Cineasta Alek Lean na luta por um cinema plural

Overmundo - RNA Revista
“Sim, fazer cinema é como uma luta de ringue" diz Alek
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Rednaxel · São Paulo, SP
8/8/2019 · 0 · 0
 

O cineasta brasileiro Alek Lean acabou de emplacar seis filmes diferentes em diversos festivais e mostra de cinema no Brasil e no exterior em menos de seis meses em 2019. Além do Brasil, os países são Espanha, Estados Unidos, Inglaterra, Eslováquia e República Dominicana. Os curtas abordam na sua maioria temas bem populares de relevância social em evidência atualmente, como a negritude, ancestralidade, LGBTQ, padrões de beleza impostos, entre outros. Um cinema plural com uma linguagem não muito convencional. A listagem dos curtas está no final da desta reportagem.

Depois de muita espera, finalmente estreou no 10º Festival Internacional de Cinema de Santo Domingo o novo filme do cineasta Alek Lean ‘Crucificação’, um filme ensaio/manisfesto urgente para os dias atuais mediante a crescente onda neo fascista que assola o país. Em seguida foi selecionado para um moderno festival inglês, que conta também com prêmio do júri popular por votação através de video on demand.

“Eu escrevi o roteiro deste filme em 2016, logo depois de aceitaram na câmara dos deputados o Processo de impeachment contra Dilma Rousseff. O clima era tenso politicamente e socialmente e os traços do radicalismo da extrema direita apoiada pela bancada da bíblia só aumentavam. A perseguição as religiões de matrizes africanas se intensificaram a ponto de pessoas serem expulsas de sua comunidade por seguir suas crenças. Em seguida ganharam força às famílias conservadoras auto declaradas como pessoas de bem, mas que faziam mal ao próximo, e até mulheres sem sororidade apoiando o machismo. Enfim, vivemos uma crucificação generalizada de inocentes. Quanto a homofobia, isso já estava rolando a muito tempo e só aumentou. Mas na época que escrevi o roteiro, eu nunca iria imaginar que a frase da personagem da Alexandra 'Os gays estão deixando o país' se tornaria real com o exílio de Jean Wyllys anos depois e também alguns amigos que realmente foram embora.” Explica Alek Lean sobre seu novo filmes. “Crucificação” tem no elenco Gaio França, Jonathan Fontella, Renata Coimbra, Alexandra Zarjitsky, Padua Andrade e a participação afetiva em voz do grande ator Thiago Justino.

Apesar de achar que fazer cinema independente no Brasil é uma luta constante e difícil, principalmente para os negros da Baixada e periferias, Alek disse não pensar em parar de produzir tão cedo: “Sim, fazer cinema é como uma luta de ringue mesmo e pra vencer você tem que treinar muito. No caso do audiovisual, você treina produzindo novos filmes a qualquer custo. É cinema de guerrilha mesmo.”


“A minha questão central quando idealizei a Experimental Filmes é com a resistência e representatividade de grupos estigmatizados, em especial os negros, apesar da minha filmografia ter grande destaque em defesa da luta das mulheres, maioria em número, porém ainda com extrema desigualdades de direitos e reprimidas socialmente. Nós, negros, precisamos ver nossas histórias contadas nas telas a partir do nosso ponto de vista e ilustrados com os cenários que fazem parte da nossa identidade. Não podemos nos limitar a filmes sobre religião e racismo. Temos que ir além disso mostrando nosso cotidiano e utilizando dos mais diversos personagens de mocinhos a vilões”, diz Alek.

“Considero o audiovisual em geral um arma para mostrar que negros talentosos existem sim e produzem tem suas histórias e são importantes culturalmente para nossa sociedade e seu desenvolvimento.” reflete o cineasta.

Com inúmeras matérias em jornais e sites no últimos anos, Alek tem recebido vários convites para palestras e exibições de seus filmes.

No seu currículo acumula mais de 50 participações em festivais de cinema nas Américas, Europa e África. Alek também é roteirista e tem outros projetos que estão em busca de parcerias, patrocínios e distribuição.

De "SONHO DOS ERROS" uma leve comédia colorida a "TORMENTA" um suspense psicológico em preto e branco: ambos foram curtas selecionados este ano para festivais e mostras de cinema.

"CRUCIFICAÇÃO" se passa em uma era futura onde negros, mulheres e gays são oprimidos ao extremo por novas leis. Indicado na categoria masculina a melhor curta metragem internacional no 10º Festival Internacional de Cinema de Santo Domingo na Rep. Dominicana, além de ter participado da mostra competitiva na Session Filmmaker na Inglaterra.

"EU NÃO NASCI PRA SER DISCRETA" é um curta híbrido mais documental onde quatro jovens de diferentes etnias relatam como as dificuldades de ser afeminado numa sociedade machista. Indicado a melhor curta metragem no Prêmio SESI de Cinema e TV - São Paulo e foi top 5 no geral em votação do público no Festival Internacional de Cine Independiente na Espanha, sendo o documentário mais votado online. Sem contar que foi o terceiro mais votado do público no Audience Awards do Festival LGBTQ nos EUA.

"LAR DOCE CELULAR" traz o vício pelo celular como tema central do filme. Com referências ao cinema mudo o filme é todo em preto e branco. Menção Honrosa no Festival Internacional Cine Curtas Lapa e participou da mostra não competitiva no Festival da Bratislava na Eslováquia.

"POR TRÁS DAS TINTAS" acabou de ser selecionado para o 12º Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul. Este filme traz a visão da obra por uma mulher africana retratada num quadro pintado por um espanhol.


Por: Leo F Ventura

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