Está aí mais um ótimo filme brasileiro. Atuação carnal de Ana Paula Arósio, muito bem acompanhada de Murilo Rosa, ótima fotografia, bons argumentos com diálogos concisos e fortes (o que definitivamente não é nosso forte). Como Esquecer fala da história de Júlia, uma professora universitária que após romper o relacionamento de anos com sua parceira, vê seu mundo desabar de todos os lados, principalmente por dentro. Dependente sentimental confessa, Júlia mostra as facetas da solidão e da dependência amorosa, na qual uma pessoa só se sente completa e feliz quando tem a quem amar e seja amada. O personagem sofre na amplitude mais alta passando o verdadeiro mel negro das perdas sentimentais e a necessidade e dificuldade de se deixar e permitir ser ajudada, impossibilitando as águas de tomarem seu curso. Após a separação o amigo, Hugo, interpretado por Murilo Rosa, decide ir morar com ela e quando vê que isso não está surtindo efeitos decide comprar uma nova casa e ir morar junto com a amiga e Lisa, personagem de Natália Lage que é amiga comum dos dois, livrando-se assim do fantasma do apartamento da ex, das contas altas e iniciando laços de amizades e intimidade até então impossíveis para Júlia.
Uma casa próximo ao mar, com jardim a ser cultivado e três inquilinos com algo em comum - perdas e o sofrer -, pois Hugo perdeu seu parceiro num acidente há algum tempo, mas ainda não havia se recuperado por completo (se é que isso é possível), Lisa, abandonada pelo namorado quando anunciou sua gravidez e Júlia perdeu sua capacidade de continuar a respirar. O filme se divide entre a convivência dos três amigos dentro da casa e a rotina de Júlia na faculdade, em que é professora de literatura. Dessa forma a história vai mostrando o convívio de cada personagem com suas dificuldades, as limitações, a inanição, a fraqueza e a interrelacionalidade entre esses sentimentos tão iguais em pessoas tão diferentes. Como Esquecer é um filme morno, no melhor sentido da palavra, pois torna o clima totalmente confortável ao telespectador, que se perde e se acha nas divagações e atitudes dos personagens que deixam bem claro que não existe uma fórmula mágica ou um padrão a ser seguido de Como Esquecer. O que existe é o ato honroso e corajoso de se continuar a viver tentado.
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