Hoje à tarde quando vinha para o trabalho vi uma placa que colocaram no Cine Brasil dizendo “PIRATARIA FECHA CINEMAâ€. E como ficam os funcionários e aquelas pessoas que não têm como pagar R$ 12,00 por um ingresso no Cine Rio ou Cine Veneza?
O que eles farão a partir do fechamento do Cine Brasil para assistir a um filme? Resposta simples, direta e objetiva – Vão apelar para os filmes piratas que a cada dia proliferam em Porto Velho, no Brasil e no mundo. O que não deixa de ser uma ironia. Faz lembrar os versos de Augusto dos Anjos “a mão que afaga é a mesma que apedreja...â€.
No mesmo cartaz também diz que a última sessão acontece dia 30 de outubro quando o Cine Brasil fecha suas portas definitivamente deixando órfãos inúmeras fãs de cinema que por ali passaram durante todos esses anos de sua existência.
O projetor do Cine Brasil se calará para sempre deixando o vazio como lembrança no projecionista e na cabine. Nunca mais aquele brilho de sonhos na sua tela. Nunca mais o entra e sai de espectadores. Nunca mais dois ou três filmes em cartaz, para alegria dos espectadores. Nunca meia para todos em todas as sessões. Nunca mais Cine Brasil.
É triste, mas é verdade. O Cine Brasil merece uma epÃgrafe - “AQUI JAZ O CINE BRASIL, POIS APESAR DO NOME QUE MUITO LHE PESOU, ACABOU VÃTIMA DA PIRATARIA, DO DESCASO E DA OMISSÃOâ€.
A sétima arte como é chamado o cinema, desde a sua criação sempre precisou se reinventar para continuar existindo. E isso nunca foi nada fácil. Se até os pais franceses do Cinema, os irmãos Lumiére diziam que o “cinema não tem futuro, pois não passa de uma curiosidade de feiraâ€. Ainda bem que eles estavam enganados.
Primeiro foi à passagem do cinema mudo para o sonoro, cuja transição destruiu carreiras e consolidou outras. Nos anos cinqüenta viria o fenômeno de massa chamado televisão e com isso o público não precisa sair de casa para assistir a um filme.
No entanto os “gênios do sistema†como mágicos sempre a postos tinham um à s na manga como o Cinemascope, o cinema em 3D entre outras invenções capazes de atrair o público para as salas de cinema que diminuÃam gradativamente causando assim desemprego.
O cinema, como todos sabem, é uma indústria que depende não apenas de astros, estrelas e diretores, mas de técnicos, extras, roteiristas, figurantes, e claro salas para exibição dos filmes.
Apesar de arrecadar milhões, isso não é garantia de que uma sala de exibição, grande ou pequena, consiga sobreviver sem espectadores. Muitos cinemas em todo o Brasil acabaram sendo transformados em igrejas evangélicas. No entanto existe agora um perigo maior. A pirataria que acaba de fazer mais uma vÃtima, no caso, o Cine Brasil; e vitimando seus funcionários e a população.
Por: Humberto Oliveira
Jornalista e cinéfilo
É, a questão da pirataria vamos poder compará-la logo, logo, com o revólver. Proibe-se a venda, não se proibe a fabricação;
proibe-se a venda, regulamenta-se o porte. Como se com porte ou sem porte não fosse revólver.
Proibe-se a pirataria, recebem impostos dos que fazem as maquinas de piratear; prendem o camelô, jantam com o pirateador...... um abraço, andre.
A pirataria suge como fruto de uma teconologia que fornece todo apoio para seu desenvolvimento.
Mesmo que considere útópico (mas que delÃcia é a utopia!), imagino que em um mundo com distribuição de renda mais justa, onde a educação de qualidade fosse possÃvel, no caso do nosso Brasil, com resgate a cultura do povo afro, indÃgena, branco, enfim multiracial, a pirataria não teria a força que tem. TerÃamos mais o que fazer, para onde ir e no que pensar...
;)
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