Num outro texto aqui no próprio Overmundo, falei de um filme que fora rodado inteiramente em São Carlos, “Sábado”, um indício de que o interior de São Paulo está cada vez mais mergulhado na era do audiovisual. Basta um rápido giro por outras cidades “caipiras” para se perceber a ebulição que vive a área.
Em Botucatu (a cerca de 300 km da capital), o diretor Paulo Furtado prepara a transferência para película do filme 3 pedras, rodado no ano passado. Bauru (400 km da capital) roda o curta Perímetro urbano e o produtor Gabriel Fahra teve seu roteiro O sonho de uma vida selecionado pelo programa BBC New Talent 2006. Em Sorocaba (100 km da capital), Cafundó, dirigido pelo ator Paulo Betti, narra a história de um personagem local e conta com a participação de atores da cidade ao lado de famosos.
Filmando no quintal
3 Pedras teve como locação o místico Morro das 3 Pedras, que sustenta lendas locais, como as de que possui um túnel que levaria a Machu Picchu, no Peru, e de ser lugar de sacrifícios no passado (por isso, se ouviriam sons de gemidos e tambores por lá). "O filme é uma ficção que narra a história de um sargento que morre numa guerra, mas fica perdido sem saber se está vivo ou morto. Tem um quê de realismo fantástico, mas não exploramos esse lado místico do lugar. Quisemos usar apenas o visual, que já é muito forte", conta Furtado.
Assim como em São Carlos, a produção mobilizou vários setores da cidade, como a Prefeitura, empresários e até o Tiro de Guerra. "Uma das cenas é uma reconstituição de uma batalha da Revolução de 32, que teve uma base aqui em Botucatu. Conseguimos a participação de 30 atiradores, com armas e balas de festim, cedidos pelo Tiro de Guerra", diz o diretor. No total, cerca de cinqüenta pessoas participaram da produção, entre técnicos, produtores e atores.
O personagem principal é vivido pelo botucatuense Domingos Meira, que após as filmagens participou da minissérie JK, da Rede Globo. Ewerton de Castro, Karina Barun e Talita Castro formaram o restante do elenco de “3 Pedras”, que tem até efeitos especiais, como explosões e bombardeios aéreos, depois finalizados digitalmente. Gruas e trilhos foram usados nas filmagens. "Locamos toda a maquinária em São Paulo. Também usamos, em cenas da ferrovia, a maquete de uma maria-fumaça feita por ferromodelistas aqui da cidade".
Segundo Furtado, noventa por cento das captações foram externas, a maioria delas feita no Morro das 3 Pedras por causa da iluminação natural. "Em determinado momento das gravações, acampamos por uma semana lá para pegar o nascer e o pôr-do-sol. A luz naquele lugar é uma das melhores para se filmar", diz. "Quisemos filmar em Botucatu pela intimidade que temos com a cidade. É como se estivéssemos filmando no quintal da nossa casa".
A história começou a ser pensada em março do ano passado por ele e Domingos, que assinam o roteiro juntos. Cíntia Di Giorgi fez os diálogos e assina como co-roteirista. Foram feitas três versões para as primeiras exibições: uma com 18 minutos, uma com 30 minutos e outra com 70 minutos. "Fizemos algumas exibições na cidade por causa dos prazos com os patrocinadores. Mais de 2 mil pessoas já viram".
Entretanto, Furtado acredita que esteja na fase mais demorada da produção, que é a transferência para película, já que tudo foi filmado com câmera digital. "Acredito que a versão final mesmo fique pronta só em 2007. Dependemos de vários fatores e é muito caro fazer isso", diz ele. Até agora, 3 pedras já consumiu R$ 25 mil.
Furtado também acaba de lançar “Tubinho – O Filme”, uma ficção inspirada no palhaço do Circo Teatro Tubinho, criado há cerca de 80 anos no interior.
Sonhando!
Já o bauruense Gabriel Fahra, amante da sétima arte desde pequeno, tenta produzir seu primeiro longa, O Sonho de uma vida, que teve o roteiro aprovado pelo programa BBC New Talent 2006, da TV estatal inglesa. O produtor, que participou de um workshop de cinema em Hollywood, afirma já ter todo o equipamento necessário para rodar o filme, mas ainda vai selecionar os atores para o projeto.
Estreando!
Com mais cacife e estrutura que seus conterrâneos caipiras, Cafundó, que marca a estréia de do ator Paulo Betti na direção, ao lado de Clóvis Bueno, não foi rodado numa cidade do interior paulista, mas narra a história de um personagem de Sorocaba, de onde também levou atores locais para contracenar com Lázaro Ramos e companhia. O filme foi rodado em cidades históricas do Paraná.
João de Camargo, um ex-escravo preto-velho milagreiro, é o personagem principal, vivido por Lázaro, que levou o Kikito de Melhor Ator no Festival de Gramado do ano passado por sua atuação no filme, que estreou recentemente nos cinemas de Sorocaba e entra em circuito nacional aos poucos.
Pode ser mais um passo para o início de uma nova fase do cinema no interior de São Paulo. Basta que os diretores virem suas lentes para dentro do Brasil e saiam do eixo Rio-São Paulo na hora de produzir seus filmes.
Olá Fela,
A única maneira que encontrei para estabelecer diálogo, já que teu perfil não possui dados, foi esta.
Sou da cidade de Cândido Mota/SP, 08 km de Assis, e comecei a postar aqui agora.
Tenho um sítio pessoal, www.ederfonseca.pro.br, no qual escrevo algumas coisas.
Bom saber da proximidade, vamos mantendo contato.
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