Oeiras, 9 de agosto de 2006
Querido Professor e Cineasta João Moreira Salles
Vivi hoje alguns momentos de emoção causada por notícias e entrevista envolvendo a sua pessoa. A notícia chegou a mim através da leitura do jornal “Diário do Povo do Piauí’ sob o título “Piauí vai dar nome a revista nacional”. Nela fiquei sabendo que o amigo pretende editar uma revista “cult” que “promete ser uma das mais refinadas publicações do mercado editorial brasileiro” ... e que já a batizou com o nome de “Piauí”.
Saber disso me deixou por demais feliz e confesso, orgulhoso. Explico por quê: quando conheci o Piauí, Oeiras em particular, em dezembro de 2002, eu tinha vivido pelo menos 54 anos da minha vida sem nunca ter sequer sonhado em conhecer esta Terra Querida. De lá para cá só tenho feito aprofundar minha paixão pelo Estado que um dia chamei de “O mais charmoso do Brasil”. E não me limitei a assim chamá-lo apenas verbalmente: editei, em São Paulo, 5 números de um tablóide ultra alternativo com o nome de “O Estado do Piauí, o mais charmoso do Brasil!”
Certamente não tão refinado como será a sua revista, cujo o primeiro número já aguardo ansioso, mas sem dúvida um jornal absolutamente cult, tão cult que chegou a ter dezesseis páginas falando apenas de um negro, músico e intelectual autodidata, Possidônio Queiroz, uma das pessoas mais amadas e respeitadas na cidade de Oeiras, onde morreu aos 92 anos e cujo centenário de nascimento se comemorava em 2004.
Relacionar o nome do Piauí a publicações de natureza cultural, como vê, meu caro João, esta sensibilidade, é algo que já temos em comum.
Tudo isto dito, eu reconheço neste o momento de me apresentar. Ocorre que, para que tivesse um resultado ao menos palpável, esta apresentação entraria em detalhes tão enfadonhos que se perderia o essencial. É tudo o que não desejo! Contento-me em dizer o que quase já disse:meu nome é Joca Oeiras, paulistano de 58 anos, apaixonado pelo Piauí, e atualmente morador de Oeiras, primeira capital do Estado mais charmoso do Brasil...
Depois de ler a notícia no Diário do Povo do Piauí de hoje, 9 de Agosto de 2006, fui pesquisar sobre você no Google e encontrei, entre outras cerca de 49.500 citações de seu nome, uma entrevista concedida à Agência Nacional de Notícias http://www.radiobras.gov.br/materia_i_2004.php?materia=210029&editoria=&q=1 em que se mostra preocupado com a preservação da memória nacional e descarta a Televisão como agente eficaz (e eficiente) para esta importante tarefa digamos, missionária. Foi aí que, mais uma vez, tive o meu astral levantado: na realidade o assunto que me move a escrever esta missiva é justamente a preservação de uma importantíssimo Patrimônio Histórico brasileiro localizado no Piauí, o que, como veremos, o valoriza ainda mais.
Fitzcarraldo nos Sertões de Dentro!
Os detalhes eu dou depois: por ora peço apenas para você imaginar um sujeito rico, cientista visionário formado na Alemanha e que resolveu montar uma fábrica de laticínios em pleno sertão do Piauí. Isto por volta de 1888/89. Para tanto fez transportarem máquinas, as mais modernas, fabricadas em Berna (Suíça) e que foram trazidas em barcaças através do Rio Parnaíba até onde hoje se localiza a cidade de Floriano (dê uma olhada no mapa). De lá, foram transportadas, num percurso aproximado de 180 km, sem que houvesse previamente qualquer caminho ou estrada, em carros de bois até a região denominada Campos (hoje município de Campinas do Piauí) onde foi construído um imponente edifício. Uma verdadeira Epopéia! A fábrica foi inaugurada em 1897 e, durante anos , produziu manteiga de alta qualidade. É esta a história que eu gostaria de contar, com riqueza de detalhes (fotos da época, inclusive) de preferência no primeiro número da sua super-chiquérrima revista Piauí. Isto se você se interessar por ela, é claro!
Mas para além da história, interessantíssima, existe uma outra razão muito forte para que eu me reporte a este assunto: o Prédio que abrigou, nos primeiros anos do século passado (e nos últimos do século XIX) a Fábrica de Laticínios dos Campos em Campinas do Piauí encontra-se em ruínas e ameaçado de desabar e é objeto de uma Campanha pela sua restauração promovida pela Fundação Nogueira Tapety-FNT (www.fnt.org.br), na qual trabalho. Por isto é mais que oportuna a exposição na mídia deste Patrimônio em sério risco de perecimento.
Certo de sua atenção para com o acima exposto, envio
Beijos e abraços do Joca Oeiras, o anjo andarillho
A resposta do João:
Meu caro Joca,
Que bom que você gostou da notícia. Mas, como sempre, a imprensa comete os seus pecados. A revista não será cult (seja lá o que isso for) e muito menos chiquérrima. Não será lida pelo público da Daslu. Será, com sorte, uma revista interessante, bem humorada, curiosa, feita para um público geral. Uma revista serena, sem grandes indignações, com matérias de reportagem e não de opinião. Escolhi o nome piauí porque acho a palavra sonora, suave, boa de falar. Claro que iremos falar do Estado, mas não foi essa a razão do batizado. No momento, estamos produzindo nossos primeiros números e o trabalho é insano. Não daria pra incluir outras matérias além das em andamento. Pretendo em breve dar um pulo do Piauí para escrever sobre o lugar que nos deu o nome. Na ocaisão, entrarei em contato com você. Aí, ao vivo, a gente troca uma bola.
Grande abraço,
João
A minha resposta:
Queridos Isabel e João
Isabel : não me constrange, bem ao contrário me aquece o coração, ser chamado, por você, de "querido Joca".E agradeço toda a atenção que com graça me doou!
João: me perdoe a franqueza mas, ao diverso de muitas outras coisas, o que menos importa, no caso, é a intenção! A revista Piauí faz plena referência a um Estado brasileiro cheio de problemas reais e de surpreendentes encantos e, mais ainda, vítima de uma enorme preconceito por parte dos brasileiros. Posso até ser suspeito para julgar, mas achei o nome uim achado genial.
Mais do que isto: acho que ele contribui com o nosso sentimento de brasilidade, reforça a Nação Brasileira como deve ser entendida na sua plenitude. E por mais que negue, apenas o fato de ver eufonia no nome Piauí já demonstra que você não participa do preconceito que cerca o Estado mais charmoso do Brasil.
Fico um pouco triste com a notícia de que não há espaço editorial, no momento, para a matéria que propus.A história da Fábrica de laticinios dos Campos é fascinante!Ilustraria, certamente, a revista Piauí.
Tomo a liberdade de enviar-lhes alguns exemplares do "O Estado do Piauí, o mais charmoso do Brasil". E convidá-los, João e Isabel , a visitarem o nosso "Portal do Sertão" www.fnt.org.br.
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho
Assessor de Imprensa-FNT www.fnt.org.br tel: 55 0XX 89 3462 1730
O Sertão é a nossa
João, em nova resposta:
Joca,
Não há espaço agora, mas, quem sabe, mais pra frente?
Estou curiosíssimo para ler os exemplares da primeira revista Piauí do Brasil.
Grande abraço,
João
Joca, eu vi a revista ontem. É boa. E não denigre o Piauí.
;-)
Querido Fábio:
Nunca duvidei disto!
beijos e abraços
do Joca Oeiras,o anjo andarilho
Caro João,
Essa discursão é antiqüíssima, mas estou atrás do teu contato
Para saber o pq de ainda não termos “Santiago” em DVD?
Decisão sua?
Abraço!
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