CHICO DOIDO: REINAÇÕES DO IMPERADOR DO ONGABONGA

Arquivo pessoal de Hélio
Chico e Hélio: amigos e Foliões do Ongabonga.
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Luiz Antonio Cavalheiro · Cordeiro, RJ
27/9/2007 · 234 · 39
 

Há três anos que o alvorecer do dia 15 de agosto é silencioso no Arraial do Sapo.

Da última vez que nos levantamos muito cedo de nossas camas com olhos ainda remelentos, cansados e domados por Morfeu foi em 2003. A Sociedade Musical Fraternidade Cordeirense veio em festa ritmada acordando toda a gente para a devida homenagem ao nosso Rei. Sorte minha que, como súdito que fui desde criança, moro ao lado do “castelo” e nunca deixei de presenciar esse espetáculo.

Manhãzinha de 15 de agosto foi sempre assim e parecia que duraria a vida inteira tal e qual o “viveram felizes para sempre” dos Contos de Fadas. A banda anunciava o aniversário do Rei ao longe em marcha embalada pelas músicas que ele mais gostava de ouvir em todas as ocasiões que a banda se apresentava. Sim, Chico era o mais fiel “acompanhador” da banda de Cordeiro. O Rei amava a banda e a banda o reverenciava na manhã do seu aniversário com sonoros acordes de “Parabéns pra Você”. Nós, os súditos, corríamos para as janelas. Ouvíamos enternecidos a banda tocar e víamos o Rei em sua tamanha e expansiva alegria. Ficávamos felizes durante todo o 15 de agosto...

Depois que Chico se foi, hoje só há o silêncio no fim da Avenida Presidente Vargas, em Cordeiro, região serrana do rio de Janeiro. A banda ainda faz as suas apresentações na Festa da Padroeira que, por coincidência, é também no dia do aniversário de Chico. Mas no Arraial do Sapo, ah... Sem Chico não tem mais graça e ninguém mais vê a banda passar.

Da última vez que o Ongabonga passou pela Avenida em pleno Carnaval, os foliões choravam a ausência do Rei.
Chico, desde os primeiros instantes de vida do bloco carnavalesco Ongabonga, foi o Rei. Ainda na sala de um de seus amigos, o Hélio, faltando pouco mais de 15 dias para o carnaval de 1990, foi revestido em majestade. Na casa de Hélio, todos assistiam a um filme da pré-história e, em determinado momento, quando um homem-macaco grunhiu foi imitado com muita graça por Chico. Vendo que todos se divertiram com a imitação, Hélio teve um insight e resolveu criar um bloco de homens pré-históricos que “cantassem” o que Chico acabara de inventar.

Chico, além de fã da banda, também era fã de Carnaval. Hélio diz que sempre via o amigo brincar com qualquer fantasia que lhe arrumavam, mas sempre pelos cantos, à margem da folia, um excluído dos blocos e das agremiações carnavalescas. No Ongabonga, Chico Doido durante 13 anos foi sempre figura central. O rei do Carnaval Cordeirense sobressaindo-se mais que os “Momos” oficiais de palanque. Chico tinha a sua coroa, o seu tacape e já nos últimos anos de vida, um pouco debilitado, trono e carro alegórico só seus. O Ongabonga não saía para a diversão sem que antes o seu Rei “rezasse” sua inocente Ave-Maria que ecoava por todo o sistema de som da Avenida Raul Veiga, a principal da cidade. Era ovacionado pelas arquibancadas improvisadas. Gritavam o seu nome e o aplaudiam. Ainda no desfile do bloco carnavalesco, ele era esperado como um Cartola da Estação Primeira de Mangueira para cantar o “samba-enredo” do ano. Por mais que os foliões mudassem a letra e a incrementassem com frases picantes, Ele cantava sempre a mesma melodia despretensiosamente inventada lá na sala da casa de Hélio vendo um filme de dinossauros e homens peludos. Doce inocência a ser aprendida por nós...

A inocência de Chico vem de uma época que ninguém falava de inclusão social, escolar ou outras palavras e ações politicamente corretas. Francisco Cordeiro nasceu numa família humilde, primeiro filho dos cinco que Dona Malvina teve no casamento com o Sr. Cordeiro. Francisco nasceu portador de deficiência mental. Não freqüentou escola, não lhe deram a chance de nenhum trabalho. Não participou de grupos de convivência mas também nunca foi levado a um hospício.

Ele tinha medo de chuva e, quando ficava nervoso, dizia palavrões e xingava as pessoas para, logo em seguida, numa auto-disciplina, se corrigir e dizer a si próprio: “Olha a boca!”Chico cresceu e morreu na casa de nº 870 no Arraial do Sapo – nome antigo para o que é hoje o bairro Santo Antonio.
O apreço e o carinho por Chico Doido nasceu aos poucos em cada casa de nossa pequena cidade.

Chico era diferente? Era sim, mas todos somos!

Nas casas, sempre tinha almoço, janta e café para o Chico. E ele gostava mesmo era de comer cada dia num lugar. Nos bares, refrigerante e salgadinho era o que ele gostava. E quando se “cansava” e queria voltar pra casa, alguém o devolvia, de carro, são e salvo ao seu lar.

Chico tinha amigos e muitos. A deficiência mental não o descartou, mas o trouxe para perto, para o meio, ainda num tempo em que engatinhávamos sobre o assunto, fizemos como sabíamos. Mesmo com os nossos erros e acertos, Chico tornou-se uma das pessoas mais conhecidas e queridas de Cordeiro.

Contrariando o curso natural da história oficial que privilegia os brancos, os ricos e os intelectuais, às vezes nem tão brancos e nem tão ricos, Chico é História de Cordeiro. Provavelmente não terá placa de rua, nenhuma instituição de ensino abrigará o seu nome e só por um delírio ( tomara que o tenhamos!) ganhará um busto na praça. Não tem problema se isso não acontecer. Essas homenagens póstumas ficam bem melhores para os “cidadãos normais”.

Chico é História assim mesmo. Dessas que vão sendo contadas e recontadas até virarem lendas de tão aumentadas em seus pontos por risos, lembranças e lágrimas que não há como detê-las ou silenciá-las. Chico é o Rei do Ongabonga para sempre. A cada Carnaval, o seu trono segue vazio e a sua coroa revela a sua majestade nos corações de quem realmente o conheceu.

Hoje, difícil mesmo é ver um monte de homens pré-históricos, em plena folia carnavalesca do século XXI, na hora da saudação à memória do Rei, parar e chorar assim como fazem as crianças desamparadas e sozinhas nas portas das escolas.

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FILIPE MAMEDE
 

Cavalheiro, linda homenagem essa tua; singela, saudosa, irreverente, por quê não? O Chico Doido era um iluminado porque tinha amigos...
Um abraço.

FILIPE MAMEDE · Natal, RN 25/9/2007 08:45
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Luiz Antonio Cavalheiro
 

Oi, Filipe!
Pois é... dia 15 de agosto foi um silêncio danado de ruim aqui em frente de casa. Eu adorava ser acordado pela banda cantando pro Chico. Agora não tem mais.
Hoje em dia fala-se muito em inclusão e coisa e tal. Realmente se pararmos pra ver a realidade dura que marginaliza quem não é "normal", veremos que o Chico foi um cara de sorte dentro do que a gente entendeu na época o que era certo fazer. Atualmente os tempos são bem outros e se ele nascesse agora, talvez (quem poderá afirmar?) encontrasse um mundo mais atento às suas necessidades.
A essência do artigo é essa mesma: uma homenagem.

Valeu, cara!

Um grande abraço.

Luiz Antonio Cavalheiro · Cordeiro, RJ 25/9/2007 10:21
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Matheus Muzy
 

Que bacana Luiz!!!
Chico não precisa de busto na praça... ELE ESTÁ NO OVERMUNDO!

Valeu! Bela matéria. Justa homenagem.


Abraços

Matheus Muzy · Cordeiro, RJ 26/9/2007 21:46
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Adilson Sarti
 

Hei... Viva o Chico! Viva tu... Cavalheiro!
Belíssimo texto. Como sempre você nos emociona !
Abração

Adilson Sarti · Duque de Caxias, RJ 26/9/2007 21:52
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Luiz Antonio Cavalheiro
 

Caro amigo Adilson,
Convivi com o Chico e com a família dele desde pequeno. Foi difícil fazer um texto sobre ele que não tivesse muito do que tem dentro do meu coração. Lembranças que trago comigo.
"Chico Doido" (hoje esse apelido soaria politicamente incorreto) ensinou-me além dos palavrões (é claro!) a arte de rir de si mesmo, de ser simples e de dar importância as felicidades corriqueiras. Alma boa a de Chico. Vivia rodeado de crianças. Pra mim isso sempre foi e será um bom sinal.

Grande abraço e obrigado.

Luiz Antonio Cavalheiro · Cordeiro, RJ 26/9/2007 21:58
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Luiz Antonio Cavalheiro
 

Oi Matheus!

Hehehe... nem me dei conta disso! Chico agora tá no Overmundo.
Que doideira ( palavra mais certa não há!).
Seja muito bem-vindo ao OVERMUNDO, Chico!

Bacana.

Luiz Antonio Cavalheiro · Cordeiro, RJ 26/9/2007 22:01
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Saramar
 

Sua história, ou melhor, a do Rei Chico, é emocionante demais.
Chamo isso de amor. Ele amaou a cidade que o amou e acolheu e respeitou.
Foi a mais linda troca, que certamente não morrerá.
Como você disse, talvez daqui tantos anos, as crianças da cidade contarão a história de um rei que fazia os homens chorar, não de dor ou vergonha, mas de saudade.
Lindíssima.

beijos

Saramar · Goiânia, GO 27/9/2007 22:16
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osvaldocosta
 

Seu relato me emocionou, Luiz. Por vários motivos: pela sensibilidade do narrador e do narrado; porque me lembra um outro Chico Doido, nome igual mesmo, da minha terra Quixeramobim, no Ceará; porque sou psicanalista, trabalho num CAPS e sei que se houvesse sempre um tecido social como do Ongabonga os hospícios nunca teriam existido. O meu Chico Doido dizia tinha pavor da morte e, quando perguntávamos o porquê, ele respondia: "Porque morto não pode mais rir!" Então, soltava uma gargalhada estrondosa e saía com seu balaio de vidas pendurado nas costas. Valeu, Luiz. Um dia posto algo sobre esse Chico.

osvaldocosta · Quixeramobim, CE 27/9/2007 22:21
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baduh
 

Cavalheiro.

Foi uma homenagem lindíssima a que fizeste.

Se olhares, em meu perfil, verás que me chamo Baduh em homenagem ao meu "Chico Doido"; o da minha infância, do meu bairro, chamava-se Badú e também gostava de almoçar cada dia numa casa diferente...

Votado, com uma pontada de saudade...

Abraço,

Baduh

baduh · Rio de Janeiro, RJ 27/9/2007 23:42
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Luiz Antonio Cavalheiro
 

Oi Baduh!
Tive que dar um pulinho lá no seu perfil... Nossa, que tamanha coincidência! O seu Baduh e o meu Chico podiam se encontrar´"lá em cima" e fazer o céu ficar mais divertido!

Valeu!

Obrigado sempre.

Luiz Antonio Cavalheiro · Cordeiro, RJ 27/9/2007 23:46
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Luiz Antonio Cavalheiro
 

Oi, Osvaldo,
Gostei muito do seu comentário eparece que cada um de nós teve um "Chico" pra chamar de Rei...
O Ongabonga foi uma das coisas legais que fizeram para o Chico. Também sempre achei mágico o carinho com que a banda o tratava. Daria um outro artigo bem bonito. Mais tarde vou pensar em escrevê-lo.

grande abraço e obrigado.

Luiz Antonio Cavalheiro · Cordeiro, RJ 27/9/2007 23:49
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Luiz Antonio Cavalheiro
 

Oi Saramar!
Difícil foi escrever usando sempre a razão. O coração transbordou muitas vezes. Torço para chegar o dia em que eu possa ver pessoas como Chico sendo trazidas para o meio e compreendidas na condição primeira de ser humano.
Como eu mesmo disse: diferentes somos todos e cada um de nós tem um dia de "necessidades especiais", por isso não há o que separar, não há o que deve ser deixado à margem.

abraços e beijos especiais, minha querida.

Luiz Antonio Cavalheiro · Cordeiro, RJ 27/9/2007 23:56
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Andre Pessego
 

Cavalheiro, apenas pra não esquecer, votei e li de chofre,
arquivei, e vou voltar pra reler, inclusive os dindicativos,
Sabe que sou vidrado neste capitulo da historia que ainda estamos fazendo, A História dos que Verdadeiramente Fazem a História. um abraço, obrigado pela lembrança, andre.

Andre Pessego · São Paulo, SP 28/9/2007 05:40
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Cintia Thome
 

Luiz, você fez uma homenagem mais que brilhante a um inocente, um puro, carismático que fazia da vida alegria para todos e quem não gosta de alegria? Emocionada.Em minha cidade natal, havia "o Mané fala ó", quando se foi, levou parte do coração de Campinas, SP. Agora Chico Doido alado...tantos puros alados.
Parabens mesmo Votado. abçs.

Cintia Thome · São Paulo, SP 28/9/2007 07:06
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jjLeandro
 

O Rei do Ongabonga continuará existindo enquanto gente como você souber dar o exato valor a quem de fato o teve. Um grande abraço amigo.

jjLeandro · Araguaína, TO 28/9/2007 07:50
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Nydia Bonetti
 

Linda homenagem! Também amo estes personagens que existem em todas as cidades, talvez para alegrar um pouco a vida... Em Piracaia, minha cidade natal já passaram doidinhos maravilhosos... Fiquei com vontade de contar suas histórias. Quem sabe... Parabéns pelo texto magnífico! Abçs...

Nydia Bonetti · Piracaia, SP 28/9/2007 08:39
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Candice Gonçalves
 

Essas palavras tão bem escolhidas, além de medalhas, certamente aquecem o peito desta figura inesquecível que deixou saudades no povo de Cordeiro. Se eu fosse da cidade, se eu conhecesse o Chico, e outros tantos "se", certamente traria na memória a lembrança daquilo que você tão bem nos descreveu. Figuras assim deviam e devem sempre fazer parte do patrimônio imaterial de cada cidade, como Brilhantino é de Muqui e seu Lunga é de Juazeiro do Norte. Personagens que têm muito mais valor que qualquer busto no meio de uma praça qualquer.

Parabéns, querido! Muito me emocionou.

Candice Gonçalves · Crato, CE 28/9/2007 09:13
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Luiz Antonio Cavalheiro
 

Oi André!
Você falou uma coisa importante. Estamos escrevendo História (e das boas!) aqui no Overmundo.
Os registros desse site são preciosidades para a memória desse país. O que temos que fazer é escrever, pesquisar, escrever...
O tempo nos dará um sinal.

Valeu André!

Luiz Antonio Cavalheiro · Cordeiro, RJ 28/9/2007 09:22
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Luiz Antonio Cavalheiro
 

Oi Leandro!
Chico é patrimônio de nossos corações. Pelo que estou lendo nos comentários, em cada cidade tem um "Chico". Isso daria um excelente projeto a ser tocado por nós. Não sei... fica aqui a semente.

Grande abraço.

Luiz Antonio Cavalheiro · Cordeiro, RJ 28/9/2007 09:24
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Luiz Antonio Cavalheiro
 

Nydia,
Que bom que existam doidinhos maravilhosos por aí. É sempre um escape saudável para todos nós. São seres que nos indicam que toda a nossa correria e estresse são grande "maluquices normais"!

beijos.

Bom é ser abilolado!!!!!!

Luiz Antonio Cavalheiro · Cordeiro, RJ 28/9/2007 09:27
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Luiz Antonio Cavalheiro
 

Oi Candice!
As pessoas dão importância exagerada aos intelectuais engravatados.
Seu Brilhantino ( a quem tive a honra de conhecer pessoalmente!), Chico e Seu Lunga são extraordinários representantes de vidas cheia de riquezas e lições que não podemos deixar passar desperbecidas.

abraços doidinhos.

Luiz Antonio Cavalheiro · Cordeiro, RJ 28/9/2007 09:32
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Nivaldo Lemos
 

Cavalheiro, meu amigo,

que belo texto e que homenagem justa. Chico Doido era um anjo, o mesmo que toda criança carrega na alma e que a faz criança. Mas também remete ao outro Chico, Chico Rei, escravo congolês que levado a Vila Rica enriqueceu com o ouro para comprar a liberdade dos seus pares, construindo um reino negro em Minas Gerais que assustou a Corte portuguesa e originou o que hoje conhecemos como Festas de Reisados naquele estado. Dois Chicos Doidos, dois Chicos Reis separados pelo tempo, unidos na história comum dos negros no Brasil e homenageados agora lindamente no seu texto. Um texto, escrito com amor e carinho, mas, acima de tudo, um texto Cavalheiro.

Um forte abraço
Nivaldo

Nivaldo Lemos · Rio de Janeiro, RJ 28/9/2007 10:39
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Marcos Paulo Carlito
 

Luiz,

O Chico é parte do patrimônio cultural de sua cidade, que legal você ter rendido homenagem a ele. Muito importante também porque fica como contribuição para o "Arquivo Histórico Moderno", a internet.
Num mundo de tantos personagens hipócritas (verdadeiros homens da caverna vestindo fantasias de cultura e desenvolvimento), a visão do Chico fantasiado de homem pré-histórico é um colírio para meus olhos.
Num mundo de tanta gente que se supõe boa e capaz, a presença de Chico (com todo o afeto que a multidão lhe dispensa) é um tapa com luva de pelíca no rosto da arrogância e da prepotência.

Parabéns pela colaboração, ela fala da autentica cultura brasileira.

Grande abraço

Marcos Paulo Carlito

Marcos Paulo Carlito · , MS 28/9/2007 12:06
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Adroaldo Bauer
 

O rei deu aos súditos de si para a alegria geral.
Chico Doido deu a Ongabonga o rumo da alegria e da festa.
Coincidência ter lido esse teu amoroso e reverente postado nessa hora.
Amanhã estarei nos Jogos Muncipais dos Estudanttes Excepcionais.
Pelo terceiro ano, porque trabalho na Secretaria Especial de Acessibilidade e Inclusão Social de Porto Alegre.
Não convivia com tamanha diferença antes dessa secretaria ter sido criada, em 2005.
Não imaginas que folia fazem, até parecem de Ongabonga.
E, como em Ongabonga, aqui cercado de chicos e chicas cegas, surdas, tetrapelégicas e com deficiência mental, aprendo a importância do sopro da vida em cada um de nós, a cada segundo dos dias.
Chico e o que temia a morte por não poder mais rir (que lindeza, tchê!) são brilhantinos.
E é brilhante tua abordagem, que nos humaniza, porque toda a vida requer iguais oportunidades.
É só o que todas as pessoas em quaisquer condições queremos.
Um beijo em seu coração, Cavalheiro, que entronizou Chico Doido de Ongabonga nesse Overmundo sem fronteiras nem discriminações.
Parabéns!

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 28/9/2007 12:16
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Juliaura
 

Muito bonito, Cavalheiro.
Beijin, di curumin

Juliaura · Porto Alegre, RS 28/9/2007 12:26
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W@nder
 

Luiz Antonio,

eu que sou um pouco, digamos, filho ou neto desta terra que muito me traz saudades, não poderia deixar de conhecer um pouco a história do Chico. Lembro que minha mãe e meu pai falavam das coisas que o Chico fazia e dizia no tão querido Arrial do Sapo. Um personagem digno da homenagem que você faz e que, com certeza, de onde estiver, estará te reverenciando, ou quem sabe, te xingando com aquela ingenuidade de sempre.
Parabéns pelo texto e mais uma coisa: "Que saudade do tempo que não existia o politicamente correto!"
Abraços.

W@nder · Rio de Janeiro, RJ 28/9/2007 12:33
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W@nder
 

Erro de digitação acima. Corrigindo o nome do lugar: Arraial do Sapo.

W@nder · Rio de Janeiro, RJ 28/9/2007 12:35
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Bruno Caputo
 

Luiz parabens pela linda homenagem, afinal de contas tambem moro no bairro e pude presenciar um pouco desse fenômeno que foi o Chico Doido.
Parabens pela iniciativa de lembrar de uma pessoa que foi e sempre será cultura em nosso município, ja que quem tem poder como os politicos de nosso cidade e nada se faz pela nossa cultura!!!
Abraços e parabens!!!

Bruno Caputo · Cordeiro, RJ 28/9/2007 13:14
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carlos magno
 

Muito bacana este trabalho teu meu amigo Cavalheiro. Eu aprecio demais, a maneira com que tu conduzes o teu texto ele nos transporta para cidade de Cordeiro e nós nos misturamos aos seus foliões do Ongaboga curtindo as memórias de Chico Doido. Meus sinceros aplausos e abraços.
Carlos Magno.

carlos magno · Rio de Janeiro, RJ 28/9/2007 14:54
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carlos magno
 

Voltei para votar.
Carlos Magno.

carlos magno · Rio de Janeiro, RJ 28/9/2007 14:55
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georgesaraiva
 

senti-me compelido a engajar-me nesta causa. abraços. se puder de uma olhada em minha olaboração na fila de votação: ad aeternum.

georgesaraiva · Guarapari, ES 28/9/2007 17:22
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Senhorita Miller
 

sem tempo pra variar
comento longamente depois
estou pra dizer que vim amei e votei
voltarei

Senhorita Miller · São Paulo, SP 28/9/2007 17:49
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Rita Costa
 

Luiz,... eu já havia dado uma passada aqui pra ler e carimbar.
Agora volto pra te agradecer pela partilha assim como lhe parabenizarpor esse bonito trabalho. Parabéns é uma linda e valiosa homenagem amigo. Um abraço.

Rita Costa · Rio de Janeiro, RJ 28/9/2007 17:52
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Lígia Saavedra
 

Luis, coincidência ou não? Esta semana perdemos aqui no meu bairro do Coqueiro, em Ananindeua-Pa, um personagem assim, com uma história difícil e triste mas estimado pela população. Chamava-se Capivara, não sei porque, muito querido pelas crianças a quem só tratava bem.
Ao ler teu relato me emocionei muito com as comparações.
Os Chico's e Capivara's estão ai pelas ruas e nós o que fazemos para ajudá-los?
Um abraço

Lígia Saavedra · Ananindeua, PA 28/9/2007 18:41
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Graça Pecly
 

Lindo, Luís! Há muita ternura nesse texto! Ficou evidente a docilidade e inocência com que Chico Doido se relacionava com seus amigos e como eles o incluíam em sua vida simplesmente abrindo o coração. Como morava distante e aquela figura não me era familiar, em criança, tinha medo dele. Fugia. Ele ia atrás. Ria, sorria e acabava desistindo. Só queria se divertir, talvez, acabar com meus temores. Levei muitos anos para entender isso. Que pena! Perdi a chance de brincar com ele.

Graça Pecly · Cordeiro, RJ 30/9/2007 19:19
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Tadeu Santinho
 

Fala, Totonho! Bonita homenagem ao nosso Chico. Para quem não conheceu, vou citar um fato que retrata bem a pureza do nosso Rei do Honga Bonga. Certa vez, passava eu pelo Jardim de Infância do Arraial dos Sapos, e estavam na porta do jardim uma professora em pé, e o Chico sentado em uma cadeira chorando muito. Era a hora do recreio, e as crianças comiam seus biscoitos e bebiam seus refrigerantes no pátio da escola. Quando já ia passando, a tal professora me pediu ajuda para descobrir o que o Chico estava sentindo. Aproximei-me dele e fiquei insistindo para que ele dissesse o que estava causando o choro. Perguntei-lhe uma dezena de vezes e ele não me respondia. Ao invés de respostas, apenas pausava o choro, olhava para mim, olhava para as crianças lanchando, olhava para a professora e danava a chorar. Isso durou uns 10 minutos, com a gente ali, insistindo, preocupados com alguma dor que ele poderia estar sentindo. Já quase desistindo, ameaçamos ir embora e ele chorou mais alto ainda. Perdi a paciência, e gritei para que ele dissesse o que se passava, que dissesse o que queria. E ele, com aquela expressão mais pura do mundo, pausou novamente o choro, olhou para a professora, olhou para as crianças lanchando, olhou dentro dos meus olhos e em prantos, disse do alto de seus quase 60 anos de idade:
"-BICOTO!"
Pois é, ele só queria biscoito. Coisas do Chico, que tanta falta nos faz...

Tadeu Santinho · Cordeiro, RJ 9/11/2007 13:53
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Tadeu Santinho
 

Fala, Totonho!
Bonita homenagem ao nosso Chico. Para quem não conheceu, vou citar um fato que retrata bem a pureza do nosso Rei do Honga Bonga. Certa vez, passava eu pelo Jardim de Infância do Arraial dos Sapos, e estavam na porta do jardim uma professora em pé, e o Chico sentado em uma cadeira chorando muito. Era a hora do recreio, e as crianças comiam seus biscoitos e bebiam seus refrigerantes no pátio da escola. Quando já ia passando, a tal professora me pediu ajuda para descobrir o que o Chico estava sentindo. Aproximei-me dele e fiquei insistindo para que ele dissesse o que estava causando o choro. Perguntei-lhe uma dezena de vezes e ele não me respondia. Ao invés de respostas, apenas pausava o choro, olhava para mim, olhava para as crianças lanchando, olhava para a professora e danava a chorar. Isso durou uns 10 minutos, com a gente ali, insistindo, preocupados com alguma dor que ele poderia estar sentindo. Já quase desistindo, ameaçamos ir embora e ele chorou mais alto ainda. Perdi a paciência, e gritei para que ele dissesse o que se passava, que dissesse o que queria. E ele, com aquela expressão mais pura do mundo, pausou novamente o choro, olhou para a professora, olhou para as crianças lanchando, olhou dentro dos meus olhos e em prantos, disse do alto de seus quase 60 anos de idade:
"-BICOTO!"
Pois é, ele só queria biscoito. Coisas do Chico, que tanta falta nos faz...

Tadeu Santinho · Cordeiro, RJ 9/11/2007 13:56
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Tadeu Santinho
 

Desculpem-me, enviei o mesmo texto duas vezes. Foi a emoção de falar do Chico.

Tadeu Santinho · Cordeiro, RJ 9/11/2007 13:59
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FERNANDO MAURICIO
 

CHICO NÃO ÉRA DOIDO !
Eu passo as vezes um ano , dois anos sem ir á Cordeiro devido trabalhar longe (longe é um lugar que existe, Saint Exupéry estava enganado) e um dia eu estava debruçado na varanda da casa da Mamãe (dona Luzia esposa de Seu Mauricio (Pintinho), e o CHICO ME VIU E ME DISSE :
OI MAURICIO, VEIO PASSEAR, VEIO VER SUA MÃE !
Isto me levou a pensar muito sobre sua Sanidade.
Louco somos nós !
Ele era PURO .
Fernando Mauricio Fernandes Ramos

FERNANDO MAURICIO · Cordeiro, RJ 16/7/2010 22:58
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