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Casa de Criadores 2007

Uol Moda
O ousado Walério Araújo desfila pela Casa de Criadores
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Revista Sintética · Osasco, SP
14/5/2007 · 41 · 3
 

Veja as fotos

Por: Eva Coutinho e Carol Carvalho
9 de maio de 2007

Não adianta ter uma criatividade a flor da pele se você não pode divulgar essa criatividade para o mundo, muito menos quando você tem uma concorrência enorme de grandes nomes e ainda é somente um talento em evidência. Mas apesar de tudo isso não podemos nos desanimar, porque sempre tem espaço para quem realmente é bom, e é por isso que este ano a Casa dos Criadores, abertura para apresentação daqueles que representam a autenticidade, o estilo e a inovação, comemora em sua 21ª edição. São 10 anos de renovação da moda brasileira. O evento aconteceu entre os dias 2 e 4 de maio no Centro de Convenções Frei Caneca.

Primeiro dia – Por Carol Carvalho

Como não podia deixar de ser a festa começou em grande estilo com o desfile de André Lima, no qual podíamos visualizar uma retrospectiva de sua carreira, iniciada na 6ª edição da Casa de Criadores, e ao mesmo tempo uma representação daquilo que é o objetivo dos organizadores: a apresentação de trabalhos distintos que vão do extremo conceitual até a mais delicada visão romântica da moda, podendo, com o desfile de André Lima, compreender o que significa esta comemoração de 10 anos e ao mesmo tempo entender como a participação de um estilista neste evento influencia na sua carreira, criação e em sua “flexibilidade de ser livre”, como disse o próprio estilista.

Alem disso tivemos, é lógico, os criadores mais experientes, como Moshe, Gustavo Silvestre, Macelu Ferraz e Rober Dognani, além dos recém-chegados A.nimal S.treet H., Paula Bertone e Mario Catto, que em uma visão geral não apresentaram desfiles muito inovadores, mas que dentro de suas peculiaridades podem ser considerados, vamos a algumas delas:
Gustavo Silvestre: O mais interessante em sua apresentação, algo que já vem se colocando como uma assinatura, é a disposição das roupas, pois em seu desfile as modelos não eram um show na passarela e sim uma obra de arte a ser observada e analisada, pois elas é quem ficavam sentadas esperando a platéia “desfilar” e observar cada look. Quanto às roupas, os bordados delicados são o ponto de partida para uma mistura de jeans, linhos e malhas entre cores brancas, pretas, pratas e bordados multicoloridos, que refletiam um aspecto ao mesmo tempo simples e sujo de uma mulher meio masculinizada e moderna dos anos 20.

-Moshe: trilhada por uma apresentação ao vivo de um dos integrantes da banda cearense Montage, o desfile caracterizou uma mistura esportiva masculina das experiências de vida do estilista sobre o viés cultural, religioso e educacional das vivencias pelas quais ele passou durante a sua estadia como estudante em Israel, onde, com uma trilha grunge anos 90 ele passou por guerra, amigos, historias... que são contadas através da misturas de composições em xadrez, muitas cores e estampas, macacões, abrigos, bermudas de flanelas e muitos acessórios, um homem moderno, esportivo mais construído por um passado que ainda vive.

-Marcelo Ferraz: Apresentou uma mulher masculinizada, moderna e influente, que não esta aqui para representar a oposição feminino-masculino, mas sim para mostrar que mesmo com uma mistura entre tecidos, looks e formas masculinas e femininas ela ainda tem a identidade forte e persistente da mulher ativa e heróica da contemporaneidade. Para tornar forma essas idéias Marcelu usou a feminilidade nos tecidos e a masculinidade nas formas, detalhando adereços e apresentando a estrutura sólida do tricoline masculino com a leveza da seda feminina, ou, o mix do estilo lady like com o militarizado. Finalizando ele colocou uma mulher extremamente feminina que aflora através de vestidos em tons claros e tecidos leves.

-A.nimal S.treet H.: Grife street wear, iniciou o desfile com uma animação que serviu como ponto de partida para as suas estampas, apresentando uma característica bem grafite e em alguns momentos criando roupas que serviam como uma segunda pele desenhada, tínhamos ali um corpo a ser ocupado por imagens e inúmeras informações, como a vida do jovem atual. Pequenas variações na modelagem e muito jeans.

-Rober Dognani: A entrada foi estonteante, a modelo tinha uma maquiagem tão real que parecia uma boneca, ela estava lá com o seu look preto para representar a noite paulistana, tendo como apoio tafetás de seda pura, lá e moletom e uma grande variação de formas e formatos que se combinavam em vestidos pretos e cinzas somados a quatro looks masculinos.

Segundo dia – Por Eva Coutinho

O segundo dia da 21ª edição da Casa de Criadores veio com muito mais desfiles por conta do Projeto LAB, que é a “porta de entrada” da Casa, ou seja, onde se apresentam os iniciantes. Foi, sem dúvida, uma das edições mais ricas do Projeto no que diz respeito à qualidade do material, mas foi menos “experimental”.

Além dos estreantes, apresentaram-se também: P´tit, Ivan Aguilar, Fabiana Bauman, Weider Silveiro, Briza e o show-man (super aguardado) Walério Araújo.

Confira o que rolou nos desfiles:

PROJETO LAB:
-Ianire Soraluze: Nascida no País Basco, Ianire levou para a passarela um pouco da cultura de seu país. Por isso, prevaleceram tons mais amenos como creme, tons pastéis de rosa, azul e verde e marrom. Tecidos naturais como algodão, linho e lã transformaram-se em casquetos e peças com drapeados e amarrações.
-André Phergom: Apostou no visual rocker e na conteiporaneidade, mas com boas propostas de alfaiataria. André mostrou soluções criativas de abotoamentos e recortes, além de estampas interessantes, como a de placas-mãe de computadores.
-Rquel Gaeta: Um desfile bem comportado e suave. Nada de volumes e exageros, formas mais secas, cintura alta e recortes bem localizados. Cinza, vermelho, pele e marinho foram as cores usadas pela estilista.
-Patrícia Gerber: Um desfile-protesto onde as guerras individuais são discutidas. Homens e mulheres na passarela, de camiseta e calçola, despidos de suas personalidades (afinal, o que melhor para mostrar a personalidade de cada um do que a roupa?) entram e saem, deixando o ponto de interrogação.

E agora, os Criadores:

-P’Tit: Com uma coleção inspirada na desumanização e na robótica, a marca P’tit leva para a passarela roupas que a Princesa Leia ia adorar. Muitos drapeados, amontoados de tecidos e sobreposições, além de formas amplas. A marca também explorou as misturas de tecidos (brilhosos e opacos) além de ter explorado o avesso das peças. Cores: cinza, azul, preto, roxo e branco.

-Ivan Aguilar: Ivan trouxe formas imensas para os homens, exageradas: golas oversize, comprimentos muito maiores do que o normal e volume em peças que geralmente não tem, como os casacos. Foi um desfile sóbrio, com uma cartela de cores escurecida: marrom, musgo, cinza e preto.

-Fabiana Bauman: Com uma coleção simples visualmente, mas cheia de detalhes, como pences, recortes, pregas e volumes bem localizados, Fabiana Bauman agradou. A estilista faz uma reflexão sobre o EU real e o EU interior, por isso, faz sobreposições e camadas de tecidos. Cores: gelo, avelã, fumaça, ametista e fúcsia.

-Weider Silveiro: O estilista inspira-se no próprio inverno para criar esta coleção. Por isso, o resultado apresentado incluir cores mais frias como azul royal, berinjela, cinza e preto. Weider insere volumes mais comedidos e formas arredondadas, além de fazer aplicações em alguns looks, nervuras e drapeados.

-Briza: Nesta coleção, a marca fala de medos: medo de que moda conceitual seja engolida pela moda industrial, medo de máquinas e hospitais, enfim. A coleção apresenta formas que deformam o corpo, costuras e amarrações bem evidentes. Os tecidos mais leves aparecem em looks separados de tecidos mais pesados. Cores: cinza, branco, gelo e azul.

-Walério Araújo: O desfile mais aguardado da noite não decepcionou. Walério amadureceu seu trabalho. Muito embora as formas sejam estrategicamente pensadas, o estilista não perde a ousadia. Roupas inspiradas em vestidos glamourosos usados em bailes, ganham decotes mais profundos aqui, ou um excesso de aplicação de pérolas, lá. Apesar das formas exageradas e das aplicações, Walério é simples e direto nas cores: preto e marfim.

Terceiro dia – Por Eva Coutinho

A Casa de Criadores chega ao terceiro e último dia. E, mesmo com alguns desfiles que não empolgaram, vai deixar muita saudade.

Neste último dia passaram por lá:

-Gêmeas: menos rocker e mais feminino, o desfile das irmãs apresentou peças ajustadas, com pouco volume e calças bem justas. A modelagem vem bem comportada, mas mesmo assim vemos alguns decotes e babados discretos. Cores: laranja, preto, prata, azul royal e vermelho.

-Coletivo: o grupo prodígio ensinado pela estilista Karlla Girotto continuam a explorar bem a modelagem. Sem tema definido, eles inserem recortes e fazem abotoamentos em lugares inusitados, como decotes e mangas. Formas mais volumosas. A grande maioria das peças são extremamente curtas. Cores marcantes como azul royal, pink e metalizados constroem o desfile.

-ADD – Attention Deaf Disorder: A marca, estreante na Casa de Criadores, baseou seu desfile em fatos históricos como o movimento zapatista e a civilização Maia. Com uma modelagem masculina mais tradicional, a coleção trouxe bermudas cargo, camisas com pala pespontada nas costas, camisa com pala plissada na frente, blazeres e camisetas. A coleção traz uma mistura interessante de cores e materiais. Há um bom balanceamento entre casual e esportivo. Cores: laranja, vermelho, verde, marrom, branco e preto.

-Ivã Ribeiro: O estilista Ivã Ribeiro trouxe uma coleção onde o urbano e o bucólico se misturam. Peças mais leves recebem complementos como coletes e bermudas de alfaiataria. Estampas de flores são surpreendidas por peças manchadas.

-Thiago Marcon: Mais uma vez as histórias em quadrinhos e os personagens de Maurício de Souza roubam o desfile de Thiago Marcon. Tina, Rolo e Pipa, os personagens jovens do cartunista viram vedetes nas estampas de Thiago, aplicadas sobre formas descontraídas e que lembram muito as décadas de 50 e 60. Um desfile divertido, equilibrado nas formas e cores.

João Pimenta fechou a edição que comemora os 10 anos do evento com chave de ouro! Com a coleção “Eu não sou escravo, eu sou é Rei!” João Pimenta falou de um assunto tão recorrente em nossa cultura, mas de uma forma diferente, que passou longe dos clichês. João Pimenta construiu peças elaboradas, de alfaiataria. Continua fazendo seu esportivo-street também, mas está cada vez mais sofisticado. Para construir uma coleção assim, o estilista também se valeu de artesanato e misturas de acessórios populares. Vários modelos entraram na passarela com coroas de arame decoradas com artesanato popular. Cores como rosa, vermelho, verde e azul turquesa permearam todo o desfile. Bordados e matelassê complementaram a coleção. Foi um verdadeiro show! Em São Paulo, diferentemente de Fortaleza, João Pimenta levou um grupo de percussão para a passarela, o que emocionou ainda mais.

E a Casa de Criadores chega ao fim, deixando uma enorme saudade para a próxima edição. As loucuras estão mais comedidas. Principalmente o aproveitamento dos espaços do evento. Nesta edição, havia uma colagem incrível no espaço de recepção do evento, que foi complementado apenas por uma instalação da marca NIZT, muito simples. Instalação que foi quase engolida pela decoração super bacana das paredes do Centro de Convenções Frei Caneca.

Mesmo assim, a Casa é uma parada obrigatória na rotina de qualquer fashionista e o organizador André Hidalgo dá um show de sincronia na passarela.

E a Casa não pretende parar com o final do último desfile no dia 4. O evento ainda espera lançar um documentário e um livro ainda este ano!

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Helena Aragão
 

Oi, vocês devem ter reparado que tem um link estouradaço no começo, né? Pra mudar, o ideal é usar o recurso para colocar link: abra o texto do lapisinho, selecione a palavra a ser linkada e clica no botão link. Vai abrir a caixinha para você colocar o endereço (atenção que já aparece o http://, é só completar com o resto). Abraço!

Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 14/5/2007 13:17
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Revista Sintética
 

Pronto, corrigido. Beijos!

Revista Sintética · Osasco, SP 14/5/2007 23:03
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Helena Aragão
 

Valeu, gente! Que bom que deu tempo de corrigir na edição!

Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 15/5/2007 10:53
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