Poucas cidades do Estado de São Paulo têm salas de cinema públicas. E Assis, a cerca de 440 quilômetros centro-oeste da capital, é um desses municípios privilegiados. Isso graças à reforma do antigo Cine Pedutti (construído nos anos 60 e que ficou desativado durante a crise que assolou a área em cidades menores), feita pela Fundação Assisense de Cultura (FAC). A cidade possui mais um cinema comercial.
De lá para cá, a sala, com 620 lugares (maior que muitas salas comerciais por aí), tem transformado o panorama cultural da cidade, dando prioridade à exibição de filmes de arte e nacionais. "Nossa idéia é trabalhar o cinema como cultura e não apenas como entretenimento", diz Juliana Batista Brito, 28 anos, coordenadora do cinema municipal.
O projeto Cinema FAC, como foi batizado, faz mostras temáticas durante o ano e, com isso, tem conseguido ampliar seu público, envolver entidades, ONGs e até virar referência na região, atraindo estudantes de cidades próximas. “Desde que assumi a coordenação, em abril deste ano, consegui praticamente triplicar o número de freqüentadores do local. Tudo devido ao fato de sempre fechar seis filmes e divulgá-los através de cartazes e panfletos, assim as pessoas podem se programar.” explica.
Também rolam debates e mostras temáticas de países e diretores, como produções italianas, iranianas e do Mix Brasil (com temática sobre a sexualidade), entre outros, já passaram por Assis. “Estamos vendo a possibilidade de trazer no início do ano que vem um festival de curtas-metragens também.”
A sala “abre exceções” com filmes comerciais, mas por boas causas. No Dia das Crianças, exibiu o desenho animado Os Sem Floresta para crianças de todas as escolas da cidade. "Conseguimos trazer quase mil crianças em três dias de exibição", comemora Juliana. "É muito difícil formar esse público e mantê-lo. Cinema é caro. Tratamos o cinema como um direito, o direito de acesso à cultura.”
O projeto recebe visitas de moradores de cidades vizinhas. Crianças de uma escola de Tarumã conheceram a sala de projeção e como tudo funciona. “Muitas delas nunca assistiram a um filme no cinema”, diz Juliana.
Um dos principais problemas para se manter uma sala pública é o custo dos filmes. Com preço do ingresso a R$ 4,00, sendo que estudantes pagam meia, a arrecadação da bilheteria do Cinema FAC - ainda mais se tratando de filmes não-comerciais - nem sempre cobre tudo. “Alguns filmes têm um preço fixo para serem exibidos, mas muitas distribuidoras apóiam nosso projeto e aceitam receber metade da bilheteria que fizermos, assim ninguém sai no prejuízo”.
Paixão – Juliana, que acaba de se formar em jornalismo, já fez cursos de produção, direção e roteiro para cinema com o cineasta Walter Webb, além de um curso de videodocumentário.
No Cinema FAC, é responsável por quase tudo. Dos contatos com as distribuidoras até a montagem do projeto e a exibição em si. "Temos um projetor de 1939 que foi restaurado e sou eu quem opera", conta. Existe um projeto para a compra de um projetor novo.
No final de 2002, fez um documentário de 15 minutos, Aumbhandan, sobre a umbanda, no qual visitou terreiros da religião afro em Assis. O trabalho foi premiado num festival em Assis e participou de outros, inclusive na França. Mesmo assim, acha que poderia ter feito melhor. “Na época eu ainda não tinha uma noção de edição e montagem do vídeo, isso eu aprendi durante o tempo em que fiz estágio na TV universitária de onde estudo. Hoje acho que faria totalmente diferente.”
Serviço:
Projeto Cinema FAC
Rua Brasil, 15, Assis - SP
Telefone (18) 3224-2605
e-mail: cinemafac@gmail.com
flog com a programação: www.flogao.com.br/cinemafac
Iniciativas como essa podem parecer anacrônicas, nesses tempos de cinema digital e pequenas salas segmentadas, mas sempre me emociono ao saber que um projetor tão antigo voltou a funcionar e uma nova sala de exibição abriu as portas. Parabéns ao pessoal da FAC pela iniciativa, e parabéns pela matéria, Ricardo.
Ilhandarilha · Vitória, ES 21/12/2006 22:56Isso é ótimo. O Rio de Janeiro, por exemplo, já não possui nenhuma das salas públicas em que eu via filmes quando era criança e adolescente. Isso é de uma tristeza profunda.
Fábio Fernandes · São Paulo, SP 22/12/2006 20:51
Feliz Natal, mano
http://jjleandro.blog.terra.com.br/
http:fotolog.terra.com.br/jjleandro60
Que os projetores antigos continuem funcionando! Abraço a todos.
Ricardo Fela · Sorocaba, SP 27/12/2006 19:51Faço minhas as suas palavras, Ricardo!
Fábio Fernandes · São Paulo, SP 29/12/2006 12:57Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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