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Cinema Paradiso

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Tatiana Hora · Aracaju, SE
16/10/2006 · 85 · 11
 

Alguns alunos que estudavam no Colégio Tobias Barreto matavam aula para ir ao Cinema Palace no centro da cidade de Aracaju. O jornalista e crítico de cinema Ivan Valença era um deles, e conta que os estudantes trocavam de blusa, as meninas viravam as saias pelo avesso, tudo para esconder o símbolo do colégio, pois não era permitida a entrada de alunos fardados segundo determinação do juizado. “Lá dentro era uma algazarra, as pessoas gritavam, mas era divertido”, conta o jornalista. Cerca de 40 anos depois dessa época, em 1997, chegaram as salas multiplex ao Brasil, que se localizam em cidades com mais de 400 mil habitantes e ficam em shoppings centers. Em Sergipe, um exemplo desse tipo de sala são as do Cinemark e do Moviecom.

O Cinemark é uma das três maiores redes de exibição de cinema no mundo, e chegou à Aracaju em 1998, funcionando no Shopping Jardins com nove salas que passam filmes simultaneamente. Menos de um ano depois, as duas salas de cinema que existiam no Shopping Riomar fecham. Quatro anos mais tarde o Moviecom inaugura cinco salas no Riomar. “O domínio das multiplex está ligado ao novo padrão de produção, distribuição e exibição no capitalismo global”, afirma o mestre em Cinema pela Universidade de São Paulo (USP), Caio Amado. Os estúdios de Hollywood vendem seus filmes para as grandes distribuidoras, que, por sua vez, negociam dias e horários com as empresas exibidoras, proprietárias das salas multiplex. Esse é o caminho percorrido por um filme americano até ser exibido no Cinemark, do Shopping Jardins.

Antes das salas multiplex chegarem à Aracaju, havia vários cinemas no centro da cidade, como o Palace, que hoje é uma casa de bingos. O Cinema Palace tinha sessões especiais e era muito freqüentado pela elite sergipana. Havia também várias salas que pertenciam à Igreja Católica, como o Cine Vitória e o Cinema Vera Cruz. “A Igreja estava muito preocupada com o que os fiéis viam. Eles recomendavam quais filmes poderiam ser vistos”, explica Ivan Valença.

A primeira sala de cinema de Sergipe foi o Cine Rio Branco, inaugurado em 1912, um dos primeiros cinemas do país, e que antes era o Teatro São José. “Havia cinemas de bairro como o Cinema Guarani, perto da casa onde eu morava, na Praça da Bandeira. Eu vi filmes extraordinários ali”, lembra Caio Amado.

Nas cidades do interior do estado existiam várias salas de cinema, como Itabaiana, que tinha 3 salas. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 92% dos municípios no Brasil não têm nenhuma sala de projeção. A professora Adenildes Carvalho mora num sítio em Boquim e conta da primeira vez em que foi ao cinema, em Aracaju. “Foi incrível. Era uma tela enorme. Eu achava que as cadeiras estavam girando. Pensava: será que vou entrar no filme?”, relata. “Eu não vejo a hora de ir a Aracaju para ir ao cinema”. Para Cristiano Leal, professor da área de Comunicação Social e cinéfilo, o cinema é um ritual. “O cinema é uma experiência coletiva. As pessoas riem junto com o filme, e às vezes aplaudem”, diz.

O fim - Durante a década de 1980, o Cinema Rio Branco passou a exibir filmes pornôs. Segundo o antropólogo José Marcelo Domingos, o que atrai o público desses espaços é a possibilidade de encontrar um parceiro sexual sem prejudicar a imagem construída em sociedade. “No escuro do cinema você se torna anônimo. Há um clima de penumbra em que você não vê o outro e o outro não lhe vê por completo”, diz.

O que antes era o Cine Rio Branco, agora é uma loja de tecidos, a tela do Cine Plaza deu lugar a um altar, e um estacionamento ocupa o espaço onde antigamente os espectadores assistiam a filmes no Cinema Aracaju.

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apple
 

Por aqui também salas tradicionais cederam passagens 'as salas dos shoppings.

Cinema que encantava pela estrutura era só o Palladium, localizado na área central.

O Brasil, por exemplo, tinha até cadeiras de madeira. Lembro de um "amigo" com o qual assisti um filme lá. Ele, bem alto, ficava com as pernas espremidas entre os bancos.

apple · Juiz de Fora, MG 15/10/2006 07:56
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Fábio Fernandes
 

Isso acontece, infelizmente, em todo o Brasil. No Rio já não existe nenhum dos cinemas da minha infância.

Fábio Fernandes · São Paulo, SP 16/10/2006 12:18
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Thiago Camelo
 

Nem o Odeon, Fábio? Eu confesso que sou muito satisfeito com os cinemas do Rio, inclusive com a programação.

Thiago Camelo · Rio de Janeiro, RJ 16/10/2006 16:55
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Edson Costa Filho
 

Realmente é uma pena que salas tradicionais tenham perdido espaço para salas multiplex. É uma tendência que não se limita apenas ao cinema. Vejamos os próprios shopping centers, cuja finalidade é reunir num único espaço o máximo de possibilidades - em termos de compras e diversão - para os consumidores. Hoje em dia, nos Shoppings, não se encontram apenas lojas ou parques de diversões, mas bancos, escolas, cursos, faculdades, cinemas, órgãos públicos (vejam o exemplo do CEAC), etc. Essa tendência, além de facilitar para o fornecedor de produtos ou serviços, facilita também para a população que não precisa se descolar ao longo da cidade para achar o que procura.
Os cinemas multiplex dão ao consumidor mais opções. São várias salas com diferentes filmes sendo exibidos. O preocupante disso tudo não é a idéia em si do multiplex, mas a programação.
Em geral, só passam filmes hollywoodianos, com grandes investimentos e propagandas. É um verdadeiro lobby cinematográfico. Filmes de arte nem pensar! Temos várias salas, vários filmes e às vezes nenhum nos interessa. Vários filmes que eu li em sinopses ou críticas em sites especializados, fiquei apenas na ansiedade de vê-los, pois não foram exibidos aqui.
Portanto, em épocas de multiplex, às vezes uma pipoca com guaraná no sofá da própria casa e um bom filme locado numa boa videolocadora resolve! Como sugestão: Nada de blockbuster e sim a locadora de vídeo do jornalista e crítico de cinema Ivan Valença, citado neste texto! é a melhor locadora da cidade! rsrsrs
Parabéns pelo texto! Muito bom!

Edson Costa Filho · Aracaju, SE 17/10/2006 05:41
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apple
 

Bem, por aqui até que existem salas que passam filmes de arte. A desvantagem é a localização deles...

Então, vejo filmes hollywoodianos também e brasileiros. Têm filmes brasileiros bons, mas também tem cada filme brasileiro que não fica devendo nada em má qualidade para os hollywoodianos...

apple · Juiz de Fora, MG 17/10/2006 07:33
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Tatiana Hora
 

Edson, você tirou as palavras da minha boca! Eu também me sinto decepcionada com a programação dos cinemas multiplex. Meu amigos até acham estranho: mas você não gosta tanto de cinema, então como não quera ir ao cinema? Prefiro ver os filmes que baixo da Net. Aliás, ave ave Emule! Ah, e com certeza a locadora do Ivan é ótima.
Obrigada pelo elogio!! =)
bjos

Tatiana Hora · Aracaju, SE 17/10/2006 07:38
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Edson Costa Filho
 

Ah... CrisBH, é verdade que há muitos filmes brasileiros bons. Entretanto, tenho percebido uma mudança no estilo do cinema brasileiro, buscando uma forma de adequação ao padrão norte-americano. Ficou evidente a melhoria na qualidade técnica do cinema brasileiro, mas houve uma perda de concepção do filme brasileiro. Quanto aos filmes hollywoodianos, quero deixar claro que não tenho nenhuma fobia a eles. Até acho que se produz muita coisa boa por lá. Mas esses não predominam...

Tatiana, não tenho o hábito de baixar filmes no Emule (não tenho muita paciência). Minha última tentativa nao obteve êxito por ausência de fontes para baixar os últimos 100mb. Pow, há dois dias eu espero alguém aparecer... Quem sabe você não me passe alguns dos seus filmes baixados, creio que sejam bons... E realmente a locadora do Ivan é ótima. Tem títulos que você só encontra lá!
Bjos

Edson Costa Filho · Aracaju, SE 17/10/2006 10:37
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Débora Andrade
 

Tati, adorei seu texto, mas a minha impressão é de que tem alguma coisa faltando...

:*

Débora Andrade · Aracaju, SE 20/10/2006 08:45
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Tatiana Hora
 

maionas, seria legal se você fizesse uma crítica mais consistente.

Tatiana Hora · Aracaju, SE 20/10/2006 11:36
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apple
 

Maionas? O quê é isso?

apple · Juiz de Fora, MG 21/10/2006 09:06
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Alisson de Sá
 

Olá Tati, adorei seu texto, sou professor de história e estou fazendo pesquisa sobre o cinema sergipano, especificamnte sobre as ntas de jornais e sua influências. Mais uma vez parabéns pelo texto...
Abraços

Alisson de Sá · Aracaju, SE 10/3/2009 14:18
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