Cinema e Memória no Pará

Frame do Filme
Cena do Filme "Belém 350 anos" de Milton Mendonça (1965)
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Ramiro Quaresma · Belém, PA
24/1/2007 · 219 · 4
 

A Cinemateca Brasileira organizou em maio de 2006, em São Paulo, o 62º Congresso Internacional da FIAF – Federação Internacional de Arquivos de Filmes. Representantes de cinematecas e museus do cinema do mundo inteiro compareceram para discutir as metodologias utilizadas por cada um e os novos rumos da preservação das películas de cinema, equipamentos e impressos relativos ao universo dos filmes. O tema que mais exaltou os ânimos foi a digitalização do cinema. Hoje existem processos de escaneamento de películas em 2K (2048x1556 pixel) que possibilitam a salvaguarda e restauração do conteúdo para torná-lo até mais bem contrastado e definido na imagem e no som do que era quando foi exibido originalmente, até porque hoje a edição dos filmes é totalmente feita em estações digitais. O cineasta Arnaldo Jabor quando foi restaurar seu primeiro curta-metragem de 1965, O Circo, tomou medidas ainda mais polêmicas: reeditou algumas partes do filme para impor outro ritmo, que segundo ele não havia conseguido na época. Mais recentemente a própria Cinemateca Brasileira, juntamente com a produtora Filmes do Serro, iniciou o processo de restauração da obra completa do cineasta Joaquim Pedro de Andrade, sendo o primeiro resultado um Macunaíma com cores absurdamente mais vibrantes. Este filme antológico de 1969 com Grande Otelo, Paulo José, Jardel Filho e Dina Sfat hoje pode ser visto nos cinemas pelo Brasil restaurado brilhantemente em som Dolby Stereo para deleite das novas e antigas platéias. Tudo feito com aprovação da equipe técnica original e da família do cineasta. De acordo com Patrícia de Filippi, do Laboratório de Restauração da Cinemateca Brasileira: “Falar em restauração exige uma reflexão sobre os conceitos envolvidos nessa área em constante mudança. Cabe a nós a leitura das possibilidades das novas tecnologias a favor da integridade estética do filme. Há que se considerar a história da técnica cinematográfica e da tecnologia, passando pelo momento em que Joaquim Pedro exerceu sua arte e as referências estéticas de que dispomos hoje”.

Este processo de preservação da memória do cinema foi iniciado pelo Museu da Imagem do Som do Pará há cerca de três anos. Começou com um projeto de filmar com câmeras betacam digital a projeção de filmes do seu acervo. Até então a telecinagem está além das possibilidades e muito menos o escaneamento em 2K. O resultado serviu pelo menos para que pesquisadores pudessem acessar o conteúdo de obras como os cinejornais das décadas de 1960 e 1970 de Milton Mendonça e os longas-metragem de Líbero Luxardo do mesmo período, além de outros títulos relevantes como o contundente Vila da Barca de Renato Tapajós realizado em 1963. Paralelamente também foi estabelecida uma imprescindível parceria com a Cinemateca Brasileira que capacitou uma equipe de técnicos e projetou uma reserva técnica de películas cinematográficas climatizada e desumidificada, com mesas enroladeiras para diagnóstico, higienização, identificação e pequenos reparos. Esse preciosos títulos estão protegidos em seu micro ambiente (caixas e rolos de plástico) e no macro ambiente (reserva climatizada e desumidificada). Pra fechar este anos de grandes conquistas na preservação da memória audiovisual o MIS-Pará irá adquirir através de recursos obtidos junto a Caixa Econômica Federal uma moviola-telecine, equipamento imprescindível em um arquivo de filmes onde se visualiza o conteúdo das películas e migra para o digital através de um vídeo-tranfer, aliando preservação, identificação, catalogação e difusão.

O MIS-Pará está no rumo de tornar-se uma Cinemateca Paraense, salvando das intempéries do nosso clima esse importantíssimo acervo, que é fundamental para conhecermos nossa história, com imagem e som, e disponibilizando essas informações para o hoje e para o amanhã. Pois o cinema paraense não surgiu com “Açaí com Jabá”, nem com “Chama Verequete” ou “Dias”, nasceu com Milton Mendonça, Líbero Luxardo, Pedro Veriano e Renato Tapajós. Como disse Paulo Emílio Salles Gomes em seu livro “Cinema: uma trajetória no subdesenvolvimento”: “O Brasil se interessa pouco pelo seu passado. Essa atitude saudável exprime a vontade de escapar a uma maldição de atraso e miséria. O descaso pelo que existiu explica não só o abandono em que se encontram os arquivos nacionais, mas até a impossibilidade de se criar uma cinemateca. Essa situação dificulta o trabalho do historiador, particularmente o que se dedica a causas sem importância como o cinema brasileiro.” O futuro dessa memória audiovisual agora está parcialmente garantido. Até quando?

Acervo do MIS-Pará

Acervo Milton Mendonça (Jussara Filmes): pequenos filmes, cinejornais como eram chamados, em preto e branco que retratavam eventos da Belém nos anos 60 e 70, com destaque para o filme comemorativo aos 350 anos de Belém feito em 1963.

Acervo Líbero Luxardo: paulista de nascimento, na década de 1930 realizou filmes sobre a Revolução Constitucionalista, e no Pará 04 filmes na década de 1960, Um Dia Qualquer, Marajó: Barreira do Mar, Brutos Inocentes e Um Diamante e Cinco Balas, esse último perdido definitivamente, só restou a trilha composto por Waldemar Henrique. Os outros três títulos anteriores estão em nossa reserva e disponíveis em DVD e VHS.

Acervo Waldemar Henrique: composto por mais de 15 mil peças entre diários, partituras, cadernos de música e objetos pessoais do acervo pessoal do Maestro passa agora por um processo de catalogação para a posterior disponibilização de seu conteúdo em um CD-ROM.

Serviço:
O Museu da Imagem do Som do Pará tem um acervo de cerca de 2.500 rolos de películas em 8, 16 e 35 mm, 3500 filmes em vhs e 500 fitas K7. Núcleo Feliz Lusitânia, Casario da Padre Champagnat, Rua Padre Champagnat, s/n. Tel.: (91) 4009 8817. Atendimento com agendamento prévio.

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Fábio Fernandes
 

Muito bom esse texto, Ramiro! Excelente saber que o Pará está trabalhando na recuperação de seus filmes - preservar a memória é fundamental!

Uma dica: por que, além dessa matéria, você não publica no Guia um comentário sobre o Museu da Imagem e do Som do Pará? Nem precisaria tirar os dados que estão ao final do seu texto, mas colocá-los também no Guia ajudaria mais aos interessados na hora de uma busca.
Abraço!

Fábio Fernandes · São Paulo, SP 21/1/2007 13:20
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Higor Assis
 

Muito bacana mesmo, principalmente para quem gosta de cinema e dar valor ao que é nosso, produzido por quem realmente acredita. Parabéns pela matéria.

Higor Assis · São Paulo, SP 23/1/2007 11:45
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Yusseff Abrahim
 

Já tive a felicidade de ler o livro do Paulo Emílio, é um marco importante para engrossar os movimentos de preservação e principalmente (ao meu ver) divulgação dos acervos históricos.
Escrevo mais para registrar que sou um entusiasta da cena paraense também do presente, muito além em técnica e conteúdo da produção amazonense. Sei que isso não é nenhum indicador expressivo, mas não foi à toa que o comercial do guaraná Tuchaua - o mais popular de Manaus - foi gravado em película na cidade de Belém.
Abraço e sucesso ao MIS-Pará.

Yusseff Abrahim · Manaus, AM 25/1/2007 22:48
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tarokid
 

FANZINE EPISÓDIO CULTURAL E REVISTA DO CINEMA MACHADENSE


OLÁ, MEU NOME É CARLOS E SOU O EDITOR DO FANZINE EPISÓDIO CULTURAL E DA REVISTA DO CINEMA MACHADENSE (1911─;2005). ESTOU DIVULGANDO O FANZINE PELA INTERNET EM ARQUIVO PDF (DE GRAÇA )!
O MEU MAIOR INTERESSE É DIVULGAR O MEU TRABALHO. CASO QUEIRA VER OS FANZINES ( QUE SÃO IMPRESSOS AQUI EM MACHADO/MG) É SÓ MANDAR UM E─;MAIL ,OK?
APROVEITE E VEJA O VÍDEO DA MINHA REVISTA NO YOUTUBE. O LINK É:



http://www.youtube.com/watch?v=WEpox-M6zyw





tarokid · Machado, MG 9/2/2007 23:08
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