Cidadania. Você vê por aqui?

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Quem quer realmente vedar nossos olhos?
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Iuri Rubim · Salvador, BA
16/3/2007 · 84 · 3
 

Não sei quantos foram os que se indignaram nem quantos deixaram de perceber o artifício da Rede Globo de Televisão de tratar das novas regras de classificação indicativa para a programação de TV. Pelo menos eu não vi a questão ser debatida por aqui. Para quem não está por dentro do assunto, foi publicada no dia 12 de fevereiro deste ano uma Portaria do Ministério da Justiça (264/07) que regula a classificação indicativa de programas, filmes ou qualquer obra de audiovisual exibidos pelas emissoras de televisão. Ela substitui a portaria 796/00 e traz como principais novidades o uso de símbolos para indicar as faixas etárias e a exigência de adequar a programação ao fuso horário local. Para mais informações sobre a Portaria, veja aqui.

Acontece que a Globo, como sempre faz quando pode entrar em vigor algum tipo de regulação que contrarie os seus interesses, apressa-se a taxar a referida regulação como um mecanismo de censura. O cenário montado geralmente é o seguinte:

- Artistas globais dando declarações e levando cartas para ministros ou mesmo o presidente;
- Os programas de jornalismo da emissora repetidamente veiculando matérias altamente tendenciosas sobre a pauta;
- Deputados e senadores “amigos” fazendo discursos veementes e severas críticas à questão;
- Às vezes, uma ou outra organização da sociedade civil dizendo que “não houve debate” sobre o assunto.

Já vimos o estrago que essa movimentação é capaz de fazer. A ANCINAV, iniciativa do Ministério da Cultura, foi simplesmente fuzilada por todos os lados. Outro exemplo é o Conselho Federal de Jornalismo, uma provocação que, inclusive, o governo havia recebido da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ).

Embora concorde com o grosso das duas propostas, não gostaria nem de entrar no mérito delas. Para mim, o que importa é que ambas foram publicamente execradas sem que sequer houvesse – aí sim – um debate público consistente sobre o assunto. Para mim, tachar qualquer proposição de censura é um mecanismo extremamente autoritário, que tem como único objetivo encerrar o diálogo sobre o assunto e não discutir o cerne da proposta.

Mas desta vez a Globo se superou e mandou às favas o respeito à sociedade brasileira. Pôs no ar, parece que já há algum tempo, uma campanha contrária às novas regras da classificação indicativa, só que sem referir-se claramente ao tema. E ainda incluiu a campanha naquela série “Cidadania. A gente vê por aqui.”, como se estivesse prestando um serviço à sociedade! Novamente, a emissora esforça-se para legitimar causa própria como se fosse algo de interesse da sociedade. E faz isso da pior forma possível, tentando conquistar, através da repetição exaustiva de mensagens subliminares, a audiência para a sua – e somente sua – causa. Há um texto no observatório da imprensa que considero bastante esclarecedor sobre o assunto.

Por favor, prestem atenção na programação da TV e nessa campanha. E talvez vocês fiquem tão indignados quanto eu.

Quem quiser equilibrar um pouco a situação, pode ver a campanha feita pelo Ministério da Justiça e veiculada nas TVs públicas.

Finalmente, o texto do Alberto Dines, do Observatório da Imprensa, posicionando-se sobre a questão.

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André Monnerat
 

Ou muito me engano, ou vi outro dia na MTV um anúncio da emissora mais ou menos no mesmo molde desse da Globo, falando da importância dos próprios pais se informarem e escolherem o que os filhos querem ver - também sem citar explicitamente do que estão falando.

André Monnerat · Rio de Janeiro, RJ 14/3/2007 14:32
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Vânia Medeiros
 


A gente se vê de pés e mãos atados diante do cinismo da globo. o que podemos fazer diante de um veículo de comunicação que conseguiu se constituir no imaginário de grande - ouso dizer a maior - parte da sociedade brasileira como detentor da verdadeira verdade sobre todas as coisas? é preciso um trabalho de formiga, é preciso discutir, resistir a isso. é importante não se calar diante desse autoritarismo...


Vânia Medeiros · Salvador, BA 17/3/2007 19:09
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Niltim Lopes
 

Verdade Iuri,
ando indignado em relação a essa campanha da Globo. Eles costumam agir de forma execrável quando se fala em distribuição de poder, já que estamos falando em tratar de forma política e séria os meios de comunicação nesse país e isso passa, certamente, por uma divisão mais igualitária na relação "quem pode falar o que pra quem".
Em relação a essa questão em si, é um absurdo também, cinismo é a palavra mais acertada e que roubo aqui de Vânia.
Ainda fazem campanha descaradamente pela redução da maioridade penal. É um absurdo, mas isso é uma outra discussão!
bem... é isso!

Niltim Lopes · Salvador, BA 18/3/2007 18:14
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