Segundo mais antigo festival de cinema com temática ambiental do mundo, o FICA de Goiás chega a oitava edição na terça-feira (6) e suscita a discussão sobre seu futuro e sua linguagem
O Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (FICA) começa na próxima terça-feira, 6 de junho, na oitava edição, na Cidade de Goiás. O evento coincide com os anos de mandato do ex- governador Marconi Perillo (PSDB - agora candidato ao Senado), idealizador e promotor do festival. Com a proximidade da troca de comando no Executivo estadual e os oito anos de realização ininterruptos, duas questões têm ocupado o meio cultural goiano quanto ao festival. A primeira, mais imediata, é sobre futuro do evento com a troca de comando e a outra é sobre a linguagem propriamente cinematográfica do tema. Afinal, dá para falar em cinema ambiental?
Nasr Chaul, o presidente da Agência Goiana de Cultura (Agepel), diz sim para a primeira questão, por motivos óbvios, pois a agência (na prática, a Secretaria Estadual de Cultura) é a idealizadora e promotora do FICA. A maioria das pessoas diretamente ligadas ao evento (membros de júri, consultores, videomakers e produtores culturais) acredita que o festival ganhou uma projeção difícil de ser estancada. “A gente tem uma cultura política de não continuar projetos de governos anteriores, isso pode pesar, mas de repente o próximo governante resolva apenas fazer alterações cosméticas mas manter o festival, não sei, não se sabe, essas coisas ficam no plano do imponderável da política”, resumiu Lisa França, professora da Faculdade de Comunicação e Biblioteconomia da Universidade Federal de Goiás (UFG) e presidente do júri de pré-seleção do festival há quatro anos.
Na solenidade em que anunciou os 27 filmes selecionados da mostra competitiva deste ano (veja a relação de filmes abaixo), Chaul comemorou o que ele chamou de "consolidação do festival". Referiu-se ao "número recorde" de inscritos, mesmo com a mudança do critério de ano da produção (só puderam se inscrever produções de 2005) e o aperto do júri para selecionar filmes e vídeos com foco exclusivo na temática ambiental. "Acho que vale a pena manter a temática porque é o grande diferencial. Festivais de cinema existem em todo o país, mas ambiental é só esse de Goiás. Somos o segundo mais antigo do mundo, atrás apenas do de Portugal, realizado há 11 onze anos", disse Lisa França.
Além dos filmes da mostra competitiva, o festival contempla uma série de atividades paralelas como mostra de curtas, oficinas, debates e palestras. Estarão de volta ao evento, por exemplo, críticos de renome como Inácio Araújo e Ismail Xavier. O deputado Fernando Gabeira, criador do Partido Verde, também está previsto como palestrante. Sempre tem um músico ou banda de renome para fechar, e este ano será com os Titãs. Troféus, menções honrosas e R$ 240 mil serão distribuídos aos sete primeiros colocados. Nesta edição, foram selecionados 15 filmes estrangeiros e 12 brasileiros (sendo seis goianos, que se valem mais da animação gráfica). Uma novidade da programação será o lançamento do Festival dos Festivais, uma mostra competitiva paralela e voltada exclusivamente para os países que realizam festivais do gênero. A disputa pelos R$ 30 mil em prêmios ficará entre o Brasil, Itália, Portugal, Espanha e Grécia.
Se a continuidade do evento depois da mudança de governo é uma incógnita, a discussão conceitual em torno do cinema ambiental acalentada desde o início do festival na histórica Vila Boa (antigo nome da Cidade de Goiás, primeira capital do estado) é mais tangenciável. Poucos são os críticos mais incisivos da linguagem ambiental como possibilidade estética de cinematografia, como Eládio Garcia Sá Teles. Presidente da Associação Goiana de Cinema e Vídeo (AGCV),Teles acha que o recorte ambiental limita a produção artística. “Para ter filme no FICA, precisa ser ambiental. E quem faz filme ambiental é ambientalista, não é cineasta“, afirmou Teles ao semanário Tribuna do Planalto. Teles diz ainda que o FICA está mais no plano de um grande evento do que de incentivador de uma produção cinematagráfica própria. “Já se gastou R$ 19 milhões para produzir o evento nas sete edições do festival. E não investiu nem R$ 800 mil em produção efetiva. Então acaba o FICA e fica o desejo de produção. O FICA abre horizontes, estabelece intercâmbios, mas não propicia que Goiás produza um longa”, disse Teles na mesma entrevista.
Na opinião de Lisandro Nogueira, professor do curso de Comunicação da UFG e consultor do FICA, a idéia de um gênero que pode vir a ser chamado “cinema ambiental” é algo em construção e os festivais do gênero podem contribuir nesse esforço. "Não se cria um conceito de uma hora para outra. O FICA tem fundamental importância nesse processo. O cinema contribui decisivamente para a confecção de gêneros. É possivel que estejamos criando o conceito de "Cinema Ambiental". Mas ainda é cedo para isso", sustenta.
Diferente de Eládio Garcia Sá Teles, no entanto, Lisandro Nogueira acha que a temática ambiental não limita a arte. "O fato de abrigar os documentários não significa limite à arte. Nos documentários criativos há sim muito da habilidade artística. E o festival nunca se fechou a propostas da "videoarte". Pelo contrário", disse abordando a questão de os documentários dominarem os filmes inscritos e selecionados no festival. Para o consultor de cinema do FICA, os filmes buscam abordar um tema de difícil definição até entre ambientalistas, o que redunda em dois problemas conceituais, quais sejam o de saber se documetário também é cinema e se o meio ambiente se restringe ou não à fauna e flora. "Desta forma, estamos diante de dois problemas conceituais complexos: o de cinema documentário e o de meio ambiente. Por enquanto, podemos falar de um festival de cinema que tem a temática ambiental como foco principal", afirmou Nogueira.
O olhar do participante “estrangeiro”, tanto do público quanto de críticos e estudiosos de fora de Goiás que já passaram pelo FICA, tem uma visão diferente sobre a concepção verde-cinematográfica reunida anualmente em Goiás Velho. Professor da USP e crítico de cinema, Ismail Xavier, que volta este ano como palestrante, acredita que ainda não é possível falar estritamente em cinema ambiental. Por isso, na opinião dele, é preciso que os critérios sejam mais “flexíveis” na hora de avaliar se um filme tem cunho ambiental ou se entraria ou não numa mostra sobre filme ambiental.
“Há duas maneiras de um filme ter definido esse caráter de denúncia ou mesmo de mostrar as complexas variáveis que envolvem uma questão ambiental: ou ele se assume como denunciante, por meio do documentário, ou ele trata problemas ambientais como pano de fundo, como fez Antonioni [Michelangelo, diretor italiano] no filme O Deserto Vermelho, de 1964”, exemplificou. O longa de Michelangelo retrata o drama de personagens envolvidos num ambiente destruído pela construção de uma usina hidrelétrica na Costa italiana. “O problema em si da usina não é discutido pelos personagens, mas é colocado de tal forma que serve como elemento fundamental para delinear a crise delas”, enfatiza o professor, dizendo que, como este, vários outros filmes de ficção poderiam ser considerados de cunho ambiental.
José Luiz Penna, cineasta, compositor e dirigente nacional do Partido Verde (PV), concorda com Xavier e acha que a “ficção ambiental” virá com o tempo. “Acho que o documentário ainda cumpre uma função importante, que é a da denúncia, ainda estamos no ciclo da denúncia. À medida que esse debate sobre o futuro do planeta avançar na sociedade, a filmografia vai expandir sua abordagem, inclusive de linguagem”, avaliou o também compositor Penna (letrista de uma famosa música de Belchior - Comentário a Respeito de John).
Jornalista e crítico de cinema, Sérgio Rizzo não tem dúvidas de que a produção da filmografia voltada a questões ambientais é crescente, principalmente de filmes e mini-documentários para televisão. Ele, no entanto, não crê na existência de uma linguagem própria de cinema ambiental. “Não acho que há um jeito particular de fazer filme ambiental, os filmes de não-ficção sobre temas ambientais se beneficiam das mesmas ferramentas narrativas da produção documental como um todo. Não me parece que um filme, só porque trata do Cerrado, por exemplo, vá ser construído narrativamente de modo diferente de filmes como Ônibus 174 [sobre caso de seqüestro num ônibus no centro do Rio de Janeiro] ou Edifício Master [sobre moradores de um prédio antigo do Rio]”, teorizou.
Rizzo, que ministrou oficina de cinema na sexta edição do FICA, apontou um outro dado sobre o fato de essa produção de filmes ambientais ser basicamente documental. “O que eu me pergunto é por que o cinema de ficção no Brasil se preocupa tão pouco com questões ambientais. Você já teve aí a adaptação do episódio do Césio [Césio 137 – O Pesadelo de Goiânia, de Roberto Pires], os filmes ligados à cultura indígena, como Tainá, mas são pouquíssimos se comparados com a produção total”, diz, para depois arriscar uma explicação: “Talvez isso se deva pelo fato de que a produção de cinema brasileiro esteja ainda muito concentrada no eixo Rio–SP e, no máximo, Porto Alegre. E aí esses temas, apesar de alguns serem muito atraentes para a ficção, não são eleitos pelos diretores”.
Sérgio Rizzo finaliza dizendo que a pouca produção cinematográfica brasileira voltada a temas ambientais reflete o tamanho do debate do tema no país. “Essa discussão ainda é feita apenas por uma parcela pequena da população, são engajados, entidades organizadas preocupadas com o tema. Logo, essas informações não circulam e não atraem produtores de cinema”, avalia. Situação que, segundo ele, está num outro patamar em outros países, principalmente os europeus. Para o crítico, jornalista e professor, isso só mudará quando o debate aumentar. “E a questão estética desse cinema viria junto”, arrematou Rizzo. A discussão por certo tomará de novo as ruas e bares da cidade histórica de Goiás que ficam lotados a cada primeira quinzena de junho. Talvez este ano, os moradores buscarão respostas muito mais para primeira questão do que para a segunda, mais afeita aos cinéfilos. O que importará para os moradores de Vila Boa será saber, afinal, como fica o FICA a partir do ano que vem?
OS SELECIONADOS
O júri da pré-seleção do 8º FICA escolheu 27 filmes entre 347 inscritos de 150 países. Oito são de longa-metragem, cinco de média-metragem e 12 são curtas. Também participam da disputa duas séries televisivas. O documentário reina quase absoluto, seguindo uma tendência das últimas edições do festival. Confira:
Longa-metragem
Plagues and Pleasures on the Salton Sea (EUA, 2005). Direção: Chris
Metzier e Jeff Springer. Documentário. 70 min. Vídeo. Sinopse: Desastre ecológico e prejuízos sociais e econômicos em lago artificial na Califórnia.
Conflict Tiger (Rússia, 2005) Direção: Sasha Snow. Documentário. 61 min. Vídeo. Sinopse: Conflito entre tigres em uma comunidade na Sibéria.
O Profeta das Águas (Brasil, 2005) Direção: Leopoldo Nunes. Documentário. 85 min. Vídeo. Sinopse: Cinebiografia de Aparecido Galdino Jacintho, líder espiritual
perseguido por seu ativismo ambiental durante a ditadura militar.
The Real Dirt on Farmer John (EUA, 2005) Direção: Documentário. 82 mim. Vídeo. Sinopse: Fazendeiro no Meio-Oeste americano se converte à agricultura orgânica depois de sofrer perseguições em sua comunidade por seu comportamento não-convencional.
Muitchareia (Brasil/Goiás, 2006). Direção: Uliana Duarte. Documentário. 69 min. Vídeo. Sinopse: O Rio São Francisco, suas populações ribeirinhas e ameaças ambientais.
Ovas de Oro (Chile, 2005). Direção: Manuel Gonzáles e Anahi Johnsen. Documentário. 63 min. Vídeo. Sinopse: A produção industrial de salmão no Chile e suas conseqüências ambientais e sociais.
The Last Atomic Bomb (EUA, 2005). Direção: Robert Richter. Documentário. 92 min. Vídeo.
Sinopse: Sobreviventes da bomba atômica de Nagasaki relembram a tragédia para que as novas gerações não se esqueçam dos riscos da opção nuclear.
Zdroj (República Checa, 2005). Direção: Martin Merecek. Documentário. 75 min. Vídeo. Sinopse: Conseqüências ambientais, sociais autoritarismo e corrupção na exploração de petróleo no Azerbaidjão.
Média-metragem
Pontal do Paranapanema (Brasil, 2005). Direção: Francisco Guariba. Documentário. 52 min. Vídeo. Sinopse: Conflitos agrários e meio ambiente no Pontal do Paranapanema, São Paulo.
Dhobigat (Suíça, 2005). Direção: Giorgio Garini. Documentário. 48 min. Vídeo. Sinopse: Os homens lavadores de roupa em Mumbai, Índia, enfrentando a escassez de água e de moradia.
O Amendoim da Cutia (Brasil/Mato Grosso, 2005). Direção: Komoi Panará e Paturi Panará. Documentário. 51 min. Vídeo. Sinopse: Autocrítica bem-humorada dos índios panarás sobre a decadência de suas próprias tradições.
Gottes Plan und Menschen Hand (Alemanha, 2005). Direção: Dominik Wessely. Documentário. 52 min. Vídeo.
Sinopse: Princípios insuspeitados de planejamento urbano em uma cidade medieval.
Climate in Crisis: Part 2, The Destruction Beggins (Japão, 2006). Direção: Masahiro Fujikawa. Documentário. 52 min. Vídeo. Sinopse: Um alerta sobre o impacto das mudanças climáticas provocadas pelo aquecimento global.
Curta-Metragem
O Peixe Frito (Brasil/Goiás, 2005) Direção: Ricardo George de Podestá. Animação. 19 min. 35 mm. Sinopse: Neto adverte seu avô, velho pescador, sobre os males da pesca predatória no Rio Araguaia.
I Promise África (EUA, 2005). Direção: Jerry A. Henry. Documentário. 3 min. Vídeo. Sinopse: Vídeo poético sobre órfãos de vítimas da Aids no continente africano.
The True Cost of Cotton (Reino Unido, 2005). Direção: Giliian Hazel. Documentário. 8 min. Vídeo. Sinopse: Impactos ambientais e sociais da produção de algodão no Uzbequistão.
A Roaring Trade (Reino Unido, 2005). Direção: Steve Trent. Documentário. 25 min. Vídeo. Sinopse: A ameaça de extinção de sete espécies em função de seu uso na medicina tradicional e na culinária chinesas.
Metro Creciente (Espanha, 2005). Direção: Ignácio Sanchez Bravo. Documentário. 1 min. Vídeo. Sinopse: Especulação e exploração da terra na Europa.
La Tête dans les Étoiles (França, 2005). Direção: Sylvain Vincendeau. Animação. 9 min. 35 mm. Sinopse: O brilho das luzes da cidade impede que um jovem contemple as estrelas.
É da Raiz (Brasil/Goiás, 2006). Direção: Ângelo Lima. Documentário. 12 min. Vídeo. Sinopse: O hábito de tomar cachaça com raízes medicinais para a cura de males diversos.
Bartô (Brasil/Goiás, 2006) Direção: Luiz Botosso e Thiago Veiga. Animação. 6 min. Vídeo. Sinopse: Disputa entre um lenhador e um bode para salvar uma árvore.
Zôo (Brasil/Goiás, 2006). Direção: Daniel Lima. Animação. 5 min. Vídeo. Sinopse: O desabafo dos animais presos no zoológico.
Jin Riki Shaw (Alemanha, 2005). Direção: Dirk Schreier. Documentário. 13 min. Vídeo. Sinopse: Conflito entre riquixás e tráfego urbano em Calcutá, Índia.
Qual é o Meu Lugar? (Brasil/Goiás, 2006). Direção: Alex Jean Alves da Paixão. Animação. 1 min. Vídeo. Sinopse: Um pássaro busca lugar para pousar em área desmatada.
Sobrevivências (Brasil/RS, 2005). Direção: Ana Brenner e Gisleine Guerra. Documentário. 12 min. Vídeo.
Sinopse: As condições de vida dos moradores de Vila Chocolatão, na
periferia de Porto Alegre.
Séries de TV
Saudades do Brasil (Brasil/DF, 2005). Direção: Maria Maia. Série de televisão. Dois episódios. Duração total: 112 min. Vídeo. Sinopse: A vida do antropólogo Claude Lévi-Strauss no Brasil.
Europe (Áustria, 2005). Direção: Klaus Feichtenberger, Mary Colwell, Pip Lawson e Ian McCarthy. Série de televisão. Capítulo 1: Gênesis. Capítulo 3: Taming the Wild. Duração total: 98 min. Vídeo. Sinopse: A formação do continente europeu e suas transformações com a civilização.
Interessante essa discussão conceitual sobre a validade da expressão "cinema ambiental". Me lembrou certos comentários que rolaram aqui do Overmundo no começo, sobre o que é e o que não é cultura. Realmente é difícil limitar o que pode entrar ou não nessa classificação "ambiental" (assim como no "cultural"). Ao mesmo tempo, se o festival conseguiu se firmar assim, é pq de alguma forma a classificação tem apelo, né... Sei lá, só refletindo sobre as questões que vc levanta no texto...
Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 1/6/2006 17:28
helena, a discussão é muito boa mesmo, e se por enquanto meio restrita aos realizadores, tá se mostrando frutífera e imagino que deva chegar a mais gente em breve. que o festival continue e se expanda!
André Maleronka · São Paulo, SP 7/6/2006 18:01Infelizmente a melhor parte do festival é também a mais "dispensável", segundo os próprios organizadores. Digo isso porque ano após ano o que tem dado mais lucro não é a exibição de filmes, que está cada vez menos organizada devido a um investimento cada vez menor, mas sim os shows e a grande "feira livre" que ocorre na cidade nesse período. Estima-se que o investimento para a mostra tem diminuído, enquanto o investimento nos shows cresceu bastante. 80% dos visitantes da cidade de Goiás durante o FICA não assiste filme algum, continua sendo um festival elitizado disfarçado no meio da multidão que vai para chapar. O festival também está se concentrando muito mais no tema "cinema" que no tema "ambiente". Durante todo o festival, que frequento desde a terceira edição, jamais vi uma discussão séria fora dos filmes sobre problemas ambientais, nem encontrei ecólogos dispostos a essa discussão. FAlta um espaço de efetivação da ecologia no FICA. Por enquanto tem sido só conversa e imagens.
Janos Biro · Goiânia, GO 18/6/2006 12:14Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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