Brasil.gov.br Petrobras Ministério da Cultura
 
 

Chique é o Chico

Divulgação
Chico: troféu do matuto mais cobiçado do Tocantins
1
Glês Nascimento · Palmas, TO
4/12/2006 · 121 · 10
 

Chico é o matuto mais famoso do Tocantins. Também pudera, só tem primos igualmente importantes, a exemplo de Chico Buarque , Chico César, Chico Anysio, Chico Xavier, Chico Mendes, o velho Chico, entre outros. Não é qualquer um que pode ser Chico. E o Chico – Festival de Vídeo e Cinema de Palmas - xará dos outros - sabe bem a responsabilidade de carregar esse nome e tem honrado com ela.

Quem foi à abertura da 6ª edição do Chico, na última quarta-feira, 29, na Sala Sinhozinho, em Palmas, viu de perto que o audiovisual ganhou espaço no Tocantins graças ao jeitinho manso do matuto. Lotada, a Sala Sinhozinho foi a prova de que o Chico é o acontecimento do ano no Tocantins na área de cinema e vídeo.

Universitários, estudantes secundaristas, profissionais liberais, gente que faz e que lê a notícia, que produz e consome a cultura, que realiza e assiste aos filmes. Todos lá para prestigiar a primeira noite da mostra nas categorias Universitário e Circuito Aberto. Para o jornalista Marcelo Silva, a presença maciça do público – tinha gente sentado no chão e em pé – foi surpreendente. “É um festival importante para criar o ambiente favorável pro desenvolvimento do audiovisual”, disse e completou: “Eu fico imaginando o Chico daqui a uns 10 anos, e o quanto ele terá contribuído com o audiovisual do Tocantins”. Marcelo fala com conhecimento de causa, produziu e dirigiu o filme "Os caretas de Lizarda" e está produzindo o documentário "Raimunda, a quebradeira".

Tudo positivo, bom público, bons filmes, mas há uma observação a fazer da primeira noite de mostra: um burburinho entre a platéia no final da exibição deu conta de que a cédula de votação dificultou o trabalho do público na escolha do melhor vídeo no voto popular. Alguns queriam que as categorias fossem segmentadas assim como foi para o júri oficial. Mas a ficha de votação do júri popular trazia todos os estilos juntos o que pode ter feito o público ser injusto com alguns vídeos.

Berço de sucesso
Olhando o mapa astral do Chico dá para perceber que ele nasceu para o sucesso. Tudo começou em outubro 1999, quando um grupo de estudantes da segunda turma de Comunicação Social da então Unitins decidiu fazer alguma coisa. “O curso, na época, nem era autorizado. E estava todo mundo com medo que o curso fechasse. Então eu falei: ‘está na hora de fazer um evento que parta da gente, para que a gente possa ter um espaço para mostrar para a sociedade os trabalhos que são produzidos dentro da universidade”, quem disse isso foi Tatiana Fagundes.

Tatiana é gente que faz. Jornalista, foi dela a idéia original do Chico. Mas ela não fez sozinha. “Como eu e um colega fazíamos vídeo brincando mesmo, resolvemos criar o Chico”. Auro Giuliano, colega de Tati na época, criou o nome e troféu Chico. “Quando o Chico nasceu nós não tínhamos a mínima idéia do tamanho que ele poderia chegar”, afirmou Auro. Segundo ele, da primeira para a segunda edição houve um salto muito grande.

“Ai falamos: ‘poxa! Todo festival tem uma cerimônia de premiação’, aquela cerimônia glamourosa, e brincando com isso como o Oscar, o Quiquito ai montamos o Chico, e ficou”, completa Tatiana numa entrevista que foi realizada numa mesa de bar, no início da semana, na qual Raquel Oliveira, jornalista e colaboradora do Chico também participou (confira o áudio ao lado).

O primeiro Chico era apenas universitário, e teve somente sete vídeos. Yurika Hidaka participou do Chico, em 2001, com o filme “Indigestão” - dela e de Cláudia Santos - e lembra bem da parte experimental do festival. “Não tínhamos muitas noções de produção em vídeo e tínhamos uma idéia inicial do que seria o roteiro, mas ele não estava completo, foi finalizado durante as gravações”, relembra.

Mesmo sem recursos, o vídeo ficou com o prêmio de melhor iluminação. Hoje o Chico tem mais de 100 vídeos inscritos, entre ficção, animação e documentários, e 39 selecionados.

“O interessante é que o festival cresceu mais do que a gente esperava. Esse ano tem muitos vídeos de fora”, diz Tati. A divulgação nacional colaborou para isso. O Chico está no Guia Brasileiro de Festivais de Vídeo , uma espécie de calendário para os produtores.

Um dado triste é que apenas sete produções são tocantinenses. Raquel justifica: “O produtor tocantinense vive em função do Chico e a gente parou de fazer, ficou 1 ano sem festival”, disse. Em outros lugares, os produtores fazem filmes o ano inteiro para vários festivais do país, no Tocantins o Chico é uma balança: se o vídeo passar no crivo do Chico, geralmente ele é encaminhado a outros festivais.

Além disso, explica Raquel, este foi um ano de campanha, e as produtoras estavam fechadas. “Diminuiu da universitária, mas a circuito aberto aumentou”, acrescenta.

Maturidade
O Chico está mais maduro, avalia Auro Giuliano. “Mas não perdeu a irreverência”, diz. Ele deixou o Chico quando o projeto começou a crescer, assim como fizeram outros colaboradores.

“Acho que uma coisa chata foi o grupo não ter continuado. Cada um começou a querer tocar sua vida. Era um grupo muito bom e cada um resolveu seguir sua história e não essa do Chico, mas a cada ano o festival resiste e isso é legal”, frisa Raquel.

O festival ganhou proporções, conquistou a chancela do MinC, para captar recursos por meio da Lei Rouanet, aumentou o número de inscritos, mas “a batalha continua”. Vale dizer que em 2005 o Chico não foi realizado por falta de patrocínio. “A gente tem público garantido no festival,mas a intenção é aumentá-lo. É preciso mais patrocínio também, a Lei Rouanet foi um reconhecimento, mas aqui no Tocantins as pessoas não têm essa visão do evento, porque um evento como o festival gera emprego”, desabafou Tatiana.

Bastidores
O Chico também coleciona fatos engraçados. O mais curioso aconteceu quando o cineasta Geraldo Moraes veio para participar da 2ª edição do Chico. “A gente conseguiu patrocínio de veículos e começamos buscá-lo num Santana e terminamos numa Kombi porque o patrocínio foi caindo, caindo... (risos)”.

Geraldo, macaco velho, levou o episódio na brincadeira. “Ele até virou padrinho do festival porque o Geraldo foi o primeiro cineasta que filmou no Tocantins (o filme No Coração dos Deuses). Éramos cheios de dedos com ele porque ele é cineasta”, relembra Tatiana. E complementa: “Então nós começamos a buscá-lo numa caminhonete S10, depois num Santana e, no, final numa Kombi. O festival era no teatro (Fernanda Montenegro) e um dia falei para ele: ‘Geraldo fica aqui no teatro que a Kombi vai voltar, para trocarmos a Kombi pela S10’, e ele falou: ‘quer saber de uma coisa, vamos logo nessa Kombi antes que um fusca venha nos buscar!’ (risos)”.

Exibição/premiação
O festival terminou no sábado, dia 2. Filmes como "Tapa na Pantera” (Rafael Gomes- RJ), conhecido dos internautas, foi um dos mais aplaudidos na noite de abertura da mostra, assim como “Causa e efeito” (Yussef Abrahim – AM – que veio a Palmas especialmente para ver o Chico), “Tem um dragão no meu armário” (Rosaria –RJ), "Taí" (Antônio Fabrício –TO) e “Uma pescadora rara no litoral do Ceará” (Sidnéia Lusia da Silva – CE).

“O interessante é que a gente está formando público e esses são vídeos que são exibidos somente em festivais, não é todo mundo que tem oportunidade de viajar para outros lugares para ver os vídeos, e serão mostrados aqui”, afirma Raquel.

A programação incluiu ainda mostra especial para deficientes, com monitores da Apae.

A premiação, este ano, será só o troféu Chico, foi o que a organização conseguiu. Os vencedores da 6ª edição foram:

- Melhor Vídeo Universitário: "Taí", de Antônio Fabrício. O vídeo do estudante de Comunicação Social, que fala dos conflitos das realações amorosas também faturou o Chico de Melhor Vídeo Tocantinense e Júri Popular. "Esperava um no máximo, mas três é demais. Agora é um ménage à trois", brincou ele.

No circuito aberto, levaram o prêmio "O Buraco" (documentário de Taciano valério Alvez -PB); "Causa e Efeito" (ficção de Yussef Abrahim - AM). Abro aqui um espaço para as considerações de Yussef que, pela segunda vez, leva o Chico - a primeira foi em 2000. "O que é legal de ter acompanhado o Chico em 2000 e 2006 foi ver que o festival acompanha o desenvolvimento da cidade. Porque o crescimento não é só de infra-estrutura, mas intelectual também", disse.

Animação, venceu o "Para chegar até a lua" (José Guilherme -SP). Pela dificuldade de escolha, devido ao bom nível dos filmes, o júri oficial formado por Valéria Del Cueto, Marcos Fábio Katudijian, Flávio Herculano e Mailin Milanez, decidiu criar as menções honrosas. Elas foram para "A resistência do vinil" ( documentário de Eduardo Castro - GO/TO); "Bala" (ficção de Daniel Sabino - SP); e "Engole duas ervilhas" (animação com direção coletiva - RJ).

Ainda falta evoluir um pouco, divulgar mais, fazer oficinas de capacitação para melhorar e incentivar as produções, mas as meninas do CIM – Centro de Imagem e Som, entidade responsável pelo festival sabem disso. Daqui a 10 anos? O Chico quer estar vivo e matutando no Tocantins.

compartilhe

comentários feed

+ comentar
Nício Miranda
 

muito bom festival,parabens pela organização

Nício Miranda · Palmas, TO 4/12/2006 14:02
sua opinião: subir
Rafaela Lobato
 

Bom festival, boa organização, bons filmes! Mas ainda me intriga a falta de visão do empresariado tocantinense sobre patrocínio. Podemos fazer muito mais do que produzir filmes a lá Glauber Rocha, com uma câmera na mão e uma idéia na cabeça. Mas o patrocício é a matriz da produção cultural. Sem ele, a idéia morre ou, quando muito resistente demora décadas para sair do papel.

Rafaela Lobato · Palmas, TO 4/12/2006 14:30
sua opinião: subir
Flávio Herculano
 

Sou fã de muitos chicos... O matuto, tenho aprendido a adorá-lo. Afinal, raras as vezes se tem a oportunidade de ver curtas legais em Palmas.

Saravá Chico.

Flávio Herculano · Palmas, TO 5/12/2006 10:10
sua opinião: subir
Daianne Fernandes
 

O chico conquistou mesmo um espaço muito legal e tem um papel importante no incentivo da produção audiovisual aqui do Estado. Além do que, é a oportunidade mais próxima que a gente tem de ver boas produções em vídeo.
Parabéns aos organizadores pela garra de realizar o festival, mesmo com todas as dificuldades.

Daianne Fernandes · Palmas, TO 5/12/2006 11:37
sua opinião: subir
Yusseff Abrahim
 

Há!
Ganheeeeeei!!!
Ganheeeeeeeeeeeeeeeiiii!!!
Ganheeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeiiiiiiiiiiiiiiii!!!!!!!!!
(Sem palavras)

Yusseff Abrahim · Manaus, AM 5/12/2006 15:37
sua opinião: subir
Antônio Fabrício
 

Mais que um festival, o Chico cumpre o papel de maior incentivador do audio-visual em Palmas e no Tocantins. Como disse o camarada na matéria, fico imaginando ele daqui 10 anos. Espero estar lá, com vídeo ou sem vídeo...

Antônio Fabrício · Palmas, TO 5/12/2006 16:34
sua opinião: subir
Yusseff Abrahim
 

O CHICO cresceu na quantidade e qualidade dos vídeos exibidos, isso é o esperado mas não deixa de ser ótimo constatar A única coisa que me surpreendeu negativamente no Festival foi a ausência de patrocínios. Não dá para entender como um evento que colabora para construir a identidade de capital tão jovem, não sensibiliza a iniciativa privada enquanto vitrine para suas marcas, mesmo com os mais comprovados benefícios para imagem de empresas que mostram ter responsabilidade social.
Abraço a todos e vida longa ao matuto!

Yusseff Abrahim · Manaus, AM 6/12/2006 08:20
sua opinião: subir
Roberto Maxwell
 

adorei a foto. faltou o link do festival

Roberto Maxwell · Japão , WW 8/12/2006 12:10
sua opinião: subir
Glês Nascimento
 

Roberto, é só você clicar no nome do Chico (Festival de Vídeo de Palmas) que aparece o link, e na programação também.

Abraço

Glês Nascimento · Palmas, TO 8/12/2006 14:29
sua opinião: subir
André George Medeiros
 

Matéria muito boa!
Parabéns, Glês.

Mas vale a pena ressaltar que o CHICO atualmente conta tembém com uma produção executiva externa - o que complementa o trabalho da Tatiana e da Raquel - produção esta que visa profissionalizar cada vez mais seu núcleo de captação de recursos no Tocantins (mais especificamente na Cidade de Palmas), divulgar o nome do evento em festivais de grandes centros como Recife, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, bem como, um link direto com o Fórum Nacional dos Festivais.

Abraços.

André George Medeiros · Recife, PE 9/12/2006 23:18
sua opinião: subir

Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.

imagens clique para ampliar

As meninas do Chico: Tatiana Fagundes (direita) e Raquel Oliveira zoom
As meninas do Chico: Tatiana Fagundes (direita) e Raquel Oliveira
Público lotou o cinema na primeira noite de festival zoom
Público lotou o cinema na primeira noite de festival
Antônio Fabrício (esq.) , Mariana e Yussef : vencedores com o troféu na mão zoom
Antônio Fabrício (esq.) , Mariana e Yussef : vencedores com o troféu na mão

áudio

Entrevista numa mesa de bar com Tatiana e Raquel

Instale o Flash Player para ver o player.

filtro por estado

busca por tag

observatório

feed
Instituto Overmundo pesquisa a cadeia produtiva da música no Rio de Janeiro

Está no ar o blog de pesquisas do Instituto Overmundo. Você já pode encontrar lá os primeiros dados da pesquisa “Análise de modelos de negócios... +leia

revista overmundo

Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!

+conheça agora

overmixter

feed

No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!

+conheça o overmixter

 

Creative Commons

alguns direitos reservados