Como é gostar de rock pra quem mora na Amazônia?

Retirado do Blog da banda
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PauloZab · Macapá, AP
25/3/2006 · 262 · 34
 

Macapá é uma cidade que fica no extremo norte do país. Possui menos de meio milhão de habitantes e é cercada de água por todos os lados. Não existe uma saída terrestre do Estado e a mentalidade da galera daqui é meio resistente a novas idéias, principalmente quando elas procuram ou pareçam ser alternativas.

Já é costume quando vou pra congressos e encontros de área alguém, ao descobrir onde eu moro, apertar a minha mão e me abraçar como quem encontrou um ser de outro planeta. “Barbaridade chê! Três dias de busu pra chegar até aqui?” – disse um porto alegrense na última vez que andei lá pro Sul (outro lado do país). E quando reunimos com a galera de vários Estados então? “É verdade que as onças andam na rua lá na sua cidade, sô?” – perguntou uma amiga de Minas. “Você que é o Paulo do Amapá” – outro goianense interrogou-me cheio de expectativa.

É interessante ver o impacto que isso provoca. Causa espanto quando eles constatam que eu não me diferencio muito deles ou de pessoas do ciclo de amizade que eles normalmente têm em seus locais de origem, parece causar decepção o fato de eu não parecer nada ou não ter descendência de um índio da região. E quando digo que tenho e-mail, MSN e outras ferramentas de comunicação então nem se fala! Fico imaginando o tipo de informação que é passada na televisão e outros meios de comunicação sobre nosso Estado e sobre a juventude daqui. Por isso me pareceu conveniente mostrar aos caros amiguinhos da civilização um pouco de nossa vida no mundo do Rock.

Acesso às músicas mais conhecidas nós temos, pois, acreditem, aqui tem lojas de CD internet, Banco, boleto bancário, gravadora de CD (sim, elas já chegaram aqui há tempos! rsrs) e tudo que se precisa para se escapar do cenário musical-popular-globista-e-tal do país. O brega, que está na moda em todo o Brasil, já está instalado aqui há tempos e isso nos deu tempo para inventarmos vários sistemas para escapar deles (sem querer ofender aos novos e antigos bregueiros). O público do Heavy, Black, Gothic, Death e todos os estilos “Metal” também estão presentes com todos os aparatos que o estilo exige: botas, cordões, metais, camisas de suas bandas favoritas e o máximo de preto que se pode usar. Já fiz parte dessa tribo. Andava por aí com a camisa do Metallica chamando todo mundo de otário. Levava minha garrafa de cachaça dentro da mochila junto com meus amigos tão vestidos de preto quanto eu. Inclusive no ano novo onde o contraste era evidente, pois quase todo mundo estava de branco ou com cores claras. Apesar de tudo eu nunca tive a intenção de formar uma banda, o que é comum neste meio. Meu lance sempre foi platéia.

O tempo passou e eu me aquietei um pouco, assim como todo o jovem de nosso país (ou ao menos a maioria) passei a me interessar por outras coisas, principalmente depois que entrei na universidade (sim, aqui também tem essas coisas! rs). Hoje já me visto da maneira que quero e posso me considerar um cara meio eclético (é claro que isso tem suas exceções). Freqüento, de vez em quando, os ambientes de música eletrônica e os bares de rock alternativo, mas o fato da cidade ser pequena acaba dificultando a variação dos ambientes. Um local que já foi consagrado da galera era o “Liverpool Rock Bar” que, infelizmente, fechou, mas para a felicidade de todos ele vai reabrir nos próximos dias com uma banda que já tem trabalho próprio e que está só aguardando a hora de lançá-lo. Esta banda se chama “Stereovitrola” que tem boas influências de Mombojó, Radiohead e Júpiter Maçã (depois eu falo mais da banda, mas a foto está aí pra todos verem). Assim todos poderão voltar a nos divertir com histórias baseadas em baseados reais.

Enfim, avalio que as diferenças entre nós e a juventude que curte o mesmo som em uma cidade maior de nosso país são bem pontuais. Já tive a oportunidade de conhecer e freqüentar bares alternativos em grandes capitais e o papo é praticamente o mesmo. Você encontra figuras com idéias legais e tal, mas também esbarra em cheio em algumas malas e assim a gente vai levando e batendo cabeça ao som de uma boa música.

Se alguma banda ou grupo de qualquer tipo de manifestação artística estiver interessado em mostrar seu trabalho por aqui no Amapá, pode enviar pra mim que eu passo pra galera, pois aqui também tem correio! Só espero que este post tenha contribuído para saciar parte da curiosidade das pessoas curiosas e que, se quiserem, podem fazer mais perguntas a respeito dos movimentos que existem por aqui. Podem enviar perguntas que estamos aqui pra isso: matar a curiosidade de homem da cidade, apenas tome cuidado, porque os índios urbanos daqui ainda comem gente!

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Thiago Camelo
 

Acho muito interessante a passagem em que você fala que o brega está na moda em todo país. Sou aqui do Rio e não sinto isso com tanta força. É claro que existem as releituras e que já leio (e ouço) mais a respeito do que anos atrás. Mas moda moda, o brega ainda não é aqui não. Sinal de que você também enxerga este pedaço daqui do país com um olhar particular, seu. É inevitável. E assim vai indo.... que bom que o Overmundo está aí para a gente ir esclarecendo as coisas e trocando figurinhas. Gostei bastante de saber sobre a cena no Amapá. Um abraço Paulo!

Thiago Camelo · Rio de Janeiro, RJ 23/3/2006 13:50
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Saulo Frauches
 

Curioso sobre o som do Stereovitrola. Acha que eles animam de deixar algum material aqui no Overmundo?

Saulo Frauches · Rio de Janeiro, RJ 23/3/2006 17:53
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PauloZab
 

Sim, é verdade, o brega ainda não atingou este boom todo no Brasil, mas se levarmos em consideração que tal música era escutada pelo povo da periferia de Belém e Macapá ficaremos assustados pelo fato delejá ter passado ao menos pelos ouvidos de pessoas do outro lado do país.

PauloZab · Macapá, AP 24/3/2006 13:35
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PauloZab
 

Saulo. Hoje a noite vou falar com eles e vejo se pego o material. O problema é que eles ainda não lançaram este Cd apesar dele já estar pronto, mas quem sabe eles não abrem uma excessão pro Overmundo?

Há braços!!!

PauloZab · Macapá, AP 24/3/2006 13:37
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Hermano Vianna
 

Saulo, Thiago: em que país vocês moram? rsrsrsrsrsrs Brega não é popular aqui? Vocês precisam urgentemente fazer uma visita à Rocinha, ou qualquer outra favela carioca, onde a maioria da população vive. Ou vocês perderam a gravação do DVD da Banda Calypso no ATL Hall...

Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 25/3/2006 13:30
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Felipe Gurgel
 

É, Paulo. Bem interessante o seu texto. Como um amigo DJ já me soprou: "o Brasil não conhece o Brasil". A distância geográfica do eixo nos faz parecer estrangeiros aqui dentro. Inclusive já conversei sobre isso com o Hermano em uma entrevista. Aqui em Fortaleza rola muito disso quando alguém vem de lá ou quando "desço". A distância geográfica é um caso sério, mas enfim, a Internet está aí para reduzi-la =)

Felipe Gurgel · Fortaleza, CE 25/3/2006 15:52
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Thiago Camelo
 

Talvez você tenha razão mesmo, Hermano. Quem sabe nos falte (eu, Saulo e amigos de classe parecida) justamente o olhar mais amplo que o Paulo cobra na matéria, só que não só em termos nacionais não, o caso aqui é conhecer a própria cidade mesmo. Mas diga, Hermano, o caso foi uma retomada do brega aqui no sul do país ou, na verdade, agora o fênomeno é tamanho que se faz chegar aos nossos ouvidos? Talvez, entre a maioria da população do Rio, o brega nunca tenha morrido, não? E muito bem lembrado o caso "Calypso". Este sim eu já ouvi falar : )

Thiago Camelo · Rio de Janeiro, RJ 25/3/2006 18:13
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Eduardo EGS
 

E aí, Paulo! Como representante do outro extremo do país, o Rio Grande do Sul, digo que da próxima vez que aparecer por aqui dê um alô!

Quanto ao texto: nunca tive essa imagem de lugar meio inóspito como tu disse que muitos têm, mas confesso que o norte do Brasil é outro país pra mim.

Por isso essa troca de experiências no Overmundo é sensacional. Será que alguma outra nação tem tanta diversidade cultural?

Sobre o brega: acho que aqui também não existe esse "boom" do brega. Mas que o Calypso fez um show com ginásio lotado aqui, ah, isso fez...

Eduardo EGS · Porto Alegre, RS 25/3/2006 18:36
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PauloZab
 

Claro que existem pessoas nestes lugares que sabem de nossa realidade pelo fato de ter mais acesso a veíulos de difusão como, de fato, é o Overmundo. Mas quando se tenta falar com pessoas menos informadas aí o nogócio pega... Teve gente em Porto Alegre que acreditou que eu era filho de Cacique de uma tribo daqui! rsrs

Falando em banda Calypso, tem apresentador aqui no Amapá que fala que eles só começaram a aparecer quando se apresentaram nos programas de Tv local... Que coisa, hein?

PauloZab · Macapá, AP 26/3/2006 10:34
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Raul Ribeiro
 

Verdades e mentiras

É verdade que uma ponta do Brasil não conhece a outra.
É verdade que nós aqui do meio (sudeste) temos a impressão que o mundo cultural gira ao nosso redor.
E é verdade que para o mundo endinheirado da CE e dos USA, temos jacaré na Av. Paulista e anacondas na Av Rio Branco, aqui na Guanabara.

Realmente eu não conheço o Amapá e pouco se fala sobre ele. Cabe a mim correr atrás, mas bem que poderia ser mais fácil viajar pra lá e descobrir esta parte da floresta amazônica.

Gente bacana, como você deve ser, tem em todos os lugares e ainda bem. E do lado de cá também tem uma galera que não tem preconceitos, não faz questão de saber de onde veio, mas ao que veio. Vou procurar ouvir o rock amapense e você relativize um pouco mais com os amigos aqui de baixo.

Um abraço!
Raul

Raul Ribeiro · Rio de Janeiro, RJ 26/3/2006 12:08
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Bruno Maia (sobremusica.com.br)
 

Não sei se eu estou viajando e me sinto meio constrangido em contestar o Hermano. Mas me parece que houve uma confusão entreo conceito de brega e de popular. Não consigo ver o Calypso como prova de que o brega tomou o país. O estouro desta banda por aqui é consequencia do sucesso local e das cifras que a banda começou a fazer girar em torno de si no norte e no nordeste. Se um bando de índio começar a bater o pé no chão e isso vender 200 mil cópias em Belém, qualquer gravadora vai se interessar. Assim como se qualquer chupador de cana no largo da Carioca fizer o mesmo, vai receber a mesma atenção pois aí entrou a questão da rentabilidade do negócio. Não sei se isso já pode ser enxergado como um movimento cultural, como algo que tomou o país. Por mais que o Calypso esteja lotando casas de show, não acho isso suficiente para tal análise. A Pitty também lota e ninguém diz que o rock tomou conta do país. Acho que, ambos, são exemplos isolados. Lembro que na década de 90, o grupo Carrapicho (também do norte do país) vendeu 500 mil cópias, foi cultuado no exterior e nem por isso representou uma invasão cultural ao resto do país.
Eu também nunca tive essa impressão de que Macapá tenha elefantes ou pacas pela ruas, apesar de me parecer outro país também. Mas isso se deve apenas pela distância física, já que moro no Rio de Janeiro.

Bruno Maia (sobremusica.com.br) · Rio de Janeiro, RJ 26/3/2006 16:30
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Bruno Maia (sobremusica.com.br)
 

Outra coisa, acho que faltou falar mais de como as coisas de rock repercutem aí em Macapá hoje em dia. Por mais que a internet exista, imagino que o público na cidade seja menor do que em outras capitais, até pelo tamanho da cidade. Como o rock se relaciona com outras formas de cultura local também me geraram curiosidade...

grande abraço,
Bruno Maia

Bruno Maia (sobremusica.com.br) · Rio de Janeiro, RJ 26/3/2006 16:32
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PauloZab
 

O brega aqui e em Belém é bem mais enraizado, podemos considerar o fato de termos pessoas que assumem o estilo musical e o jeito de vestir assim como um Punk tem suas peculiaridades, por isso digo que o Brega que aqui se encontra não se trata apenas de um fenômeno comercial e sim que existe o que podemos chamar perfeitamente de "Cultura do Brega". Mas acredito que a moda pode ficar, pois nunca vi uma música nacional tão dançante quanto, e vejo que o que está atraindo o restante do país é isso, não a letra reflexiva ou muito elaborada (é exatamente o contrário), mas os movimentos que agradam boa parte das pessoas que gostam de suar um pouco.

A galera da Stereovitrola está disposta a mostrar o som pra galera do Overmundo... Fiquem atentos que assim que me passarem eu jogo pra galera, ok?

Há braços!!!

PauloZab · Macapá, AP 26/3/2006 16:50
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PauloZab
 

Bruno, o tamanho da cidade influencia muito na diversificação dos nichos, mas eu acredito que o tradicionalismo daqui é algo que pode ser trabalhado com muita facilidade. Apesar de todo o nosso isolamento geográfico estamos abertos e anciosos por novas idéias e o nosso povo acabou entrando no clima de crescimento, saca? Na minha avaliação estamos em um clima de efervescência muito bom. A galera tá produzindo e fazendo os movimentos de difusão alternativos de cultura cresçam também e com aditivo muito bom: idéias originais de parte de um Brasil que é interessante de conhecer.

PauloZab · Macapá, AP 26/3/2006 16:57
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Dramarc
 

Olá a todos, tem algo nesse texto que me incomoda um pouco. Pelo fato do Paulo se esforçar em demonstrar que há no Amapá todas as carcaterísticas da vida urbana moderna, sinto que há meio que um tom de olha: "Eu sou do Amapá, mas também sou comospolita, tá". Fico pensando, e caso o contrário fosse verdadeiro, qual seria o problema de não ser cosmopolita, de não saber o que diabo é Rock e só curitr mesmo o tambor indigena?
Muitos do Sul do país ficam enfurecidos ao se depararem com a visão dos estadunidenses e eroupeus acerca da av. Paulista. Mas enfurecido porquê? É demérito não ser moderno, pop-cult, cosmopolita, plugado, inter-conectado? Isso me cheira a uma certa velha conhecida submissão aos ideiais da civilização que explorou o que se fala cruelmente ser "os países em desenvolvimento". Tô aqui frente a uma porra de computador meio moderniho com conexão DSL, mas em certos momentos (principalmente nos úlitmos dias) acho que teria mais orgulho de tá falando por meio de algum relato de outrem a partir de uma tribo Tremembé, tá ligado? Prq cansa esse negócio de provar que não somos subdesenvolvidos, quando o que essa prova não nos leva nada mais do que a simples destruição do que foi considerado novo até poucos minutos atrás.

Forte Abraço.

Dramarc · Fortaleza, CE 27/3/2006 00:31
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Carol Assis
 

POis é Paulo, sobre a Stereovitrola é bom lembrar que eles são das poucas bandas que tem música própria, o restante, grande maioria da bandas, só tocam cover o que torna a cena um tanto deficiente por que a coisa acaba ficando sem personalidade e repetitiva. Embora existam sinais de inovação, já que a Stereovitrola, a Dezoito 21 e a banda do Buba já estão metendo a cara. Ueba Vamos ver.
Ah! Eu também já fui agarrada por um casal emocionado quando souberam que eu era AMAPAENSE, e também foi em POA.

Carol Assis · São Paulo, SP 27/3/2006 07:07
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Bruno Maia (sobremusica.com.br)
 

Concordo com o Dramarc sobre a coisa eterna da autoafirmação da cultura local... Acho que rola um pouco dos próprios amapaenses se sentirem deslocados por não verem sua cultura ser tão retratada nacionalmente e, por isso, acho que o caminho a seguir a partir de agora é usar o espaço para retratar melhor o que se passa em termos culturais nos estados do norte e em todos os outros. Escrevi isso para um rapaz na fila de edição: é bacana que tantas pessoas do norte estejam escrevendo, registrando parte das cenas locais, em um movimento de afirmação. Já vi gente do Pará, do Amapá, do Amazonas... Só que o mais importante não está sendo feito que é registrar as manifestações culturais e o que está se produzindo nesses locais. Porque eu acho que, até aqui, os textos serviram para mostrar que os interesses hoje são globais, parecidos e estão ligados à informação. Isso vocês já mostraram com os textos de vocês. Mas acredito que, daqui pra frente, o caminho passa por mostrar as produções culturais, de que forma essa informação global se transforma, é processada, digerida e re-produzida aí... Acho que o mesmo vale para todo o país, mas como a oferta de textos do norte está sendo espantosa, merece atenção especial. Em um dos comentários, o Paulo disse que a produção está acontecendo... Vamos lá, fala mais... Interesse não deve faltar aqui no Overmundo. O importante é botar a bola em jogo e fazê-la rodar..

Grande abraço a todos,
Bruno Maia

Bruno Maia (sobremusica.com.br) · Rio de Janeiro, RJ 27/3/2006 09:19
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PauloZab
 

Agora que já nos apresentamos acredito que á tendência é da galera se ligar melhor e começar a mandar material pro povo do Overmundo.

Fico muito feliz de ter podido mandar o meu recado e saibam que o meu texo não quiz provar que a cultura amapaense é melhor ou que estamos cansados de serem inferiorizados, é totalmente o contrário. O que eu quero mesmo é que todo mundo tenha a oportunidade de receber informações a nosso respeito como nós gostaríamos de ser vistos e não de forma distorcida, coisa que acontece em todos os lugares.

Há braços!!!

PauloZab · Macapá, AP 27/3/2006 14:41
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Hermano Vianna
 

muito bom o caminho que a conversa está tomando: realmente ninguém precisa ser "conectado" para ser bacana... mas quando o Paulo diz "mas aqui temos também rock", não acho que a reclamação tenha como pano de fundo apenas o desejo de se mostrar cosmopolita (também não há nada de "errado" nesse desejo) e sim um incômodo com a identidade que os "centros" querem impor para as "periferias", conservando-as numa "autenticidade" que interessa mais ao centro do que para quem vive nos lugares classificados como longe do centro... Sobre isso publiquei há 2 anos um artigo que republico agora lá na fila de edição (www.overmundo.com.br/revista/sala_edicao.php?em_edicao=838 ), inaugurando um novo uso para o Overmundo: não quero evidentemente que o texto seja publicado por aqui: é só para ficar por lá as 48 horas regulamentares e depois desaparecer! Textos efêmeros, digamos assim...

Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 28/3/2006 02:53
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Hermano Vianna
 

e por outro lado o dramarc tem inteira razão: não há só um caminho para o "desenvolvimento", não quero ser desenvolvido como os "desenvolvidos" - deve haver uma maneira melhor que a "desenvolvida" para se estar no mundo - se não houver, o futuro do mundo é MUITO chato... Outro texto efêmero então: www.overmundo.com.br/revista/sala_edicao.php?em_edicao=839

Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 28/3/2006 04:06
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daniel araujo
 

MUITO bacana esse texto. Parabéns.
Duas coisas:
- estive no amapá visitando um primo do meu pai no fim dos anos 80 (eu tinha uns 13 anos), conheci macapá mas passei duas semanas em uma daquelas casas projetadas por Carlos Bratke na Serra do Navio (descobri que era do bratke uma década depois na faculdade de arquitetura). Macapá pode não ter onça na rua, mas lá na Serra do Navio uma noite ouvimos com clareza uma onça ao longe! Acho que foi o mais proximo q cheguei de uma, e foi no Amapá!
-Há tres anos fui com minha mulher (na época namorada) passar 10 dias entre maranhão e piauí (cujo litoral fabuloso prova

daniel araujo · São Paulo, SP 28/3/2006 11:45
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daniel araujo
 

terminando o comentário anterior que foi publicado antes do fim por acidente:

cujo litoral fabuloso prova que tamanho não é documento), ocasião em que conhecemos a tal Calypso e achamos engraçada como uma curiosidade local. Depois de 10 dias sabiamos cantar um monte de musicas e voltamos p/ sao paulo, achando q nunca mais veriamos essa banda. Um ano e meio depois, acordamos um sabado de manhã com o vizinho descarregando banda Calypso das caixas estouradas de seu aparelho de som a todo volume. Depois disso, ficou difícil acreditar que o tal "brega" não pegou de jeito aqui prá baixo.

daniel araujo · São Paulo, SP 28/3/2006 11:50
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Vladimir Cunha
 

acho q a questao principal eh: quem precisa de reconhecimento do rj e de sp? acho que hj em dia sao esses estados que precisam nao so de nos, jah que o eixo da producao cultural parece estar mudando com uma velocidade cada vez maior.
sp tem o dinheiro, rio tem o glamour...mas talvez, nesses anos dois mil, o norte, o nordeste e o centro-oeste eh que estejam produzindo cenas e culturas desafiadoras e originais, jah que o sul eh uma outra historia.
daqui a dez anos o eixo muda novamente e teremos outro debate. seja aqui no overmundo ou em outro lugar.

Vladimir Cunha · Belém, PA 29/3/2006 01:19
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Sergio Rosa
 

Acho que nesse caso a distância pode até possuir um fator positivo. Ela força uma cena musical independente de RJ e SP. Penso se MG e ES nao sofrem mais dessa dependencia do reconhecimento paulista e carioca, exatamente por serem mais proximos. Nao sei como é por aí, mas aqui, boa parte dos adolescentes se veste como se tivesse em Ipanema. É impressionante o número de lojas de surf wear.

Sergio Rosa · Belo Horizonte, MG 29/3/2006 08:45
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achr
 

Seria o mesmo que gostar de rap no Rio Grande do Sul. É desconhecido do grande público dos outros estados, que veêm o RS apenas como um estado Roqueiro. Não é sabido que aqui tem o único programa de hip hop da TV aberta brasileira (acredito que seja). Programas de rádio, lojas de roupas e acessórios... festas, discos de vinil, grande quantidade de grupos.
"Chega ser ironico! Certa vez eu vendo um quadro da Regina Case entrevistando Mano Changes (Comunidade Ninjitsu) falando sobre o funk carioca e hip hop e pergunta se no RS existiam negros... esses são nossos formadores de opinião na TV brasileira? Então meu amigo não se surpreenda quando acham que em sua cidade todos são índios, a animais silvestres andado pelas ruas.... esse é o Brasil e o Brasil não conhece!" Grande abraço

achr · Porto Alegre, RS 1/4/2006 19:30
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Hermano Vianna
 

alô achr - seria bacana ler um texto teu sobre o hip hop no RS aqui no Overmundo - quanto à Regina, acho que você está enganado - em 1995 nós fizemos uma longa matéria com o Mário Pezão, um rapper pioneiro da Vila Cruzeiro, aí de Porto Alegre, para o Brasil Legal - no programa a gente falava bastante sobre a cultura negra gaúcha - sei disso porque escrevi o programa... não me lembro da entrevista com a comunidade ninjitsu - se houve a pergunta, provavelmente foi uma brincadeira...

Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 4/4/2006 07:43
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achr
 

Caro Hermano!
Pra mim será uma honra, escrever algo sobre a cultura hip hop, neste espaço.
Conheço o Mário Pezão e inclusive ele é um dos fundadores URT (União dos Rappers da Tinga- Restinga, comunidade onde resido).
Vi essa matéria do Brasil Legal, muito boa por sinal, já que a região sul, assim como outras e "meio esquecida" na grande mídia.
Possívelmente este comentário pode ter sido uma brincadeira...mas aconteceu na referida entrevista.
Já sobre a Regina, não foi uma critica, mas sim para mostrar como as vezes o próprio Brasil não se conhece a fundo.
É isso, um abraço

achr · Porto Alegre, RS 7/4/2006 00:24
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Hermano Vianna
 

beleza achr - estou esperando o seu texto - mande um abraço para o Pezão!

Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 7/4/2006 23:15
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Emília Andrade
 

Oi, Paulo! Oi, todos! Senti imensa identificação com seu texto, quanto ao estranhamento q as pessoas sentem quando vc fala q mora no Amapá. Já morei no Piauí e ainda ouço esse tipo de coisa quando me refiro a este estado nordestino. Mas enfim, paciência, né?! Legal a gente poder ter esses espaço pra trocar conhecimento e impressões. Por favor, continue escrevendo sobre a cena cultural do seu estado!
Abração!

Emília Andrade · Brasília, DF 20/4/2006 11:32
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Adriano
 

Acho que esta falta de conhecimento sobre o Amapá é bem normal, sendo o Brasil um país de dimensões continentais e de uma diversidade cultural ímpar. Aliás, não é só o Sul em relação ao Amapá, mas também, o Amapá, Manaus, Roraima, Acre em relação aos Estados do Sul. Porém, e verdade que, as vezes, a mídia repassa uma imagem quase selvagem dos Estados do Norte. Pelo texto, imagino que o Paulozab teve esta intensão, de esclarecer um pouco este desconhecimento de um Brasil que na realidade são BrasiS, pois neste país as culturas chegam a ser tão diferentes que geram choques culturais do tipo como o Paulozab discorreu.

Adriano · Macapá, AP 6/5/2006 00:47
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toru
 

Concordo com o adriano. Para quem está de longe, o último tipo de informação que chega sobre o Amapá é sobre rock.

toru · Rio de Janeiro, RJ 8/5/2006 02:19
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PauloZab
 

Aviso aos amigos que se interessaram em conhecer o som da Banda Stereovitrola.

Já está disponível um pequeno comentário seguido do MP3 da Música Valéria. Vale a pena conferir, o endereço é http://www.overmundo.com.br/banco/produto.php?produto=389

Há braços!!!

PauloZab · Macapá, AP 22/5/2006 14:17
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Torto
 

Muito bacana saber que existe rock em Macapá(brincadeirinha)...eu nasci lá mas saí com dois anos e nunca mais voltei.Dou a maior força pra vocês aí...o movimento rock em Belém também começou assim.Parabéns pelo batalho.

Torto · Goiânia, GO 11/12/2006 05:10
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Edgar Borges
 

Olha só....Macapá parece com Boa Vista na imagem que as pessoas de outros lados têm da gente. dizem que aqui índio anda nu pelas ruas e as onças disputam com os carros o espaço das avenidas.
mas nós ainda temos uma vantagem: temos saída, até as 18h,por terra, e vôos diários. e o rock tá crescendo cada vez mais, disputando espaço com o forró, a praga da cidade.

Edgar Borges · Boa Vista, RR 12/9/2007 12:59
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