Tiros pra todo lado. Banditismo, heroísmo e toda sorte de ‘ismos’. Eis o enredo da peça teatral CHUVA DE BALA NO PAÍS DE MOSSORÓ.
A peça
Palco de uma batalha perdida pelo bando de Lampião, no finalzinho da década de 20, a cidade de Mossoró organiza todos os anos um espetáculo contando a saga do seu povo contra o rei do cangaço. Encenada ao ar livre, a peça é protagonizada inteiramente por artistas da terra e acontece no adro da Capela de São Vicente, onde até hoje, é possível ver as marcas do confronto. Escrita pelo professor da UFRN Tarcísio Gurgel, e com música do maestro Danilo Guanais, o espetáculo é dirigido por João Marcelino, que também é responsável pelo cenário. A 6º edição da peça, conta com 70 atores que encarnam o bando de Lampião, o padre, a ‘poliça’ e o prefeito Rodolfo Fernandes, líder da resistência.
O texto
O texto lembra o episódio histórico de modo simples e direto, como é próprio a uma obra cênica de natureza narrativa, mas revela algumas reentrâncias curiosas, que quebram a linearidade da fábula, contrapõem ideologias e insinuam a presença do povo, da arraia miúda, entre as duas forças antagônicas: o Poder Constituído, de um lado, os cangaceiros, do outro. E o povo, na verdade, é joguete manipulado e quase sempre vitimado por um ou outro lado. (Como sempre)
O bilhete de Lampião
"Cel Rodolfo Estando Eu até aqui pretendo drº. Já foi um aviso, ahi pº o Sinhoris, si por acauso rezolver, mi, a mandar será a importança que aqui nos pede, Eu envito di Entrada ahi porem não vindo essa importança eu entrarei, ate ahi penço que adeus querer, eu entro; e vai aver muito estrago por isto si vir o drº. Eu não entro, ahi mas nos resposte logo. Capm Lampião."
A resposta do prefeito
"Virgulino, lampião. Recebi o seu bilhete e respondo-lhe dizendo que não tenho a importância que pede e nem também o comércio. O Banco está fechado, tendo os funcionários se retirado daqui. Estamos dispostos a acarretar com tudo o que o Sr. queira fazer contra nós. A cidade acha-se, firmemente, inabalável na sua defesa, confiando na mesma. Rodolfo Fernandes"
O confronto
O ano era 1927. Comandos pelo prefeito, a tímida guarda da cidade, que dispunha naquele 13 de junho de pouquíssimos homens, afugentou o bando de Lampião. Rodolfo Fernandes, o prefeito, negou-lhe os 400 contos de réis, e ainda, diminui o número de cangaceiros do bando de Lampião. Colchete morreu de tiro e Jararaca foi preso na Cadeia Pública, atual Museu Municipal Lauro da Escóssia e enterrado vivo - segundo dizem - no Cemitério Público. De cangaceiro passou à santo. O túmulo de Jararaca é venerado porque o cangaceiro é tido como milagroso. Uma verdadeira epopéia sertaneja, o encontro marcou profundamente a paisagem local e a alma da sua gente.
APRESENTAÇÕES DA PEÇA
DIAS
14, 15, 16, 17
21, 22, 24, e
28, 29, 30 e 1/07
Um pouco mais sobre essa história, clique aqui!.
http://www.overmundo.com.br/overblog/cangaceiro-bento
FILIPE MAMEDE · Natal, RN 20/6/2007 11:45
Ai que vontade de assistir!!
Fê Pavanello · Brasília, DF 22/6/2007 12:35
Rapaz.. é uma pena que Mossoró é um pouco longe da minha terra, mas fiquei muito curioso para assistir a essa peça. Sei que fazer teatro no Brasil é uma luta a parte.. mas será que eles pretendem levar essa montagem para algumas cidades de outros estados? Quem sabe em algum ano eu me pregrame para assistí-la. Gostei do texto também, sintético e deixa a gente com vontade de estar lá.. boa idéia também de colocar a comunicação entre o prefeito da cidade e o bilhete de lampião. Esse bilhete é um registro histórico ou faz parte do texto da peça.. ?
Parabéns e abraço
Thiago, este bilhete é um documento histórico sim. Está transcrito ipsis literi... Bem, infelizmente a peça faz parte do calendária do Mossoró Cidade Junina, os festejos juninos da cidade, e por isso mesmo, só é encenada por lá. Mas eu já tive a oportunidade de ir á Mossoró assistir algumas vezes o espetáculo. Realmente valeu a pena. Sem contar que depois você pode cair no forró...Abraço.
FILIPE MAMEDE · Natal, RN 22/6/2007 13:25
Querido Felipe!
muito interessante a sua colaboração! recebeu meu voto!
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho
é lamp, é lamp, é lampiao.
muito bom , e gostei da iniciativa do e mail.
abraços. go ahead overmanos.
Ah mulekeeee
Parabéns Filipe. Muito boa a dica!
Filipe Mamede,
Muito boa tua Chuva de bala, ( lindas as fotos!). Não vou dizer que queria ver o espetáculo porque eu também sei contar umas coisinhas de Lampião tenho um livro sobre o mesmo do historiador: Anildomá Willans de Souza / Lampião nem herói nem bandido . Eu moro à 40Km da terra de Lampião, essa aproximação geográfica fez com que eu "nascesse" ouvindo as histórias do mesmo e hoje lendo teu trabalho aguçou-me o desejo de conhecer mais dessa história que o estáculo conta.
Parabéns!
Marluce
Gostei do texto, simples, informativo e que desperta o interesse na peça.
Abraço,
Leandroide.
Mais do que epopéia, Filipe, a batalha de Lampião em Mossoró, a meu ver, ilustra bem como o povo vive e transforma a história, exaltando-a ou mitigando-a em função de crenças e cultura. A "santificação" de Jararaca, a exemplo da de outros "bandidos sociais" do Ciclo do Cangaço, é um ato de paixão e fé, explicado em parte pelo caráter messiânico do sertanejo, mas muito também pela identificação do povo com a dor, a morte, o sofrimento e - por que não? - com o "heroísmo" daqueles que lutavam (como ele) pela sobrevivência cotidiana numa terra sem esperança. A representação teatral do fato deve ser uma beleza, como seu texto, que sempre me dá um enorme prazer visitar. Gostaria muito de também conhecer essa história melhor. Parabéns e um forte abraço.
Nivaldo Lemos · Rio de Janeiro, RJ 22/6/2007 18:32
Querido Filipe
Lampião nunca adentrou terras piauienses. No 5º Salão do livro do Piauí Salipi houve uma discussão sobre Lampião e o Cangaço. Não pude assistí-la, infelismente. Mas ganhei, do autor Sérgio Dantas, o livro Lampião e o RN, onde há um capítulo só a respeito da batalha de Mossoró. Vc conhece o livro? Existe até uma comunidade no orkut "Eu li o livro Napoleão e o RN"
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho
Obrigado! Vou devorar...Esse casal nos fascina, não é mesmo?
Cintia Thome · São Paulo, SP 22/6/2007 20:56
Beleza, Filipe. A história de Lampião e Maria Bonita me fascina. Acho que pq meu pai é de PE e Lampião andou nessa mesma época na cidade dele, Carnaíba, quando também foi afugentado e perdeu homens em tiroteio, embora tenha tido mais sucesso e levado dinheiro do comércio. Nessa época meu pai, nascido em março de 1926, tinha um ano e repetia ao ouvir os tiros: fogos! fogos! pensando que eram foguetes.
abcs
Agradeço a pela presença de todos aqui. Realmente a figura de Lampião é de uma importância grandiosa dentro do contexto de toda uma época. Sem esquecer, a história do confronto, que, apesar de ser contada de uma forma um tanto 'hiperbólica', foi a partir dali que a figura de Lampião começou a perder força. Mas isso já é outra história.
Ps: Joca, não conheço o livro, mas 'vou dar uma pesquisada'.
Abraço a todos.
Para complementar a Chuva de Balas, ao lado da Capela produzimos um painel mural em acrílico medindo 2,5mx11m, retratando exatamente este momento histórico que separa Lampião da Resistência, tendo a edificação sacra como centro do confronto. O trabalho pode ser visto desde seu início no site www.fotki.com/andruchak
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Andruchak - Artista plástico muralista, Doutor pela ECA-USP, Professor e Vice-chefe do Depto de Artes da UFRN
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