Como é bom ver cinema fantástico (pra valer)

Vinícius Rafael Vogel
Liz Vamp recebendo o troféu em homenagem ao seu pai, Zé do Caixão
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Eduardo EGS · Porto Alegre, RS
27/10/2006 · 150 · 5
 

Quando cheguei no cinema pra assistir ao cultuado filme Canibal Holocausto e soube que os ingressos tinham acabado meia hora antes da sessão começar, percebi que o cinema fantástico tem seu público. E bastante, pelo jeito. Tanto que ao invés de passar no Cine Santander Cultural , que tem apenas 93 lugares, o filme deveria ser passado em uma sala com o dobro da capacidade, no mínimo.

Esse exemplo serve bem pra ilustrar o clima do II Festival de Cinema Fantástico de Porto Alegre, iniciativa pioneira no país. Se o sucesso já foi grande na primeira edição, a superação foi alcançada nesse ano. Filmes ainda mais fantásticos e a melhor novidade: uma mostra competitiva de curtas, com produções do Brasil inteiro, além de uma mostra com os melhores da Mostra de Ilha Comprida, de São Paulo.

Variedade (com qualidade)

Como já havia acontecido na primeira edição, a seleção de filmes internacionais foi muito feliz. Em uma sessão temática, extraída da série para a TV chamada Mestres do Terror, puderam ser vistos filmes como Jenifer – Instinto Assassino, do Dario Argento, Marcas do Terror, do Takashi Miike e Lenda Assassina, do John Landis. Nas sessões “avulsas”, obras como o já citado Canibal Holocausto, do Ruggero Deodato, O Pacto dos Lobos, do Christophe Gans e Planeta Proibido, do Fred M. Wilcox, filme de 1956 protagonizado pelo Leslie Nielsen – pois é, ele mesmo -, fizeram bastante sucesso entre o público.

Do lado nacional, uma atração de peso: os filmes do José Mojica Marins, o Zé do Caixão, cineasta homenageado. Clássicos como A Meia-Noite Levarei sua Alma, Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver e O Despertar da Besta foram exibidos em vários horários, que era pra ninguém ter a desculpa de não conseguir ver as produções do homem. Ele que não veio ao festival receber a sua homenagem justamente por estar em pré-produção do filme Encarnação do Demônio, que fechará uma trilogia iniciada lá nos anos 60. No seu lugar, veio a filha e cineasta Liz Vamp, nome artístico da Mariliz Marins. Ela recebeu o troféu "O Inominável de Ouro" em reconhecimento à obra mais do que significativa do pai. “Temos muitos cineastas talentosos, mas sem a devida atenção. Está na hora de nós, brasileiros, valorizarmos nosso próprio produto”, comentou.

Talentos nacionais (fazendo bonito)

Foram exibidos ótimos filmes na mostra competitiva, como Historietas Assombradas (para crianças mal-criadas) (SP), do Victor Hugo Borges, uma animação muito legal, sensível e impactante ao mesmo tempo. Ou então Noturno (SP), do Daniel Salaroli, filmado como os clássicos do cinema mudo, com uma fotografia belíssima. Mas a maior revelação pra mim foi Vinil Verde (PE), do Kleber Mendonça Filho. Eu poderia escrever um texto inteiro só sobre ele, mas daí perderia o caráter de cobertura do festival a que me propus. Por isso, direi apenas que é o melhor curta que vi nos últimos anos – se não o melhor que já vi em todos os tempos. Fotografado com uma Canon EOS 35mm e depois editado num Mac G4, é uma experiência e tanto, cujo resultado ficou espetacular.

Não por acaso, esses três acabaram empatados na decisão do Júri Oficial e dividiram o prêmio. Já no Júri Popular, o Historietas Assombradas (para crianças mal-criadas) levou a melhor. Provavelmente pela empatia que animações – e essa em particular – geram, creio eu. Pra próxima edição, a tendência é o festival crescer ainda mais, talvez até com produções internacionais competindo. O importante é acreditar no potencial que o cinema fantástico tem. Ou, como disse a Liz Vamp, “os cineastas de terror precisam perseverar”. Convenhamos que, com o apoio de festivais como esse, as coisas ficam - pelo menos - um pouco mais fáceis.

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Thiago Camelo
 

Cara, eu adoro o Vinil Verde também. Acho que é a terceira vez que comento isso aqui no Overmundo. Impressionante; vc sabe que dá pra ver no Porta Curtas, né? O link está aqui

Thiago Camelo · Rio de Janeiro, RJ 27/10/2006 15:07
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Eduardo EGS
 

Pois é, estou impressionado até agora. Espetacular!

Sim, já vi que tem no Porta Curtas. Inclusive uma amiga minha que ainda não viu o filme se recusa a ver no site, tamanha a expectativa!

Que coisa, né?

Eduardo EGS · Porto Alegre, RS 27/10/2006 15:22
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Patrícia Alcântara
 

Vinil verde e historietas são muito bom mesmo!

Patrícia Alcântara · Cuiabá, MT 28/10/2006 06:20
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Roberto Maxwell
 

O melhor do Vinil Verde para mim, sem desmerecer o filme, eh a musica do Silverio Pessoa. "Nos somos as luvas verdes..."

Roberto Maxwell · Japão , WW 9/11/2006 11:59
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Fernando Júnior
 

Festivais desse porte são muito importantes para uma democratização da cultura. Filmes que, normalmente, não recebem nenhuma visibilidade, têm os holofotes completamente voltados para si. Confesso que fiquei com muita vontade de ver as obras citadas.

Fernando Júnior · Aracaju, SE 21/11/2006 15:32
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