Foto e texto por Carolina Bernardes
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CHEGA DE SILÊNCIO. Somos Todas Viviane Alves! Esse foi o tema do ato a favor da Viviane Alves que tomou Av. Brigadeiro Faria Lima nesta terça-feira, 29. O caso ainda não foi esclarecido pela polÃcia e corre em segredo de justiça, deixando a população sem saber o que está acontecendo.
A mãe da Viviane Alves fez declarações para a polÃcia falando que a filha suspeitava que havia sido abusada sexualmente por um colega de trabalho, na festa de fim de ano do escritório de advocacia onde trabalhava. Além disso, a filha já tinha relatado estar passando por assédio moral no trabalho.
Essas declarações aumentaram o clamor popular em cima do caso. Pois trazem a tona a questão do abuso sexual e assédio moral da mulher. Tudo isso mostra um pouco do silêncio queixado pela manifestação. Pois não é só a justiça que não fala, mas o silêncio das vitimas desse tipo de crime.
Os motivos para esse silêncio são muitos: medo de denunciar, dúvida sobre a eficácia da denuncia e, principalmente, a culpabilidade da vitima. Sim, esse ainda é um dos principais motivos no imaginário comum. Pois expressões como ‘’Ela não devia ter bebido tanto’’ e ‘’Olha como ela estava vestindo’’ estão ainda presentes na sociedade, colocando a culpa na vitima.
Durante o ato, os manifestantes gritavam ‘’Mexeu com mulher, a gente mete a colher’’, indo contra o ditado popular que diz ‘’Em briga de marido e mulher, ninguém mete a colhe’’, ou seja, deixar quieto que eles se resolvem. Não importa se é abuso sexual, assédio moral, violência doméstica. Assim como nessas brigas, nos casos de abuso, ninguém que se meter. Ninguém estava lá. Ninguém sabia. Será que aconteceu? Se existe dúvida, nunca é sobre quem cometeu, mas se a vitima está mentindo. Ou seja, volta para a culpa da vitima.
No mês passado, aconteceu na Ãndia dois fatos que chocaram o paÃs e o mundo. Um estupro coletivo de uma jovem de 23 anos, estudante de medicina em Nova Délhi. Antes dele, uma menina de 17 anos também tinha sofrido um estupro coletivo em Chandigarh, denunciou, não conseguiu apoio da polÃcia e por ninguém acreditar nela, decidiu suicidar.
Ontem, o ato contra o silêncio sobre o caso da Viviane Alves, trouxe a Ãndia para o Brasil. Mesmo sem esses casos chocantes de estupros coletivos, o números da violência contra a mulher são assustadores. A média de ligações para o 180 –Central de Atendimento a Mulher tem aumentado exponencialmente, de 204 mil em 2006 para 734 mil em 2010. Ou seja, uma média de 2 mil ligações por dia em todo o Brasil. O crescimento dessas ligações se deve não só ao fato da violência ter aumentado, mas ao número de denúncias sobre atos de violência que estão crescendo após a Lei Maria da Penha.
A Ãndia não está longe, ela é aqui, ou em qualquer lugar que aceita o estupro e culpa a vitima. A morte dessas mulheres simbolizam o descaso das autoridades e a omissão da sociedade. A população tem tomado as ruas, na Ãndia e ontem em São Paulo. Parece que a sociedade está se levantando para reivindicar os direitos das mulheres. Chega de Silêncio.
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