"A partir de agora está no ar, a Rádio Difusora RD". Assim teve início o VII Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros. O céu estrelado abrigava uma sorridente lua crescente, que compunha o visual iluminando o palco montado a céu aberto na Vila de São Jorge.
Josino Medina e Paulin Amorim, os Embaixadores da Lua (MG) são os apresentadores da noite, com sua rádio recheada de poesia e música. "Temos hoje aqui a viola de Roberto Corrêa, o canto dos índios Krahô e uma receita de pão caseiro", anunciavam ao som caipira da viola. Enquanto isso, os moradores, turistas e integrantes de outros grupos de cultura tradicional participantes do evento iam se achegando.
A dupla finaliza a apresentação da rádio com a música tema dos Embaixadores da Lua.
"Eu vou para a lua ver a lua
A lua da lua é a terra
E a terra da lua é a lua"
É a vez do coordenador geral do projeto, Juliano Basso, subir ao palco. Sua missão é dar as boas vindas ao público, agradecer a presença de todos, aos patrocinadores e apoiadores que possibilitaram a realização do evento.
Dança Koiré
Na locução da rádio, começa uma introdução sobre o povo Krahô, os primeiros artistas da noite. "Com vocês, a história da machadinha Krahô", proclamam os Embaixadores. Sob muitos aplausos sobem ao palco doze índios com seu canto Koiré. Visivelmente orgulhosos, e ornamentados com capricho, iniciam a apresentação que agrega desde bebês Krahô até respeitados anciões.
De repente, um convite ao público. Ao microfone, um dos índios explica que será feita "uma demonstração de como é que o mundo gira". Enfileirados, os Krahô descem do palco e vão formando um grande círculo. Imediatamente o povo se aproxima e a ansiedade por interação é evidente. Amigos, desconhecidos, crianças, adultos e índios giram de mãos dadas ou abraçados em uma grande sintonia. Para encerrar sua participação nesta primeira noite, os Krahô convidam a todos para visitarem a Aldeia Indígena Multi-étnica, montada especialmente para o VII Encontro de Culturas e que reúne dez etnias indígenas de várias regiões do país.
A Folia
Religiosidade e fé invadem o ambiente. Para a entrada da Folia de Colinas do Sul, dois adornos especiais: o arco da aliança, enfeitado com folhas de bananeira, e o cruzeiro, uma cruz enfeitada com velas. Da rádio vem o anúncio:
"E agora a Folia,
E agora a bandeira do Divino e de Nossa Senhora do Rosário"
O momento é solene. Ao som da caixa, a folia se dirige para o cruzeiro. Posicionados em duas colunas que trazem à frente as bandeiras do Divino Espírito Santo e de Nossa Senhora do Rosário, eles se benzem e dão início à cantoria.
Vestidos de vermelho e branco, as cores dos santos padroeiros, os foliões abençoam a festa, girando as bandeiras e se preparam para atravessar o arco. Enquanto isso, uma mesa era preparada com velas, uma imagem do Divino, de Nossa Senhora e de São Jorge.
No palco a cantoria prossegue. Novamente todos se benzem e começa a apresentação de uma dança tradicional da região: a carolina. Nesse momento, os chapéus são peça importante, complementando a caracterização. Tocando seus pandeiros, os integrantes sapateiam e se movimentam levantando poeira e o público, que se despede com uma grande salva de palmas.
Mais uma participação dos Embaixadores da Lua. Dessa vez eles apresentam o violeiro e pesquisador Roberto Corrêa. A proposta é de uma aula-espetáculo com o tema O Divino e a Música Caipira.
Ponteados (solos de viola), clássicos da música caipira como Tristeza do Jeca, modinhas e rasqueados são entremeados por explicações sobre a origem musical dos ritmos, histórias de composições e peculiaridades dos diferentes tipos de viola. O músico fez questão de lembrar a todos que no dia 28 julho, durante o evento, será lançado o CD produzido a partir do registro dos grupos que se apresentaram no VI Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros, em 2006.
Fechando a noite, a simpatia e musicalidade de origem africana. Fanta Konatê encantou o público com a música e a dança tradicional da República da Guiné. Acompanhada por Petit Mamady Keita e Luiz Kinugawa, a cantora e bailarina mostrou a energia e a força das danças da Guiné.
O final do show foi "apoteótico". Respondendo aos pedidos de bis, o grupo lançou o desafio. "Só com uma condição. Se vocês dançarem junto". A frase foi o suficiente para que várias pessoas se animassem e subissem ao palco em mais um momento de interação proporcionado pelo Encontro.
Fim de noite. Apagam-se as luzes do palco. O público se dispersa, e fica a expectativa da programação do próximo dia. É hora de dormir, mas com a certeza de mais festa pela frente.
Por Alessandra Alves.
maravilhoso, estava no quinto encontro ministrando oficinas, a energia de São Jorge é inexplicável!!!Parabéns
Dayse Rocha - DonaDeusa · Pirambu, SE 26/7/2007 03:41E tudo isto, é pouco - mas é o prenuncio de que estamos começando a formar uma Nação. Estamos começando a morar neste pais. (e não ocupa-lo). Este gosto este amor, pelo embrenhar-se nas raizes como elas são, legal, andre
Andre Pessego · São Paulo, SP 26/7/2007 21:45
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