Acabou um patrocínio, o Unibanco rapou: a arte depende disso...
O que se pode dizer do iminente colapso do Cinema da Casa de Cultura Mário Quintana?
O Antigo Hotel Majestic- magnífico projeto do arquiteto alemão Theodor Wiederspahn, onde circulavam as personalidades das décadas de 20 e 30, como Jango e Getúlio Vargas, Virginia Lane e Francisco Alves, na então charmosa Rua da Praia, onde todos iam aparecer e desfilar, "footing"- foi tombado em 1990 e abriga salas de exposição, Bibliotecas e teatros.
Assim, em uma cidade que tem na sua arquitetura um dos grandes- e poucos, atrativos turísticos, e na cultura uma das mais fortes características, ela torna-se o destino inevitável de qualquer amigo visitante. Sem falar que Mário Quintana - que lá morou - é um poeta amado por todos: já tive oportunidade de fazer leitura de seus poemas, e vi no rosto emocionado dos ouvintes que eram todos leitores, alguns poemas as pessoas sabem de cor. A Casa é um símbolo da cidade, mas o que está mais ligado com a vida do porto-alegrense são mesmo os cinemas...
Foi lá que muitas boas experiências eu tive, o local representa um oásis na loucura urbana, na avalanche de imagens globalizadas. Um espaço de fôlego, reflexão.
Todas as capitais do mundo têm sua pequena câmara de salvar da opressão, opressão da mesmice e do medo do mundo contemporâneo. Sem isso, que seria a vida? Nossa vida de asfalteiros vivos?
A criatividade é o que as cidades têm de bom, ainda. Porto Alegre, sem mar, sem mata, sem São Paulo, tem na força dos criadores sua salvação.
E, sem um diferente que entra entre outras coisas pelo pensamento em telas grandes, acabamos morrendo por dentro.
É uma vergonha que nossos empresários, políticos, intelectuais, pensem tão pouco na necessidade de vida a ponto de deixar acontecer algo como isso...
O natural seria que o Banrisul (Banco do Estado do Rio Grande do Sul assumisse o patrocínio, esse banco que dá lucro e que é do povo, mas estamos em final de gestão, e tudo fica lento...
É uma pequena tragédia para a cidade. 4 mil pessoas já pediram ajuda, mas o Estado está em cortes de orçamento... (sabe como é, sempre têm alguma empresa que precisa de "isenção" para não ir para o Nordeste...) Quem sabe se alguém toma para si essa responsabilidade? Da minha parte posso doar alguns livros, que, se alguém quiser comprar, podem ser ajuda simbólica...
Abaixo, o comunicado do site da Casa.
A CINEMATECA PAULO AMORIM
ESTÁ EM BUSCA DE APOIO.
COLABORE, DIVULGANDO A TODOS!
Desde janeiro de 1996, a Cinemateca Paulo Amorim contou com a parceria do Instituto Moreira Salles – Espaço Unibanco de Cinema. O patrocínio, infelizmente, chega ao fim em dezembro de 2006.
Sem esse apoio, fundamental para a manutenção das suas três salas, a Cinemateca corre o risco de fechar suas portas.
A ASSOCIAÇÃO DOS AMIGOS DA CINEMATECA PAULO AMORIM ESTÁ EM CAMPANHA PARA SALVAR OS CINEMAS DA CASA DE CULTURA MARIO QUINTANA. LIDERADA POR LUIZ PIGHINI, DIRETOR E PROGRAMADOR DAS SALAS, A INICIATIVA VEM BUSCANDO O APOIO DO GOVERNO, IMPRENSA, EMPRESÁRIOS E DO PÚBLICO.
AGRADECEMOS A TODOS PELAS MANIFESTAÇÕES DE SOLIDARIEDADE E PARTICIPAÇÃO NESSA CAMPANHA, EM ESPECIAL À RBS E À ASSOCIAÇÃO DOS MORADORES DO CENTRO DE PORTO ALEGRE.
NA BILHETERIA DA SALA EDUARDO HIRTZ, UM ABAIXO-ASSINADO PEDE AO NOVO GOVERNO ESTADUAL QUE GARANTA O FUTURO DA CINEMATECA. PARTICIPE!
PRIMEIRA COLABORADORA
Assistindo ao Jornal do Almoço, DENISE ARGEMI, especialista em Direito Internacional Público e Privado, sensibilizou-se com as dificuldades da Cinemateca Paulo Amorim e resolveu ajudar.
De dezembro a abril, vai colaborar com R$ 1.000,00 (mil reais mensais), do próprio bolso, na tentativa de salvar as salas. É insuficiente em relação ao que a Cinemateca precisa para se manter funcionando (R$ 15 mil por mês), mas um gesto significativo, sobretudo por se tratar de uma iniciativa individual e de um exemplo de solidariedade e preocupação com a cultura do Estado.
Opa Afonso, me lembro de ter realmente ficado impressionado com a Casa de Cultura Mário Quintana, quando estive por aí. Tomara que consiga se recupar.
Como comentário editorial, só aconselharia uma organização melhor do texto, tanto estilisticamente, quanto com relação a formatação. Era bom também uma contextualização melhorda importância da Casa. Valeu.
Obrigado pelas dicas! é sempre bom um olhar de fora! valeu :)
afonsojunior · São Paulo, SP 29/1/2007 15:15Volta e meia o fim de algum cinema pelo Brasil vira tema de texto aqui no Overmundo. Um triste sinal de que esses fechamentos acontecem em vários estados. Esse seu texto me chamou atenção por dois motivos: se não me engano em geral os textos aqui falam do fechamento de cinemas de rua, uma tendência aparentemente irreversível. Nesse caso de Poa, é um cinema de centro cultural... (Aliás, aqui no Rio o ex-Espaço Unibanco de Cinema agora é só Espaço de Cinema, será que tem a ver?) A outra coisa que chamou atenção foi boa: que o texto não traz só a indignação, mas também um movimento para reverter a situação. Dê notícias por aqui dos resultados, qdo houver!
Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 29/1/2007 17:35
Boa providência a sua Afonso. Precisamos fazer a Cultura resistir e crescer. Pena que tudo seja mais ou menos como botar água em peneira, tenta-se contê-la aqui e ali, mas ela foge célere pelos outros buracos. Mas não devemos desanimar nunca.
abcs
Vira e mexe vou ao seu blog.
http://jjleandro-jjleandro.blogspot.com/
Obrigadão, JJ, meu blogo andou meio parado, depende e achar algo que eu ache interessante hehehe... Quanto a cultura acho que o lula deu uma viradinha legal, nas Universidades, por exemplo, aumentou o número de contratados e diminuiu as terceirizadas, que pagam pouco e ganham muito, pararam os cortes de verba dos 8 anos FHC... Vamos achando caminhos! Abrçs
afonsojunior · São Paulo, SP 30/1/2007 13:13
Dona Yeda deve pedir o patrocínio de Gerdau e Azaléa para esta campanha também.
Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 21/2/2007 11:37Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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