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Cinema caro para nordestino?
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Aracaju é a única cidade nordestina a se inserir no projeto A Tela na Sala de Aula, desenvolvido nacionalmente pela produtora carioca Copacabana Filmes em parceria com a Eletrobrás, dentro maravilhoso Festival Internacional de Cinema Infantil. A tela é um projeto novo dentro do festival e vai exibir na rede Cinemark filmes inéditos e completamente fora do circuito comercial. Até aí, tudo ótimo.
Mas o que fazer para levar as crianças de escolas públicas - principais alvos do projeto - para o cinema, quando o preço do ingresso é R$ 6? À primeira vista, R$ 6 é um preço razoável. Claro que é. Mas em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Brasília e Belo Horizonte, as outras quatro capitais onde o projeto vai acontecer a partir de setembro e onde os cidadãos foram forçados a se acostumar a pagar até R$ 17,50 por uma sessão de cinema.
A intenção é que as próprias escolas banquem as entradas de seus alunos e professores que, além de conhecer filmes inéditos e de excelente qualidade, vão receber ainda uma cartilha que se adequa aos planos de aula. Ok, também.
Mas só para se ter uma idéia, o ingresso de cinema mais caro em Sergipe – onde só há salas de exibição na capital – custa R$ 12. Qualquer criança de até 12 anos tem o direito de pagar meia entrada, o que já seria equivalente aos R$ 6 cobrados. A única vantagem econômica de fato seria o preço do ingresso para adultos.
Não é minha intenção fazer as vezes de defensor do nordestinos fracos e oprimidos. Mas o fato é que o Centro de Estudos Casa Curta-SE, parceiro da Copacabana Filmes na execução de A Tela na Sala de Aula em Aracaju, não conseguiu até agora um parceiro público para bancar a iniciativa de levar os estudantes aracajuanos até o cinema. Justificativa? Preço!
Sem a mínima pretensão de tomar a defesa dos órgãos públicos e assumir como legítimo o discurso simplista de que não há dinheiro no caixa, Aracaju revive o impasse filosófico do ovo e da galinha, mas não para descobrir quem nasceu primeiro. Depois de algumas tentativas de convencimento não acatadas, minhas perguntas são:
Será que a gente põe um ovo e faz um escarcéu porque os governos não estão destinando verbas para levar seus alunos para participar de um projeto tão interessante? Ou será que a gente recoloca a idéia original na chocadeira e repensa o valor do ingresso para que o projeto aconteça para quem ele realmente surgiu, as nossas crianças?
Eu sei que há mais alternativas nas entrelinhas. Quem se habilita? As questões se sobrepõem, eu coloco minha angústia e fico na expectativa de alguma luz. Alguém tem um isqueiro aí?
tags: Aracaju SE cinema-video
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Gostei do texto e do questionamento, Rodrigo. Creio que as particularidades de cada região do Brasil têm de ser consideradas em projetos nacionais deste tipo. As leis de mercado muitas vezes podem ser cruéis neste sentido. Se já não é fácil captar recursos para projetos em grandes centros, imagina em regiões que não concentram os mercados consumidores...
Marcelo Rangel · Aracaju (SE) · 8/8/2006 14:03
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O projeto parece superimportante mesmo. É um desperdício conseguir bons filmes e bons espaços e não ter a possibilidade de baixar os preços... Será que uma parceria com a iniciativa privada não daria certo? Alguém que quisesse anunciar algum produto nas cartilhas, por exemplo, e em troca pagasse uma porcentagem do ingresso... Será que necessariamente tem que ser dinheiro público? (Tô jogando essa pergunta sem saber direito os detalhes do projeto, é bom dizer...)
Helena Aragão · Rio de Janeiro (RJ) · 10/8/2006 13:07
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Oi, Helena!
Sua idéia faz todo sentido e a iniciativa privada já está sendo buscada. Mas se todos têm que se comprometer com o desenvolvimento de nossas crianças, os órgõs públicos não podem estar "inclusos fora dessa". Valeu!
Rodrigo Rocha · Aracaju (SE) · 10/8/2006 17:10
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Bacana. Concordo com a maioria dos outros comentários, por isso vou em outra direção. Quero dizer também que seu texto não tem a ver com "defesa de nordestinos fracos e oprimidos", tem a ver com Acesso a Direitos, dos quais a Cultura é um fundamental. Enquanto o impasse não se resolve de maneira plenamente satisfatória, será que o próprio Cinemark não poderia ser convencido a bancar sessões especiais gratuitas para os estudantes da rede pública? Grande abraço,
Ecio de Salles · Rio de Janeiro (RJ) · 11/8/2006 00:42
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Gostei de saber que há a possibilidade deste projeto - do qual já ouvi falar por outras vias - chegar por essas bandas. Ao menos há essa possibilidade, seria bom se os orgãos públicos se manifestassem a respeito. Aqui em Olinda e Recife essa novidade sequer bateu às nossas portas - não que eu tenha conhecimento. Ao menos aqui no Recife, nós temos cinema a preços bem populares, no cinema do Teatro do Parque o ingresso custa R$ 1,00 - pode acreditar - e passam bons filmes de vez em quando, no Cinema da Fundação Joaquim Nabuco o ingresso é de R$ 6,00 e ainda tem meia p/ estudante/idosos e uma vez por semana meia entrada para todos, e só passa aqueles filmes que nunca passariam no circuito comercial, o cinema Apolo o ingresso sai por R$ 4,00 e tem meia p/ estudantes e idosos, e ainda temos o cine-teatro Arraial que cobra apenas R$ 2,00 e faz pequenas mostras semanais - ou fazia, nunca mais fui por lá. Enfim, mesmo assim, um cinema dentro das salas de aula seria muito bem vindo nas periferias por exemplo, onde as crianças não têm condições sequer de sairem do próprio bairro. Sou solidária com o texto e compreendo perfeitamente qualquer indgnação em nome de uma cultura abranjente às massas.
Dora Nascimento · Olinda (PE) · 24/8/2006 20:09
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Ressalva:
Me ocorreu agora que a idéia do projeto é levar os alunos de escolas públicas ao cinema e não levar o cinema às escolas. Acho que é isso não me interei totalmente do projeto, soube dele por alto - de qualquer forma, continuo achando que parceiras com estado e empresas privadas poderiam dar uma passo largo na resolução do impasse, e fazer esse projeto circular por todo o país.
Dora Nascimento · Olinda (PE) · 24/8/2006 20:14
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Acho válido o projeto até porque tem vezes que a pessoa até consegue o dinheiro, mas não tem o "gosto" pela coisa...devido 'a questão de informação.
É importante formar o público desde a sua infância...
'As vezes, o Palácio das Artes em Belo Horizonte promove sessões gratuitas de cinema e teatro. Vejam um exemplo em um texto do Sérgio Rosa no Overmundo:
http://www.overmundo.com.br/guia/ciclo-de-cinema-marginal
Resta saber quem está indo a essas sessões gratuitas!?!
apple · Juiz de Fora (MG) · 16/11/2006 21:41
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