o modelo de descentralização do carnaval aquece a economia de bairros da periferia e leva shows gratuitos de artistas consagrados para quem dificilmente poderia pagar para assistir-lhes".
Não seria melhor, nesse final, um "assisti
assisti-los, é a continuação...
Thiago Camelo · Rio de Janeiro, RJ 7/3/2006 12:38oi, só achei que vc podia colocar tags (são como palavras-chave) que tivessem a ver com o texto: tipo pernambuco recife carnaval maracatu, enfim, como preferir.
Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 8/3/2006 13:03
Oi AD: gostei muito do texto, mas lendo tudo fiquei até na dúvida de se você passou o carnaval lá. Gostaria mais de saber como foi o TEU carnaval, o que você gostou, o que aconteceu contigo. Que o Caetano esteve lá, que cantou com Antonio Nóbrega etc, isso eu já sabia pela Folha... Acho que devemos valorizar aqui no Overmundo visões mais pessoais, mais blogueiras, das coisas
Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 8/3/2006 13:48opa, muito legal o toque! entendi o espírito da coisa! as tags estão lá helena. valeu!
AD Luna · São Paulo, SP 12/3/2006 14:12
O carnaval de recife é realmente multicultural . Em 2101 o blog - agenda recife - fez a cobertura e na agenda tinha eventos pra todos os gostos .
Foi muito sensacional.
O carnaval de recife é realmente multicultural . Em 2101 o blog - agenda recife - fez a cobertura e na agenda tinha eventos pra todos os gostos.
Foi muito sensacional. alerta
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