Estou de luto pelo cinema em Niterói. Primeiro, foi o cinema do shopping Trade Center, depois o Estação Icarai e agora o Cinema Icarai também está com seus dias contados. É uma pena, pois um pedaço da história de Niterói vai ser apagada para que mais um paredão de prédio seja levantada. Temos muitos prédios, academias, farmácias...mas e os cinemas? Estão sumindo do bairro de Icaraí em Niterói. Antes existia um clima de agradável de sair andando pelas ruas para ver que filmes estão passando...sem pegar um ônibus ou carro para isso. Agora, o único cinema que resta é o Cine Arte Uff, que passa excelentes filmes, mas está precisando de reformas nas aparelhagens de projeção e principalmente de som.
Gostaria de abrir uma discussão nesse site, pois não estou vendo uma mobilização da parte da população contra isso...o espaço do cinema que eu saiba era tombado...mas agora foi aprovada um destombamento (não sei se é isso ao certo).
uma pena. Mais triste ainda é ler nos jornais do bairro colunistas falando que "É Niterói crescendo" e "Niterói não precisa mais de centros culturais do que já tem".
É uma pena que cada vez mais os cinemas se escondam dentro de shoppings, as salas e a programação dos velhos cinemas são sempre melhores. Eu não conheço Niterói, mas compartilho sua dor...você podia dar uma pesquisada melhor nisso, seria interessante ter informações em relação ao cinema ser ou não tombado e à quantos cinemas perdem espaço para edifícios novos.
Abraço!
Numa cidade do interior de São Paulo em que eu morei, o cinema, único até a construção do shopping, foi transformado numa igreja evangélica, nada contra a religião, mas tudo a favor do cinema! Tou vendo a hora em que vão destruir aquele prédio antigo lindo pra botar um centro comercial no lugar. Onde eu moro atualmente, Brasília, não há tnatos problemas com isso, é tudo meio novo mesmo...e não pode mexer em quase nada...
Ana Cullen · Brasília, DF 15/8/2006 17:18
Conversando com um amigo indiano sobre o fechamento dos cinemas "de rua", ele me chamou atenção para um ponto interessante: essas salas são também mais um espaço de convivência urbana que se perde, no qual a velhinha sentava-se do lado do tarado, do estudante, do camelô e do advogado. Nos shoppings, o público é basicamente sempre o mesmo...
ronaldo lemos · Rio de Janeiro, RJ 15/8/2006 17:30
Pois é, eu tambénm sinto certa indignação resignada em realção ao fechamento dos cinemas de bairro. Aqui em Olinda - que é uma cidade, ainda por cima com o título de "Primeira Capital da Cultura do Brasil" - existem dois prédios de cinemas entregue a revelia do tempo. É revoltante isso. É um total descaso com a cultura cinematográfica. Em vários bairros do Recife, como Torre, São José e Boa vista, - só para citar os mais conhecidos - simplesmente não existem mais cinemas, todos foram fechados e viraram templos do Edir Macedo & Cia, o que me deixa ainda mais revoltada. Na Boa vista - bairro do Recife - ainda resiste bravamente o cine São Luis e alguns cines pornôs "tresh" que é frenquentado por tarados desocupados e mulheres de programa.
O que fazer? Reivindicar? A quem? Será que o fechamento dos cinemas de bairros é uma sindrome nacional?
Só na base do pitaco, pois não tenho nenhuma documentação embaixo do sovaco com números detalhados, penso que aquele cinema - um colosso - parecia inviável. Nos últimos quatro anos que frequentei o lugar, só vi alguns blockbusters lotarem o imenso espaço. Uma pena. E a comemoração de jornais locais sobre o progresso da cidade a qualquer custo reflete um pouco a mentalidade de muita gente que concorda com isso.
Mas, sem querer posar de cruel sem coração, o frio Cinemark do Plaza supriu, aparentemente, a demanda por filmes da região. O fim do Cine Icaraí parece ter sido digerido pela maioria. E o Cine Arte UFF segue como o último cinema capaz de levar para a galera uma programação além do óbvio em Niterói. Aliás, concordo contigo sobre a necessidade de uma reforma no lugar. Gosto tanto de lá que até sugeri o Cine Arte como point no guia.
não é só de icaraí que estão sumindo os cinemas, porque até onde eu sei o estação icaraí e o cine-arte uff eram os únicos cinemas que tinham uma programação não somente voltada para os blockbusters (mas repito, pode ser que eu desconheça algum), é de niterói em geral. e essa afirmação de que "niterói não precisa mais de centros culturais do que já tem" é fabulosa, como se cultura pudesse ser algo em excesso, ou como se atravessar a ponte fosse a coisa mais prática do mundo. o maior defeito que eu vejo em niterói é a carência de opções em diversão e cultura. acho que se não fosse por isso eu moraria lá.
sobre os cinemas de bairro estarem sumindo eu não diria que se trata necessariamente de um fenômeno nacional, embora não saiba muito como é lá fora (se alguém tiver as infos coloque-as aqui), mas parece uma iniciativa "natural" como conseqüencia da mudança na arquitetura das cidades, dos hábitos, etc. e, claro, da entrada das empresas, gringas, em geral, de cinemas multiplex. parece mais seguro e prático para a grande maioria das pessoas ir ao cinema no shopping, assim como morar em condomínios cercados e se possível com tudo dentro, em vez de casas (eu sinto saudade de andar numa rua tranqüila cheia de casas, como tem ainda muitas em niterói). essa de os cinemas (e não só cinemas, vide o caso do ballroom, no humaitá, que foi demolido e virou um terreno baldio, um dos boatos era que ia virar casa e vídeo) virarem igrejas, casas e vídeo (o de ipanema - acho que era star ipanema - por exemplo) ou quaisquer coisas com fins diversos. é triste, mas não vejo muito o que fazer. chamar a atenção para o fato máximo possível e, claro, ir aos cinemas de rua, pode ser o que está ao alcance.
Como disse o Saulo, o cinema era inviável economicamente. E eu concordo com isso. A dinâmica dos cinemas de hoje é que eles tenham muitas salas, sejam menores e tenham muitas opções. Se o grupo Severiano ribeiro queria fazer uma reforma no Cinema Icarai, porque não foi aprovada essa reforma? Preferia com o cinema antigo desse lugar para um cinema novo (que passassem blockbusters que seja...nunca passou mesmo filme cult no Icarai...mas e dai? Grandes produções também são divertidas...podem ter filmes muito ruins (como tmb tem cults mt ruins) mas cada um escolhe seu gênero...somos livres para isso).
Bom, essas questão de centros culturais em Niterói tmb estou por fora dos inúmeros que existem. E eu moro em Niterói. Podiam investir mais em cultura aqui...está precisando. Muitos centros culturais são escondidos e quase ninguém dá valor. Foi bonito a Semana da Espanha que englobou vários centros culturais em um mesmo evento: por ex. a antiga estação da cantareira (reformada e ficou lindissima), o MAC (que teve cinema ao ar livre e podia ter sempre!), além de shows gratuitos ou com um valor acessivel na UFF, no teatro Municipal, entre outros.
É isso que devem fazer com a cultura e a história...estimular as pessoas a irem ao encontro da cultura e não a cultura ao encontro das pessoas. E tem que fazer isso de uma forma atrativa...
Bom, voltando ao Icarai, hoje vai ter uma manifestação lá...vamos ver no que vai dar.
abs.
Cara Mariana,fiquei muito feliz em tomar conhecimento de que o cinema Icaraí, finalmente, foi preservado. Estou certo de que, se não o perdemos, isso só foi possível graças à atuação de pessoas, como você, que não concordam que a ganância de alguns (poucos, ainda bem) justifique a qualquer custo que sejamos afanados, furtados, se não roubados, de um bem que faz parte do patrimônio histórico de nosso Município, isto é, de sua história, de minha história, história de Icaraí. Nascido no Fonseca, em 1936, criança ainda, por volta dos idos de 1942, fui morar em Icaraí, na rua Miguel de Frias no.162. Não saía da praia, no trecho em frente à rua Presidente Baker, onde existia um trampolim com 3 plataformas para salto – aproximadamente10m - que perigosamente adernava para o lado esquerdo, em razão de a deterioração de suas fundações do lado direito. De lá saltávamos muitas vezes eu e os meus amigos Maninho(metralha), Baby, Gutinho, Celsinho, Bolão, Cezar, e muitos outros (que me desculpem os que não foram lembrados). Esse trampolim, já naquela época, fora condenado pela Prefeitura de Niterói pelo perigo e as graves conseqüências e riscos por sua utilização. A Pres. Baker era o local também preferido por nós para pegarmos ondas – jacaré - com um arremedo de prancha de surf (uma tábua de mais ou menos 30cm de largura por 60cm de comprimento, com a parte superior arredondada nos cantos).
O meu apelido, em Icarai, era Pindorama, atribuído pelo Professor Mello, do qual tenho grata lembrança e que pacientemente me ensinava a dar paradas de mão, saltos mortais, praticar ginástica (que dizia ele ser ginástica calistênica), etc. Em 1944 associei-me ao Clube de Regatas Icaraí, como sócio atleta, número 849, treinando diariamente em frente ao clube, ao lado da Pedra do Índio, até que foi construída uma piscina olímpica maravilhosa no Estádio Caio Martins. Hoje, resido em São Paulo onde eu e eu e minha mulher exercitamos a advocacia. Finalmente, devo confessar que o motivo mais relevante que me fez escrever foi o fato de que, quando adolescente, por volta dos 14 anos(1950), fui amigo e assistente do Técnico de Projeção do cinema Icaraí a quem ajudava a projetar muitos filmes em suas duas máquinas automáticas – recém implantadas - as mais modernas da época.
Ao final, peço desculpas por ter aproveitado esta oportunidade para me fazer conhecido e fazer contatos com os amigos da época com os quais não tenho tido mais qualquer contato.
Mariana, isso é realmente um fato a se lamentar. Infelizmente não ocorre apenas em sua cidade, na minha também e em todo o resto do Brasil. Eu falo rapidamente sobre esse assunto em um texto de minha autoria. É incrível como as pessoas se importam muito mais com o crescimento do capital do que com o desenvolvimento, guarda e/ou rememorização da cultura. Vamos sim, vamos criar uma lista de discussões sobre o cinema no Brasil, que acha? Foi até a idéia de um amigo meu. Poderíamos até mesmo criar uma comunidade de discussão no Orkut...
Abraços!
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