Os ensaios do Tangolomango 2010 começaram ontem e já prometem um espetáculo final, no mínimo, muito especial. Esse ano, o festival conta com sete grupos artísticos dos mais variados estilos: cinco nacionais, num mix de cultura popular com cultura urbana, e dois internacionais: Legatto 7, da Colômbia, e El Circo del Mundo, do Chile. Apesar da dificuldade de comunicação inerente às diferenças entre os idiomas, os integrantes de ambos os grupos não se mostraram acanhados. Muito pelo contrário, participaram de todas as atividades, demonstrando interesse pela cultura brasileira e pela experiência que o festival oferece.
Faltando dez minutos para as dez horas da manhã, Legatto 7 - que já tinha começado timidamente a aquecer suas vozes na arquibancada - foi para o meio do palco e deu uma pequena demonstração do que são capazes de fazer, a pedido de um dos jornalistas. Nesse momento, todos os outros presentes no espaço pararam para ouvi-los com curiosidade e grande surpresa. O que não poderia ser diferente.
Legatto 7 é uma banda vocal a capela, ou seja, os únicos instrumentos utilizados nas músicas são suas vozes. Pioneiros na Colômbia, o grupo composto por quatro homens e duas mulheres vem desenvolvendo essa proposta ambiciosa há 13 anos e traçando uma trajetória nacional e internacional - já se apresentaram em países como o México e a Espanha.
Pela segunda vez no Brasil, e primeira no Tangolomango, os colombianos foram o segundo grupo a se apresentar na grande roda formada no início da dinâmica. “Só somos seis, porque o sete é sempre o público”, disse um dos integrantes, antes de começarem a cantar e "tocar" com suas vozes. Primeiro entrou o baixo, depois a percussão e, por último, os backing vocals, levando aos lábios dos outros artistas sorrisos de admiração e interesse.
O último grupo a apresentar seu trabalho foi o Circo del Mundo, que esse ano trouxe três alunos recém formados para participar do festival. Francisco Alvarado, um dos coordenadores do grupo, começou explicando que o circo surgiu como um projeto social e que hoje está muito contente por participar pela segunda vez do festival – a primeira foi em 2008, no Rio de Janeiro -, mostrando um pouco da cultura circense do Chile e conhecendo culturas de outras regiões também.
Apesar de dois dos três artistas não terem tido a oportunidade de mostrar seu trabalho aéreo, por causa de uma falta de estrutura temporária, os alunos improvisaram acrobacias e jogos com malabares de forma descontraída no meio da roda.
Às onze horas da manhã, os grupos iniciaram o primeiro jogo da dinâmica, que consistia em ensinar um pouco da sua arte aos outros participantes. Enquanto o Di Freitas tocava, os chilenos do circo tiveram de improvisar malabarismos ao som da rabeca iluminada do cearense. Depois, o Legatto 7 improvisou uma música, para que os cariocas da Cia. Urbana de Dança pudessem mostrar seus passos de hip-hop, trazendo os outros artistas para participar do momento, pedindo que repetissem os sons que faziam. Dessa forma, os sete grupos foram aos poucos se conhecendo melhor e perdendo um pouco a timidez.
Uma das coisas que mais me impressionaram nesse primeiro dia de ensaio foi observar como os artistas conseguem se comunicar somente através de sua arte. Os integrantes do circo passaram quase a tarde toda em contato com os dançarinos da Cia. Urbana, rindo e interagindo uns com os outros sem a necessidade de dizer uma única palavra, apenas trocando passos de dança. Assim como os colombianos do Legatto 7, que improvisaram canções com os baianos da Nova Saga, imitando a batida do rap com a voz e acompanhando o que os meninos cantavam, e depois com o mestre Zé Pio, que se juntou ao sexteto para cantar uma música popular. Isso sem que precisassem trocar uma única palavra em portunhol, apenas com o olhar e a compreensão artística de cada um.
E isso tudo foi só o primeiro dia! Não sei não, mas acho que esse Tangolomango 2010 promete!
Muito bacana, Isabela.
Bom ver que o Tangolomango tem esse potencial de encantamento para pessoas diferentes, em lugares diferentes. Para mim, a impressão é sempre essa mesma, de deslumbramento, quando assisto a um ensaio em que as dinâmicas vão se sucedendo e os grupos se entendendo com o corpo, a voz, a música.
Fiquei curioso para saber se o Legatto 7 canta algum gênero particular nos vocais, se tem alguma semelhança com outras bandas mesmo que não sejam apenas só de vocais... E a história do "7" é bem interessante. Será mesmo que não havia um setimo integrante que saiu brigado com todo mundo? :)
Pois é, Viktor! Realmente não tem como não se deslumbrar. É uma mistura tão boa de talentos que a vontade é de se juntar e dançar/cantar com eles.
Quanto ao Legatto 7, ainda escreverei um texto com mais detalhes do grupo. Pode deixar. ;)
Beijos
Legal, Isabela! Pra mim uma das coisas mais valiosas do Tangolomango é reunir brasileiros com gente de outros países latino-americanos, coisa bem rara nos nossos festivais. Como você mostrou, o pessoal dá um jeito de "conversar", basta estar junto!
Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 9/8/2010 11:35
Salve, salve, a riqueza provinda da boa mistura permitida...
O"Silva · Belo Horizonte, MG 10/8/2010 11:26Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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